Taylorismo e Fordismo
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TAYLORISMO E FORDISMO

São Luís – MA

2001

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a todos que direta ou indiretamente contribuiram para a elaboração e apresentação deste trabalho. Em especial, a Deus soberano, que é nosso mestre maior; A nossos familiares, pelo desejo de vitória; À biblioteca "Josué Montelo", do Centro de Ensino Unificado do Maranhão – CEUMA e à biblioteca da Faculdade Atenas Maranhense, pela oportunidade de realizar este trabalho, o qual nos serviu de laboratório; Aos amigos pelo apoio constante e; à administradora Maria Goreth Coelho Feitosa, nossa orientadora, pela orientação segura e competente.


INTRODUÇÃO

A partir da década de 70, a liderança industrial até então incontestável dos Estados Unidos e da Europa Ocidental passou a ser desafiada pelo Japão. Advoga-se que este fato está estreitamente ligado ao declínio da forma de organização do trabalho dominante nas empresas ocidentais.

O modelo da produção fordista estaria, por isso, sendo substituído na industria manufatureira em todo o mundo por novos conceitos e princípios.

Assim, na primeira parte, serão descritas as falhas no meio de produção, na segunda parte falaremos das modificações propostas por Frederick W. Taylor com a divisão do trabalho, na terceira as modificações propostas por Henry Ford com sua produção em massa e, para encerrar, faremos uma comparação sobre os dois meios de produção.

 

TAYLOR E FORD: OS MESTRES DA CIÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO

Foi no final do século XIX que surgiram – com Winslow Frederick Taylor, as primeira indagações e preocupações e preocupações com " uma melhor maneira" de fazer as coisas, evitando o desperdício de tempo, esforços e materiais para aumentar o rendimento do trabalho. E quase simultaneamente, com Henry Ford, apareceram estudos sobre os fenômenos administrativos que ocorreram em uma organização, numa tentativa de oferecer normas e orientação aos diretores e demais chefes das empresas que surgiram naquele fim de século já trazendo em seu bojo uma gama de problemas que desafiavam a capacidade desses bem dotados e experientes homens de negócios. O estímulo para tais pesquisas consistia na observação de que, ante situações complexas e face à incerteza do futuro, gerada por uma crescente alteração de fatores antes mais estáveis, muitos desses homens privilegiados, com aptidões inatas, sentiam-se perplexos, sem base para apoiar suas decisões, cometendo enganos fatais para suas organizações. Uma inadequada escolha entre várias alternativas, uma falha na "intuição" – e lá se ia por água abaixo todo um passado de glórias no mundo político ou empresarial.

Esse interesse pelo assunto levou à busca da identificação por motivos de êxitos ou fracassos, através de caminhos traçados pelo método científico. Daí em diante ofereceu-se uma nova abertura para um problema também relativamente novo, porque resultante de um processo histórico, político, social, econômico, científico e tecnológico, simultaneamente. Processo que deu lugar ao aparecimento de empresas, pequenas, médias, grandes, em lugar dos primitivos núcleos de artesanato. Desde então, a ciência da administração vem tentando provar que aliado a certa intuição ou habilidade inata, o administrador deve ter presente tudo o que a investigação científica, a observação dos fatos, análise, síntese, formulação de hipóteses e generalizações de normas ou regra pôde trazer para o campo da administração.

Na tentativa de uma abordagem, embora parcial como a presente, das teorias administrativas desde o seu nascedouro até os dias de hoje, as contribuições pioneiras de Frederick Taylor e Henry Ford hão de figurar como marcos decisivos para tudo que se fez depois nesse campo. Pois a verdade é que mesmo as mais arrojadas concepções modernas em administração têm sua fonte de inspiração na obra deixada por esses dois homens de espírito percuciente e inovador. Daí por que o próximo capítulo deste trabalho pretende dar uma síntese das suas teorias.

 

ELEMENTOS E PRINCÍPIOS DA "ADMINISTRAÇÃO CIENTIFÍCA" DE TAYLOR – TAYLORISMO

Frederick Wislow Taylor está ainda hoje, apesar do tempo e das inovações, entre as figuras que mais se destacaram na História do Pensamento Administrativo, devido à sua contribuição para o Movimento da Administração Científica.

