PSICOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Sociais Aplicadas > Pedagogia

UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ

Curso de Especialização em Psicomotricidade

PSICOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL
2008

RESUMO

No desenvolvimento desse trabalho, mostra-se a grande importância da psicomotricidade na educação infantil como agente de socialização e principalmente da aprendizagem que é um processo global que envolve todo o corpo. Portanto, este estudo tem como objetivo analisar a importância da Psicomotricidade na Educação Infantil e que a falta desta pode afetar o desenvolvimento da leitura e da escrita nas crianças que estão iniciando a vida escolar, ou seja, a Educação Infantil. As teorias pesquisadas e estudadas foram focadas no conjunto de habilidades que engloba a psicomotricidade, o domínio do esquema corporal, da coordenação visomotora, da relação espaço-tempo e da importância da psicomotricidade na Educação Infantil.

Palavras-Chaves: Psicomotricidade, Educação Infantil e Criança

INTRODUÇÃO

O Presente artigo justifica-se pelo fato de que o estudo da psicomotricidade ultrapassa os problemas motores, pesquisa as ligações em relação à lateralidade, à estruturação espacial e a orientação temporal, além de detectar as dificuldades escolares das crianças proporcionando que se tome consciência das relações existentes entre o gesto e a afetividade, corroborando com o desenvolvimento geral da criança de educação infantil, legitimando sua viabilidade de aplicação na escola.
Parece ser considerado como inegável a importância da Educação Psicomotora no desenvolvimento global da criança, não só no domínio motor, mas também nos domínios sócio-afetivo e cognitivo. A Psicomotricidade vem interagindo com as demais ciências da saúde, educação e desportos, fazendo jus a exigência de um atendimento integral, com qualidade, ao indivíduo. O espaço e a liberdade reservados para esta prática permitem à criança, de seu mundo imaginário, estabelecer relações com objetos e outras crianças, o que gera um amadurecimento maior.
Como tema apresenta-se “Psicomotricidade na Educação Infantil”, o objetivo geral desse artigo é analisar a importância da Psicomotricidade na Educação Infantil e que a falta desta pode afetar o desenvolvimento da leitura e da escrita nas crianças que estão iniciando a vida escolar, ou seja, a Educação Infantil.
Buscou-se respaldo teórico para a sustentação das idéias aqui apresentadas, reflexões e conceitos emitidos por autores que abordam essa temática, tais como: Lapierre (1986), Le Boulch (1987), Rodrigues (1993), Vygotsky (1984), Wallon (1947) e outros que contribuíram para o compreendimento dos argumentos levantados durante a revisão bibliográfica.
Como metodologia será resgatada criticamente a produção teórica de alguns intelectuais envolvidos com a problemática em questão.
O trabalho abordará dois tópicos: no primeiro momento apresentaremos a evolução histórica da psicomotricidade, conceituação e embasamento teórico do tema, apresentando alguns autores que tratam do assunto e suas idéias e no segundo momento sobre a educação infantil.
BREVE HISTÓRICO DA EVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
O sistema educacional brasileiro é marcada há mais de um século pelo início de preocupação com a educação infantil. Surge, sem nenhuma indicação legal a respeito, no momento em que o processo de industrialização do país atrai a mulher ao mercado de trabalho. Até o ano de 1920, as instituições tinham um caráter exclusivamente filantrópico e caracterizado por seu difícil acesso oriundo do período colonial e imperialista da história do Brasil. A partir desta data, deu início á uma nova configuração, "Na década de 20, passava-se á defesa da democratização do ensino, educação significava possibilidade de ascensão social e era defendida como direito de todas as crianças, consideradas como iguais" (Kramer, 1995, p.55).
Os registros oficiais da educação pré-escolar mais remotos são descritos, na década de 1930, na Lei Orgânica do Ensino Normal (Decreto-lei nº. 8.530) de Gustavo Capanema, onde os Institutos de Educação eram responsáveis pelo profissionais do magistério primário e também pelo curso de especialização para o trabalho pré-escolar.
