Trabalho sobre o livro de quincas borbas
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Trabalho sobre o livro de quincas borbas

Universidade Estadual Vale do Acarau - CE
2008

 

 

 

Sumário

1. Introdução
2. Desenvolvimento
3. Conclusão
4. Bibliografia
5. Anexos

 

1. Introdução

Joaquim Maria Machado de Assis (1839 – 1908), em seus romances é exato e crítico na descrição dos personagens e da vida social, utilizando-os como instrumento de denúncia dos valores burgueses, como crítica a corrupção, hipocrisia, a moral aparente, focalizando criticamente suas principais instituições: o casamento, a herança, a política e a igreja.

Seu segundo romance da fase realista publicado em 1831 é Quincas Borba, uma narrativa que mistura 1ª e 3ª pessoa, contada por um narrador onisciente, que descreve a vida de Rubião, um ex-professor que se torna rico e capitalista ao receber a herança de Quincas Borba, um rico filósofo. A mudança de vida o fez sair de Barbacena em Minas Gerais e morar na corte do Rio de Janeiro, onde pôde experimentar a glória e a decadência.

Sobre esse romance fizemos um trabalho que tem por objetivo mostrar a obra de forma estruturada, através do qual poderemos conhecê-la um pouco melhor. Nele foram criadas diversas partes que levará o leitor ao conhecimento de uma das maiores obras machadianas.

Inicialmente destacamos a biografia do autor, na qual se pode ler o resumo de toda sua trajetória de vida, bem como suas publicações por gênero literário e em ordem cronológica.

Procuramos mostrar em seguida a divisão que fizemos do livro: introdução, desenvolvimento e conclusão, dando a cada uma um título, e um breve comentário dos fatos ocorridos em cada parte.

Como forma de ênfase, demos à obra uma idéia central, fazendo também uma crítica, argumentando a linguagem e as modificações que poderiam existir para deixar o leitor mais satisfeito com o final.

Destacamos em seguida, o resumo da obra, este tem por objetivo fazê-lo conhecer toda a história, de forma a deixá-lo a par dos principais acontecimentos, de forma expressiva e convincente.

Incluímos também nesse trabalho alguns trechos da obra, para mostrar sua linguagem, gênero, fatos narrados e os subentendidos nas entrelinhas, focando para o leitor momentos importantes contidos na obra.

Queremos no final da leitura desse trabalho, baseado nessa grande obra, que o leitor possa conhecer um pouco da história de Quincas Borba.

 

Biografia do autor

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho do mulato Francisco José de Assis descendente de escravos, e de Maria Leopoldina Machado de Assis uma lavandeira portuguesa.

De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e juventude. Órfão de mãe muito cedo, é criado pela madrasta que se dedica ao menino. Com a morte do pai em 1851 sua madrasta Maria Inês, à época morando em São Cristóvão emprega-se como doceira no colégio do bairro e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces.

Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se a aprender e se tornou um dos maiores intelectuais do país ainda muito jovem.

Consta que em São Cristóvão conheceu uma senhora francesa proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de francês que acabou por falar fluentemente. Também aprendeu inglês e posteriormente estudou alemão.

Aos dezesseis anos publica seu primeiro trabalho literário, o poema “Ela” na revista Marmota Fluminense em 1855.

Trabalhou como aprendiz de tipógrafo na imprensa nacional, foi revisor e colaborador da revista Marmota Fluminense, do jornal Correio Mercantil e Diário do Rio de Janeiro. Desde então entregou-se à sociedade lítero- humorística construindo assim seu círculo de amigos do qual fazia parte Joaquim Manoel de Macedo, Manoel Antônio de Almeida, José de Alencar e Gonçalves Dias.

Seu primeiro livro “Queda que as mulheres têm para os tolos” foi impresso em 1861, onde Machado de Assis aparece como tradutor. Em 1864 publica seu primeiro livro de poesias “Crisálidas”. Casa-se em 1869 com Carolina Augusta Xavier de Novaes, mulher culta, apresenta-o aos clássicos portugueses e a vários autores da língua inglesa. Sua união foi feliz, mas sem filhos, durou trinta e cinco anos. A morte de sua esposa em 1904 inspirou a dedicação do soneto Carolina.

Em 1872 estabiliza-se na carreira pública como primeiro oficial da secretaria de estudo do Ministério da Agricultura, comércio e obras públicas. Nesse mesmo ano publica seu primeiro romance “Ressurreição”.

No ano de 1874 começa a publicar em folhetins o romance “A mão e a luva”. Escreveu crônicas, contos, poesias e romances para as revistas: O cruzeiro, A estação e Revista brasileira.