Frederick W. Taylor(1856-1915), nasceu em Filadélfia, nos Estados Unidos. Veio de uma família qualquer de princípios rígidos e foi educado dentro de uma mentalidade de disciplina, devoção ao trabalho e poupança. Porém, um defeito de visão dificultou o prosseguimento dos estudos de advogado que pretendia fazer em Harvard e para os quais certamente não tinha vocação. Somente em 1885, isto é, com 29 anos, conseguiu com muito esforço, estudando à noite, obter o certificado de engenheiro através do Stevens Institute.

Tomou contato direto com os problemas sociais e empresariais decorrentes da Revolução Industrial e iniciou sua vida como operário, em 1878, na Midvale Steel Co., passando capataz, contramestre, chefe de oficina, engenheiro em 1885, quando se formou pelo Stevens Institute. Naquela época estava na moda o sistema de pagamento por peça ou por tarefa. Os patrões procuravam ganhar o máximo na hora de fixar o preço de tarefa e os operários, por seu turno, reduziam a um terço o ritmo da produção das máquinas, procurando contrabalancear desta forma, preço por peça determinado pelos patrões. Isto levou Taylor a estudar o problema de produção nos seus mínimos detalhes, pois não queria decepcionar os seus patrões, nem decepcionar seus colegas de trabalho, que desejavam que o então chefe de oficina não fosse duro com eles no planejamento dos trabalhos por peça.

Mas antes de Taylor, ainda foram desenvolvidas de forma mais ou menos sistemáticas, algumas praticas que visavam atingir aspectos tanto econômicos (aumento da produtividade) quanto políticos (limitação do poder de barganha da classe trabalhadora) envolvidos no processo produtivo, praticas estas que, de alguma forma, inspiraram e forneceram as bases de elaboração dos estudos tayloristas.


Dentre estas, destacam-se:

O incentivo ao uso de maquinarias produto da único entre capital e ciência que se traduz na ciência aplicada;

O emprego de menores nas linhas de produção com economia de salários e redução do poder de articulação dos trabalhadores adultos; e

Praticas de subcontratacão que utilizavam um trabalhador qualificado (dotado tanto do conhecimento do ofício quanto do conhecimento da performance dos seus colegas) para contratar, coordenar e fiscalizar o processo produtivo de algumas oficinas.


Embora a adoção destas medidas tenha apresentado inúmeros resultados positivos, o problema maior de dependência ou subordinação do capital a um saber operário ainda persistia, agravado pelo numero limitado de trabalhadores capazes de "tocar" a produção em contraste com o enorme contingente de trabalhadores sem ofício disponíveis (numero este ampliado pelos movimentos migratórios provenientes da Europa Oriental e Ásia que alteram a composição estrutural da classe trabalhadora americana).

a) Atitude Científica

O Primeiro período de Taylor

Taylor iniciou suas experiências e estudos pelo trabalho do operário e, mais tarde, generalizou as suas conclusões para a administração geral: sua teoria seguiu um caminho de baixo para cima e das partes para um todo. Permaneceu em Midvale até 1889, quando entrou para a Bethelehem Steel Works, para tentar aplicar as suas conclusões, vencendo enorme resistência às suas idéias. Registrou cerca de cinqüenta patentes de invenções sobre máquinas, ferramentas e processos de trabalho. Em 1895, apresentou à "American Siciety of Engineers" um estudo experimental denominado Notas Sobre as Correais. Pouco depois publicava outro trabalho, Um Sistema de Gratificação por Peça, um sistema de gratificação e de remuneração dos operários. O primeiro período de Taylor corresponde a publicação do seu livro Shop management ( Administração de Oficinas ), 1903, onde se preocupa exclusivamente as técnicas de racionalização do trabalho do operário, por meio do Estudo de Tempos e Movimentos (Motion-time Study ). Taylor começou por baixo, junto com os operários dos níveis de execução, efetuando um paciente trabalho de análise das tarefas de cada operário, decompondo os seus movimentos e processos de trabalho, aperfeiçoando-os e racionalizando-os gradativamente. Verificou que o operário médio produzia muito menos do que era potencialmente capaz com o equipamento disponível. Concluiu que se o operário diligente e mais predisposto à produtividade percebe que no final obtém a mesma remuneração que o seu colega menos interessado e o menos produtivo, acaba se acomodando, perdendo o interesse e não produzindo de acordo com a sua capacidade . Daí a necessidade de criar condições de pagar mais ao operário que produz mais. Em essência, Taylor diz em Shop Manegement que:

