Teoria Psicanalítica: Ego e Mecanismos de Defesa
Sociais Aplicadas > Psicologia

Teoria Psicanalítica: Ego e Mecanismos de Defesa

Faculdade Teológica
2009

 



Sumário:

Mecanismos de Defesa
Regressão
Racionalização
Sublimação
Repressão
Recalque
Identificação
Negação
Conversão
Projeção
Transformação No Contrário (Inversão)
Inversão Contra O Eu
Introjeção
Evitação
Formação Reativa
Isolamento
Deslocamento
Dissociação
Intelectualização
Fantasia
Incorporação
Restituição
Imitação
Conclusão
Referências bibliográficas

 

Mecanismos de Defesa

O Ego é definido como aquele grupo de processos mentais cuja função é perceber e reconhecer as variadas forças que influenciam o organismo, tanto do ambiente interno como externo, sintetizando-as e integrando-as, a executar as funções e atividades necessárias para manter um estado de adaptação interna e externa. Esse grupo de funções implica percepção, memória, pensamentos, inteligência, funções motoras, juízo e valoração da realidade.

Na estrutura, o aparelho mental é dividido em três grandes grupos funcionais: o Id, o Ego e o Superego. Todos os processos mentais podem ser considerados como pertencentes a um desses grupos. Supõe-se que o funcionamento dá-se da seguinte forma: é inconsciente o Id, grande parte do Superego e do Ego.

Através de um processo de diferenciação, o Ego forma-se do Id ou seria mesmo parte dele. Se fosse possível definir o espaço onde se situa o Ego, diria que ele ocupa uma zona entre o Id e a realidade do mundo exterior. Ele pode inibir ou modificar o Id e também permitir transformar-se em ação, registrando os impulsos do Id e projetando-os sobre os objetos do mundo exterior em forma de sentimentos e afetos.

O Ego é a parte importante da personalidade onde pode ser descrita uma variedade de funções.

1.Perceptiva - ele sente todas as ações do mundo, desde um beijo, um tapa no rosto, a luz do dia, a escuridão, o tempo e todas as ocorrências exteriores. O Ego preserva o sentido da realidade, conserva intacta a barreira entre a personalidade e o mundo exterior, não permitindo que a barreira diminua por um único momento.

2.Executiva. Ela determina o que o indivíduo diz como ele age e como se dirige no mundo.

3.Manter o equilíbrio.

O Ego opera de acordo com o princípio de realidade, em oposição ao princípio do prazer, do Id. O princípio de realidade implica a valorização da situação com todas as forças que influenciam o indivíduo. O juízo da realidade pode promover: um bloqueio na satisfação do impulso, uma mudança no objeto de um impulso ou a substituição de um prazer atual por outro futuro, com o objetivo final de obter o máximo de satisfação e prazer e o mínimo de dor ou perigo.

O Ego é um agente de defesa, mas só pode se defender fugindo daquilo que o ameaça, ou seja: desiste de representar o papel que não tem mais domínio. É quando o Ego perde a situação consciente e deixa de ser lógico, objetivo e racional.

 

Sobre Defesas

Uma defesa é ativada quando os impulsos opostos não encontram descarga, mas permanecem suspensos no inconsciente e ainda aumentam pelo funcionamento continuado das suas fontes físicas. As defesas bem sucedidas têm menor importância na psicodinâmica das neuroses. Nem sempre se define com nitidez as fronteiras entre as duas categorias. Muitas vezes não se consegue distinguir entre um impulso que foi transformado pela influência do Ego e um impulso que irrompe com distorção, contra a vontade do Ego e sem que este o reconheça. Este último tipo de impulso produz atitudes constrangedoras, repete-se continuamente, jamais permitirá relaxamento pleno.

As defesas do Ego podem dividir-se em:

Defesas bem sucedidas, que geram a cessação daquilo que se rejeita.

Defesas ineficazes, que exigem repetição ou perpetuação do processo de rejeição a fim de impedir a irrupção dos impulsos rejeitados.

Diz-se que as defesas patogênicas, nas quais se radicam as neuroses, pertencem à segunda categoria.

 

Sobre os Mecanismos de Defesa do Ego

“Mecanismos de Defesa do Ego são todas as operações utilizadas pelo Ego para controlar, dominar, canalizar e empregar forças que ameaçam sua integridade e sobrevivência, ou que podem conduzir à neurose, e que provém do Id, do Superego e do mundo externo”. (Charles RYCROFT, Dicionário crítico de Psicanálise).

Os mecanismos de defesa desempenham um papel central no estabelecimento e manutenção do equilíbrio dinâmico. São funções que se estabelecem e se desenvolvem em cada indivíduo, fazendo parte de seu amadurecimento psicológico, para tratar e resolver tanto os conflitos intra-psíquicos quanto àqueles que surgem entre o organismo e o meio ambiente.

Quando o Ego está consciente das condições reinantes, consegue sair-se bem sendo lógico, objetivo e racional, mas quando se desencadeiam situações que possam vir a provocar sentimentos de culpa ou ansiedade, o Ego perde essas três qualidades e, de forma inconsciente, ativa uma série de mecanismos de defesa, com a finalidade de proteger-se contra uma dor psíquica iminente.