Em 1881 publica um livro extremamente original, pouco convencional para o estilo da época: “Memórias póstumas de Brás Cubas”, que marca o início do realismo no Brasil.

Machado de Assis foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras em 1897, na qual foi aclamado seu primeiro presidente até a sua morte, ocorrida em 29 de setembro de 1908 no Rio de Janeiro. Sua oração fúnebre foi proferida pelo acadêmico Rui Barbosa.

Sua importância para a Academia Brasileira de Letras vê-la passar a ser chamada de Casa de Machado de Assis.

A obra poética de Machado de Assis divide-se em duas fases: a romântica e parnasiano-realista.

 

Suas principais obras:

 

Comédia

Desencantos, 1861.

Tu, só tu, puro amor, 1881.

 

Poesia

Crisálidas, 1864.

Falenas, 1870.

Americanas, 1875,

Poesias Completas, 1901.

 

Romances

Ressurreição, 1872

A mão e a luva, 1874.

Helena, 1876.

Iaiá Garcia, 1878.

Memórias póstumas de Brás Cubas, 1881.

Quincas Borba, 1891.

Dom Casmurro, 1899.

Esaú e Jacó, 1904.

Memorial de Aires

Contos Fluminenses, 1870

Histórias da meia - noite, 1873.

Papeis avulso, 1882.

História sem data, 1884.

Várias histórias, 1896.

Páginas recolhidas, 1899.

Relíquias de casa velha, 1906.

 

Teatro

Queda que as mulheres têm para os tolos, 1861.

Desencantos, 1861.

Hoje avental, amanhã luva, 1861.

O caminho da porta, 1862.

O protocolo, 1862.

Quase ministro, 1863.

Os deuses de casaca, 1865.

Tu, só tu, puro amor, 1881.

 

Algumas obras póstumas

Crítica, 1910.

Teatro Coligido, 1810.

Outras relíquias, 1921.

Correspondência, 1932.

A semana, 1914/1937.

Páginas escolhidas, 1921.

Novas relíquias, 1932.

Crônicas, 1937.

Contas Fluminenses – segundo volume, 1937.

Crítica literária, 1937.

Histórias românticas, 1937.

Páginas esquecidas, 1939.

Casa velha, 1944.

Diálogos e reflexões de um relojoeiro, 1956.

Crônicas de Lélio, 1958.

Conto de escola, 2002.

 

Antologias

Obras completas (trinta e um volumes). 1936.

Contas e crônicas, 1958.

Contos esparsos, 1966.

Contos; Uma antologia (dois volumes), 1998.

Em 1975, a comissão Machado de Assis instituída pelo Ministério da Educação e Cultura, organizou e publicou as edições críticas de obras de Machado de Assis em quinze volumes.

Seus trabalhos são constantemente republicados em diversos idiomas, tendo ocorrido à adaptação de alguns textos para o cinema e a televisão.

 

Introdução: capítulo I ao III

Transformação do homem

Essa história nos mostra a transformação de um simples professor de meninos em Minas Gerais, para uma vida de luxo e riqueza na corte do Rio de Janeiro, um homem ingênuo, herdeiro de uma fortuna, mas que não tem malícia nem preparação para enfrentar uma outra realidade que ele não conhecia.

 

2. Desenvolvimento:

Capítulo IV ao CXCIX

Herança, ingenuidade, esperteza e seus parasitas.

Junto com toda herança inesperada, Rubião é acompanhado de parasitas, pessoas que se aproximam com o único objetivo: explorar o quanto pode aquele ingênuo homem.

Na viagem de trem, quando Rubião estava indo embora, conheceu o casal Cristiano Palha e Sofia. Palha iniciou uma conversa com Rubião, este contou-lhe toda a historia, inclusive sobre a herança recebida, e por isso estava indo morar na cidade do Rio de Janeiro. Palha muito esperto e percebendo sua inocência, não exitou em lhe escutar, fazendo-se parecer seu melhor amigo, com uma única intenção: aniquilá-lo.

Este homem era tão ambicioso e sem caráter, que mesmo percebendo o interesse de Rubião por sua esposa Sofia, não desistiu de seu plano. Deixou-o pobre e louco quando o largou à própria sorte para viver plenamente sua insanidade ao voltar à Barbacena.

Conclusão: capítulo CC ao CCI

Final trágico de um homem insano

O personagem Rubião morre vítima de uma febre, mas antes se sentiu glorioso como um imperador, tendo em seu rosto a expressão do poder pelo nada. Após adoecer, três dias depois morre o cão Quincas Borba.