  • O objetivo de uma boa administração é pagar salários altos e ter baixos custos unitários de produção;
  • Para realizar este objetivo, a administração deve aplicar métodos científicos de pesquisa e experimentos para o seu problema global, a fim de formular princípios e estabelecer processos padronizados que permitam o controle das operações fabris;
  • Os empregados devem ser cientificamente colocados em serviços ou postos com os materiais e condições de trabalho adequados, para que as normas possam ser cumpridas;
  • Os empregados devem ser cientificamente adestrados para aperfeiçoar suas aptidões e, portanto executar um serviço ou tarefa de modo que a produção normal seja cumprida;
  • Uma atmosfera de íntima e cordial cooperação deve ser cultivada entre a administração e os trabalhadores, para garantir a continuidade desse ambiente psicológico.

Segundo Período de Taylor

Corresponde à época da publicação do seu livro Princípios da Administração Científica (1911), quando concluiu que a racionalização do trabalho operário deveria ser logicamente acompanhado de uma estruturação geral da empresa e que tornasse coerente a aplicação dos seus princípios. Nesse segundo período, desenvolveu os estudos sobre Administração Geral , a qual determinou Administração Científica, sem deixar contudo sua preocupação com relação à tarefa do operário. Taylor assegurava que as indústrias de sua época padeciam de males que poderiam ser agrupados em três fatores:

1. Vadiagem sistemática por parte dos operários, que reduziam propositadamente a cerca de um terço da que seria normal, para evitar a redução das tarifas de salários pela gerência. Há três causas determinantes da vadiagem no trabalho: O engano disseminado entre os trabalhadores, de que o maior rendimento do homem e da máquina terá como resultante o desemprego de grande número de operários; - O sistema defeituoso de administração, comumente em uso, que força os operários a ociosidade no trabalho, afim de melhor proteger seus interesses; - Os métodos empíricos ineficientes, geralmente utilizados em todas as empresas, com as quais o operário desperdiça grande parte do seu esforço e tempo;

2. Desconhecimento, pela gerência, das rotinas de trabalho e do tempo necessário para sua realização;

Falta de uniformidade das técnicas ou métodos de trabalho.

Para sanar esses três problemas, idealizou um sistema de Administração que denominou Scientific Management em que nos países de língua latina foi difundido sob os nomes de Sistema da Taylor, Gerência Científica, Organização Científica no Trabalho e Organização Racional do Trabalho. Segundo o próprio Taylor, o Scientific Management é antes uma evolução do que uma teoria, tendo como ingredientes 75% de análise e 25% de bom senso.

De acordo com Taylor, a implantação da Administração Científica deve ser gradual e obedecer a um certo período de tempo, para evitar alterações bruscas que causem descontentamento por parte dos empregados e prejuízos aos patrões.

Essa implantação requer um período de quatro a cinco anos para um progresso efetivo. Apesar da sua atitude francamente pessimista a respeito da natureza humana, já que considera o operário como irresponsável, vadio e negligente, Taylor se preocupou em criar um sistema educativo baseado na intensificação do ritmo de trabalho em busca da eficiência empresarial e, em nível mais amplo, ressaltar a enorme perda que o país vinha sofrendo com a vadiagem e a ineficiência dos operários em quase todos os atos diários.

Para Taylor a organização e a administração devem ser estudadas e tratadas cientificamente e não empiricamente, o improviso deve ceder lugar ao planejamento.

b) Carreira: de operário a engenheiro-chefe e consultor de O & M

Mesmo pertencendo a uma família de posses, Taylor não pôde, quando jovem, formar-se em direito, como desejava seu pai, por motivo de deficiência visual. Ao invés disso, iniciou sua vida como simples operários, aos 18 anos, em uma fabrica de bombas de água em Philadelphia, onde adquiriu a qualificação de torneiro-mecânico. Aos 22 anos, ingressou na Midvale steel Company, também como operário, ali atingindo a posição de engenheiro-chefe, em 1883, pois a essa altura já havia se formado em engenharia, sua vocação. Após 12 anos de trabalho extremamente frutífero nessa metalúrgica, tendo aí realizado grande parte de seus estudos, experimentos e inventos (Taylor patenteou aproximadamente 100 invenções), o futuro "Pai da Administração Científica" deixou a Midvale para trabalhar na Manufacturing Investiment Co., fábrica de papel onde permaneceu três anos, ou seja , até 1893. Daí em diante exerceu um caráter pioneiro a profissão de "systematizer" – o atual especialista em O & M, atividade que desempenhou sem interrupção até sua morte, em 1915, mesmo quando de 1898 a 1901 trabalhou para Bethlehem Steel Co., importante companhia onde realizou notáveis pesquisas mas da qual saio decepcionado, após desentendimentos com os dirigentes que culminaram na sua demissão sumária e humilhante.

c) O Princípio do "Meio Mínimo"

Taylor partiu do que ele chamou "uma certa filosofia", inspirada no princípio do "meio mínimo", único caminho para se obter a eficiência da empresa, que seria medida em função do seu rendimento, isto é, da quantidade e qualidade que pudesse produzir no mínimo de tempo e com o menor dispêndio possível de recursos materiais e humanos.

Para tanto, ele idealizou uma combinação básica dos binômios "mão-de-obra econômica/salários elevados" que, embora paradoxal à primeira vista, seria obtida com a introdução de melhorias na rotina e nos processos de fabricação, traduzidas em "racionalização" dos procedimentos.

Taylor resumiu sua "filosofia" em quatro conceitos fundamentais:

1° - Desenvolvimento de uma verdadeira ciência – substituindo o empirismo pelo conhecimento real e desenvolvendo para cada rotina de trabalho operário um método científico que leve a maior e melhor desempenho;

2° - Seleção científica do trabalhador – especializando, formando e conduzindo o operário, de modo a colocar os indivíduos em funções compatíveis com suas aptidões, a que chamou de adaptação local, técnica e econômica;

3° - Educação e treinamento científicos do trabalhador – acompanhamento de perto o operário, para assegurar-se de que o trabalho esta sendo bem feito, conforme as regras estabelecidas e das ordens dadas;

4° - Cooperação íntima e cordial entre administração e os trabalhadores – dividindo eqüitativamente a responsabilidade sobre a tarefa, incumbindo-se a direção de tudo que possa ultrapassar a competência do operário; daí a separação dos trabalhadores em dois grupos de órgãos – os de preparação e os de execução.

A idéia central de Taylor era, portanto, reunir todo o conhecimento tradicional, classifica-lo, tabulá-lo e reduzi-lo a normas, leis ou fórmulas. Partindo daí, pesquisas buscaram o aperfeiçoamento dessas técnicas, pela substituição dos métodos empíricos por outros de caráter científico.

A seguir, seleciona, treinar, ensinar, aperfeiçoar os trabalhadores, antes entregues a si próprios para executarem suas tarefas como se aprouvessem. Preconizou, assim, uma divisão de tarefas entre direção e operários, de modo que estes trabalhassem em harmoniosa cooperação com seus superiores.

Não se pode negar a autenticidade do autor da Administração Científica quando procurou a conciliação dos seculares antagonistas – Patrão e Empregado – ou Capital e Trabalho. Não obstantes as severas críticas que lhe foram feitas, Taylor acreditava na sua teoria: era idealista, o que se pode depreender de sua vida, inteiramente dedicada à pesquisa científica e à divulgação – gratuita nos últimos anos – da teoria que o celebrizou.

d) A Concepção "Mecanicista"

Onde o interesse de Taylor mais se evidenciou foi no estabelecimento de padrões de trabalho para operários, colocando a tônica de seus estudos na analise em profundidade da "célula mater" de onde nascem todas as organizações – o cargo ou função e respectivo ocupante – e dela partindo para a administração de oficinas gerou o cerne da teoria de Taylor; daí dizer-se que ele viu a empresa "de baixo para cima". Seu empenho na preservação de tais padrões levou-o a exageros que lhe valeram a fama pejorativa de "mecanicista da administração", pois, dizem aqueles que o combateram – e foram muitos, na época, principalmente em seu próprio país – ele via o homem como "instrumento" ou "peça" de uma engrenagem voltada para o lucro.

A despeito de tais criticas, há de se reconhecer que os conceitos tayloristas foram divulgados no mundo todo e empregados com grande êxito nas empresas, principalmente nas indústrias anteriores ao advento da automação. Seus postulados e conclusões derivam basicamente das experiências e estudos relatados no item abaixo.

e) A Importância da Divisão do Trabalho e Especialização

Com seus colaboradores e discípulos, entre os quais Henry L. Gantt, Jonh e Lilian Gilbreth, H. K. hathaway, Carl Barth e vários outros, Taylor analisou detidamente as tarefas a serem executadas por um operário, decompondo-as em seus elementos constitutivos, para ao fim suprimir os movimentos desnecessários e cronometrar os indispensáveis; a partir dessa análise, estabeleceu os tempos máximos de execução bem como os movimentos mais adequados e racionais, ou seja: estabeleceu os "padrões".

Visando ainda ao rendimento ideal, Taylor padronizou o instrumental de trabalho e elaborou um esquema de ritmização das atividades, dispondo racionalmente as máquinas e impondo a realização das tarefas dentro desse ritmo por meio de transportadores, elevadores, esteiras e outros equipamentos. Cada trabalhador ficava, assim, responsável por uma tarefa tão simples e elementar a ponto de se tornar indivisível, dentro daquela sistemática.

Uma das experiências mais conhecidas de Taylor, a esse respeito, ocorreu na Bethlehem Stell Co., com o fito de aumentar a produção de uma das maiores oficinas mecânicas, onde se apresentavam sérios problemas. Ali ele promoveu intensivos estudos sobre a manipulação de lingotes de ferro, manejo de pás e corte de metais, do que resultou um extraordinário aumento na produtividade da empresa. Paralelamente, através de um incentivo salarial que valorizava o trabalho por peça, foi estimulada a produção e atendidas as aspirações de melhores salários. Por esse método, os operários cuja produção se situasse acima da média receberia salários de 30 a 50% maiores que os de seus colegas menos produtivos. A esse sistema, Taylor denominou "Plano Diferencial de Trabalho por Peça".

f) Funcionalização da Supervisão

Inicialmente preocupado com o maior rendimento do trabalho dos empregados operativos, o interesse de Taylor estendeu-se mais tarde aos demais níveis da empresa, ampliando a sua estrutura científica e justificando o cognome que recebeu de "Pai da Administração Científica".

Ao nível da direção de empresas, trouxe uma inovação que ficou conhecida como "funcionalização da supervisão". Este sistema se opõe à organização tradicional, em "linha" ou "militar", em que a autoridade emana do escalão superior para os inferiores, rigorosamente, preservando-se assim o princípio da unidade de comando.

Taylor considerou mais importante que cada subordinado recebesse ordens de oito especialistas, cada um dentro do seu campo de ação, "única e exclusivamente". Com esta ressalva, ele pretendia que as ordens jamais se conflitassem, evitando deste modo a quebra daquele princípio básico. Isto porque, segundo as conclusões do cientista, um homem não pode abarcar uma área ilimitada de conhecimentos e portanto não terá condições de instruir devidamente seus empregados em todos os aspectos do trabalho pelo qual é responsável.

Segundo o autor da "Administração Científica", para que o trabalho industrial, de oficina, resulte eficiente, é necessário o concurso de quatro agentes de preparação, diretamente ligados à direção, e de quatro agentes de execução, muito próximo dos operários.

Agentes de preparação – agrupam-se normalmente nos chamados Departamentos de Planejamento, de Estudos ou Técnicos, denominando-se:

  • Encarregado das ordens de serviço: elabora os gráficos de andamento, discriminando o caminho das peças e matérias-primas e definindo atribuições dos empregados com relação a tais rotinas;
  • Encarregado das fichas de instrução: baixa instruções sobre detalhes dos serviços para os agentes de execução, funcionando como elementos de ligação entre o encarregado acima e os agentes de execução;
  • Encarregado do tempo: tem por atribuição registrar os tempos, controlar os custos, chamando a atenção do agente de execução para o prescrito nas fichas de instrução;
  • Encarregado da disciplina – corresponde ao atual chefe de pessoal: cuida das Relações Humanas, promovendo direto contato com o pessoal do quadro (seleção, admissão, demissão, penalidades etc).

Em suma, os objetivos da preparação ou planejamento resumem-se em dizer "o que" fazer, "como", "onde", "quando" e "por quem".

Agentes de execução – mantêm contato direto com os empregados, levando-os a agir segundo as rotinas estipuladas e as ordens baixadas do nível de Preparação:

  • Encarregado geral: prepara, dentro da oficina, todo o trabalho até o instante em que a peça é colocada na máquina, cuidando para que o operário tenha à sua disposição tudo de que precise; instrui o operário sobre o "início" da sua tarefa;
  • Encarregado de velocidade ou da fabricação: fiscaliza a velocidade e o ritmo do trabalho, vigiando para que os padrões de tempo sejam cumpridos;
  • Encarregado da inspeção: é o responsável direto pela qualidade e acabamento do produto;
  • Encarregado de conservação: tem como encargo a manutenção das máquinas.

A obra de Taylor não pode ser vista em função de um ou outro de seus elementos: terá de ser avaliada face à importância da aplicação de uma metodologia sistemática na analise e solução dos problemas da organização.

 

A "TEORIA ADMINISTRATIVA" DE FORD – FORDISMO

Talvez o mais conhecido de todos os precursores da moderna Administração, Henry Ford ( 1863-1947) iniciou sua vida como simples mecânico, chegando posteriormente a engenheiro-chefe de uma fábrica. Idealizou e projetou um modelo de carro auto-propelido e, em 1899, fundou com alguns colaboradores a sua primeira fábrica de automóveis, que logo depois foi fechada.

Continuou seus projetos sem desanimar e conseguiu financiamento com o qual fundou, em 1903 a Ford Motor Co., fabricando um modelo de carros a preços populares dentro de um plano de vendas e de assistência técnica de grande alcance, revolucionando a estratégia comercial da época.

Em 1913, já fabricava 800 carros por dia. Em 1914 estabeleceu nessa época o salário mínimo de cinco dólares (US$ 5, 00) por dia e jornada diária de oito horas de trabalho, quando, na época, na maioria dos países da Europa, a jornada diária variava entre dez e doze horas. Em 1926, já tinha 88 usinas e já empregava 150 mil pessoas, fabricando então 2 milhões de carros por ano. Contudo, teve outros méritos que simplesmente o de haver construído o primeiro carro popular em larga escala ter feito fortuna por formular um punhado de teorias e idéias próprias a respeito da administração. Utilizou o sistema de concentração vertical produzindo desde a matéria-prima inicial ao produto final acabado, além da concentração horizontal através de uma cadeia de distribuição comercial por meio de agências próprias.

Fez uma das maiores fortunas do mundo graças ao constante aperfeiçoamento de seus métodos, processos e produtos. Por meio da racionalização da produção ,idealizou a linha de montagem, o que lhe permitiu a produção em série, isto é, moderno método que permite fabricar grandes quantidades de um determinado produto padronizado.

Na produção em série ou de massa, o produto é padronizado em seu material, mão-de-obra, desenho e ao mínimo custo possível. A condição precedente, necessária e suficiente para a existência da produção em massa, é a capacidade de consumo em massa, seja real ou potencial. A condução-chave da produção em massa é a simplicidade.

Três aspectos suportam o sistema:

01. A progressão do produto através do processo produtivo é planejada, ordenada e contínua;

02. O trabalho é entregue ao trabalhador em vez de deixá-lo com a iniciativa de ir buscá-lo;

03. As operações são analisadas em todos os seus elementos constituintes.

A Filosofia de Henry Ford

"Dividir e subdividir as operações, mantendo-se o trabalho em movimento" foi a orientação que presidiu o trabalho na Companhia Ford, dando lugar ao surgimento do processo de linha de montagem e á estreita transportadora. É verdade que o americano Henry Ford (1863/1947) inspirou-se nas teorias do seu contemporâneo Taylor, mas cabe-lhe o mérito de tê-las aplicado em larga escala e com maior êxito, chegando , em 1913, a fabricar centenas de automóveis por dia. Além disso, Ford preocupou-se com o aspecto social da indústria e, ao mesmo tempo que acumulou uma das maiores fortunas do mundo, enriqueceu e beneficiou muitos, incentivando quantos dele se aproximassem a avançar sempre mais em conhecimento e realizações, pois, dizia, "quem não progride retrograda".

Entre os preceitos preconizados por Ford, destacam-se:

  • Fazer as coisas da melhor maneira possível;
  • Distribuir com clareza as responsabilidades;
  • Escolher os servidores mais capazes, não importa a que preço;
  • Deduzir os juros na apreciação dos lucros;
  • Progredir sempre para não retrogradar.

Tal como Taylor, Ford iniciou sua vida como operário de uma fábrica de motores e impulsionado por sua inteligência e criatividade não só doou ao mundo do século XX uma das maiores invenções – o automóvel, como veiculou suas idéias avançadas sobre o papel social do empregador, sobre seu entendimento original de que o melhor consumidor de seus produtos seria o próprio operário (operário como consumidor), a respeito de um sistema salarial elevado e preços de venda reduzidos e, como citamos acima, sobre o trabalho racional em série ou cadeia, por meio de uma "linha de montagem".

Idéias de Ford sobre correlação Produção/Consumo

Ford voltou sua atenção tanto para o homem quanto para a matéria-prima e equipamento, concedendo ênfase a um novo conceito – o ritmo. Com esse sistema queria ele reduzir a fadiga e o cansaço do homem, protegendo-o contra a estafa física, aumentar vertiginosamente a produtividade, com o máximo proveito para a empresa, os operários e a comunidade.

Assim, as relações entre operário, empregador e consumidor são, para Ford, os pontos mais importantes do trabalho industrial. O resultado do empreendimento não é importante apenas para o padrão, que usufrui elevados lucros, para o empregado, que recebe altos salários, mas também para os consumidor, pois nenhum sentido teria o "ciclo produzido" da organização, que houvesse por parte deste último uma "demanda" para o produto.

Via ele, portanto, íntima ligação entre a produção – representada pelo empregado e o patrão – e o consumo, evidentemente representado pela comunidade consumidora. Desta forma, ele ultrapassou a concepção da finalidade primaria da produção – o lucro – afirmando que "quem esta produzindo, esta prestando um serviço a coletividade".

Ford estabelece ainda, um novo patamar para o surgimento de empresas, uma vez que se volta à produção de grandes lotes de mercadorias, o montante de investimentos necessários para se abrir e manter uma planta produtiva impõe limites quanto ao tipo de indivíduo que pode vir a se tornar empresário, favorecendo uma maior articulação entre o capital financeiro e o capital produtivo.

Em síntese, a racionalidade fordista pode ser sumariamente descrita como:

  • Tempo de trabalho imposto pela máquina;
  • Apoiado no desenvolvimento de inovações de base técnica;
  • Especialização da maior parte dos trabalhadores em uma única e repetida tarefa graças à total fragmentação do produto nas suas partes componentes;
  • Diminuição do tempo de treinamento necessário;
  • Controle da vida privada;
  • Diminuição dos pontos de contato entre trabalhadores no local produtivo (contato homem-máquina e não mais homem-homem);
  • Total mercantilização na forma de vida da classe trabalhadora;
  • Salário "diária";
  • Produção em grandes volumes, padronizada e necessitando de altos investimentos;
  • Racionalização arquitetônica da planta produtiva (espaço dedicado à supervisão com ampla visão da produção, sinais coloridos que informam o estado do processo produtivo em cada posto de trabalho, locais específicos para as ferramentas, etc.);
  • Um grau considerável de "certeza" em relação ao mercado consumidor para produtos de "massa" produzidos em série;
  • Aprofundamento da divisão entre concepção/planejamento do trabalho e sua execução.