Em 1940 surgiu o departamento Nacional da Criança, com objetivo de ordenar atividades dirigidas à infância, maternidade e adolescência, sendo administrado pelo Ministério da saúde. Na década de 50 havia uma forte tendência médico-higiênica do departamento nacional da Criança, desenvolvendo vários programas e campanhas visando o combate à desnutrição, vacinação e diversos estudos e pesquisas de cunho médico realizadas no Instituto Fernandes Figueira. Era também fornecido auxílio técnico para a criação, ampliação ou reformas de obras de proteção materno-infantil do país, basicamente hospitais e maternidades" (Kramer, 1995, p.65) .
Na década de 60, o Departamento Nacional da Criança teve um enfraquecimento e acabou transferindo algumas de suas responsabilidades para outros setores, prevalecendo o caráter médico-assistencialista, enfocando suas ações em reduzir a morbimortalidade materna infantil.
Em 1961, a Lei nº. 4.024/61, pela primeira vez no país, contempla todos os níveis de educação, não alterando a formação do professor da pré-escola que continua sendo realizada no ensino médio. Refere-se à educação infantil como os ‘Jardins de Infância’ e, de acordo com a CLT (1943), define que as mães que trabalhassem e com filhos menores de sete anos, seriam estimuladas a organizar instituições de educação pré-primária.
Na década de 70 temos a promulgação da lei nº 5.692, de 1971, o qual faz referência à educação infantil, dirigindo-a como ser conveniente à educação em escolas maternais, jardins de infância e instituições equivalentes. Em outro artigo, é sugerido que as empresas particulares, as quais têm mulheres com filhos menores de sete anos, ofertem atendimento (educacional) a estas crianças, podendo ser auxiliadas pelo Poder público. Tal lei recebeu inúmeras críticas, quanto sua superficialidade, sua dificuldade na realização pois, não havia um programa mais específico para estimular as empresas a criação das pré-escolas .
Em 1990, O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA - insere as crianças no mundo dos direitos, mais especificamente no mundo dos Direitos Humanos, reconhecendo-as como pessoas em condições peculiares de desenvolvimento, como cidadãs, com direito ao afeto, a brincar, a querer, a não-querer, a conhecer, a opinar e a sonhar.
Foi então que o Ministério de Educação e Desporto (MEC) no ano de 1994, assume o papel de propor a formulação de uma Política Nacional de Educação Infantil. Neste período, a Coordenação Geral de Educação Infantil (Coedi) da Secretaria de Educação Fundamental do MEC publicou uma série de documentos para a educação infantil no Brasil, entre os quais se destacam: Por uma política de formação do profissional de educação infantil, Critérios para um atendimento em creches e pré-escolas que respeitem os direitos fundamentais das crianças.
Reafirmando estas mudanças, a LDB – Lei de Diretrizes e Bases, n.º 9394/96, estabelece o vínculo entre a educação e a sociedade e, ao longo do texto, faz referências específicas à educação infantil, de forma sucinta e genérica. Reafirma que a educação para crianças com menos de seis anos é a primeira etapa da educação básica, destaca a idéia de desenvolvimento integral e o dever do Estado com o atendimento gratuito em creches e pré-escolas. Outro avanço refere-se à avaliação na educação infantil, ressaltando que não tem a finalidade de promoção, em oposição à visão preparatória para as séries iniciais.
De acordo com a LDB, considerando seu papel e sua responsabilidade na indução, proposição e avaliação das políticas públicas relativas à educação nacional, o Ministério da Educação e do Desporto propõe, em 1998, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. São três volumes, sem valor legal, que se constituem num conjunto de sugestões para os professores de creches e pré-escolas, para que possam promover e ampliar as condições necessárias ao exercício da cidadania da criança brasileira. 
Em dezembro de 1998, o Conselho Nacional de Educação publica as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, com o intuito de nortear as propostas curriculares e os projetos pedagógicos para educação da criança de 0 a 6 anos e, estabelece paradigmas para a própria concepção de programas de cuidado e educação, com qualidade, em situações de brincadeiras e aprendizagem orientada de forma integrada, contribuindo para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros, em uma atitude de respeito e confiança, enquanto tem acesso aos conhecimentos mais amplos da realidade social  e cultural. 