Idéia central do texto:

A transformação do homem em objeto do homem

Análise crítica do livro

O principal elemento estruturador da narrativa de Machado de Assis, é o narrador. Ele interfere na história fazendo comentários e dirigindo-se ao leitor. Sua participação é interventiva.

A doutrina filosófica de Quincas Borba é na verdade a essência da obra. Ao usar a metáfora do mundo como um campo de batatas, pela qual duas tribos famintas lutam e em que apenas uma será vencedora, Machado de Assis propôs uma reflexão pessimista e determinista sobre a vida humana e a humana existência.

Na vida sempre haverá vencedores e perdedores; aos primeiros serão dadas as batatas, a consagração; aos segundos, os vencidos, ódio ou compaixão. Portanto, não há morte, mas mudança. Rubião e sua vida de miséria e glórias, miséria, é uma figurativização da teoria filosófica de Quincas Borba.

Como em todas as suas obras, também esta tem sua linguagem culta, o tempo é cronológico, pois os fatos seguem uma ordem temporal. O narrador utiliza-se de flash-backs para relembrar o passado.

Para melhorar poderia narrar os fatos sem utilizar os flash-backs.

O personagem central - Rubião, deveria ser mais atento e menos ingênuo, tivesse dissolvido inicialmente a sociedade com o Palha, continuado rico e tivesse se casado.

 

Resumo

Debruçado a uma janela de sua casa no bairro do Botafogo no Rio de Janeiro, Rubião medita sobre, que de simples professor em Barbacena, Minas Gerais, elevara-o a capitalista.

Rubião, então professor de uma escola de meninos, possuía uma irmã chamada Maria da Piedade. Em determinado momento chega à cidade Joaquim Borba dos Santos. Mais conhecido como Quincas Borba, estranha figura de “mendigo, herdeiro inopinado e inventor de uma filosofia". Imediatamente, apaixona-se pela irmã de Rubião, mas, apesar do completo apoio deste, é recusado pela viúva, que em seguida morre.

Rubião torna-se então , o único amigo de Quincas Borba, que no passado tivera muitos parentes na cidade, entre os quais um tio, o qual ao morrer deixara-lhe todos os bens. Quanto Quincas Borba adoece, seu amigo fecha a escola de meninos para tornar-se seu enfermeiro.

Enquanto cuida do enfermo e ouve deste a exposição dos princípios gerais que norteiam a filosofia de Humanitas, na mente de Rubião vai se insinuando aos poucos a idéias de uma possível herança. Na verdade havia motivos para tal esperança, já que Quincas Borba possuía , além de Rubião, como único amigo um cachorro, ao qual fora dado o mesmo nome do dono.

A tensão de Rubião aumenta progressivamente a partir do momento em que, depois de fazer seu testamento, sem revelar-lhe o conteúdo, Quincas Borba decide viajar para o Rio de Janeiro, onde finalmente morre na casa de seu amigo Brás Cubas.

Aberto o testamento, Rubião aparece como o herdeiro universal dos bens do falecido , sob uma única condição: a de cuidar do cachorro.

Assim, Rubião parte de trem para o Rio de Janeiro, levando em companhia Quincas Borba, o cachorro. Na estação de Vassouras sobem ao mesmo vagão Cristiano de Almeida Palha e sua mulher Sofia, com os quais Rubião imediatamente trava conhecimento. Já instalado na corte, Palha começa sutilmente a insinuar-se na vida de Rubião e este passa a sentir-se atraído por Sofia, o que o levaria ao desastre final.

De fato, à medida que o tempo passa, a cidade vai tecendo em volta do ingênuo professor (ex) a teia da qual não poderá mais livrar-se e que o levará à destruição. Os abalos que atingem Rubião procedem, especialmente, de dois lados: o amor, personificado na bela Sofia e o poder, representado por Camacho.

A atração que Sofia lhe despertara no primeiro encontro, em Vassouras, permanece gravada em sua alma. A tal ponto que, por ocasião de uma festa na casa de Palha, Rubião, sem medir conseqüências, vai com ela para o jardim e, sob o luar da noite, declara-lhe seu amor.

Sofia adota uma posição ambígua diante do fato inesperado. De um lado fica satisfeita e, de outro, assusta-se, uma vez que pretende manter intacta a imagem de fidelidade ao marido. Logo que pode conta ao marido o acontecido e propõe o rompimento de relações com Rubião – mas sem muita convicção Palha é invadido por sensações contraditórias.

Contudo, seus interesses econômicos acabam prevalecendo. Aos poucos, marido e mulher tornam-se cúmplices com o objetivo comum de explorar Rubião.