Os princípios do "fordismo" :

Produtividade – consiste em aumentar sucessivamente a capacidade de produção do homem na organização, em um mesmo período (produtividade) de tempo por meio da especialização e da linha de montagem. Os preços mais baixos decorrerão do rateio das despesas fixas de produção por um maior número de unidades produzidas;

Intensificação – para qualquer atividade organizada se torna necessária a inversão de um capital, sob dois aspectos: capital fixo ou imobilizado (instalações, equipamentos, imóveis) e capital de giro, destinado às operações de transformação, tais como matéria-prima, pagamento de mão-de-obra e outras despesas de produção, despesas essas que retornam à empresa a partir do instante em que o produto acabado é vendido e reinicia o chamado "giro": nova matéria-prima, novos salários, despesas, novo produto, nova venda, novo retorno.

Ora, para Ford tornou-se claro que, reduzindo o tempo de fabricação, através de uma aceleração no ritmo de trabalho, obtém-se um ciclo produtivo mais rápido e, "ipso facto", o retorno quase imediato do dinheiro nele invertido.

Daí, resultam: necessidade de menor capital de giro, economia de tempo, diminuição de estoques, fuga dos juros;

III. Economicidade – consiste em reduzir ao mínimo o volume do estoque da matéria-prima em transformação. Por meio deste princípio conseguiu fazer com que o trator ou automóvel fossem pagos a sua empresa antes de vencido o prazo de pagamento da matéria-prima adquirida, bem como do pagamento de salários. A velocidade de produção deve ser rápida. Diz Ford, em seu livro: " O consumidor, na Terça-feira, à tarde". Este princípio complementa o da intensificação.

Ford divulgou suas idéias em vários livros dos quais se destacam "Minha Vida e Minha Obra", "Hoje e Amanhã", "Filosofia das Indústrias".

 

COMPARAÇÃO ENTRE TAYLORISMO E FORDISMO

Embora o modelo fordista seja normalmente associado a uma evolução nos princípios e práticas tayloristas, a forma como cada um deles se apropria, interpreta e atua junto ao meio ambiente circundante apresenta diferenças substanciais.

Se no modelo taylorista, grosso modo, as circunscrições do meio ambiente entram como um "dado" a ser considerado na busca de fins econômicos (tornando o modelo de racionalidade mais voltado para aspectos internos da empresa), o modelo fordista busca, de forma muito mais enfática, alterar e construir um meio ambiente que lhe seja favorável, que permita a realização de um determinado projeto econômico. Desta forma, ele não se limita apenas aos espaços produtivos, mas busca construir novas relações, novos padrões de consumo e de valores sociais que possam dar sustentação a um determinado "modo de produzir" no interior da fábrica.

O taylorismo mantêm os baixos padrões de consumo da população, pois não melhora sua renda, ao contrário do fordismo, que melhora as condições de vida do trabalhador, fazendo com que ele seja um consumidor.

TAYLORISMO

Objetivo: produzir mais em menos tempo.

Procedimentos para alcançar este objetivo:

  • Acentuada divisão do trabalho. O trabalhador tem maior especialização e menor qualificação. Faz tarefas mecânicas e repetitivas.
  • Forte hierarquização. O chefe manda e o trabalhador cumpre as ordens.
  • Controle do tempo na execução das tarefas. As tarefas devem ser cumpridas dentro de um determinado prazo.

 

FORDISMO

Objetivo: produzir em massa e consumir em massa.

Procedimentos para alcançar este objetivo:

  • Redução de custos e preço acessível consumo em massa.
  • Melhor salário.

É preciso fabricar da forma mais barata possível, para que o preço final seja acessível, só assim haverá um consumo em massa. Mas é necessário que o trabalhador receba bons salários, para poder ser um consumidor.

Repare que estas características são mais marcantes nos países do Hemisfério Norte, isto é, no chamado mundo desenvolvido.


BIBLIOGRAFIA

COSTA, Leda Gayer. Administração: Abordagens clássicas e modernas. Porto Alegre, Síntese, 1978.

LODI, João Bosco. História da Administração. 10ª. Ed. São Paulo, Pioneira, 1993.

THOMAZ, Wood Jr.. Mudança Organizacional. São Paulo, Atlas, 1995.

 

Outros Autores: Erika Rosa, Luciana Veloso, Mozart Tavares e Wagner Garrido