Existem diferentes mecanismos mais todos requerem um grau maior ou menor de gasto de energia psíquica. Vários mecanismos podem ser usados simultaneamente contra um impulso especifico e vários impulsos diferentes podem ser defendidos simultaneamente por um mecanismo particular, onde o seu uso pode provocar outros conflitos inconscientes para os quais mais defesas deverão ser instituídas, criando assim um efeito de superposição. O intuito do Ego ao se utilizar dos mecanismos de defesa é estabelecer e manter o equilíbrio dinâmico.

A natureza e a intensidade dos mecanismos empregados variam de indivíduo para indivíduo. Os mecanismos inconscientes de defesa do Ego encontram-se tanto nos estados normais quanto nos patológicos. São funções inconscientes do Ego e, quando bem sucedidas, não se está apenas inconsciente daquilo contra o que foi defendido, como também da operação do próprio mecanismo.

Quaisquer das várias funções do Ego podem ser utilizadas na defesa contra o conflito e contra a ansiedade. À medida que se processa o amadurecimento físico e psicológico, aumenta a capacidade das suas funções defensivas. Os mecanismos são benéficos e obrigatórios e, graças a eles convivemos “razoavelmente bem” com a dura realidade da vida. Porém, antes da definição e classificação dos mecanismos, convém falarmos de “defesa”.

Vários autores classificaram vários mecanismos de defesa usados pelo Ego.

Anna Freud em 1936 descreve os seguintes mecanismos de defesa do ego: Regressão, Repressão, Formação de Reação, Isolamento, Anulação, Projeção, Introjeção, Inversão contra o eu, Reversão, Sublimação.

Posteriormente, alguns autores deram suas contribuições e outros mecanismos foram definidos e classificados. Uma classificação didática divide os mecanismos de defesa em dois grupos:

1º – o grupo dos desejáveis se bem utilizados, são benéficos e saudáveis. Os principais são: recalque, compensação, racionalização, idealização, formação de reação, deslocamento e sublimação. O uso de qualquer um deles, mesmo considerados benéficos, se utilizados de forma exagerada, pode produzir distúrbios que prejudicam nossa eficiência e nossa alegria de viver. A proteção conferida ao ego, é eficaz contra a sensação de ansiedade gerada pelos conflitos, mas a solução é apenas aparente.

2º – o grupo dos nocivos e indesejáveis. Os principais são: projeção, conversão, regressão, negação, isolamento e fuga, introjeçao, identificação, simbolização. O uso deles por si só é mais pernicioso que benéfico.

 

Regressão

O ego recua, fugindo de situações conflitivas atuais, para um estado anterior. É o caso de alguém que depois de repetidas frustrações na área sexual, regrida à fase oral, para obter satisfações, comendo em excesso. O estágio para onde o indivíduo retrocede em sua vida onde o seu conflito ainda não existia. Ex: um rapaz comprometido para casar-se, pode não estar completamente seguro de seu sentimento por sua noiva, ou pode não desejar deixar a mãe. De qualquer modo um conflito surge.

Se o Ego escolhe Regressão, retrocederá à idade de dois ou três anos, quando tudo era agradável e não tinha problemas para ganhar a vida, não tinha uma noiva exigente, mas tinha um pai e uma mãe para tomar conta dele. Uma Regressão desse tipo pode resultar em esquizofrenia hebefrênica.

Freud menciona três espécies de regressão:

1ª - Sentido tópico - é um recuo da qualidade psíquica – do consciente ao pré-consciente ou deste ao inconsciente. 2ª - Sentido temporal –o indivíduo emprega habitualmente mecanismos infantis

3ª - Formal - modos primitivos de expressão e de representação tomam o lugar de modos habituais.

Chorar pode ser manifestação regressiva, impulso de retornar à segurança oferecida pelos pais (o choro vem acompanhado de algum contato parental reassegurador, como o abraço de alguém aceitável nesse papel). Certos apelidos, diminutivos e arremedos de fala infantil podem ser elementos regressivos que afloram no relacionamento entre amantes.

Para a terapia psicanalítica, a regressão é necessária – na verdade, o setting analítico e atitudes facilitam o desenvolvimento da regressão.

No processo de regressão, a personalidade como um todo não regride de um estágio de desenvolvimento para o imediatamente anterior. Somente certos aspectos dos sentimentos, do raciocínio e da conduta do paciente podem ser observados em diversos níveis dentro de vários estágios concorrentes. O paciente pode, por exemplo, pensar, sentir e comportar-se parcialmente como um adulto, mas ao mesmo tempo manifestar necessidades infantis. A regressão não é um fenômeno total, evolvendo tudo. Geralmente vemos regressões seletivas. A fixação e a regressão formam uma seqüência que se complementa reciprocamente. É na regressão que a pessoa mostra a tendência que tem de retornar àquele ponto de bloqueio que foram pontos de fixação em outros tempos. (Greenson).