Agindo por impulsos, sem qualquer racionalidade, Rubião não tem condições de administrar a grande fortuna que herdara por obra do acaso. Sua casa torna-se um antro de parasitas, entre os quais desponta Camacho, um político fracassado, que edita o jornal Atalaia, veículo de promoção pessoal e manipulação da opinião publica. Rubião se deslumbra e começa a sonhar com o poder. Camacho, habilmente, usa tal deslumbramento para obter vantagens e consegue fazer de Rubião um dos sócios de seu jornal.

Sofia apaixona-se por Carlos Maria, figura típica de galanteador, e Rubião passa a ver nele seu rival. Indiferente ao amor de Sofia, Carlos Maria acaba casando com Maria Benedita, uma prima de Sofia.

O sonho de ascensão política com que acenava Camacho termina obviamente em nada e Palha, depois de aproveitar-se do dinheiro de Rubião, desfaz a sociedade que com ele montara.

Tonica, a eterna solteirona, que uma vez tentara aproximar-se de Rubião, consegue encontrar um noivo, mas este morreu três dias antes do casamento. Os negócios de Palha progridem a olhos vistos, e ele passa a formar, com Sofia, um casal rico e elegante, em cuja casa reúne-se a melhor sociedade da época.

Paralelamente, os delírios de Rubião tornam-se cada vez mais graves e prolongados. Diante da notoriedade adquirida pela loucura do ex-sócio, Palha vê-se obrigado a arranjar-lhe uma casa junto ao mar, na qual Rubião passa a morar em companhia do cachorro e de um empregado.

Depois de algum tempo, Rubião é recolhido a uma casa de saúde. Certo dia, manda chamar Palha e lhe comunica, num momento de extrema lucidez, que resolvera deixar o local.

Em seguida desaparece, reaparecendo em Barbacena, acompanhado do cachorro e repetindo incansavelmente: `` Aos vencedor, as batatas´´. Faminto e febril, é recolhido, juntamente com o cachorro, por sua comadre, em cuja casa vem a falecer.

Logo a seguir o cachorro adoece também e três dias depois amanhece morto na rua.

 

O gênero da obra

O gênero da obra é narrativo, onde envolve fato, personagem, ambiente e tempo, conforme trechos citados abaixo:

“... Um criado trouxe o café...” (cap. 3)

“... Quincas Borba calou-se de exausto, e sentou-se ofegante... ”(cap.7)

“... Ladeira abaixo, dona Tonica foi ouvindo o resto do discurso do pai...” (cap. 43)

“... O cão ladrou de dentro; mas, logo que Rubião entrou, recebeu-o com grande alegria...” (cap. 49)

“...Rubião acordou. Era a primeira vez que ia a um paquete...” (cap.127)

“... O casamento era dali a mês e meio...” (cap. 181)



Funções de linguagem

A função de linguagem existente no livro é referencial, conforme citações abaixo:

“...Rubião abriu os olhos, meio fechados, e deu com o cocheiro que sacudia ao de leve a pontinha do chicote para espertar o animal...”

“...Olhou para o cão, enquanto esperava que lhe abrissem a porta...”

“...Cachorro trouxe à memória de Rubião o Quincas Borba, que lá devia estar em casa, à espera dele, ansioso...”

“...Duas horas depois da cena da Rua da Ajuda chegou Rubião à casa de dona Fernanda...”

 

Tipo de leitura

A leitura realizada para execução do trabalho foi intensiva.

Intertextualidade contextual

Um dos assuntos ligados ao livro é a atração, o amor que o personagem principal sentia e não foi correspondido, o qual o levou à loucura e por conseqüência sua morte.

A relação que há é que esse tipo de amor mórbido acontece frequentemente em nossa história, no caso do personagem, só refletiu em si mesmo, diferente da realidade que em diversas vezes prejudica outras pessoas.

Outro assunto é a posse dos bens de Rubião, que ficou com Palha e Sofia.

Para este caso a relação que há é o caso de sociedades em que um dos sócios se beneficia com a parte do outro, a chamada Apropriação Indébita, que é uma constante em nossos dias.

Fatos explícitos:

“...Entende-se bem que dona Tonica observasse a contemplação dos dois... Não tardou em perceber que os olhos de Rubião e os de Sofia caminhavam uns para os outros...” (Cap. 37)

“...Inclinava-se para beijar a mão, quando uma voz, a alguns passos, veio acordá-lo inteiramente...” (Cap. 41)

“...Era Siqueira, o terrível major. Rubião não sabia que dissesse; Sofia, passados os primeiros instantes, readquiriu a posse de si mesma...” (Cap. 42)

 

Fatos implícitos

De acordo com o trecho do fato explícito no capítulo 37, onde dona Tonica observava Rubião e Sofia se entreolhando, ela poderia tê-los seguido após se recusar a acompanhá-los no passeio e escutado a declaração de amor que Rubião fez a Sofia, assim esse amor não teria se mantido em segredo.