O documento destaca a evolução do conceito de criança na história da educação infantil e os impactos da modificação da constituição familiar e da vida na sociedade sobre a vida da criança. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil confirmam os Princípios, Fundamentos e Procedimentos da Educação Básica na orientação das instituições de educação infantil. No entanto, sabe-se que a lei e as diretrizes ao assegurarem a concepção de criança cidadã e da educação infantil como direito da criança no Brasil, não determinam a mudança na realidade das crianças brasileiras e nas propostas e trabalho  das creches e pré-escolas.
Com esta pequena retrospectiva histórica, verifica-se que a Educação Infantil surgiu com um caráter de assistência a saúde, não se relacionando com o fator educacional. Segundo Souza (1986) a pré-escola surgiu da urbana e típica sociedade industrial; não surgiu com fins educativos, mas sim para prestar assistência, e não pode ser comparada com a história da educação infantil, pois esta, sempre esteve presente em todos os sistemas e períodos educacionais a partir dos gregos.
Considera-se como Educação infantil, o período de vida escolar em que se atende, pedagogicamente, crianças com idade entre 0 e 6 anos (Brasil).
É importante salientar que o movimento é a primeira manifestação na vida do ser humano, pois desde a vida intra-uterina realizamos movimentos com o nosso corpo, no qual vão se estruturando e exercendo enormes influências no comportamento, ao nascer adquirem cada vez mais controle sobre seu próprio corpo e vão se apropriando cada vez mais das possibilidades de interação com o mundo. Engatinham, caminham, manuseiam objetos, correm, saltam, brincam sozinhas ou em grupo, com objetos ou brinquedos, experimentando sempre novas maneiras de utilizar seu corpo e seu movimento.
Até os três meses de vida, ele ocorre de forma bastante lenta e todas as vivências da criança são provenientes dos órgãos dos sentidos; por esta razão, essa etapa é chamada de fase sensorial. Após a aquisição da apreensão motora objetiva da posição ereta e andar (4 a 12 meses), a criança amplia consideravelmente sua área  de exploração motora até então limitada ao berço e quarto.
Nessa fase da vida, a forma lúdica da ação motora deve ser bastante flexível, permitindo a incorporação de múltiplas habilidades. Através da imitação e representação (pai e mãe), além das formas lúdicas de brincar, forma-se o meio ambiente social da criança, fatores estes que irão interferir diretamente na aquisição de suas habilidades.
Até os dois primeiros anos de vida os movimentos da criança se apresentam com pouca fluência ritmica, são fracos, lentos e restritos quanto ao domínio espacial; Ainda conservam uma característica desajeitada, pouca coordenação e se fazem acompanhar, muitas vezes de movimentos colaterias que demandam em maior desgaste de energia (sincinesias).
Ao completar o terceiro ano de vida, os movimentos da criança apresentam significativos aumentos de força e velocidade (porém ainda pouca), maior capacidade espacial e ótima flexibilidade (RODRIGUES,1993).
Segundo este mesmo autor, a idade compreendida entre três e seis anos corresponde a segunda infância ou idade pré-escolar, onde é importante que a criança freqüente o Jardim de Infância para o convívio com outras crianças e às atividades variadas, de grande validade para o seu desenvolvimento como um todo. Nesta fase a prioridade é a atividade motora global, concentrando-se na necessidade fundamental de movimento, investigação e de expressão.
Ainda até os 6 anos, a criança viverá uma das mais complexas fases do desenvolvimento humano, nos aspectos intelectual, emocional, social e motor, que será tanto mais rica quanto mais qualificadas forem as condições oferecidas pelo ambiente e pelos adultos que a cercam.
Segundo Vygotsky (1988), no processo de desenvolvimento, a criança começa usando as mesmas formas de comportamento que outras pessoas inicialmente usaram em relação a ela. Isto ocorre porque, desde os primeiros dias de vida, as atividades da criança adquirem um significado próprio num sistema de comportamento social, refratadas através de seu ambiente humano, que a auxilia a atender seus objetivos. Isto vai envolver comunicação, ou seja, fala.