 

Racionalização

A Racionalização é um “mecanismo através do qual o indivíduo apresenta uma explicação coerente, do ponto de vista lógico, ou aceitável, do ponto de vista moral, para alguma coisa sua, por não se aperceber dos verdadeiros motivos que a justificam“. (J. LAPLANCHE – J. PONTALIS, Vocabulário da psicanálise).

Para que este mecanismo seja eficaz, é necessário que sua existência e uso sejam inconscientes (Se o indivíduo está consciente de que mente, o mecanismo falha em esconder dele mesmo a existência de outros motivos), mas o resultado de sua operação é providenciar uma explicação consciente e aceitável. Quanto maior for à contribuição de fatores de realidade para a racionalização, maior sua eficácia em esconder os motivos menos aceitáveis. Racionalizar é inverter uma razão para um ato cujo motivo nos escapa (Ernest Jones).

É o mais comum, e aquele que mais opera de forma consciente. É planejado para manter o respeito próprio e evitar sentimentos de culpa. Preferimos acreditar que nosso comportamento é o resultado de uma deliberação racional. Às vezes, algumas racionalizações contêm um pequeno elemento de verdade, que serve para ocultar o motivo determinante essencial.

Um homem sofre um desastre automobilístico e tem uma perna amputada. Apesar da situação, ele dizia ás visitas: “Mas que sorte”! Imagine se fosse meu irmão que é atleta ““!

O rapaz que diz: “para casar com ela eu teria de viver entre grã-finos hipócritas”. Na verdade a moça o rejeitou por ele pertencer a uma classe social inferior à dela. Se ele procura mentir a si mesmo é para não admitir a verdade. Assim opera a racionalização.

 

Sublimação

É um mecanismo de defesa, onde simplesmente tomam-se um caminho intermediário, se entregando de ambos os lados do conflito. Ela é usada de maneiras diferentes na vida diária de todos os seres humanos. Ex: Uma pessoa pode ter um impulso de matar ou ferir alguém, mas não realizaria isso porque poderia ser punido pela sociedade. O Ego é assediado por um Id que diz “fira ou mate”, e por um Superego que diz “não”. A pessoa que constantemente tem um impulso pode, por exemplo, tornar-se um cirurgião, pois na cirurgia é possível cortar, perfurar, amputar, etc. Na cirurgia encontra alívio para seus impulsos inaceitáveis e a sociedade não só aprova como até paga por seus serviços. Nesta solução, as duas partes conflituosas de sua personalidade estariam igualmente envolvidas: a hostilidade satisfeita e o Superego apaziguado – seu mundo estaria tranqüilo. O Ego fez um bom negócio.

O Ego sadio encontra um caminho intermediário entre o desejo e a proibição. A sublimação consiste na transformação de impulsos inaceitáveis – ou não realizáveis - em ações que além de aceitáveis e úteis para nós mesmos e para todos que nos cercam. Usamos a sublimação para viver e gostar de viver. Impulsos “competitivos, destrutivos e até homicidas”, são sublimados por meio da prática de esportes agressivos, como o boxe, touradas, luta livre, etc.

Sendo a sublimação um mecanismo onde os impulsos instintivos sexuais e agressivos sofrem “dessexualização” e “desagressificação”, esses impulsos, ao serem descarregados para objetos não sexuais ou agressivos, se tornam socialmente aceitáveis.

Anna Freud relacionou a sublimação como mecanismo de defesa normal do desenvolvimento psicológico, à medida que fornece solução progressiva a conflitos infantis que poderiam causar neurose. A capacidade de sublimar é requisito essencial para a felicidade, o bem estar e o gostar da vida.

Impulsos agressivos são sublimados em atividades construtivas, entre elas a criação artística. A sublimação também é usada como uma forma de obter satisfação das diversas atividades a que nos dedicamos, seja de lazer ou de trabalho. A finalidade sempre é saciar ou gratificar, através de atividades não-sexuais, os desejos sexuais frustrados. Dedicar-se ao trabalho com a cerâmica para satisfazer tendências coprofílicas (de interesse manipulatório, ou qualquer outro por fezes), ou escolher uma profissão que possa satisfazer impulsos advindos de sua fixação oral.

Para alguns autores, inclusive Daniel Lagache,a sublimação difere dos mecanismos de defesa porque a descarga não é bloqueada, mas sim deslocada.

 

Repressão

Repressão é um mecanismo em que o Ego empurra para trás ou reprime o conflito. No decorrer da vida normal e feliz um homem é assediado pelo seu Id que lhe exige alguma coisa. Utilizando-se do mecanismo de defesa da Repressão, o seu Ego responderia: “Não, eu não prestarei nenhuma atenção a esta exigência. Eu a empurrarei de volta ao inconsciente, de onde ela veio”. Como o próprio nome sugere, Repressão produz uma grande tensão. Ela solve a situação, empurrando para trás no inconsciente, mas não resolve.

Se ocorrer o esquecimento de um nome ou de uma intenção e, se o esquecimento é tendencioso, o que é reprimido ainda persistir, no inconsciente é sentido direta e subjetivamente, o indivíduo sabe o que foi esquecido ou até sabe de algum modo. É quando se ouve dizer: “está na ponta da língua”.

A repressão é uma atividade do ego que barra da consciência o impulso indesejável do id ou qualquer de seus derivados. Assim, recordações, emoções, desejos ou fantasias de realização de desejos, impulsos, pensamentos e tendências incompatíveis com as auto-exigências e motivações conscientes que perturbam o indivíduo são excluídos do campo da consciência, e empurrados para o plano inconsciente.

A repressão é um método especial de defesa e tem os demais mecanismos como auxiliares dela. Se o ego empregar a repressão através da formação de sintomas vai aliviar da tarefa de dominar os seus conflitos. Ao passo que se empregarem os outros métodos defensivos, terá ainda de haver-se com o problema.

Este é o mais complicado dos mecanismos de defesa. Refere-se a um processo pelo qual o sujeito, de alguma forma, inconscientemente, não quer tomar conhecimento de algum desejo, fantasia, pensamento ou sentimento. A finalidade é expiar desejos reprimidos e atos percebidos como imorais, contra-atacando os mesmos.

 

Recalque

O termo recalque ou recalcamento aparece traduzido também como repressão. O conceito está ligado a um processo pelo qual o sujeito procura repelir ou manter oculto no inconsciente às imagens, fantasias e recordações que estejam ligadas a algum desejo pulsional proibido de surgir no inconsciente.

O único motivo e objetivo do recalque é escapar ao desprazer, causado pelo conflito. O recalque é o mais importante de todos os mecanismos de defesa. É eficaz contra os instintos mais poderosos; mas é também o mais perigoso, já que pode fazer desaparecer da consciência uma zona importante da personalidade. Sempre o encontramos numa análise profunda.

O recalque é um processo inconsciente e graças a ele, um ato suscetível de tornar-se consciente, isto é, pré-consciente, se torna inconsciente. Esse parece ser um processo especificamente infantil. Em suma é uma rejeição inconsciente do ego, a desejos, emoções ou afetos, provenientes do id, mas considerados inaceitáveis pelo superego e pelo mundo exterior.

 

Identificação

É um mecanismo pelo qual um indivíduo efetua modificação interno em si próprio e em seus processos mentais. A identificação implica uma incorporação seletiva ou parcial e se altera através da imitação do objeto, nas suas mais circunscritas e específicas atitudes, aspectos, funções ou condutas. A identificação pode ser um processo deliberado e consciente, mas também pode ocorrer inconscientemente.

A identificação pode nascer do desejo de ser como o objeto, através das forças propulsivas do amor e das atitudes positivas. Pode-se basear também no medo, na hostilidade e nos aspectos negativos do relacionamento. Em qualquer um dos casos, a identificação é resultado de uma alteração estrutural do ego e/ou das funções do superego, ainda que a permanência dessa alteração seja variável.

É o processo pelo qual o indivíduo inseguro a respeito da própria identidade assume atributos de outra pessoa para deles fruir algum sentimento de orgulho e realização. É o caso dos adolescentes que procuram imitar celebridades da arte popular ou heróis de ficção.

Nem todos os autores reconhecem a identificação como mecanismo de defesa. Contudo, é o mais importante mecanismo psicológico para se observar o desenvolvimento do ego porque no desenvolvimento da personalidade, a criança absorve as atitudes e os padrões de comportamento dos pais e de outras pessoas significativas para ela.

O processo de identificação inicia-se no seio da família. A criança que admira ou aspira à força e as qualidades das pessoas mais velhas e tenta obter para si seus padrões de sucesso, adquire a maneira de se comportar dessas pessoas. O que motiva a identificação é a satisfação dos seus desejos.

Nota-se que adolescentes procuram imitar celebridades da arte popular ou heróis de ficção.

“Os amigos de um jovem professor notaram que ele mudou. Adotou uma postura ereta e passou a falar olhando por cima dos óculos, com uma linguagem precisa e rápida. Ele se mudara de uma cidade para outra a fim de trabalhar como assistente de um notável superintendente escolar. Seus amigos ficaram surpresos ao conhecer o superintendente, notando que sua postura e seu modo de falar eram exatamente os adotados pelo amigo”.

Através da identificação, o relacionamento com certas pessoas, pode ser selecionado, porque preenche necessidades especificas da personalidade.

 

Negação

É um mecanismo de defesa usado pelo Ego para encobrir. O Ego busca no seu depósito de recordações, imagens que possam ser substituídas. A recordação ou o desejo de esquecer de uma cena desejada por uma vida inteira. A tendência a negar sensações dolorosas é tão antiga quanto o próprio sentimento de dor.

Nas crianças pequenas, é muito comum à negação de realidades desagradáveis, negação que realiza desejos e que simplesmente exprime a efetividade do princípio do prazer.

Um protótipo da negação é a experiência infantil de aprender a controlar voluntariamente a percepção (fechando os olhos), como se dissesse “você não existe, já que não posso ver você”. Um exemplo de negação de uma percepção interiorizada seria daquela pessoa que não tem conhecimento de ter experimentado um sentimento particular, embora outras pessoas tenham podido reconhecer claramente as manifestações de sua existência.

Com o amadurecimento do Ego e da capacidade de devanear, desenvolvem-se formas mais elaboradas de negação, qual a fantasia é usada para se opor a uma percepção desagradável ou provocadora de ansiedade. Por meio da negação o que é conscientemente intolerável é rejeitado inconscientemente por um mecanismo protetor de não-percepção. Assim, a realidade é transformada de forma a não parecer mais desagradável e penosa.

O fenômeno da negação pode ser realizado de três formas distintas:

Repressão ou recalcamento aparece nas neuroses comuns e nas histerias, casos em que o ego se nega a reconhecer como seus e admitir que o recalcado emerge no consciente.

Renegação fenômeno pelo qual o sujeito sabe que os desejos, pensamentos e sentimentos negados são mesmo dele, porém continua a defender-se categoricamente, negando que lhe pertençam. Típica dos pacientes com perversão. O Fetichismo, por exemplo, decorre da negação da castração, levando-o a substituir o pênis por algum fetiche, como sapatos, para manter a ilusão de um “faz-de-conta que não me sinto castrado”.

Foraclusão uma negação extensiva à realidade exterior e o sujeito a substitui pela criação de outra realidade ficcional.

A negação também pode ser uma forma alucinatória de oposição do princípio de prazer a certas percepções penosas que interfiram com ele.Uma mulher ao saber que seu único filho de 14 anos sofreu um acidente de motocicleta, chega ao hospital e mesmo sabendo do real estado do seu filho, inclusive “pressão 0”, quando a avó do garoto telefona, transmite-lhe todas as informações, os terríveis detalhes do acidente, mas mesmo assim dizia: “não se preocupe, pois está tudo indo bem”. Ocorreu que sob o choque ela perdeu a capacidade de valorar criticamente a realidade e usou a negação.

As atividades recreativas como meio de evasão das preocupações e das frustrações de nossa vida cotidiana é muito semelhante à atividade da negação como mecanismo de defesa.

 

Conversão

Constitui um processo psicológico pelo qual uma pessoa utiliza os mecanismos de repressão, identificação, deslocamento, negação e simbolização. Dessa forma, um conflito que provoque um estado penoso é convertido em sua inibição de funções motoras ou sensitivas de forma a neutralizar a descarga de afeto. Com a paralisia ou a perturbação sensitiva, o conflito é negado, o afeto é reprimido e ainda assim a inibição da função simboliza o desejo reprimido e a necessidade de sua inibição. Parece, igualmente, que aqueles que utilizam a conversão com freqüência selecionam sintomas com base na identificação.

 

Projeção

A Projeção implica o ato psicológico de exteriorizar as coisas que a pessoa não aceita em si própria. A Projeção se dá sobre pessoas e coisas e esse material projetado pode ser qualidades, sentimentos e desejos, tendo seu modelo no processo de nutrição e no ato de cuspir, repelir ou recusar-se a tomar alimentos. A projeção é bem distinguida entre coisas comíveis e não comíveis, onde a primeira (aceitação) é engolir e a primeira (rejeição) é cuspir e, como está ligado ao ato de engolir e ao de não engolir, talvez fique claro quando se ouve dizer: “quero distância disso” ou até mesmo quando se ouve dizer: “quero lembrar disso pelo resto dos meus dias”.

Esse mecanismo, sob muitos aspectos, é uma forma de deslocamento, um meio de defesa que, em grau limitado pode ser observado na paranóia e em outras psicoses paranóides. Atuando como defesa contra angústia, a projeção¸ se dirige para fora e atribui a outras pessoas aqueles traços de caráter, atitudes, motivos e desejos contra os quais existem objeções e que se quer negar. Um material projetado pode ser encarado como um eco do próprio inconsciente da pessoa que o projeta.

Se o ego falha ou se torna desorganizado, outros fenômenos, não raro se associam com a projeção (alucinações, idéias de referencia e ilusões).

O mecanismo da projeção permite que a pessoa permaneça cega a importantes impulsos da personalidade. São casos de pessoas que criticam severamente outras pessoas, e é exatamente as falhas que constituem os pontos fracos de que elas próprias possuem os traços e motivos desprezados.

Mesmo na pessoa considerada normal, o mecanismo da projeção¸ pode ser empregado como função protetora. Contudo, impede que o indivíduo se veja a si mesmo como realmente o é e leva ao excessivo criticismo, sarcasmo, pessimismo, cinismo, melancolia, preconceitos, intolerância e ódio. Embora defensivo contra a ansiedade, é altamente provocador de distúrbios nas relações humanas. Esse mecanismo pode por em movimento o que conduz a um círculo vicioso.

Exemplos: Um doente mental projetava seus impulsos violentos, e em conseqüência,

pensava erroneamente estar em perigo de dano físico por parte do FBI, dos comunistas ou do vizinho.

Também o eterno desconfiado, aquele que sempre acha que estão querendo enganá-lo e “puxar seu tapete”, é na verdade desleal e falso nas relações com as outras pessoas.

Se a projeção for usada em grande proporção na vida adulta, como um mecanismo de defesa, a percepção que tem o indivíduo da realidade externa será gravemente prejudicada.

Na criança, quando a projeção é empregada como mecanismo de defesa, ela procura inconscientemente livrar-se de seus conteúdos mentais indesejáveis como se fossem conteúdos intestinais. Visto que na tenra idade ela considera suas fezes parte de seu próprio corpo. Um indivíduo propenso à desonestidade projeta seus desejos frustrados em outros, a quem passa a acusar. Também egocêntrica que projeta no marido o desinteresse dela pelos direitos alheios ao acusá-lo de indiferença ou desconsideração para com ela.

A Projeção é precedida pela Negação e, muito frequentemente, é acompanhada pela Transformação no Contrário (Inversão).

Transformação no Contrário (Inversão)

Mecanismo que transforma o impulso instintivo em seu contrário, de ativo a passivo e, num sentido puramente descritivo.

 

Inversão Contra o Eu

É um mecanismo que leva o indivíduo ao fracasso e à autopunição. O próprio indivíduo é o objeto do impulso instintivo. À volta contra o eu é, sobretudo uma defesa contra o sentimento de culpa inconsciente. Esse mecanismo foi relacionado por Anna Freud, para explicar o masoquismo moral, claramente observável, nas neuroses obsessivas. Na situação analítica, um desejo inconsciente de não se curar.

 

Introjeção

É também um mecanismo de defesa do Ego onde está contida a nutrição. A idéia de engolir um objeto exprime afirmação, satisfação instintiva. No estádio do Ego prazeroso purificado, tudo quanto agrada é introjetado, podendo mesmo o Ego introjetar hostilidade, executando impulsos destrutivos. O protótipo dos mecanismos psicológicos tanto da Projeção quanto da Introjeção, é o ato físico e fisiológico contido no processo de nutrição.

O mecanismo da introjeção faz parte do desenvolvimento normal, mas é defensivamente usado contra a angústia de separação. Através desse mecanismo, a função de um objeto externo ou parte dele é assumido por sua representação mental. Compreende-se melhor o fenômeno da introjeção como um desenvolvimento em fase mais precoce da personalidade do que durante àquela que ocorre a identificação. A criança ”introjeta” ou percebe experiências de prazer e dor, das quais derivam imagens “boas” ou “más” do indivíduo. Por se referir a uma fase precoce do desenvolvimento, a criança diferencia mal sua necessidade e a fonte gratificante negadora.

 

Evitação

É o mecanismo que, consciente ou inconscientemente, o indivíduo procura conservar objetos ou situações ameaçadoras ou perigosas, a uma distância segura. Quando a ameaça, ou o perigo, é externo, o indivíduo está plenamente consciente da fuga. Quando esta ameaça ou perigo, nasce de associações inconscientes entre objeto, ou situação externa e os impulsos inaceitáveis do indivíduo, a fuga é parcialmente inconsciente.

 

Formação Reativa

É o desenvolvimento exagerado de uma forma de comportamento oposta a determinado impulso inconsciente. O caráter defensivo, com traços e atitudes marcantes, é traído por seu exagero e, às vezes pela sua inadequação. Traços de caráter perfeccionista e descompromissados constituem formações reativas contra tendências, desejos ou impulsos proibidos.

A formação reativa muitas vezes é consciente, caracterizando-se por ser uma intolerância desproporcional à causa. As formações reativas resultam, geralmente em defesa mais duradoura e permanente do que aquela intermitente, do mecanismo de anulação. Um exemplo desse mecanismo seria a substituição do desejo de sujar-se por uma atitude de limpeza. Quanto mais forte for o impulso original, o instinto ou a atitude, mais intensa deve ser a Formação Reativa para servir, com sucesso, de defesa. O Ego defende-se com energia ativa contra afetos associados a esses impulsos instintivos.

O mecanismo da Formação Reativa está relacionado com o mecanismo da Anulação. Através deste mecanismo, impulsos ou atitudes são invertidos, o que implica uma alteração mais ou menos permanente nos processos do Ego e na modificação contínua do próprio Ego.

Uma fachada de excessiva amizade pode ocultar uma intensa hostilidade. Grande preocupação com certa pessoa pode ser um disfarce para sentimentos não reconhecidos de hostilidade, ciúme ou até desejo de que ela morra. Sob a capa da devoção pode esconder-se um desejo oculto de morte, por exemplo, a morte da mãe viúva pela qual uma filha, solteira, sacrificou-se e recusou-se a casar. Tal devoção serve para acalmar um sentimento de culpa.

Sentimentos de rejeição e hostilidade podem ser mascarados por escrupulosa polidez ou efusivas expressões de gratidão. Até onde a intenção consciente se acha envolvida, uma formação reativa¸ é sempre honesta e sincera. A pessoa agressiva que constantemente exige seus direitos e está sempre pronta para brigar por qualquer provocação, pode estar se defendendo de uma sensação de insegurança profundamente arraigada. Por outro lado, a submissão pode representar uma formação reativa que serve para encobrir tendências agressivas não reconhecidas.

Por meio da formação reativa uma das atitudes ambivalentes, por exemplo, ódio torna-se e permanece inconsciente, por uma super acentuação do amor. O ódio parece ter sido substituído pelo amor, à crueldade pela gentileza, a obstinação pela submissão, o prazer da sujeira pela ordem e a limpeza. Ainda assim a atitude permanece inconscientemente. Uma pessoa pode desenvolver uma atitude de grande ternura e afeição pelos seres humanos ou pelos animais com o fim de controlar e conservar inconscientes os impulsos muito cruéis ou mesmo sádicos em relação a eles.

Acontece na formação reativa o mesmo que acontece na mente do: bajulador, do hipócrita e do anfitrião. Cada um deles diz consigo mesmo: “Fingirei que gosto dessa pessoa, ainda que meus sentimentos verdadeiros ou profundos para com ela sejam diferentes, ou mesmo completamente opostos”.

O exemplo da criança de dois anos, cuja mãe dá à luz a um irmão e com a chegada do irmão, sente-se preterida, o seu desejo será de livrar-se do bebê. Esse desejo hostil contra o bebê é expresso pela criança de maneira bastante evidente, podendo resultar em perigo para o bebê. A criança logo descobre que sua hostilidade para com o irmão não é bem acolhida pela mãe e, em conseqüência, a criança se defenderá contra o aparecimento desses impulsos hostis por ter medo de perder o amor da mãe. Pode ser que a defesa empregada seja a repressão. Nesse caso, parece que o ego empregou dois mecanismos (a formação reativa e a repressão), para se defender dos impulsos hostis do id.

 

Isolamento

“O mecanismo de defesa do Isolamento é característico das neuroses obsessivas pelo qual um pensamento perde suas conexões associativas, e é despojado de seu significado emocional, ou das idéias, sentimentos ou atos são separados por intervalos de tempo, ou ainda, dois ou mais objetos, são impedidos de estabelecer contato entre si”. (Otto FENICHEL, Teoria Psicanalítica das Neuroses).

Isolamento é um mecanismo de defesa onde acontece uma tentativa obsessiva de distanciar-se de experiências ameaçadoras. O isolamento corresponde a uma pausa após um acontecimento, um tempo de suspensão em que não há nem percepção nem ação. É uma garantia para assegurar uma ruptura de conexão no pensamento: o que é isolado é posto de lado e não tem ligação com outros processos de pensamento.

No Isolamento, os processos mentais estão separados das partes que os compõem, e a conexão entre essas partes e o conhecimento consciente está bloqueada.

 

Deslocamento

O Deslocamento é em geral um incidente insignificante chega a substituir fatos psiquicamente significativos. Após uma análise de sonhos, onde parece que tudo se passa como se houvesse um deslocamento do ponto de vista psíquico. Então a carga psíquica passa das representações que estavam no início fortemente investidas para outras cuja tendência é fraca.

O Deslocamento pode ser entendido como uma baldeação de sentimentos, fantasias, de objetos ou representação objetal no passado para um objeto ou representação objetal no presente.

Exemplos de Deslocamentos com acréscimo de carga afetiva: a ternura de uma solteirona pelos animais; a paixão do solteirão por suas coleções; o ardor do soldado na defesa de um pedaço de pano colorido, a bandeira; a felicidade que dá ao apaixonado um aperto de mão mais prolongado.

 

Dissociação (Splitting, Cisão, Divisão)

A dissociação pode envolver o Ego e o Objeto. A primeira Dissociação ocorre entre o que é “bom” e o que é “mau”, entre o amor e o ódio.

Na Dissociação do Objeto, um objeto é cindido em um “bom” objeto e em um “mau”

objeto, de tal forma que as atitudes emocionais em relação a eles são antitéticas. Ela evita a angústia do conflito entre os impulsos eróticos e destrutivos ao mesmo objeto.

Na Dissociação do Ego este é cindido, geralmente em dois, sendo em apenas um deles experimentado como “Eu” e ou outro como estranho ou inconsciente.

O mecanismo da Dissociação tende a vincular-se à Negação e à Projeção, constituindo defesas esquizóides.

 

Intelectualização

É uma forma de resistência ao tratamento analítico que consiste no fato de o paciente priorizar o uso do pensamento e de elucubrações abstratas, teóricas e filosóficas no lugar de fazer um contato com os afetos e com suas fantasias inconscientes. Freud não empregou a expressão intelectualização, mas sua filha Anna descreveu a importância e freqüência de surgimento desse processo defensivo.

A intelectualização é utilizada mais substancialmente por pacientes obsessivos que assim controlam, isolam e anulam os sentimentos e por pacientes narcisistas que mais se preocupam com o “dizer bonito” do que pelo “dizer as verdades”.

 

Fantasia

É um processo de gratificação. Que é conseguida nos devaneios e no sonho. A fantasia ocorre frequentemente na vida psíquica normal e, por isso, o papel que ela desempenha em nossa vida psíquica é considerado importantíssimo.