Nos trechos dos capítulos 41 e 42 acima especificados, ele se inclinava para beijar a mão de Sofia quando foi interrompido pela voz do major Siqueira. Nesse momento é como se o major estivesse por perto o tempo inteiro e se apresentou exatamente para interrompê-los propositalmente.

 

Coesão seqüencial

“... Rubião não tinha o que fazer; para matar os dias longos e vazios, ia às sessões do júri, à câmera dos deputados, à passagem dos batalhões, dava grandes passeios, fazia visitas desnecessárias, à noite, ou ia aos teatros, sem prazer ...” (cap. 80)

 

Relação de coerência

“... – Minha avó saiu, atravessou o adro, para ir ter à cadeirinha, que a esperava no Largo do Paço. Gente como formiga. O povo queria ver entrar as grandes senhoras nas suas ricas traquitanas. No momento em que minha avó saía do adro para ir à cadeirinha, um pouco distante, aconteceu espantar-se uma das bestas de uma sege; a besta disparou, a outra imitou-a, confusão, tumulto, minha avó caiu, e tanto as mulas como a sege passaram-lhe por cima. Foi levada em braços para uma botica da Rua Direita, veio um sangrador, mas era tarde; tinha a cabeça rachada, uma perna e o ombro partidos, era toda sangue; expirou minutos depois...” (cap. 6)

A obra é técnica ou literária?

A obra é literária. Porque narra uma história empregando a língua com liberdade e beleza, utilizando-se, muitas vezes do sentido metafórico das palavras, com a pretensão de emocionar, encantar o leitor.

 

Recomendação do livro

Sim. Recomendamos o livro por ser uma obra literária atrativa, original, sarcástica. Aborda um quadro crítico das relações sociais no Brasil no final do século XIX, com um jogo de ambição capaz de destruir uma pessoa com o único intuito de tomar toda a fortuna que lhe foi deixada como herança.

Essa história fascina e ao mesmo tempo prepara o leitor para além da leitura de época, associando-a ao tempo presente devido aos fatos lá ocorridos terem ligação com a nossa realidade.

 

3. Conclusão

O livro Quincas Borba de Machado de Assis é um romance de características realista, pois o autor pertence a este período literário. Considerada como uma das obras-primas da ficção brasileira e colocada em destaque entre as cinco principais obras de Machado de Assis ao lado de Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Esaú e Jacó e O alienista, Quincas Borba nunca deixou de estar em evidência ao longo de quase um século de sua publicação, enfrentando assim as críticas comuns à obra machadiana.

No que diz respeito a Quincas Borba, as idéias retratam a trajetória social do personagem central. A trajetória de Rubião, que por um golpe de sorte tornara-se capitalista, é uma espécie de argumento utilizado por Machado Assis para justificar a necessidade de expor o todo social. De fato, a ingenuidade e o despreparo de Rubião se revelam a partir do momento em que, rico por obra do acaso, decide viver na corte e torna-se socialmente tão importante quanto era economicamente.

Neste confronto, Rubião é destruído pelos mais hábeis numa comprovação das teorias de seu grande mestre - filósofo, Joaquim Borba dos Santos. Inversamente, contudo o protagonista pode ser visto como um vencedor à revelia, pois na loucura e morte desvelam as leis fundamentais que regem a sociedade que o destrói: a mentira e o parasitismo social e econômico. Leis das quais ele próprio é produto e possui certa consciência, pois no momento em que se sabe provável herdeiro de uma grande fortuna mostra-se disposto até a trapacear para não perdê-la.

O livro nos mostra nitidamente que a vida dá voltas, em um momento podemos ter tudo, em outro nada. “Ao vencedor as batatas”. Assim ele perdeu a “batalha” da vida e quem o superou foi o casal que ficou com a riqueza.

O trabalho criado para mostrar a obra, podemos dizer que foi gratificante, fazer resumo, dividir o texto, comentar as partes, justificar a obra, seu gênero e linguagem, como também citar trechos.

Por conseguinte, podemos afirmar que ganhamos conhecimento e experiência para nosso percurso de vida.

 

4. Bibliografia

ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. V. 14. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975. 346 p.

ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 1. ed. São Paulo: Moderna, 1994. 192 p.

 

5. Anexos: