Usinas Termoelétricas
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USINAS TERMOELÉTRICAS


Introdução

Atualmente a problemática ambiental atinge todos os setores econômicos, classes sociais, bem como diretamente o indivíduo em suas relações interpessoais.

O surgimento de problemas sócio - ambientais, como ameaçadores à sobrevivência da vida em nosso planeta, é um fenômeno relativamente novo para a humanidade. À medida que, o ser humano "se distanciou da natureza" e passou a intervir no fluxo de energia e na produção de matéria, de uma maneira jamais antes vista, o equilíbrio dos principais ecossistemas planetários, cujo maior e mais ameaçado é o mar, entraram em colapso. A ruptura desse equilíbrio, consubstanciada na disponibilização de recursos , capazes de serem transformados em bens de consumo, através do uso intensivo da tecnologia e a alteração do fluxo de energia desses ecossistemas representam "uma enorme pressão" aos estoques remanescentes de biomassa, tornando desse modo vulnerável à manutenção, com um mínimo de dignidade e cidadania, da vida humana nesse início de século XXI.

Concomitante ao exposto, deve ser também considerado a terrível e injusta distribuição de renda em nível global, bem como o crescimento exponencial da população terrestre, jamais experimentado em toda a História da Humanidade.

Diante das premissas acima elencadas, é necessário que Projetos impactantes ao meio ambiente, como as termoelétricas e hidroelétricas, tenham mecanismos que resguardem o equilíbrio ambiental dos ecossistemas. O Licenciamento Ambiental torna-se, desse modo, um instrumento de Gestão e Política Ambiental. Em tese, o processo de Licenciamento Ambiental também é uma oportunidade para que a sociedade organizada discuta, democraticamente e transparentemente, com os empreendedores de Projetos impactantes ao meio ambiente, alternativas sustentáveis e ecologicamente corretas, além de promover o pleno exercício da cidadania das populações atingidas.

Os apontamentos que se seguirão terão como objetivo o aprofundamento no tema proposto, bem como a conscientização da problemática que envolve todo o sistema que o compõe. Para alcançarmos o conhecimento desejado, partiremos do conceito de termoelétrica, uma breve explanação do funcionamento das usinas termoelétricas, buscando sempre uma contextualização com o momento atual, ou seja, as implicações sociais, políticas e econômicas que envolvem o tema, relatando as opiniões de especialistas e defensores extremamente engajados nas questões ambientais, utilizando sempre bibliografia e referências dos autores mais gabaritados no assunto; finalizando com uma análise crítica, almejando um aprofundamento pragmático e engajado.


Termoelétricas

1. Usina termoelétrica: conceito, funcionamento, vantagens e desvantagens:

1.1. Conceito:

Define-se energia como a força natural, no mundo orgânico e inorgânico, que produz transformações e movimento no universo físico. Assim, o universo como o conhecemos é composto de matéria e energia, ambas dimensões permutáveis do mundo natural: a energia pode virar matéria e a matéria pode retornar ao estado de energia, assim como uma forma de energia pode ser transformada em outra.

Usina Termoelétrica é um conjunto de equipamentos adequadamente dispostos que tem por finalidade produzir energia elétrica a partir de energia térmica e através da reação de combustão (queima de combustíveis).

Os principais equipamentos são:

  • Turbina
  • Gerador
  • Transformador
  • Linhas de conexão

A usina termoelétrica utiliza como combustível para aquecer a água: o carvão, o óleo e o gás natural.

O combustível é armazenado em depósitos para depois ser queimado e aquecer a água que está na caldeira. O vapor gerado nesse aquecimento movimenta as pás de uma turbina, que conseqüentemente movimenta o gerador produzindo energia elétrica.

A energia é transportada até os centros de consumo por fios de alta tensão. O vapor é resfriado em um condensador e transformado outra vez em água, que volta aos tubos da caldeira, iniciando um novo ciclo.

A água em circulação que resfria o condensador libera o calor extraído da atmosfera através de torres de refrigeração (grandes estruturas que identificadoras essas centrais). Parte do calor extraído passa para o mar ou para um rio próximo.

A central dispõe de uma chaminé de grande altura, aproximadamente 300 metros, para amenizar os efeitos contaminadores da combustão sobre os arredores, e também de alguns precipitadores que retêm as cinzas e outros resíduos voláteis da combustão.

Como o calor produzido é intenso, devido as altas correntes geradas, é importante o resfriamento dos geradores. O hidrogênio é melhor veículo de resfriamento que o ar; como tem apenas 1/14 da densidade deste, necessita de menos energia para circular. Recentemente, foi adotado o método de resfriamento líquido, por meio de óleo ou água. Os líquidos nesse processamento são muito superiores aos gases, a água, por exemplo, é 50 vezes melhor que o ar.

A potência mecânica obtida pela passagem do vapor através da turbina e no gerador é que transforma a potência mecânica em potência elétrica.

Essa energia produzida é levada através de cabos condutores, dos terminais do gerador para o transformador elevador, onde sua tensão é elevada para adequado transporte até os centros de consumo.

Para que possa ser consumida, a energia tem sua tensão levada a níveis adequados, através de transformadores.

A descrição acima refere-se às centrais clássicas, ainda que exista, mesmo em fase de pesquisa, outra geração de termoelétricas que aprimorem o rendimento na combustão do carvão e diminuam o impacto no meio ambiente: são as centrais de combustão de leito fluidificado. Uma central nuclear também pode ser considerada uma central termoelétrica, devido ao fato de seu combustível radioativo também ser queimado para a produção de energia necessária para seu funcionamento.

1.2. Vantagens do Gás Natural:

Baixo impacto ambiental: o gás é um combustível ecológico, cuja queima tem uma combustão limpa. Assim sendo, não piora a qualidade do ar, pois substitui formas de energias poluidoras como carvão, lenha e óleo combustível. Além de tudo, contribui para a redução do desmatamento.

Facilidade de transporte e manuseio: Contribui para a diminuição do tráfego de caminhões transportadores de outros tipos de combustíveis. Sem necessidade de estocagem, elimina os riscos do armazenamento de combustíveis.

Vetor de atração de investimentos: A disponibilidade do gás atrai novas empresas, contribuindo para a geração de empregos na região.

Segurança: Sendo mais leve do que o ar, o gás se dissipa com maior velocidade pela atmosfera caso aja vazamento. Esta é a grande diferença em relação ao gás de cozinha (GLP) que, por ser mais pesado que o ar, tende a se acumular junto ao ponto de vazamento, facilitando a formação de mistura explosiva. Por estar no estado gasoso, o gás natural não precisa ser atomizado para queimar. O resultado disso é uma combustão limpa, com menor emissão de poluentes e melhor rendimento térmico, possibilitando diminuição de gastos com a manutenção e melhor qualidade de vida para a população. Esse tipo de usina também permite gerar energia nos períodos de seca.

1.3. Vantagens do Carvão Mineral:

  • existências de boas jazidas;
  • fácil extração;
  • custos moderados;
  • combustível cotado em moeda nacional;
  • questões ambientais equacionadas.

1.4. Vantagens do Biodiesel:

Os biocombustíveis são energias renováveis, provenientes de biomassas. Liberam na atmosfera uma quantia significativamente menor de poluentes em relação aos combustíveis derivados de petróleo. Alguns exemplos mais conhecidos são: o hidrogênio, o álcool (etanol) e o gás natural. Porém, este último é uma fonte de origem não-renovável.

O biodiesel, por sua vez, consiste em uma fonte renovável de energia e apresenta conveniências frente ao hidrogênio e ao álcool:

  • é mais barato que o hidrogênio;
  • sua produção é menos limitada à região sudeste, como no caso do etanol proveniente da cana-de-açucar;
  • ele pode ser produzido em qualquer região do país, inclusive no semi-árido;
  • ele é produzido a partir de óleos vegetais, sebo de origem animal, óleo de frituras e da matéria graxa encontrada nos esgotos municipais;
  • é considerado um forte candidato a substituto do petróleo e seus derivados.

O biodiesel apresenta vantagens ambientais frente ao diesel de petróleo. Ele permite que se estabeleça um ciclo fechado de carbono, ou seja, a planta que será utilizada como matéria-prima, enquanto em face de crescimento, absorve o CO2 e o libera novamente quando o biodiesel é queimado na combustão do motor. Segundo estudos, com esse ciclo fechado estabelecido, o biodiesel reduz em até 78% as emissões líquidas de CO2.

Além disso, o uso desse biocombustível reduz significativamente as emissões de:

  • 20% de enxofre;
  • 9,8% de anidrido carbônico;
  • 35% de hidrocarbonetos não-queimados;
  • 55% de material não-particulado;
  • 78 a 100% dos gases causadores do efeito estufa;
  • 100% de compostos sulfurados e aromáticos;

1.5. Vantagens e desvantagens da Usina Termoelétrica:

A principal vantagem da Usina Termoelétrica é que ela pode ser construída próximo ou junto aos locais de consumo, o que implica grande economia nos custos de implantação das redes de transmissão. O gás natural pode ser usado como matéria-prima para a geração de calor, eletricidade e força motriz, nas indústrias siderúrgicas, químicas, petroquímicas e de fertilizantes, com a vantagem de ser menos poluente que os combustíveis derivados do petróleo e do carvão.

A maior desvantagem das usinas termoelétricas são os elevados gastos com o consumo de combustíveis e sua manutenção. Além disso, dependendo do combustível, há os impactos ambientais como: poluição do ar, aquecimento das águas, o impacto da construção de estradas para o abastecimento de combustível da Usina, agravamento do efeito estufa, chuva ácida, entre outros.

1.5.1 Poluição Atmosférica

Os principais causadores dessa poluição são a queima de carvão e de combustíveis derivados de petróleo.

A emissão de gases tóxicos por veículos automotores é a maior fonte de poluição atmosférica.

Nas cidades, esses veículos são responsáveis por 40% da poluição do ar, porque emitem gases como o monóxido e o dióxido de carbono, o óxido de nitrogênio, o dióxido de enxofre, derivados de hidrocarbonetos e chumbo. As refinarias de petróleo, indústrias químicas e siderúrgicas, fábricas de papel e cimento emitem enxofre, chumbo e outros metais pesados, e diversos resíduos sólidos.

A identificação de uma fonte de poluição atmosférica, depende, antes de mais nada, dos padrões adotados para definir os agentes poluidores e seus efeitos sobre homens, animais, vegetais ou outros materiais, assim como dos critérios para medir os poluentes e seus efeitos.

Essas alterações provocam no homem distúrbios respiratórios, alergias, lesões degenerativas no sistema nervoso, em órgãos vitais e câncer. Em cidades muito poluídas, esses distúrbios se agravam no inverno com a inversão térmica, quando uma camada de ar frio forma uma redoma na alta atmosfera, aprisionando o ar quente e impedindo a dispersão dos poluentes.

Qualquer contaminação do ar por meio de desperdícios gasosos, líquidos, sólidos, ou por quaisquer outros produtos que podem vir (direta ou indiretamente) a ameaçar a saúde humana, animal ou vegetal, ou atacar materiais, reduzir a visibilidade ou produzir odores indesejáveis pode ser considerada poluição atmosférica.

Entre os poluentes do ar oriundos de fontes naturais, o Radão (Rn) - gás radioativo, é o único altamente prejudicial à saúde humana.

O Radão é originado pela degradação do Urânio e quando se liberta torna-se perigoso para os organismos vivos. Um dos perigos comuns deste gás é a sua acumulação em cavidades de casas situadas sobre certos tipos de rochas que em reação com o Urânio vêm a libertar o Radão, é por isso que este está presente em quase 20% das casas americanas em concentrações perigosas a ponto de poder causar cancro pulmonar.

Os países industrializados são os maiores produtores de poluentes, enviando anualmente bilhões de toneladas para a atmosfera. A tabela que se segue mostra os principais poluentes do ar e os seus efeitos, o seu nível de concentração no ar é dado pelo número de microgramas de poluente por m3 de ar, ou, no caso dos gases, em termos de partes por milhão (ppm), o que expressa o número de moléculas do poluente por um milhão de moléculas constituintes do ar.

Poluente

Principal Fonte

Comentários

Monóxido de Carbono (CO)

Escape dos veículos motorizados; alguns processos industriais.