É um processo em que o indivíduo concebe uma situação em sua mente, que satisfaz uma necessidade ou desejo, que não pode ser satisfeito, na vida real. É um roteiro imaginário em que o sujeito está presente e que representa de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos, a realização de um desejo e, em última análise, de um desejo inconsciente.

A fantasia pode contribuir para tornar possível ao ego dominar parte do id. Em conseqüência de um dos efeitos da fantasia, o impulso do id pode chegar tão perto da satisfação que se torna fácil para o ego refreá-lo ou controlá-lo. Mediante a criação de fantasias, da imaginação, satisfazemos ou gratificamos desejos que são frustrados. Nossas fantasias podem ser tão terríveis quanto os perigos reais. Ex: durante o sono, uma pessoa ao sentir sede pode sonhar em saciá-la e se sentir suficientemente satisfeita pelo sonho, de modo que continuará a dormir, mesmo que só haja água no quarto ao lado.

 

Incorporação

Refere-se a uma defesa na qual uma fonte perdida ou abandonada de identificação é introduzida na estrutura do ego sem a transformação deste. Com a incorporação, a representação do individuo torna-se semelhante à representação do objeto incorporado. Ex “Uma jovem mulher casada foi levada pelo marido a se tratar, devido a suas preces chorosas, auto-acusações e súplicas, bem como por sua incapacidade de cuidar do lar e das crianças. Ela declarou que sua mãe era uma mulher que chorava com freqüência e segurava-a no colo apenas nesses momentos, e consequentemente denunciava as injustiças cometidas contra ela. A paciente afirmou que tinha medo de ser igual à mãe e que não gostava de si mesma por esses traços”.

 

Restituição

É o mecanismo através do qual a mente é aliviada de uma descarga de culpa através de atos restitutivos. Quando a restituição é resultante de sentimento de culpa torna-se a principal motivação na vida, como bem exemplifica a pessoa benevolente de modo infatigável e quase enfadonho.

 

Imitação

O processo de Imitação, dirigido à interiorização e à mudança estrutural, é uma. tentativa parcial, de natureza substitutiva, de satisfazer um impulso derivado associado com o objeto amado ou odiado ou de usar o objeto para a resolução do conflito.

 

Conclusão

O Ego fornece um sentido de direção em nossa vida consciente. Ele tende a contrapor-se a qualquer coisa que possa ameaçar esta frágil consistência da consciência. A incompatibilidade de uma representação com o mundo exterior gera o que Freud denominou mecanismos de defesa, que são manifestações que o ego pode apresentar para se adaptar melhor a determinadas situações. Apesar das operações defensivas serem atribuídas ao Ego isso não quer dizer que ela seja consciente e voluntária.

Os mecanismos de defesa do Ego não operam independentemente. Eles são usados de diferentes maneiras em diferentes grupos, onde cada indivíduo fazendo uso de uma variedade desses mecanismos e nem sempre o mesmo mecanismo é usado contra o mesmo impulso, e como o amadurecimento do Ego e o desenvolvimento dos seus aparelhos latentes é progressivo, os modelos de defesa tornam-se cada vez mais complexos.

Na psicanálise reconhecemos todas as manifestações a expressão conjugada de um desejo e de uma defesa. O fracasso de certas defesas acarreta a mobilização de outras defesas. A gênese dos modos de defesa, bem como sua escolha permanece como uma questão pouco esclarecida. (Daniel Lagache – 1978)

A defesa é uma função do ego. Os meios que nosso psiquismo lança mão para controlar o conflito entre os impulsos do id e as necessidades de ceder à realidade e às exigências do ego e do superego são denominados “mecanismos de defesa e adaptação”. Eles são comparados a “válvula de escape” de uma panela de pressão, se não existir e não funcionar corretamente, a panela de pressão explode. No ser humano, a explosão é a doença ou até a morte. Todos nós recorremos aos mecanismos de defesa.

Sempre que o ego é assediado por ameaças vinda do id, do superego e do mundo exterior, ele estará na defensiva. Toda defesa é “defesa relativa”, e a atitude defensiva vai arranjar um motivo para aquilo que está sendo defendido. Para tudo isso acontecer, é preciso pensar em pelo menos em três tipos de causa: 1) a causa imediata – é sempre a fuga de alguma emoção dolorosa como: ansiedade, culpa ou vergonha; 2) a causa longínqua –é o impulso instintual subjacente que instigou a ansiedade, culpa ou vergonha; 3) a causa fundamental –é a situação traumática: um estado em que o ego fica desamparado por está inundado de ansiedade que não pode controlar ou dominar na verdade, um estado de pânico. Esse é o estado que o indivíduo procura evitar, criando as defesas ao menor sinal de perigo. (Greenson).

 

Referências Bibliográficas

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STATT, David A .Introdução à Psicologia, SP . Ed Harbra, 1978.

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ZIMERMAN, Davi E. – Vocabulário Contemporâneo de Psicanálise – Artmed – 2001

SILVA, Marco Aurélio Dias da – Quem Ama não Adoece – Editora Best Seller