Resumo: O gênio do crime de João Carlos Marinho
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Resumo: O gênio do crime de João Carlos Marinho
Escola Estadual Sidronia Nunes Pires
2008

 

 

 

MARINHO, João Carlos. O Gênio do Crime: Global; São Paulo.1997.

Esta história conta sobre um gordo chamado Bolacha que coleciona figurinhas de futebol. Um dia o dono da fábrica de figurinha (Seu Tomé) descobre que tem uma fábrica clandestina fazendo figurinhas falsas, mas iguais às verdadeiras. Então "contrata" o Gordo (Bolacha) e seus amigos (Pituca e Edmundo) para investigar. Leia o livro, é muito legal!

Se você gostar, ainda tem a coleção da turma do gordo: “Sangue fresco”, ”O livro da Berenice”, “Berenice detetive”, “O caneco de prata”, entre outros.

Uma reunião no quarto do Bolacha, todos tristes e desanimados. Um de cara inchada , outro de joelho machucado.Edmundo chateado diz que o Sistema do Cambista era perfeito, não dá para segui-lo. A polícia fracassou, os detetives e nós fomos um fracasso.Agora que ele sabe de tudo vai ter muito mais cuidado e nada vamos conseguir, disse Pituca.Ele tem paciência de chinês, demora mais de duas horas só para fazer caminhos que despiste todos. Ele é osso duro de roer. Cada um dava uma explicação.Bolacha só escutava, comendo suas torradas. Passou geléia na torrada quentinha e ia comer quando de repente largou a torrada e gritou: - Pera aí ! Tem uma idéia dançando na minha cabeça e parece boa. Ela vai volta e não consigo pegar. Ele começou a andar até perto do trem elétrico e voltava. Todos estavam sem saber o que fazer. Achavam que ele estava em transe. Ele pedia silêncio para poder pegar a idéia quando ela chegasse.Foram muitas tentativas.Cada amigo dava uma explicação, e era uma pior que a outra.Pituca dizia que ele era metido, para ter idéia precisava tanto carnaval ?- Peguei ! - grita o gordo. Vamos seguir o cambista ao avesso.Todos ficaram assustados e pediram para explicar melhor.A idéia se resumia em esperar o cambista mais cedo e ver de onde ele vinha, no outro dia a mesma coisa até ver de onde ele saia, e depois do horário em que ele chegava em casa até o largo para saber onde era a sua casa e a fábrica clandestina.Todos gritaram abraçando o Bolacha e dizendo ser a melhor idéia que já tinham ouvido. Ele era o Gênio do crime ao avesso.

•O Gênio do Crime inaugurou em 1969 as aventuras da Turma do Gordo, dando início a uma série de histórias de aventura, mistério e suspense, salpicadas com boa dose de humor.

Com todos os ingredientes das histórias policiais: uma intriga instigante, a presença de um enigma a desvendar, detetives , suspeitos , testemunhas e um enredo bem engendrado, a obra foi muito bem recebida pela crítica e pelos leitores na época da publicação e continua até hoje fazendo sucesso, já na 48a edição.

O tema, a falsificação de figurinhas por uma fábrica clandestina, move o universo das personagens, um grupo de amigos , na tentativa de conquistar o prêmio (um jogo de camisas de um time de futebol oferecido àqueles que completassem o álbum) , vão reclamar seus direitos na fábrica e acabam tornando-se amigos do fabricante das figurinhas, que quase vai à falência por causa do derrame de figurinhas falsas de uma fábrica clandestina.

Conquistada a simpatia do Seu Tomé, dono da fábrica, e do Mr, detetive inglês invicto, contratado para descobrir os falsários, os meninos ganham a simpatia do especialista e passam a agir como auxiliares do detetive.

Vigiar cambistas, seguir pistas, arriscar-se em manobras perigosas dão à intriga policial o sabor da aventura, seduzem e enredam o pequeno leitor que com os meninos se identifica e vive intensamente até o desvendamento do enigma.

O texto, numa linguagem direta e acessível ao leitor, é temperado com pitadas de humor bem dosado, principalmente nos encontros da turma com o Mister.

O Gênio do Crime tornou-se uma clássico das histórias de detetive na literatura infantil brasileira, inaugurando uma série de histórias do gênero escritas pelo autor.

Travestidas de Sherlock Holmes e utilizando o raciocínio dedutivo, são as crianças que conseguem desvendar o enigma da fábrica clandestina de figurinhas, uma oportunidade de demonstrar a inteligência, a sagacidade, o senso de responsabilidade que elas possuem, mas nem sempre são mostrados nas páginas da literatura infanto-juvenil. O autor já teve outros livros premiados, abraçou outros temas, mas foi este tipo de enredo que o consagrou.

As ilustrações em preto e branco não são imprescindíveis dada à força da trama, mas por se tratar de uma obra cujo suposto público alvo é formado por adolescentes, servem de pausa para respiração e de descanso ao leitor, totalmente envolvido pelo texto. O formato e o projeto gráfico são compatíveis com esse tipo de obra já que estão voltados para um leitor mais experiente.

•O romance policial O Gênio do Crime destaca-se tanto na carreira literária de seu autor, João Carlos Marinho, quanto na História da Literatura Juvenil Brasileira. Introduzindo inovações importantes na forma e no conteúdo da narrativa policial para a infância, este livro revela o talento do escritor João Carlos Marinho consagrado pelo sucesso imediato dessa obra-prima que marcou sua estréia no gênero, em 1969.

Os paradigmas tradicionais da história policial são dessacralizados com vistas a uma nova representação crítica dos elementos caracterizadores dessa literatura de suspense. A própria natureza do crime que será investigado na trama narrativa e os personagens detetives encarregados da ação criminosa, em O Gênio do Crime, já promovem uma quebra nos clichês policiais da série literária do passado.

O Gênio do Crime de uma fábrica clandestina de figurinhas será desvendado por um grupo de crianças, lideradas pela inteligência do menino Bolachão, o Gordo protagonista da história. Evidenciamos, de imediato, uma situação imprópria ao universo de violência do crime organizado que é a participação de crianças, oriundas da classe média paulistana, na perigosa ação de descoberta de um crime. A ideologia da seriedade, que envolve o poder do mundo adulto, é desmontada de forma irônica chegando até, em algumas passagens, a um certo grau de surrealidade criadora. Por exemplo, a presença do excêntrico personagem Mister John Smith, o detetive escocês invicto, com um currículo insuperável na área de espionagens policiais, competindo com a esperteza do Gordo e seus amigos na busca da revelação do crime acentua o caráter parodístico da narrativa enfatizando o tratamento cômico dado a um tema de procedência séria.

O mérito do gordo, porta-voz do universo infantil, frente à genialidade do mentor do crime e, também, diante do invencível detetive Mister John, elucida a vitória da esperteza da criança em confronto com a corrupção do mundo adulto. Tais evidências na narrativa são, sutilmente, colocadas de forma a denunciar o predomínio da violência nas grandes cidades, a utilização de mirabolantes engenhos tecnológicos na engenharia do crime e, também, a fraude como um meio de vida comum na realidade brasileira.

O leitor jovem é quem sai ganhando ao ler O Gênio do Crime e se identificar com os heróis da turma do Bolachão. É uma leitura divertida que leva a uma reflexão das graves falhas sociais na tentativa de se reavaliar os mecanismos da vida em sociedade.

O escritor paulista João Carlos Marinho é um nome de referência qualificada na História da Literatura infantil e juvenil contemporânea, talento confirmado pelos diversos prêmios já alcançados na sua fecunda trajetória literária.

É, sem dúvida, uma obra inteligente e bem construída que, com certeza, merece constar no acervo das Bibliotecas escolares.