Limite máximo suportado: 10 mg/m3 em 8 h (9 ppm); 40 mg/m3 numa 1 h (35 ppm)

Dióxido de Enxofre (SO2)

Centrais termoelétricas a petróleo ou carvão; fábricas de ácido sulfúrico

Limite máximo suportado: 80 mg/m3 num ano (0,03 ppm); 365 mg/m3 em 24 h (0,14 ppm)

Partículas em suspensão

Escape dos veículos motorizados; processos industriais; centrais termoelétricas; reação dos gases poluentes na atmosfera

Limite máximo suportado: 75 mg/m3 num ano; 260 mg/m3 em 24 h; compostas de carbono, nitratos, sulfatos, e vários metais como o chumbo, cobre, ferro

Chumbo (Pb)

Escape dos veículos motorizados; centrais termoelétricas; fábricas de baterias

Limite máximo suportado: 1,5 mg/m3 em 3 meses; sendo a maioria do chumbo contida em partículas suspensão.

Óxidos de Azoto (NO, NO2)

Escape dos veículos motorizados; centrais termoelétricas; fábricas de fertilizantes, de explosivos ou de ácido nítrico

Limite máximo suportado: 100 mg/m3 num ano (0,05 ppm)- para o NO2; reage com Hidrocarbonos e luz solar para formar oxidantes fotoquímicos

Oxidantes fotoquímicos- Ozônio (O3)

Formados na atmosfera devido a reação de Óxidos de Azoto, Hidrocarbonos e luz solar

Limite máximo suportado: 235 mg/m3 numa hora (0,12 ppm)

Etano, Etileno, Propano, Butano, Acetileno, Pentano

Escape dos veículos motorizados; evaporação de solventes; processos industriais; lixos sólidos; utilização de combustíveis

Reagem com Óxidos de Azoto e com a luz solar para formar oxidantes fotoquímicos

Dióxido de Carbono (CO2)

Todas as combustões

São perigosos para a saúde quando em concentrações superiores a 5000 ppm em 2-8 h; os níveis atmosféricos aumentaram de cerca de 280 ppm, há um século atrás, para 350 ppm atualmente, algo que pode estar a contribuir para o Efeito de Estufa

Muitos dos poluentes são originados por fontes diretamente identificáveis como por exemplo: o Dióxido de Enxofre que tem como origem as centrais termoelétricas a carvão ou petróleo. Existem outros casos nos quais a origem é bem mais remota e os poluentes formam-se a partir da ação da luz solar sobre materiais bastante reativos. Para este caso temos o exemplo do Ozônio que é um poluente muito perigoso quando constituinte do chamado ''smog''. O Ozônio é produto das interações entre Hidrocarbonetos e Óxidos de Azoto quando sob a influência da luz solar. Mas mesmo sem conseguir identificar objetivamente a sua origem sabe-se que o Ozônio tem sido causa de grandes danos sobre campos de cultivo.

Por outro lado, as descobertas, na década de 80, de poluentes, tais como os Clorofluorcarbonetos, que estão causando perdas na camada de Ozônio (onde este é mais do que benéfico) que protege a Terra, vieram a despopularizar o uso de produtos contendo CFCs e é alvo de grandes campanhas na atualidade cujos resultados bastante positivos estão à vista. Apesar de tudo não se sabe se as ações tomadas de forma a preservar a camada de Ozônio foram a tempo de evitar um desastre.

1.5.2. Efeitos meteorológicos e sobre a Vida

A poluição, quando concentrada, acaba por se diluir ao misturar-se com a atmosfera; o grau de diluição é algo que depende, para além da própria natureza do poluente, e de um grande número de fatores (temperatura, velocidade do vento, movimento dos sistemas de alta e de baixas pressões e a sua interação com a topografia local - montes, vales). Apesar de na Troposfera (camada atmosférica mais superficial) a temperatura ter tendência a diminuir com a altitude, o caso da inversão térmica contraria tal tendência. A inversão térmica dá-se quando uma camada de ar quente se sobrepõe a uma mais fria à superfície terrestre, logo o ritmo em que a poluição se mistura com o ar é retardado e a poluição acumula-se próximo do chão. O fenômeno da inversão térmica pode-se manter ativo enquanto esteja sob o efeito de altas pressões desde que os ventos tenham velocidades baixas.

Após períodos de apenas 3 dias de um fraco ritmo de mistura da poluição atmosférica a acumulação de tais produtos no ar respirado pelos seres vivos pode, em casos extremos, levá-los à morte. Uma inversão sobre Donora no estado da Pensilvânia nos E.U.A., no ano de 1948, causou doenças respiratórias em 6000 pessoas e levou à morte de 20. Grandes acumulações de poluição sobre Londres levaram à morte de 3500-4000 pessoas em 1952 e outras 700 em 1962. Foi devido à libertação de Isocianato Metílico no ar durante uma inversão térmica, que se deu o acidente de Bhopal, na Índia, em Dezembro de 1984, um grande desastre, que causou, pelo menos, 3300 mortes e mais de 20000 doentes.

Os efeitos da exposição a baixas concentrações de poluição ainda não estão bem estudados; contudo, os que mais risco correm são os mais novos e os mais velhos, os fumantes, os trabalhadores expostos a materiais tóxicos e pessoas com problemas cardíacos e respiratórios. Outros efeitos nocivos da poluição atmosférica são os potenciais danos na fauna e na flora.
Normalmente os primeiros efeitos perceptíveis da poluição são estéticos e podem não ser, necessariamente, perigosos. Estes incluem a redução da visibilidade devido a pequenas partículas em suspensão no ar ou maus cheiros, como o cheiro a ovos podres causado pelo ácido sulfídrico emanado por fábricas de celuloses.

1.5.3. Fontes e Controle

A combustão do carvão, petróleo e derivados é culpada pela grande parte dos poluentes em suspensão no ar: 80% do Dióxido de Enxofre, 50% do Dióxido de Azoto e ainda de 30% a 40% das partículas emitidas para a atmosfera nos E.U.A. são produzidos em centrais termoelétricas que fazem uso de combustíveis fósseis, caldeiras industriais e fornalhas domésticas. 80% do Monóxido de Carbono e 40% dos Óxidos de Azoto e Hidrocarbonetos são oriundos da combustão da gasolina e dos combustíveis diesel em carros e caminhões. Outras grandes fontes de poluição incluem siderurgias, incineradoras municipais, refinarias de petróleo, fábricas de cimento e fábricas de ácido nítrico e sulfúrico.

Os poluentes potenciais podem estar presentes entre os materiais que tomam parte numa combustão ou reação química (como o chumbo na gasolina), ou podem ser produzidos como resultado da reação. O Monóxido de Carbono, é, por exemplo, produto típico dos motores de combustão interna. Os métodos para controlar a poluição têm que englobar assim a remoção do material nocivo antes da sua utilização, a remoção do poluente depois da sua formação, ou a alteração do processo de forma que o poluente não se forme, ou que libertem baixíssimas quantidades deste. Os poluentes oriundos dos automóveis podem ser controlados pela combustão da gasolina da forma mais eficiente possível, pela reposição em circulação de gases oriundos do tanque de combustível, do carburador, e do cárter, e pela transformação dos gases de escape em substâncias inofensivas por meio de catalisadores. As partículas emitidas pelas industrias podem ser encurraladas em ciclones, precipitações eletrostáticas, e em filtros. Os gases poluentes podem ser capturados em líquidos ou sólidos ou incinerados de forma a obter substâncias inofensivas.

1.5.4. Efeitos em Larga Escala

As altas chaminés usadas pela indústria não removem os poluentes, simplesmente expelem-nos um pouco mais alto para a atmosfera, logo reduzindo a sua concentração no local, ao nível do solo. Estes poluentes dissipados podem assim ser transportados para zonas longínquas e produzir efeitos adversos em áreas distantes da zona de emissão.

As emissões de Dióxido de Enxofre e Óxidos de Azoto nos E.U.A. centrais e orientais estão causando chuvas ácidas no estado de Nova Iorque, Nova Inglaterra e na parte oriental do Canadá. Os níveis de pH de vários lagos de água fresca na região foram alterados dramaticamente por esta chuva que acabaram por destruir cardumes inteiros de peixes. Efeitos idênticos foram também observados na Europa. As emissões de Óxido de Enxofre e subsequente formação de ácido sulfúrico podem também ser responsáveis por ataques em mármores e pedras de calcárias a longas distância da sua origem. O aumento da combustão de carvão e petróleo desde os finais dos anos 40 levou a uma crescente concentração de Dióxido de Carbono na atmosfera. Se isto continuar, o aumento resultante do Efeito Estufa permitiria à radiação solar penetrar na atmosfera, mas diminuiria as consequentes emissões de radiação terrestre - os raios infravermelhos, deixando-os encurralados na atmosfera poderia, provavelmente, levar ao aumento da temperatura global do planeta que iria afetar o clima em nível global e levaria ao degelo das calotas polares. Muito possivelmente um aumento da nebulosidade ou a absorção do Dióxido de Carbono excessivo pelos oceanos impediria um aumento do Efeito de Estufa até o ponto de derreter as calotas polares. Contudo, várias pesquisas levadas a cabo durante os anos 80 comprovaram que o Efeito de Estufa está realmente aumentando e que todos os países deviam imediatamente adotar medidas para lutar contra este aumento.

1.5.5. Poluição da Água

As principais formas de poluição que afetam as nossas reservas de água, são classificadas em biológica, térmica, sedimentar e química.

Poluição biológica: resulta da presença de microorganismos patogênicos (bactérias, vírus, protozoários, vermes); especialmente na água potável.

As doenças transmitidas diretamente através da água são: cólera, febre tifóide, febre paratifóide, disenteria bacilar, amebíase, hepatite infecciosa e poliomelite.

Poluição térmica: ocorre freqüentemente pelo descarte nos rios, lagos, oceanos, de grandes volumes de água aquecida usada no resfriamento de uma série de processos industriais. O aumento de temperatura causa três efeitos: 1º) a solubilidade dos gases em água diminui como aumento da temperatura. Assim há um decréscimo na quantidade de oxigênio dissolvido na água, prejudicando a respiração dos peixes e de outros animais aquáticos; 2º) há uma diminuição do tempo de vida de algumas espécies aquáticas, afetando os ciclos de reprodução; 3º) potencializa-se a ação dos poluentes já presentes na água, pelo aumento na velocidade das reações.

Poluição sedimentar: resulta do acumulo de partículas em suspensão. Esses sedimentos poluem de várias maneiras: os sedimentos bloqueiam a entrada dos raios solares na lâmina de água, interferindo na fotossíntese das plantas aquáticas e diminuindo a capacidade dos animais aquáticos de vir a encontrar comida; os sedimentos também conduzem poluentes químicos e biológicos neles absorvidos.

Poluição química: é a mais problemática de todas as formas de poluição aquática, é causada pela presença de produtos químicos nocivos ou indesejáveis. Seus efeitos pode ser sutis e levar muito tempo para serem sentidos. Quando os fertilizantes e outros nutrientes vegetais entram nas águas paradas de um lago ou um rio de águas lentas, causam um rápido crescimentos de plantas superficiais, especialmente das algas, que tornam as águas tóxicas. À medida que essas plantas crescem, formam um tapete que pode cobrir a superfície, isolando a água do oxigênio do ar, levando a morte dos peixes e outros animais aquáticos. É o fenômeno conhecido como floração da água e torna reservatórios de água potável (lagoas, lagos, etc.), imprestáveis para o uso.

  • Compostos orgânicos sintéticos: o aumento da produção industrial de compostos orgânicos sintéticos que são plásticos, detergentes, solventes, tintas, inseticidas, herbicidas, produtos farmacêuticos, aditivos alimentares etc, muitos desses produtos são cor ou sabor à água e alguns são tóxicos.
  • Petróleo: estima-se que aproximadamente 6 milhões de toneladas de petróleo são despejadas no mar a cada ano, uma parte devido a acidentes no embarque e desembarque desse minério nos navios. O derramamento de petróleo no mar acaba causando a morte de grandes quantidades de plantas, peixes e aves marinhas.
  • Compostos orgânicos e minerais: o descarte desses compostos pode acarretar variações danosas na acidez, na alcalinidade, na salinidade e na toxidade das águas. Uma classe particularmente perigosa de compostos são os metais pesados (Cu, Zn, Pb, Cd, Hg, Ni, Sn, etc), muitos deles estão ligados a alterações degenerativas do sistema nervoso central, uma vez que não são metabolizados pelos organismos produz o efeito de biocumulação: quanto mais se ingere água contaminada, maior o acúmulo destes nos tecidos do organismo.
  • Esgoto: certos resíduos de esgoto são regularmente lançados ao mar. O esgoto é potencialmente prejudicial à saúde, nadar em águas poluídas pode causar distúrbios desagradáveis, como gastroenterites, irritação cutâneas e infecções de ouvido, nariz e garganta.

1.5.6. Chuva Ácida

Inicialmente, é preciso dizer que a água já é naturalmente ácida, devido a uma pequena quantidade de dióxido de carbono (CO2) dissolvido na atmosfera, a chuva torna-se ligeiramente ácida. Ela adquire assim um efeito corrosivo para a maioria dos metais, para o calcário e outras substâncias.

Quando não é natural, a chuva ácida é provocada principalmente por fábricas e carros que queimam combustíveis fósseis, como carvão e o petróleo. Desta poluição um pouco se precipita, depositando-se sobre o solo, árvores, monumentos, etc. Outra parte circula na atmosfera e se mistura com o vapor da água. Passa então a existir o risco da chuva ácida.

1.5.7. Efeitos da chuva ácida:

A chuva ácida é retida pelas nuvens e pode viajar até 500 Km por dia, dependendo da direção e força do vento. Devido à sua composição, estas chuvas alteram a composição química do solo, provocam o envenenamento dos cursos de água, fauna e flora, atingindo a cadeia alimentar, sendo ainda responsáveis pela corrosão de metais, rochas e edifícios.

1.5.8. Prejuízos para o homem e para o meio ambiente:

Prejuízos para o homem:

  • Saúde: a chuva libera metais tóxicos que estavam no solo. Esses metais podem alcançar rios e serem utilizados pelo homem causando sérios problemas de saúde.
  • Prédios, casas, arquitetura: a chuva ácida também ajuda a corroer os materiais usados nas construções, destruindo represas, turbinas hidrelétricas etc.

Prejuízos para o meio ambiente:

  • Lagos: os lagos podem ser os mais prejudicados com o efeito da chuva ácida, pois podem ficar totalmente acidificados, perdendo toda a sua vida.
  • Desmatamentos: a chuva ácida faz clareiras, matando duas ou três árvores. Isso pode destruir uma floresta.

Agricultura: a chuva afeta plantações quase do mesmo jeito que das florestas, só que é destruída mais rápido já que as plantas são do mesmo tamanho, tendo assim mais áreas atingidas.

1.5.9. Chuvas ácidas no Brasil:

A chuva ácida pode ocorrer nas áreas sob influência da poluição produzida pelas indústrias de Cubatão, próximo à Serra do Mar. Nesta região ocorre um fenômeno muito grave, a morte da floresta Atlântica que recobre a serra. As árvores de maior porte morrem devido à poluição. Os poluentes geram as chuvas ácidas, que causam a queda das folhas em algumas árvores. A morte das árvores e o apodrecimento das raízes são prejudiciais ao ambiente da Serra, pois, podem causar em vários pontos verdadeiras avalanches de lama e pedras. Caso esse processo se torne freqüente, poderá causar entupimento de rios (assoreamento) e inundações.

Como evitar a chuva ácida?

Conservar energia: hoje em dia o carvão, o petróleo e o gás natural são utilizados para suprir 75% dos gastos de energia. Nos podemos cortar estes gastos pela metade e ter um alto nível de vida. Eis algumas sugestões para economizar energia:

  • Transporte coletivo: diminuindo-se o número de carros e a quantidade de poluentes também diminui.
  • Utilização do metrô: por ser elétrico polui menos do que carros.
  • Utilizar fontes de energia menos poluentes: energia geotérmica, energia das marés, energia eólica, energia nuclear (embora cause preocupação para as pessoas, em relação à possíveis acidentes e para onde levar o lixo nuclear).
  • Purificações dos escapamentos dos veículos, utilizar gasolina sem chumbo e adaptar um conservador catalítico.
  • Utilizar combustíveis com baixo teor de enxofre.

As chuvas ácidas têm trazido conseqüências muito nefastas para o nosso planeta. É preciso estar preparado, conhecer e encontrar soluções que em nível individual que comunitário e que os governantes tomem decisões políticas urgentes.

1.6) Efeito Estufa

O carbono presente na atmosfera garante uma das condições básicas para a existência de vida no planeta: a temperatura. A Terra é aquecida pelas radiações infravermelhas emitidas pelo Sol até uma temperatura de 27ºC. Essas radiações chegam à superfície e são refletidas para o espaço. O carbono forma uma redoma protetora que aprisiona parte dessas radiações infravermelhas e as reflete novamente para a superfície. Isso produz um aumento de 43ºC na temperatura média do planeta, mantendo-a em torno dos 16ºC. Sem o carbono na atmosfera a superfície seria coberta de gelo. O excesso de carbono, no entanto, tenderia a aprisionar mais radiações infravermelhas, produzindo o chamado efeito estufa: a elevação da temperatura média a ponto de reduzir ou até acabar com as calorias de gelo que cobrem os pólos. Os cientistas ainda não estão de acordo se o efeito estufa já está ocorrendo, mas preocupam-se com o aumento do dióxido de carbono na atmosfera a um ritmo médio de 1% ao ano. A queima da cobertura vegetal nos países subdesenvolvidos é responsável por 25% desse aumento. A maior fonte, no entanto, é a queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, principalmente nos países desenvolvidos. O Japão é o que tem registrado maior crescimento: de 1985 a 1989, sua emissão de dióxido de carbono passa de 265 milhões de toneladas por ano para 299 milhões.

Novo dilúvio – pesquisas realizadas pela Nasa mostram que a temperatura média do planeta já subiu 0,18ºC desde o início do século. Nos anos 80, fotos tiradas pelo satélite meteorológico Nimbus em um período de 15 anos registram a diminuição do perímetro de gelo em volta dos pólos. Supondo o efeito estufa em ação, os cientistas projetam um cenário de dilúvio: o aquecimento do ar aumenta a evaporação da água do mar, cria um maior volume de nuvens, faz crescer o nível de chuvas e altera o regime dos ventos. Haveria chuvas intensas em áreas hoje desérticas, como o meio-oeste dos EUA. O degelo das calotas polares elevaria o nível do mar, inundando ilhas e áreas costeiras.

O aumento da temperatura global também provocaria a multiplicação de ervas daninhas e insetos. A absorção do excesso de dióxido de carbono faria a vegetação crescer mais rapidamente e retirar mais nutrientes do solo. Segundo essas projeções, as florestas temperadas só sobreviveriam no Canadá.


2.) Usinas Termoelétricas - danos ao ambiente e ao país

A temperatura superficial da Terra é determinada por um balanço de energia entre a radiação solar incidente e a radiação térmica rejeitada para o espaço. Se não houvesse uma atmosfera envolvendo a Terra, como em Mercúrio, sua temperatura superficial seria da ordem de -18ºC. Porém, a camada gasosa que cobre a Terra contém, além de oxigênio e nitrogênio, dióxido de carbono (CO2) e outros gases que permitem que a radiação térmica de onda curta passe através da camada, mas absorve a maior parte da radiação térmica de onda longa emitida pela superfície terrestre. Este é um processo similar ao que ocorre em um pote de vidro ou dentro de um carro exposto ao sol, sendo esse processo conhecido como "efeito estufa". Essas propriedades de absorção seletiva dos gases da atmosfera resultam em uma temperatura média global propícia à vida em suas várias formas.

Porém, algumas atividades humanas têm aumentado significativamente a concentração global de certos gases na atmosfera, sobretudo o CO2. À medida que a concentração desses gases aumenta, a temperatura superficial média da Terra também deve aumentar para manter o balanço de energia entre a radiação que chega e a que sai da Terra. Projeções científicas prevêem que dobrando-se a quantidade de CO2 na atmosfera em relação aos níveis atuais, resultaria em um aumento de 3 a 5º C na temperatura média da superfície da Terra. Este aumento de temperatura pode causar o aumento do nível do mar, provocando alterações drásticas dos climas regionais e dos padrões de precipitação de chuvas.

A produção global anual atual de CO2 devido a atividades humanas é estimada em 23 bilhões de toneladas. Mas, além do problema da elevação da temperatura ambiente, a queima de combustíveis fósseis libera certos óxidos, como o NOx e o SO2, que por sua vez se transformam na atmosfera em poluentes secundários como o ácido nítrico e o ácido sulfúrico, ambos facilmente dissolvíveis em água. Os ácidos também podem se transformar em sais de enxofre e de nitrogênio e estes ácidos, então, podem se precipitar através da chuva (conhecida como chuva ácida), neblina ou neve. Os danos dessa chuva podem ser causados em florestas, plantações, lagos, peixes, prédios, água de abastecimento, carros, pessoas, etc, e, com o aumento da acidez da terra, os recursos de alimentação e produção diminuem. Nas Filipinas, a poluição - basicamente CO2 - causada por uma usina termoelétrica, provocou sérios problemas respiratórios na população residente nas vizinhanças bem como a redução da produção e qualidade dos produtos agrícolas, dos empregos e da renda.

Este governo "brasileiro" pretende agora instalar 49 usinas termoelétricas no Brasil inteiro, movidas a gás natural e a serem compradas de multinacionais. E, se as concessionárias que possuirão essas malfadadas usinas estão sendo privatizadas, por que os gastos com as instalações estão sendo feitos com o dinheiro do povo pobre e indo em benefício de particulares multibilionários? Não devia ser o povo brasileiro a ganhar com a "venda"? E ao contrário do que tem sido divulgado no Brasil como propaganda enganosa, o gás natural não é energia limpa, ele é apenas 20% menos poluente do que o petróleo. Para cada GWh produzido com gás natural, são emitidas em torno de 500 toneladas de CO2 para a atmosfera. E para que essas 500 toneladas sejam lançadas ao ar do Brasil, basta apenas duas horas de operação de cada uma dessas usinas que querem desnecessariamente espalhar pelo País. Os gases poluentes emitidos agora para a atmosfera demorarão 150 anos para se dissipar. Além de todo esse dano, a termoelétrica ainda tem capacidade de causar outros enormes prejuízos ao ambiente. Uma termoelétrica necessita de enormes volumes de água para a refrigeração de seus equipamentos e por causa disso ela sempre é instalada perto de grandes mananciais, como rios e lagos. A termoelétrica pega a água fria do rio e a devolve muito quente ao caudal, cuja água então aquecida é capaz de destruir a sua fauna e flora.

Nos últimos dias está sendo veiculada uma campanha publicitária que usa o seguinte slogan para as termoelétricas: "Sem influência das estações climáticas". É ‘perfeitinho’, pois o slogan certo mesmo para as termoelétricas é: "Têm influência nas estações climáticas"!

O Brasil tem muito a ganhar em termos de conservação de energia, por exemplo. O Coeficiente de Intensidade Energética (CIE) que dá uma medida do quanto eficiente é o parque energético, indica que o CIE do Brasil é de 0,64 enquanto que o da Alemanha é de 0,32 e o do Japão é de 0,27, mostrando que existe muito espaço no Brasil para tecnologias e medidas que aumentem a eficiência energética. Uma geladeira feita no Brasil consome cerca de 350 kWh enquanto que essa geladeira de mesmo tamanho feita na Dinamarca consome 100 kWh. Ou seja, nossas indústrias consomem muita energia para produzir equipamentos que consomem muita energia e, conseqüentemente, com preços mais elevados. Seria (se é que alguma coisa ainda faz sentido no Brasil de hoje...) preciso que o governo criasse medidas para auxiliar a modernidade do nosso parque industrial. Assim, além de podermos encontrar mais energia aqui mesmo, ao mesmo tempo nos tornaríamos mais competitivos nos mercados internacionais.

Não é com a instalação de usinas poluentes, danosas e caras que iremos aumentar nossa eficiência energética e nossa competitividade, ao contrário, continuaremos obsoletos e nos prejudicando ainda mais. O custo médio do MWh da hidrelétrica fica entre US$ 17 a US$ 20, enquanto que o MWh da usina termoelétrica está em torno de US$ 35. As nossas linhas de transmissão também são obsoletas e estima-se que nos países do terceiro mundo a correspondente perda de energia é da ordem de 20% da energia gerada. Vinte por cento sobre a capacidade instalada no Brasil corresponde à cerca de 12 GW, exatamente uma usina de Itaipu. Adicionalmente, anos atrás lançamos pela imprensa nacional a idéia de um programa de substituição parcial das lâmpadas atuais por lâmpadas mais eficientes existentes no mercado. Verificamos, naquela época, que através de um programa desses poderíamos ganhar em todo o Brasil o equivalente a mais uma usina de Itaipu.

O Brasil possui um potencial hidrelétrico de 195.000 MW além do que já está instalado, sendo que mais de 50% disto está na Amazônia. E o Norte já está interligado ao resto do País por meio de linhas de transmissão. O problema do consumo de energia restringe-se basicamente às horas de pico, entre às 17:30 e 20:30 e a duração do pico máximo é de menos de uma hora, sendo que no restante do dia a capacidade energética instalada fica praticamente super-dimensionada. Além disso, nesses últimos anos os índices econômicos e sociais brasileiros se tornaram negativos, o que deve ter conduzido a uma diminuição do consumo de energia.

A energia solar pode dar uma enorme contribuição para a redução do consumo-pico de energia elétrica bem como proteger o ambiente e diminuir a demanda de energia convencional. Poderíamos ainda citar várias outras soluções, mas apenas mencionaremos as micro-hidrelétricas como saída complementar. Com a disponibilidade de recursos de toda ordem e de energia limpa que o Brasil foi abençoado (às vezes parece não ser meritório) e com as possibilidades de conservação de energia verifica-se que não precisamos danificar o País nem aumentar a poluição do nosso ar com essas nefastas usinas termoelétricas, que gerarão piores conseqüências depois porém mais endividamento do País e empobrecimento do povo agora. Temos muita energia de sobra e limpa aqui mesmo sem necessidade de gastarmos em geração termoelétrica que é alienígena aos nossos recursos energéticos e danosa ao País, ao povo e ao ambiente. Todavia, a solução dos problemas brasileiros não tem passado pelos caminhos do apoio explícito às necessidades básicas do povo e da defesa da Nação.


3) O que é energia Alternativa?

A energia tem sido através da historia a base do desenvolvimento das civilizações. Nos dias atuais são cada vez maiores as necessidades energéticas para a produção de alimentos, bens de consumo, bens de serviço e de produção, lazer, e finalmente para promover o desenvolvimento econômico, social e cultural. É assim, evidente a importância da energia não só no contexto das grandes nações industrializadas, mas principalmente naquelas em via de desenvolvimento, cujas necessidades energéticas são ainda mais dramáticas e prementes. Acreditamos ser chegada a hora de ingressarmos na era das fontes alternativas de energia. As fontes alternativa de energia vem através dos tempos ganhando mais adeptos e força no seu desenvolvimento e aplicação, tornando-se uma alternativa viável para a atual situação em que o mundo se encontra, com as crises de petróleo, pela dificuldade de construção de centrais hidroelétricas, termoelétricas, carvão mineral, xisto, usinas nucleares e outras formas de energia suja, como são classificadas, em via de que a utilização destas geram uma grande degradação ambiental o qual é incontestável do ponto de vista social, econômico e humano. Construir uma hidroelétrica hoje significa desabitar e destruir uma grande área verde, do mesmo modo, procurar e perfurar poços de petróleo em águas profundas, tornando-se situações inviáveis e muito menos alternativas. A estagnação das fontes convencionais é promovida de certa forma pela saturação de produção energética das hidroelétricas, ocasionadas a princípio pelo movimento migratório; (êxodo rural), ou seja, causado pelos agricultores que em busca do sonho da cidade grande, contribuem com a construção de novas moradias e com isso, a ligação na maioria dos casos de redes clandestinas de energia, sobrecarregando dessa forma as linhas de distribuição e transformadores, gerando os não muito agradáveis "blecautes". Estes acontecimentos têm de certa forma, fortalecido o movimento em busca de novas fontes alternativas de energia. O termo fonte alternativa de energia não deriva apenas de uma alternativa eficiente, ele é sinônimo de uma energia limpa, pura, não poluente, a princípio inesgotável e que pode ser encontrada em qualquer lugar pelo menos a maioria na natureza.

3.1. Breve histórico da energia no Brasil

1879 - Inaugurado a iluminação elétrica da antiga Estação da Corte (hoje estação D. Pedro II), substituindo 46 bicos de gás que iluminavam está área;

1881 - Iluminação elétrica do Campo da Aclamação (praça da República), no Rio de Janeiro, fornecida por um locomóvel com dois dínamos;

1883 - A cidade de Campos (RJ) tornou-se a primeira cidade do Brasil e da América do Sul a receber iluminação pública elétrica, através de uma Termoelétrica acionadora de três dínamos com potência de 52KW, fornecendo energia para 39 lâmpadas de 2000 velas cada;

1889 - Em Juiz de Fora (MG) no rio Paraibuna, a primeira usina Hidroelétrica para serviço de utilidade pública. Além de abastecer Juiz de Fora, fornecia eletricidade para uma fábrica de tecidos;

1889 - Exploração do potencial hidroelétrico;

1892 - Utilização de pequeno potencial hidroelétrico em Ribeirão do inferno, afluente do rio Jequitinhonha em Diamantina (MG) fornecendo eletricidade para a mineração;

Década de 70 (1970 E.D.), estudo de fontes alternativas de energia em decorrência da crise do petróleo (guerras entre Irã e Iraque);

1975 - Programa Nacional do Álcool - PROÁLCOOL;

1976 - Instalação de um biodigestor na granja do Torto, em Brasília;

1994/1995 - Projeto ELDORADO e Programa de desenvolvimento energético de estados e municípios - PRODEEM.

3.2. Energia Solar

Solar Fotovoltaico: A energia solar fotovoltaica é a energia obtida através da conversão direta da luz em eletricidade (efeito fotovoltaico). O efeito fotovoltaico, relatado por Edmond Becquerel, em 1839, é o aparecimento de uma diferença de potencial, nos extremos de uma estrutura de material semicondutor, produzida pela absorção da luz. A célula fotovoltaica é a unidade fundamental do processo de conversão. Em 1876 foi concebido o primeiro aparato fotovoltaico, advindo dos estudos das estruturas de estado sólido, e apenas em 1956, iniciou-se a produção industrial. Inicialmente utilizada em sistemas espaciais (menor custo e peso) fornecendo a quantidade de energia necessária para longos períodos de permanência no espaço. Com o passar dos anos em decorrência do decréscimo do custo de produção, viabilizada para os sistemas de uso comercial.

Termo Solar: São sistemas que utilizam a energia do sol para o aquecimento de água, para as mais diversas aplicações. A primeira apresentação deste sistema foi em Paris em 1879, ( aquecimento de 1m3 por hora).É usualmente utilizada em sistemas de aquecimento de água para banho substituindo os chuveiros elétricos, em saunas, piscinas etc.. É constituído de placas solares e reservatório térmico, o funcionamento do sistema é simples, e um sistema de termo sifão (circulação natural) por diferença de densidade em que a água quente por ser mais leve tem seu peso fluxo dirigido pela água fria que vem do reservatório localizado acima dos coletores. Atualmente é utilizada em todo o mundo principalmente nas regiões frias,. em hotéis, residências entre outras aplicações.

SEGS - Sistemas de geração de energia solar: São sistemas baseados no mesmo princípio de funcionamento e geração de energia elétrica das usinas hidroelétricas, são chamados de usinas Termosolares só que o princípio ativo chama-se sol e não água. O funcionamento e através de um grupo de coletores solares por onde passa a água, esta é aquecida entra em contado com um segundo elemento que é um tipo de óleo, este e superaquecido, ocorre o processo de evaporação, o ar quente desloca-se por um duto até uma turbina que é posta em funcionamento gerando assim, alguns Quilowatts de energia. Coletores tipo calha são empregados a anos na Califórnia. Em 1984 foi colocado em operação a primeira delas com potência de 14MW. No Brasil existe estudos feitos que mostram duas regiões na Paraíba ótimas para a aplicação do modelo.

3.3 Energia Eólica

Turbina eólica (três hélices): São as mais utilizadas, trata-se de um sistema com grandes palhetas auto ajustáveis de acordo com a posição e velocidade do vento, composta de um gerador interno e um sistema de frenagem o qual controla a velocidade para que esta não venha a danificar o equipamento. Possuem modelos de geração de 1KW/10Metros até 500KW/ 50 metros de altura. Há aplicações em todo o mundo, no Brasil temos as chamadas fazendas eólicas nas regiões do Ceará, no Parque do Mucuripe que tem potência nominal de 1200KW - 3,8 milhões de KWh por ano, energia suficiente para abastecer uma cidade de 15000 habitantes com 3000 residências. São ótimas para médios e grandes sistemas de geração.

Turbina Darrileus: Sistemas formado por duas lâminas torcidas em forma de arco, colocadas na vertical, ligando a base ao topo da turbina, e giram em torno do seu próprio eixo. São comumente usadas em regiões da Europa.

Turbina Sarvonius: São no formato de duas conchas colocadas ao lado uma da outra em posição contrária, e ligadas onde se encontram num eixo vertical, interligado em dois mancais rotativos. Também de pouco uso, mais utilizada em pequenos sistemas de medição anemográfica.

3.4. Biomassa

Biodigestor: O biodigestor é um sistema utilizado para a produção de gás natural (Metano - CH4), através de um processo anaeróbico na degradação de polímeros orgânicos derivados de matéria biodegradável, resíduos alimentícios, esgoto, substrato da cana-de-açúcar, vinhaça, esterco orgânico e demais materiais biodegradáveis. Foi identificado pela primeira vez em 1776 por Alessandro Volta, em 1857 na Índia, nas proximidades de Bombaim houve a primeira instalação para a produção de gás combustível, hoje estima-se que haja naquele país 150.000 unidades instaladas. Em outros países como europeus e Asiáticos como a Alemanha e China desenvolve-se a técnica da produção de biogás na eliminação de resíduos de esgoto. O sistema consiste de um Biodigestor, equipamento este feito em alvenaria e localizado a alguns metros abaixo da terra, possui uma câmpula por onde sai o gás, uma entrada de material e uma saída de emergentes, que na verdade é adubo químico de ótima qualidade. O gás produzido tem suas aplicações na iluminação, uso em fogões, geladeiras e motores de ciclo-otto. No Brasil a primeira aplicação foi na Granja do Torto em Brasília em 1976, de um biodigestor modelo chinês e que vem funcionando contento. Não é justificativa que um país rico em biomassa, um dos maiores produtores de gado e aves do mundo, grande produtor de resíduos vegetais (cereais), maior produtor de vinhaça do mundo, ainda encontre regiões iluminadas a custo de querosene caro. Lembramos que a Índia tinha a capacidade energética gerada por 4,5 milhões de biodigestores é superior a capacidade energética do Brasil em 1980, e que teria falido por poluição e falta de fertilizante se não fosse os biodigestores.

3.5. Pequenas Centrais Hidroelétricas

PCH's - Pequenas centrais hidroelétricas: Este sistema é o mesmo utilizado nas grandes hidroelétricas, a diferença e que são sistemas pequenos , de baixa potência, tipo Cross-flow de 5 a 100KW, e que podem ser instalados em locais próximos a regiões ribeirinhas, aproveitando o fluxo natural de um rio ou riacho, sem acometer um grave desequilíbrio para a fauna e flora do lugar, pois a o retorno ao rio ou riacho após a geração. No Brasil existe a aplicação deste sistema em algumas regiões principalmente nas regiões do sul, no nordeste este potencial ainda não é muito aplicado.

3.6 Maré-Motriz

Sistema de Maré-motriz: Sistema de geração de energia elétrica no qual você utiliza o movimento de fluxo das marés para movimentar uma comporta, que está diretamente ligada a um sistema de conversão, proporcionando assim a geração de eletricidade. As marés servem para gerar eletricidade que é obtida a partir do movimento regular, a cada 12 horas de elevação (fluxo) e abaixamento (refluxo) do nível do mar. As marés são uma conseqüência da atração que a lua e o sol exercem sobre a terra, e é justamente a amplitude das marés, ou seja, a diferença entre o nível da maré alta e da maré baixa, que constitui o fator que possibilita o aproveitamento dessa fonte de energia. No norte da França, em La Rance, há uma usina maré-motriz de 240MW, o Canadá estuda a possibilidade, de uma instalação de vários MW (megawatts) na Fundland Ray, a Grã-Bretanha planeja na costa ocidental, uma usina de 16km de comprimento, que produzirá 7 mil megawatts de eletricidade.

3.7. Sistema de energia das ondas

O aproveitamento da energia das ondas é feito empregando, um conjunto de bóias distantes uns poucos quilômetros da costa, em que se transforma o movimento superficial do mar em eletricidade, através de um tipo de equipamento que entra em contato com o fundo do mar. Calculou-se uma potência de 120 mil MW para a costa ocidental da Grã-Bretanha, mais que o atual consumo elétrico britânico. Não se indica prejuízos ambientais causados por tais instalações. No norte da Noruega existe uma instalação desse tipo, em Kvaener-Brug, todas as instalações em funcionamento têm uma potência individual menor que 50KW.

3.8. Células a combustível

Células a combustível: Energia fácil e barata, sem gerar poluição, capaz de movimentar veículos e produzir eletricidade para uso comercial e residencial. A célula a combustível se baseia no uso de hidrogênio como combustível e é possível obter energia em grande quantidade, e, além disso, o produto da queima do hidrogênio é a água, que não polui de forma alguma. Embora o conhecimento do princípio de funcionamento da célula a combustível e bastante antigo, o entendimento de como ela realmente funciona é relativamente recente. Enquanto uma bateria comum leva o seu combustível e o seu comburente no interior, na célula a combustível um gás, como o hidrogênio e o comburente oxigênio são bombeados para o seu interior e a combinação de ambos e os eletrodos especiais resultam em eletricidade, que pode ser usada para alimentar um circuito externo. As vantagens desse sistema são inúmeras, mas a principal está na possibilidade de fornecimento de energia na forma constante e ilimitada. Tipos de células são: MCFC (maltem carbonate fuel cell), SOFC (solid oxid fuel cell), PAFC (phosphoric acid fuel cell), e as mais usuais PEM (protón exchange membrane). A aplicações recentes deste tipo de energia, o NEBUS é um ônibus da Mercede Bens que utiliza células de hidrogênio com 250KW de potência sem poluição alguma. Subtraindo a potência necessária ao próprio funcionamento da célula, que se converte em calor para a alimentação do sistema elétrico e de ar condicionado, sobra para a propulsão 190KW que corresponde a uma potência de 260CV e autonomia para 250KM, com um tanque de 45m3 de Hidrogênio.


4) Energia Alternativa no mundo

4.1. Inglaterra cria infraestrutura para aproveitar energia das ondas e das marés.

Enquanto o mundo volta a discutir a instalação de centrais nucleares - "ruim com elas, pior sem elas", parece ser o mote do momento - o governo inglês dá um passo concreto rumo à utilização de fontes renováveis e limpas de energia.

Acabam de ser escolhidos os parceiros para a construção do "Wave Hub", uma espécie de soquete submarino, ao qual poderão ser conectados equipamentos para aproveitamento da energia gerada pelas ondas e pelas marés. O "concentrador das ondas" funcionará como uma espécie de incubadora, uma subestação submarina onde as empresas poderão testar seus equipamentos antes de lançá-los no mercado.

O Wave Hub começará a ser construído em 2007, criando a primeira "fábrica" de energia gerada a partir do mar. Além do "plug" propriamente dito, o concentrador consistirá em um sistema de transformadores e cabossubmarinos, capazes de levar a energia gerada até uma conexão com o sistema de distribuição tradicional do país.

Quando o Wave Hub estiver pronto, as empresas poderão plugar seus equipamentos para geração de energia a partir das ondas e das marés, efetuando testes e aprimorando-os para que eles possam chegar ao mercado e serem instalados em usinas em escala industrial.

Segundo estudos da Agência de Desenvolvimento Regional do Sudeste da Inglaterra, responsável pela construção do Wave Hub, 20% das necessidades de eletricidade daquele país poderão ser supridos a partir do aproveitamento das ondas e das marés.

4.2. China constrói o primeiro "sol artificial" do mundo

A Academia de Ciências da China anunciou o início da montagem de seu Tokamak, um reator de fusão atômica que, espera-se, poderá um dia tornar-se uma fonte virtualmente infinita de energia. A fusão nuclear é o processo de geração de calor do Sol e de todas as estrelas. É por isso que os chineses estão chamando seu reator de "sol artificial".

O novo Tokamak, chamado de EAST ("Experimental Advanced Superconducting Tokamak"), é uma atualização do HT-7, um reator construído em parceria com a Rússia nos anos 1990. O HT-7 tornou a China o quarto país do mundo a possuir um equipamento desse tipo, depois da Rússia, França e Japão.

Segundo um comunicado da Academia de Ciências da China, o novo reator de fusão deverá ser montado entre Março e Abril deste ano, com os primeiros testes experimentais começando em Julho ou Agosto.

"Os resultados das pesquisas do projeto EAST serão importantes para o Reator Termonuclear Experimental Internacional, ou ITER, em termos de pesquisa básica tanto em engenharia quanto em física," afirmou Wan Yuanxi, chefe do projeto, que está sediado na cidade de Heifei, capital da província de Anhui.

A fusão nuclear controlada é tida como a forma mais eficiente de se gerar energia. Os cientistas acreditam que o deutério possa ser extraído da água do mar, sendo utilizado em uma reação de fusão. O deutério retirado de um litro de água do mar renderia o mesmo que 300 litros de gasolina. Essa reação pode atingir temperaturas de até 100 milhões de graus Celsius.

4.3. Energia solar é armazenada quimicamente de forma eficiente

Engenheiros do Instituto Paul Scherrer, Suíça, conseguiram romper uma das maiores barreiras ao uso disseminado da energia solar: eles provaram ser técnica e economicamente viável o armazenamento da energia elétrica gerada a partir da luz do sol. O que mais chama a atenção é o fato de que a energia elétrica foi armazenada em um metal e não em baterias químicas.

Eles colocaram em operação uma planta-piloto de 300 kilowatts para a produção de zinco, um metal largamente utilizado para cobertura de chapas de aço e na fabricação de pilhas. A energia solar foi aproveitada em um reator que atinge temperaturas de 1.200 graus Celsius. O reator, fabricado na Suiça, foi instalado em uma indústria em Israel.

A redução do óxido de zinco, gerando o zinco metálico puro, é uma forma interessante de se armazenar quimicamente a energia do sol: além de poder ser utilizada quando for necessária, ela pode ser transportada. O zinco pode ser utilizado tanto para a fabricação de baterias como para a produção de hidrogênio, reagindo com vapor de água. Em ambos os casos o zinco se recombina com o oxigênio, gerando novamente o óxido de zinco original. Esse, por sua vez, pode voltar ao início do processo.

"Após testes exaustivos com protótipos de reatores em nosso forno solar, [...] começou a funcionar com sucesso nossa planta-piloto, no Instituto de Ciências Weizmann, em Rehovot, próximo a Tel Aviv," comemorou Christian Wieckert, coordenador do projeto.

Os primeiros testes da usina solar de geração de energia elétrica empregaram 30 por cento da energia solar disponível, produzindo 45 quilos de zinco por hora, um volume superior ao esperado inicialmente. Para que se compare às plantas tradicionais de produção de zinco, os pesquisadores afirmam ser necessário atingir uma eficiência entre 50 e 60 por cento.

O sucesso deste projeto solar abre caminho para o emprego em larga escala de um processo termoquímico, no qual a energia solar pode ser armazenada e transportada na forma de um combustível químico.

No processo, o zinco é combinado com carvão, coque ou biomassa de carbono, que agem como um agente reativo. A eficiência do novo reator permite que o agente reativo utilizado seja apenas metade daquele empregado nas operações tradicionais.

Os raios do sol são concentrados diretamente sobre a mistura de minério de zinco e reagentes por meio de um sistema de espelhos. O zinco se forma como gás, sendo recolhido e condensado, gerando um pó.

4.4. Tecnologia evita lançamento de mercúrio na atmosfera

No hemisfério norte, grande parte das usinas termoelétricas funciona a partir do carvão. Estas usinas emitem cerca de 40% das estimadas 48 toneladas de mercúrio que são lançados anualmente na atmosfera.

Este mercúrio, que é uma neurotoxina, pode atingir o organismo humano, principalmente pela ingestão de peixes. E os ventos - além do comércio internacional de pescados - cuidam de fazer uma "distribuição equitativa" desse mercúrio por praticamente todo o planeta.

Mas o problema agora poderá ser grandemente minimizado, graças ao trabalho da equipe do Dr. Carlos E. Romero, da Universidade Lehigh, Estados Unidos. Eles desenvolveram uma forma eficiente e economicamente viável de controlar as emissões de mercúrio nas usinas termoelétricas.

A tecnologia consiste na alteração das condições operacionais no interior de várias partes do equipamento de queima do carvão, forçando a oxidação do mercúrio no gás que será expelido pela chaminé, permitindo sua absorção e captura a partir dos particulados - a cinza que polui o meio-ambiente.

A nova técnica já foi testada em três usinas, atingindo entre 50 e 75 por cento de eficiência na captura do mercúrio. Embora haja um pequeno impacto no desempenho termal da usina, o ganho total de custos será positivo, já que hoje as empresas utilizam carvão ativado para controlar a emissão de mercúrio.

4.5. Cuidados com o meio-ambiente estimulam a economia

Uma das maiores críticas à adoção de medidas que visam a redução do aquecimento global vem daqueles que acreditam que tais medidas atrapalhariam o crescimento econômico. A idéia por trás desse argumento é que se trata de ações restritivas sobre as empresas, o que causaria desemprego e queda na taxa de crescimento da economia.

Agora, um estudo feito em conjunto por dezenas de especialistas, na Universidade da Califórnia, Estados Unidos, mostra justamente o contrário. O estado da Califórnia possui uma das mais rigorosas legislações sobre o meio-ambiente, que pretendem, entre outros, chegar ao ano de 2020 com os mesmos níveis de emissão de gases que causam o efeito estufa apresentados no ano de 1990.

Embora tenha sido feito para a situação específica do estado da Califórnia, o estudo é altamente relevante, já que aquele é um dos estados mais avançados dos Estados Unidos e, sozinho, teve um produto interno bruto de US$1,5 trilhão de dólares em 2004, cerca de três vezes o PIB de todo o Brasil.

"Nosso estudo mostrou que a adoção de medidas para a redução do aquecimento global na Califórnia é bom para a economia da Califórnia," disse o economista Michael Hanemann da Universidade de Berkeley e um dos autores da pesquisa.

Os cientistas concluíram que a economia do estado terá um acréscimo de 20.000 empregos e um crescimento do produto interno bruto de US$60 bilhões. Isso apenas como resultado direto das medidas de redução da emissão de gases poluentes. Sem contar que, no atual estágio, eles analisaram apenas oito das medidas adotadas pelo governo.

"As estratégias de proteção climáticas beneficiam economicamente a Califórnia porque a inovação e a eficiência diminuem custos para seus consumidores, que redirecionam seus gastos de forma a estimular o crescimento do emprego," explica David Roland-Holst, outro participante do estudo.


5. Energia Nuclear - visão científica

Buscando um aprofundamento do tema e procurando compreendê-lo melhor, tomamos a liberdade de reproduzir uma matéria com as duas maiores autoridades sobre energia nuclear no Brasil, os físicos José Goldemberg e Rogério Cézar Cerqueira Leite, a sua opinião sobre algumas questões centrais envolvendo o tema.

Segue-se a seqüência:

A energia nuclear é indispensável no país?

José Goldemberg - Energia nuclear para a produção de eletricidade não é indispensável para o País. Ela é útil contudo na área de aplicações médicas e industriais mas para isso os reatores nucleares de pesquisa (de baixa potência) são suficientes

Rogério Cerqueira Leite - A energia nuclear é uma forma primária de energia que só pode ser aproveitada, dentro dos limites atuais da tecnologia, se transformada em eletricidade que por sua vez deverá ser transformada em outra forma de energia aproveitável para a humanidade, tais como calor, energia mecânica, luz. Ela compete, portanto, com outras formas de energia primária para a produção de eletricidade (eletricidade é apenas um vetor, um meio de transporte de energia). Para decidirmos se precisamos ou não de energia nuclear devemos compará-la com outras formas de energia primária que também servem para produzir eletricidade, sob aspectos diversos tais como econômico, segurança, ecológico, sociológico, etc. Para complicar a questão, praticamente qualquer forma de energia natural dispõe de tecnologias confiáveis para transformação em eletricidade. São concorrentes da energia nuclear, sob este aspecto limitado, o petróleo, a biomassa, o carvão, o gás natural (energias químicas), os recursos hídricos, ventos, marés (energias mecânicas), a luz solar (energia luminosa) etc. Entre estes, os concorrentes tradicionais da energia nuclear são o carvão, o petróleo, o gás natural e a hídrica. Os Estados Unidos abandonaram a opção nuclear não apenas por causa dos custos, mas também porque dispõem de carvão em abundância. O carvão é mais seguro, mas questões de poluição ainda permanecem, embora o progresso recente, sob este aspecto, seja significativo. A Alemanha abandonou, recentemente, e pela segunda vez, a energia nuclear não somente pelos custos imprevisíveis dos processos de decomissionamento e armazenamento do lixo radioativo, mas também por apreensão quanto à questão de segurança. Sob nenhum aspecto parece que para o Brasil deva ser a energia nuclear preferível. Em primeiro lugar sob o aspecto financeiro. Ela é mais cara que qualquer outra tanto para grandes blocos de eletricidade, quanto para geração localizada. Esta afirmativa se torna inquestionável quando consideramos os custos de decomissionamento e de disposição dos rejeitos.

2. Quais as alternativas energéticas do país?

Goldemberg - As alternativas tradicionais são a energia hidroelétrica e a produção de eletricidade a partir de usinas termoelétricas a gás. Não há problemas de abastecimento no Brasil mas problemas de planejamento. Na pior das hipóteses poderá ser importada energia da Argentina. O uso das outras alternativas (vento, fotovoltaicas e biomassa) ainda são incipientes no País mas poderiam representar um maior papel.

Cerqueira Leite - Hoje parece evidente que muitas fontes de energia primária deveriam colaborar para suprir as necessidades nacionais de produção de eletricidade, embora também seja evidente que por muito tempo esta necessidade ainda continue a ser suprida pelo abundante potencial hídrico ainda disponível. A opção da atual administração para compensar o problema de geração concentrada em pontos distantes das zonas de consumo foi a adoção do gás natural. Esta opção, ao contrário da energia nuclear, tem custos de investimentos baixos, mas custos de produção elevados. É, portanto, uma escolha oportunista, pois produzirá energia elétrica a custos muito mais elevados que os atuais. Todavia, o gás natural é pouco poluente em comparação ao petróleo e ao carvão e não é mais caro que estas duas últimas alternativas. O problema é que as reservas medidas e inferidas do único fornecedor seguro, a Bolívia, são muito limitadas, o que transforma em risco econômico elevado esta opção. Uma revisão das verdadeiras potencialidades do sistema hidrológico nacional é fundamental. Outras fontes como a eólica, a solar e a biomassa (principalmente bagaço da cana) são quantitativamente limitadas, mas podem também concorrer parcialmente, pois são economicamente competitivas com a nuclear e menos poluentes.

3. Numa escala de riscos humano e ambiental, quais as fontes energéticas mais e menos seguras?

Goldemberg - Todas as fontes de energia tem problemas ambientais e ameaças de riscos a seres humanos mas uma possível ordenação na ordem crescente de problemas é: energia hidroelética energia termoelétrica gerada pela queima de madeira energia termoelétrica a gás energia termoelétrica a carvão ou petróleo energia nuclear

Cerqueira Leite - Não há produção de energia que não signifique uma intervenção no meio ambiente. A captação de energia solar evoluiu e a ocupação de grandes áreas que deixam de receber o Sol é significativa. Esta sombra é uma forma de poluição. Mas esta seria a forma menos poluente que podemos imaginar. Em segundo lugar, temos a energia eólica cujo maior mal é uma redistribuição de ventos o que, portanto, se usada em larga escala, pode intervir em micro climas. Mas solar e eólica são opções absolutamente seguras. A hidroeletricidade tem como maior inconveniente a necessidade de represamento freqüente alterando o ecossistema local. Às vezes, essas alterações são benéficas mas frequentemente provocam mudanças violentas no sistema. São, entretanto, contornáveis esses danos, se houver um planejamento adequado para toda a bacia hidrológica e percepção da questão ambiental. Qualquer opção que envolva combustível fóssil resultará em aumento do efeito estufa. Por unidade de massa de gás carbônico emitido por unidade de energia produzida o carvão será pior que o petróleo, que, por sua vez, é pior que o gás natural. Quanto à poluição local devido à contaminação do combustível por enxofre e outros poluentes, a hierarquia é a mesma. A biomassa é muito menos poluente pois não contribui para o efeito estufa e emite menores índices de poluentes químicos. Quanto à segurança, as formas tradicionais e alternativas (fósseis, hídrica, biomassa, solar) de conversão para eletricidade são equivalentes e satisfatórias. A ocorrência de acidentes é comparável a qualquer outra das formas de utilização de máquinas convencionais, e depende apenas dos cuidados costumeiros na operação. É sob este aspecto que a energia nuclear difere das demais, pois as consequências são catastróficas, embora muitos especialistas acreditem que a probabilidade de acidente seja baixa. Basta um Chernobyl, qualquer que tenha sido a sua causa, para condenarmos a energia nuclear definitivamente. É claro que se houver ameaça de extinção da humanidade por falta de energia, ou de sofrimento comparável àquele provocado pelo acidente de Chernobyl, então deveríamos assumir o risco.

4. Anunciada a desativação do programa energético nuclear na Alemanha, isso pode ter alguma influência no Brasil dado que aqui foi adotado o sistema alemão?

Goldemberg - Sim porque as usinas nucleares brasileiras (Angra 2 e 3) foram produzidas na Alemanha. Com a desativação gradual da indústria nuclear alemã haverá dentro de alguns anos problemas em obter peças e equipamentos de substituição. É o mesmo que ocorre quando se compra um carro cuja linha de produção foi desativada pela fábrica que o produziu.

Cerqueira Leite - É pouco provável que a desativação do programa nuclear alemão afete tecnicamente a operação de Angra. Devemos lembrar, no entretanto, que o histórico de usinas nucleares que tiveram sua construção interrompida por tanto tempo quanto Angra, é muito ruim. Jamais operaram adequadamente, como aliás já vem ocorrendo com Angra 1 que também teve atrasos, embora não tão longos quanto os de Angra 2.

5. Do ponto de vista econômico é possível recuperar os investimentos feitos em Angra2 até agora?

Goldemberg - Não. Grande parte do custo foi absorvido pelo Tesouro, incluindo juros. A única coisa que é possível recuperar é o custo de operação.

Cerqueira Leite - Os investimentos feitos em Angra 2 (6 bilhões de dólares) dificilmente seriam recuperados nos 20 ou 25 anos de vida que têm, em média, reatores deste porte. Mas o faturamento talvez seja suficiente para pagar o decomissionamento do sistema e o tratamento do lixo nuclear.

6. O Brasil tem efetivamente o domínio de todo o ciclo?

Goldemberg - Não inteiramente porque as usinas de enriquecimento não atingiram ainda plena escala industrial.

Cerqueira Leite - O ciclo do combustível se constitui de 3 etapas, além da extração e da concentração do urânio. A primeira etapa que é aquela referente ao enriquecimento do urânio foi dominada a nível de planta piloto mas arrisca ser perdida por falta de continuidade das pesquisas. A segunda etapa, a construção de reatores, foi interrompida ainda em nível laboratorial. Decididamente, não detemos a tecnologia de produção de reatores. A terceira fase do ciclo é constituída dos processos de tratamento do combustível usado e recuperação do urânio, do plutônio e de outros derivados economicamente interessantes. Não chegamos sequer a tentar dominá-lo, exceto por algumas iniciativas extemporâneas esparsas e sem resultados tecnológicos e econômicos aceitáveis.

7. Se fossem desativadas Angra 1 e Angra 2 que conseqüências isso traria para o país?

Goldemberg - Poucas, juntas elas fornecem menos de 3% de eletricidade do País e um melhor planejamento da Eletrobras poderia suprir sua falta.

Cerqueira Leite - Angra 2 ainda não entrou em operação e Angra 1 não é confiável. Resta a promessa futura de uma participação no sistema elétrico nacional que seria de uns 3% em potencial instalado. Se um dia vierem a funcionar.

8. A questão da energia nuclear tem um demônio intrínseco ou é mais uma questão de gerenciamento e gestão do sistema com normas de segurança eficazes?

Goldemberg - Energia nuclear tem 3 demônios intrínsecos: riscos de acidentes de grande vulto como Chernobyl, o problema do armazenamento do lixo radioativo e os problemas referentes à proliferação de produtos que podem permitir a produção de armas nucleares.

Cerqueira Leite - Gerenciamento e normas, além de instrução adequada e consciência são fatores que podem enjaular o demônio. Mas qualquer negligência, ou erro humano pode liberá-lo, e os operadores são humanos. Às vezes até as máquinas se comportam como os humanos e se enganam. O risco sempre existirá, como em qualquer outra atividade humana por maior que seja a automatização e por melhores que venham a ser os mecanismos de salvaguarda.

6. Consciência ecológica - desenvolvimento - sustentabilidade

A consciência ecológica não nasce no vazio. Ela emerge frente a uma realidade insustentável de ameaça à qualidade de vida no mundo, onde a tecnologia industrial e a explosão populacional têm caminhado ao lado de grave deterioração do meio ambiente. Até aqui, o desenvolvimento tecnológico e industrial tem nos dado em troca a ameaça de uma catástrofe nuclear, a poluição do ar, das águas e do solo, e devastado nossas matas, como se a natureza tivesse o poder de se recuperar infinitamente. É neste contexto de acelerada evolução que marcou o século XX, que a consciência ecológica tornou-se algo concreto, impossível de ser ignorada. A realidade dos problemas ambientais já fazia parte do cotidiano do mundo. Enfim, a humanidade começava a se conscientizar que seu desenvolvimento estava diretamente comprometido com a preservação ambiental.

Os primeiros indícios de que o mundo começava a se preocupar com o meio ambiente surgiram na década de 60. Nesta década aconteceriam as primeiras iniciativas governamentais que se propunham a discutir o assunto. Foi também neste período que despertava a ideologia ambiental política. Na Europa os jovens que questionavam os tabus da época, como o trabalho, os problemas sexuais e a deterioração do homem, também levantaram a bandeira do ambientalismo. E em alguns desses países europeus ( Alemanha, Inglaterra, França, Itália, entre outros) surgiria no princípio dos anos 80 o Partido Verde, que se consolidaria no braço político da ecologia e do pacifismo. O Partido Verde também chegaria ao Brasil em 1986. Tudo isso foi fruto de anos de contestação e da contracultura da década de 60. O embrião estava gerado e preparado para que na década seguinte surgissem os acontecimentos que despertariam de vez a atenção internacional para as questões ambientais. Em 1970 mais de trezentos mil americanos participaram do "Dia da Terra". O ato foi considerado a maior manifestação ambientalista da história, e rendeu inúmeras manchetes e destaque na mídia de todo o mundo.

1972 seria um ano chave para as discussões das questões ambientais. Naquele ano foi protagonizada a Conferência de Estocolmo, a primeira reunião de caráter oficial a tratar de assuntos ambientais. Organizada pela ONU, a Conferência reuniu representantes de 113 países e de 250 organismos não-governamentais. A reunião tinha como objetivo fazer um balanço dos problemas ambientais em todo o mundo e buscava soluções e novas políticas governamentais no sentido de reduzir os danos causados ao meio ambiente. Todas as propostas aprovadas na Conferência de Estocolmo foram rejeitadas pelo governo ditatorial brasileiro da época, que afirmava que para se chegar a um nível de desenvolvimento econômico adequado não se podia poupar qualquer esforço para alcançá-lo, mesmo que isso significasse sacrificar os recursos naturais brasileiros. Nossos governantes também alegavam que a "maior poluição" era a nossa pobreza. A história mostra que acabamos com ambas, a pobreza e o desenvolvimento predatório.

Um ano antes da reunião em Estocolmo era criada uma organização não-governamental que ao longo dos anos se consolidaria como talvez o maior ícone na defesa do meio ambiente no mundo, o Greenpeace. O grupo desde o princípio adotaria uma política de ação direta não-violenta, que consistia em chamar a atenção da opinião pública, através dos meios de comunicação. A expectativa foi sempre de pressionar os governos em favor de suas causas. Hoje o Greenpeace tem milhares de sócios espalhados ao redor do planeta. Sócios esses que bancam toda a estrutura da organização, que detém barcos, navios e até aviões próprios, fazendo dela uma poderosa arma no combate a deterioração ambiental.

Em abril de 1986 um acidente na Usina de Chernobil, na antiga União Soviética, demonstrou que o mundo é muito pequeno e que os impactos ambientais devem ser analisados de forma Global. O mundo inteiro acompanhou com angústia os terríveis dias da tragédia em Chernobil. As conseqüências foram diversas. O acidente lançou um volume de radiação cerca de 30 vezes maior do que a bomba de Hiroshima. A radiação atingiu vários países europeus e chegou até o Japão. Calcula-se que cerca de cem mil pessoas irão sofrer danos genéticos ou terão câncer devido ao acidente nos 100 anos subseqüentes ao ocorrido. Chernobil entraria para a história como a maior tragédia ambiental da humanidade. Assim o mundo aprenderia da pior maneira que o desenvolvimento tinha que caminhar junto com a preservação.

A consciência ecológica desembarcaria tardiamente no Brasil. Já no século passado o assunto despertava a atenção de poucos, como de José Bonifácio, o patrono da independência. Bonifácio se preocupava, quase duzentos anos atrás, com o desmatamento em larga escala de nossas terras. Mas seus pensamentos de pouco adiantaram e alguns historiadores afirmam até que suas idéias tinham apenas a finalidade de justificar o fim da dominação portuguesa sobre o Brasil. Já no século XX, em 1937, era criado o Parque Nacional de Itatiaia, o primeiro parque com função de preservação ambiental no país. Ainda no governo Vargas foram criadas algumas legislações que visavam um uso menos predatório das águas, dos minérios contidos no subsolo e das matas. São estes, o Código de águas e minas, e o Código florestal brasileiro. Mas essas iniciativas ainda não foram suficientes para desenvolver uma consciência ambiental nacional. Foi somente com os ares da redemocratização vividos no início dos anos 80, que começava-se a pensar em ambientalismo no país. Em 1980, a criação da Política Nacional do Meio Ambiente foi a primeira de uma série de iniciativas governamentais que estariam por vir.

Em 1983 era criado no Estado de São Paulo o Consema, Conselho Estadual do Meio Ambiente. O Conselho foi o embrião da Secretaria do Meio Ambiente (SMA), que seria criada três anos mais tarde. O Consema e a SMA nasceriam para atender os novos anseios do estado, que elegia seus problemas ambientais como primordiais. Problemas como a ameaça de preservação da Floresta Atlântica na região da Serra do Mar, a entrada da cidade de São Paulo no melancólico ranking das cidades mais poluídas do mundo, e a catástrofe ambiental em Cubatão foram os primeiros desafios da recente política ambiental paulista. Aliás, a tragédia em Cubatão se tornou um capítulo a parte, pois daria à incipiente política ambiental brasileira uma estrutura mais profissional e rígida. A cidade de Cubatão foi vítima de um mau planejamento. Possuindo uma topografia complexa, a cidade foi tomada por industrias, se tornando um dos maiores pólos petroquímicos e siderúrgicos do país. Porém na época não possuía tecnologia e conhecimento necessários para abrigar tamanha estrutura. No início dos anos 80 são detectados inúmeros casos de problemas pulmonares, anomalias congênitas e abortos involuntários em moradores da cidade. Em 1984, ao mesmo tempo que a cidade apresentava índices alarmantes de poluição, duas explosões e um incêndio causado por um vazamento de gás vitimaram fatalmente mais de 150 pessoas. Tudo isso fez com que a cidade ganhasse uma triste fama mundial. Era hora do estado agir. Foi assim desenvolvido o Projeto Cubatão, que detectou cerca de 320 fontes poluidoras de ar, água e solo. Hoje, depois de quase quinze anos de luta, 90% destas fontes estão controladas e Cubatão vive um período de tranqüilidade. Mas o quase desastre ecológico na cidade exigiu um pioneirismo fundamental na busca de tecnologias para solucionar problemas ambientais.

Uma das grandes responsáveis pela recuperação de Cubatão foi a Cetesb, Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Criada em 1968 como responsável por programas na área de engenharia sanitária, hoje a Cetesb é a instituição do governo estadual incumbida de controlar a poluição. A Companhia tornou-se referência nacional e internacional no controle da qualidade das águas dos rios, do mar, represas, lagoas e águas subterrâneas. A Cetesb também monitora a poluição do ar e solo. Desenvolve ainda tecnologias e normas de controle ambiental.

A Constituição de 1988 foi um passo decisivo para a formulação de nossa política ambiental. Pela primeira vez na história de uma nação, uma constituição dedicou um capítulo inteiro ao meio ambiente, dividindo entre governo e sociedade a responsabilidade pela sua preservação e conservação. Para atender esta demanda constitucional foi criado um ano depois o Ibama, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. O Ibama, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente, entraria no cenário nacional para preservar a qualidade ambiental, e se consolidaria como o grande monitor de nossos recursos ambientais, pois atuaria de forma mais prática do que administrativa, distribuindo fiscais por todo o país.

Assim caminhava o ambientalismo no Brasil, que se tornava um dos centros internacionais do assunto, tanto que foi escolhido para sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92. A Conferência realizada em junho de 1992 no Rio de Janeiro, marcou o início de um grande compromisso público de 180 Chefes de Estado e Governo de todo o mundo com o futuro do planeta. A Rio 92 evidenciou o esgotamento de um modelo de desenvolvimento que se mostrou ecologicamente predatório e socialmente perverso. O documento que sintetiza as preocupações com o modelo de desenvolvimento até então praticado e aponta para um modelo sustentável a ser perseguido por todos os países do mundo é a Agenda 21. A Agenda 21 tem como objetivo viabilizar o desenvolvimento sustentável e preparar o mundo para os desafios do próximo século. É também um programa de ações que busca compatibilizar o desenvolvimento econômico com justiça social e sustentabilidade ambiental. Mas a implementação da Agenda 21 depende muito mais de fatores administrativos do que técnicos, assim como analisa Roberto P. Guimarães:

" O desafio de sustentabilidade que nos apresenta a Agenda 21 é eminentemente político. Antes de reduzir a questão ambiental a argumentos técnicos para a tomada de decisões racionais, deve-se forjar alianças entre os distintos grupos sociais capazes de impulsar as transformações necessárias."

Em 1997 foi realizado o Rio+5, evento que tinha como objetivo fazer um balanço dos cinco anos decorrentes do Rio 92. Neste evento, foi apresentado o primeiro rascunho da Carta da Terra, um movimento mundial que surgiu juntamente com a própria criação da ONU, em 1945. Sua terceira versão foi apresentada em maio de 2000 e está passando por um processo de consulta em todos os continentes. A última versão será entregue à ONU em 2002, quando passará a valer como um documento substitutivo à Declaração dos Direitos Humanos. A Carta da Terra representará um marco na história do planeta, pois será uma referência ética para todos os povos da Terra.

Porém o Rio+5 evidenciou que pouco havia sido feito de fato para colocar em prática as resoluções da Rio 92 pela maioria dos países participantes da reunião da ONU, entre eles o Brasil. O ponto positivo do levantamento foi a comprovação da ampliação do trabalho das ONGs, que passaram a exercer maior atuação, porém de maneira diferenciada, como analisa Enrique Svirsky:

" Até 1992, o movimento ambientalista tinha missão de denunciar e mobilizar a sociedade para os problemas, mas depois da Conferência no Rio essa forma de atuação mudou. Há demandas por um movimento com mais propostas e tecnicamente mais qualificado."

É chegado um momento, às portas do século XXI, em que é inconcebível dissociar desenvolvimento e sustentabilidade. A população mundial teve mostras de quanto é impraticável a separação desses dois aspectos durante as últimas quatro décadas. O mundo, através de seus governantes, parece estar predisposto a reavaliar a concepção de desenvolvimento para garantir o bem-estar das gerações atuais e a sobrevivência das gerações futuras. Estamos na Era da Informação, e é explorando os recursos que ela nos oferece que temos que levar a conscientização ambiental a cada ponto do planeta. É como diz a frase que ficou consagrada na Rio 92: Pensando globalmente, agindo localmente.

7. Termoelétrica em Cubatão

Cidade que em 1981 chegou a ser conhecida como a mais poluída do mundo, Cubatão (SP) abriga uma das principais concentrações de mangues do país, além de grande parte do que sobrou da Mata Atlântica brasileira. É justamente nesse local que a Petrobrás, em consórcio com a multinacional japonesa Marubeni Corporation, pretende construir uma usina termoelétrica, a Central de Cogeração da Baixada Santista (CCBS), um projeto orçado em US$ 650 milhões, financiado por uma parceria entre o Banco Mundial, o BNDES e um conglomerado de bancos japoneses.

A CCBS produzirá energia elétrica a partir da queima do gás natural proveniente do campo de Merluza, localizado na bacia de Santos e já interligado ao gasoduto Bolívia-Brasil. Dos 4 milhões de metros cúbicos por dia que serão consumidos pela usina, 2 milhões serão fornecidos por Merluza e os outros dois importados da Bolívia. O empreendimento utilizará o processo de cogeração, o qual, a partir de uma mesma fonte, no caso o gás natural, libera energia térmica e elétrica. A energia térmica será produzida em forma de vapor d’água e transmitida, à razão de 400 toneladas por hora, para a Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC), ao lado da qual ficará a CCBS. O projeto, dividido em duas fases, consiste na implantação de uma usina com potência final de geração de 950 MW, dos quais cerca de 90% serão vendidos e o restante destinado ao abastecimento da refinaria.

Esse projeto integra um conjunto de diretrizes do governo federal que pretende mudar a matriz energética brasileira, o Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT). Anunciado no início de 2000 pelo Ministério das Minas e Energia, o PPT busca uma transformação radical da política energética do Brasil, e a previsão é de que sejam implantadas, até 2003, 49 termoelétricas, distribuídas pelo território nacional. Desse total, 42 usinas serão movidas a gás natural, das quais 17 serão construídas no estado de São Paulo. Edson Satoshi, diretor do Departamento de Saúde, Meio Ambiente e Tecnologia do Sindicato dos Petroleiros de Santos, explica o contexto do programa: "O governo federal, nos últimos anos, deixou de investir na área de geração de energia. Na década de 80, o investimento médio anual girava em torno de US$ 12 bilhões. Durante a administração Fernando Collor, houve uma queda para US$ 7 bilhões, e agora, nestes dois governos de Fernando Henrique Cardoso, não se foi além de US$ 5 bilhões". O presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, Fernando Siqueira, afirma que tal diminuição significa a perda da autonomia no setor de geração de energia, no qual o Brasil já chegou a ocupar posição de destaque em nível mundial. Para ele, essa política coloca o país numa situação de profunda dependência externa, tanto na geração quanto na distribuição de energia.

7.1. Equívoco geográfico

Diversos aspectos positivos podem ser enumerados quanto à substituição das usinas hidrelétricas por termoelétricas movidas a gás natural, mas é quase ingênuo da parte do governo federal, neste caso representado pela Petrobrás, iniciar o projeto por uma região cujo histórico de agressões ambientais é tão vasto. A própria prefeitura de Cubatão, em seu site oficial na Internet, atribui à falta de planejamento a implantação de um pólo industrial de base naquela região. A serra do Mar, onde se encontra grande parte dos 5% remanescentes de Mata Atlântica no Brasil, forma um paredão ao lado da cidade, justamente no local onde as indústrias estão instaladas, e isso reduz em muito a taxa de dispersão dos poluentes. Desse modo, a concentração de gases acaba afetando intensamente não só o ecossistema da serra, como também a larga faixa de manguezais que existe do outro lado do município.

O consórcio Petrobrás-Marubeni, por sua vez, através de intensa propaganda, tenta passar a idéia de que o "Vale da Morte", como é conhecida aquela região, está recuperado e já não sofre mais os efeitos da concentração industrial que o levaram a ser considerado o pior lugar do mundo em termos ambientais. Porém, segundo a opinião da maioria dos ambientalistas, num local saturado como Cubatão, qualquer fonte poluidora deve ser combatida com todos os recursos disponíveis. "Essa história de que a região está recuperada é uma farsa. A termoelétrica vai piorar o que já está ruim", declara, com indignação, Manoel Serpa, da Pastoral Operária de Cubatão.

Patrício Junqueira, o funcionário da Marubeni encarregado de prestar esclarecimentos sobre o projeto, afirma que a usina vai substituir quatro caldeiras que utilizam óleo como combustível, e que isso significa a redução de cerca de 7 toneladas de poluentes no ar por dia, o que vai representar "ganhos ambientais para a região". Mas não é o que dizem alguns especialistas.

A termoelétrica, apesar de reduzir a concentração de poluentes importantes, como o dióxido de enxofre, provocará um aumento significativo de outros gases nocivos no ar de Cubatão, especialmente de ozônio em baixa atmosfera. "Só isso já seria motivo para a condenação do empreendimento", aponta o professor Célio Bermann, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP). A despeito de suas propriedades benéficas em grandes altitudes, o ozônio próximo ao solo, formado por reação fotoquímica, provoca severos danos ao sistema respiratório humano e é extremamente fitotóxico por seu poder desfolhante, responsável pelo chamado "efeito paliteiro". Além do ozônio, cujo aumento de potencial de formação chegará a 643% com a implantação total da CCBS, haverá a liberação de quase 2 toneladas de monóxido de carbono ao dia, elevando em 483% a concentração desse gás, só na primeira fase de operação da usina.

Inusitado é que essas informações constam do capítulo referente às emissões atmosféricas do EIA-Rima (estudo e relatório de impacto ambiental) elaborado pela Jaako Pöyry Engenharia Ltda., e a conclusão ao final do mesmo capítulo é de que a concentração de ozônio sofrerá diminuição. Além disso, puderam ser constatadas irregularidades na metodologia empregada na análise. Como indica o professor Célio Bermann, os dados numéricos foram estimados sobre casos muito específicos e não fornecem um panorama definido da situação de Cubatão após a implantação da CCBS. "O modelo utilizado não está claro", comenta Bermann. Como solução a esse problema, os empreendedores pregam o monitoramento da região após o início das operações da fase 1, para um cálculo mais exato do volume de emissões. Contudo, trata-se de uma alternativa inaceitável, pois é muito difícil reverter um processo já deflagrado de poluição ambiental, ainda mais sobre uma área saturada, onde o efeito negativo dos gases tóxicos é cumulativo. "Qual a probabilidade de que se possa reverter um processo de câncer?", reforça Carlos Bocuhy, do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).

7.2. Cartas marcadas

Na reunião do Consema do dia 29 de janeiro de 2001, realizada para concessão de licença prévia ao empreendimento, esses dados foram levados ao conhecimento dos conselheiros da entidade por meio de parecer técnico do Ministério Público. Mas, após longos discursos dos empreendedores, o conselho, diante de manifestações acaloradas de grupos contrários à implantação da empresa, se retirou para o gabinete do secretário estadual do Meio Ambiente, Ricardo Trípoli, para votar a portas fechadas a concessão da licença. Com a recusa da bancada ambientalista de conselheiros, que conta com seis membros, de participar da votação, o resultado foi amplamente favorável à CCBS. O conselheiro Bocuhy, membro da bancada ambientalista, enfatiza a função de formador de juízo do Consema e declara que esse papel foi prejudicado, uma vez que faltou tempo para um estudo mais aprofundado do EIA-Rima e de suas sucessivas atualizações, além dos pareceres técnicos da Cetesb e do Ministério Público. "Tratava-se de um caso de saúde pública. Portanto, não deveríamos votar sem que antes fosse feito um exame mais acurado da questão. Eu diria que o Consema votou no escuro, de maneira mal-informada e contra o interesse público maior, ou seja, a saúde pública." Bocuhy ainda vai além do campo ambiental e critica a atuação política da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). "Nesse aspecto, ficou configurada a tutela do interesse da empresa, a Petrobras, que, sendo estatal, recebeu uma atenção maior, que transcende o papel da Sema. O que teria motivado a secretaria a advogar dessa forma?" O conselheiro se refere também à postura do diretor presidente da Cetesb, Dráuzio Barreto, que, em reprimenda pública, pressionou o assistente técnico do Ministério Público, Élio Lopes, a não levantar críticas ao empreendimento.

O professor Aziz Ab’Sáber, doutor em geografia pela USP, avalia o processo sob uma ótica mais abrangente. Tendo estudado a região por anos a fio, chama a atenção para um conceito essencial à compreensão dos danos representados por um projeto como o da CCBS: o chamado "domo de poluição". "Todo centro urbano ou industrial eleva uma espécie de leque volumoso de poluentes para o ar, que depois desce para as periferias da própria cidade, de forma que nenhum lugar do corpo urbano fica imune à poluição." Como explica o professor, o caso de Cubatão tem graves ramificações, pois a pequena parcela de gases poluentes que atravessa a serra do Mar impelida pelos ventos oceânicos irá juntar-se àqueles emitidos pela região central da cidade de São Paulo e aos provenientes da região do ABCD, formando uma espécie de cúpula de poluição que se estende do litoral à capital e seu entorno.

Um outro problema, de ordem econômica, diz respeito aos custos de produção, já que o gás natural proveniente do gasoduto é comprado em dólar e a energia será revendida em real. Além disso, a geração de um megawatt-hora numa termoelétrica é cerca de 70% mais cara do que numa hidrelétrica. Portanto, fica o questionamento sobre quem arcará com o ônus da dolarização da energia e do aumento do custo na geração: empreendedores ou população? "Na verdade, quem vai bancar será o consumidor final. Somos nós mesmos", antecipa Edson Satoshi, do Sindicato dos Petroleiros de Santos. Manifestando-se contrário à construção da termoelétrica, ele alega que, uma vez que uma das justificativas da CCBS é o fornecimento de energia à refinaria, bastaria alterar o combustível empregado em seus fornos e caldeiras de óleo para gás natural ou substituir sua casa de força por uma central de cogeração de potência de cerca de 50 MW (o consumo atual é de 35 MW). Qualquer dessas alternativas seria muito mais indicada do ponto de vista ambiental e resultaria na auto-suficiência energética da RPBC.

Outra ressalva levantada por aqueles que são contra a construção da usina refere-se ao projeto de despoluição do rio Pinheiros, em São Paulo, orçado em R$ 200 milhões. A água desse rio, depois de limpa pelo método de flotação, poderia ser bombeada para a Baixada Santista já a partir de 2002. Com isso, a RPBC se tornaria auto-suficiente em geração de energia, uma vez que a hidrelétrica Henry Borden, que hoje trabalha com baixa potência devido ao reduzido volume de água que movimenta, operaria com capacidade total.

Mas não se deve esquecer que tanto esse processo de despoluição como a possibilidade de bombear as águas do rio Pinheiros para o litoral também têm sido motivo de críticas por parte dos ambientalistas, uma vez que o método de flotação não garante a retirada de metais pesados da água. No entanto, se esses projetos fossem postos em prática, a termoelétrica perderia sua função de fornecedora de energia para a refinaria, passando a produzi-la unicamente para venda, alternativa totalmente indesejável, tendo em vista as condições já existentes de agressão ao meio ambiente em Cubatão. Uma termoelétrica com esse fim poderia ser muito bem aceita, dada a situação de iminente racionamento de energia em todo o país, mas numa região menos devastada pela poluição.

7.3. Esperança é a lei

A forte oposição de grupos ambientalistas locais, como o Coletivo Alternativa Verde (Cave) e a Associação de Contaminados Profissionalmente por Organoclorados (ACPO), e de diversos sindicatos tem recebido também o apoio das esferas burocráticas. O Ministério Público apresentou em 16 de abril uma representação, elaborada pela promotora Liliane Garcia, contra a termoelétrica. Além disso, as seções da Ordem dos Advogados do Brasil de toda a Baixada Santista têm se manifestado contrariamente ao empreendimento. Manoel Serpa, da Pastoral Operária de Cubatão, está otimista quanto ao processo de natureza jurídica: "Em cidades do interior de São Paulo, como São José dos Campos e Santa Branca, termoelétricas deixaram de ser construídas por força de lei municipal". Tramita também na Câmara dos Vereadores de Cubatão o projeto de emenda à Lei Orgânica Municipal, de autoria da vereadora Rozemeri de França Abreu Santos, do PSDB, que proíbe a instalação de termoelétricas na região em virtude da saturação de elementos poluidores.

Apesar de provenientes de diferentes setores sociais, as críticas à CCBS são convergentes. No caso específico de Cubatão, o projeto deveria ser aprovado sob condição exclusiva de emitir taxa igual ou menor de poluentes atmosféricos do que os estabelecimentos já fixados na região. A CCBS, como atesta categoricamente o parecer técnico do Ministério Público, ao contrário, seria responsável pelo aumento na maioria das concentrações de poluentes.

Diante do emaranhado burocrático presente nesse processo, as vozes do povo ressentem-se da ignorância que lhes foi imposta. Muito desse fato, confirmado por grande parte dos entrevistados, cujas opiniões podem ser sintetizadas na expressão recorrente do professor Ab’Sáber de que "é preciso socializar o conhecimento", decorre da restrição de informações técnicas, limitadas às esferas burocráticas. Exemplo disso é o reduzido número de audiências públicas realizadas para esclarecer o projeto à população. No dia 12 de agosto de 1999, os habitantes da Baixada Santista tiveram o primeiro e único contato público com a CCBS. Desde essa data, os estudos ambientais relativos à empresa sofreram diversas atualizações, sem que nenhuma informação chegasse à população. Na reunião subseqüente o encontro já citado do Consema, no dia 29 de janeiro de 2001 –, contando com a presteza do secretário do Meio Ambiente e da grande maioria dos conselheiros, que votaram a favor, a termoelétrica conseguiu uma expressiva vitória, à margem do conhecimento da população e em detrimento da saúde pública do litoral sul de São Paulo. Desde então, o destino dos milhares de habitantes da Baixada Santista e, indiretamente, como aponta o professor Ab’Sáber, de todo o estado de São Paulo está sendo decidido a portas fechadas, como aconteceu na votação do projeto no Consema.

A população, as organizações ambientalistas e grande parte dos sindicatos locais são intitulados, pelas entidades governamentais, de "a cultura do não", por sua recorrente postura de negação a projetos que possam prejudicar a eles e à sua região. São marinheiros, estivadores e operários que convivem com todo tipo de substâncias nocivas. Pessoas simples, que às vezes se aventuram pelos gabinetes cinzentos onde se delibera sobre a vida alheia, como é o caso de Élson Maceió, do Cave. Ele chegou a ser conselheiro do Consema por dois anos, mas, como mora em Guarujá, não pôde arcar com as despesas das constantes viagens à capital e voltou a ser um dos milhares que vacilam entre a asma provocada pelo ozônio e a mudez imposta pela burocracia, na expectativa de, um dia, tornar a decidir sobre o próprio futuro.


Conclusão

O homem está constantemente agindo sobre o meio a fim de sanar suas necessidades e desejos. O progresso, da forma como vem sendo feito, tem acabado com o ambiente ou, em outras palavras, destruído o planeta Terra e a Natureza. Nossas ações sobre o ambiente, natural ou construído, afetam a qualidade de vida de várias gerações, assim, o estudo da percepção ambiental é de fundamental importância para que possamos compreender melhor as inter-relações entre o homem e o ambiente, suas expectativas, satisfações e insatisfações, julgamentos e condutas.

Longe de limitar-se a meras discussões que trazem obviamente resultados, contudo, deve-se agir pragmaticamente, apresentar soluções para questões complexas como esgotamento sanitário, abastecimento de água, gerenciamento de resíduos sólidos, controle de poluição industrial e gestão ambiental.

Envolver toda a sociedade na discussão e divulgação de temas atuais e preservação sustentável do meio ambiente, atingindo todos os que atuam no segmento seja na esfera pública, a exemplo de servidores públicos municipais, estaduais e federais, bem como engenheiros, empresários, consultores, pesquisadores e estudantes. Tendo como base a educação ambiental como uma atribuição não apenas das escolas, mas de toda a sociedade organizada, a exemplo de empresas, organizações não governamentais, governos, estados e municípios. Fomentando a participação de todos em seminários, palestras, cursos, audiências públicas, para pensar em formas e soluções auto-sustentáveis, oportunizando debates, aperfeiçoamento e criação de novas técnicas, trocas de experiências.

Certamente que o atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios; se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia-a-dia. Diante desta constatação, surge a idéia do Desenvolvimento Sustentável (DS), buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e, ainda, ao fim da pobreza no mundo. Tendo sempre como base um dos preceitos citados na Agenda 21: "A humanidade de hoje tem a habilidade de desenvolver-se de uma forma sustentável, entretanto é preciso garantir as necessidades do presente sem comprometer as habilidades das futuras gerações em encontrar suas próprias necessidades". Para alcançarmos o Desenvolvimento Sustentável, a proteção do ambiente tem que ser entendida como parte integrante do processo de desenvolvimento e não pode ser considerada isoladamente.

O Desenvolvimento Sustentável tem seis aspectos prioritários que devem ser entendidos como metas a saber: a satisfação das necessidades básicas da população (educação, alimentação, saúde, lazer, etc); a solidariedade para com as gerações futuras (preservar o ambiente de modo que elas tenham chance de viver); a participação da população envolvida (todos devem se conscientizar da necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe para tal); a preservação dos recursos naturais (água, oxigênio, etc); a elaboração de um sistema social garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas (erradicação da miséria, do preconceito e do massacre de populações oprimidas, como por exemplo os índios); a efetivação dos programas educativos.

Na tentativa de chegar ao Desenvolvimento Sustentável, sabemos que a Educação Ambiental é parte vital e indispensável, pois é a maneira mais direta e funcional de se atingir pelo menos uma de suas metas: a participação da população. Reiteramos a idéia de que através do estudo da percepção ambiental poderemos compreender melhor as inter-relações entre o homem e o ambiente, suas expectativas, satisfações e insatisfações, julgamentos e condutas.

E o que tem a ver percepção ambiental e Educação ambiental?

Saber como os indivíduos percebem o ambiente em que vivem, suas fontes de satisfação e insatisfação é de fundamental importância, pois só assim, conhecendo a cada um, será possível a realização de um trabalho com bases locais, partindo da realidade do público alvo. Certos de que precisamos é de ações afirmativas e de uma boa dose de vontade política para avançar, de uma forma que todos possam ver e medir, superando as difíceis circunstâncias econômicas, políticas e sociais enfrentadas por todos nós, para criar instituições democráticas que funcionem, tenham credibilidade, promovam o crescimento sustentado e corrijam as falhas da justiça que conduzem a impunidade e ao descaso sobre as questões ambientais privilegiando desta maneira o capitalismo selvagem.