A brincadeira fornece, pois, ampla estrutura básica para mudanças da necessidade e da consciência, criando um novo tipo de atitude em relação ao real. Nela, aparecem a ação na esfera imaginativa numa situação de faz-de-conta, a criação das intenções voluntárias e a formação dos planos da vida real e das motivações volitivas, constituindo-se, assim, no mais alto nível de desenvolvimento pré-escolar.
A criança começa com uma situação imaginária, que é uma reprodução da situação real, sendo a brincadeira muito mais a lembrança de alguma coisa que realmente aconteceu, do que uma situação imaginária nova. Na medida em que a brincadeira se desenvolve, observamos um movimento em direção à realização consciente do seu propósito.
Finalmente, surgem as regras, que irão possibilitar a divisão de trabalho e o jogo na idade escolar. Nesta idade, a brincadeira não desaparece, mas permeia a atitude em relação à realidade (VYGOTSKY, 1984, p. 118).
Na Educação Infantil, a criança busca experiências em seu próprio corpo, formando conceitos e organizando o esquema corporal. A abordagem da Psicomotricidade irá permitir a compreensão da forma como a criança toma consciência do seu corpo e das possibilidades de se expressar por meio desse corpo, localizando-se no tempo e no espaço. O movimento humano é construído em função de um objetivo. A partir de uma intenção como expressividade íntima, o movimento transforma-se em comportamento significante.
É necessário que toda criança passe por todas as etapas em seu desenvolvimento, é um momento de descobertas para as crianças num espaço onde a música, a dança, a arte, a literatura, os jogos, a socialização, a percepção da própria identidade e a dos outros como diferentes, tornam-se possibilidades favoráveis a alfabetização e, assim, a compreensão do mundo, portanto deve oferecer condições adequadas para as interações, pautando-se tanto nas questões motoras, emocionais e afetivas quanto nas cognitivas, pois os vínculos estabelecidos entre todos os envolvidos na instituição educativa (professores, psicomotricista, equipe administrativa, funcionários, pais e alunos), darão suporte aos projetos educacionais que visam contribuir para o desenvolvimento motor e assim ter um bom processo de ensino-aprendizagem.
A educação infantil é a fase escolar que tem maior importância, pois é quando ainda é possível melhorar a estrutura para uma boa adaptação à realidade com menos defesas neuróticas. O ideal seria uma educação psicomotora relacional numa seqüência da educação infantil até a quarta série do ensino fundamental.
EVOLUÇÃO HISTÓRICA A PSICOMOTRICIDADE
Para que se possa conhecer a história da psicomotricidade, deve-se conhecer a sua origem etimológica. Para Negrine (1995), a psicomotricidade origina-se do termo psyché, que significa alma, e no verbo latino moto, que significa agitar fortemente.
As primeiras pesquisas que dão origem ao campo psicomotor correspondem a um enfoque eminentemente neurológico. Somente em 1907, Ernest Dupré, a partir de seus estudos clínicos na observação de pacientes com debilidade mental e debilidade motora, dá partida a psicomotricidade.
Segundo Buganha (2007), o estudo da psicomotricidade surgiu na França, por volta de 1950. Sua evolução veio da psiquiatria. A partir daí entra em cena a psicomotricidade, de forma muito atuante e com uma visão de ciência e técnica. Novas questões, advindas da percepção da complexidade das ações humanas, têm sido trazidas por esse outro campo científico. Inicialmente a psicomotricidade estava relacionada a uma concepção neurofisiológica, ancorada na neuropsiquiatria infantil. O interesse de estudiosos da área da psicologia, pedagogia e educação física foram, aos poucos mudando o enfoque deste trabalho. Os autores que mais influenciaram os psicomotricistas nesta mudança foram Wallon, Piaget e Lê Boulch, que em suas obras tratam da formação da inteligência, deixando claro que esta se produz a partir da experiência motriz da criança.
Foi Ajuriaguerra que, em 1959, fez a ligação e aprofundou os conhecimentos, frutos da inter-relação da neurologia, da psicologia do desenvolvimento e da psicanálise. Devido a esse trabalho a Psicomotricidade saiu da visão cartesiana e do paralelismo e passou a ser grafada sem ifen, sem separação; uma unidade.
No inicio da década de 1960, Ajuriaguerra definiu terapia psicomotoracomo uma técnica que por intermédio do corpo em movimento dirigi-se ao ser na sua totalidade. Ela não visa á readaptação por setores e, muito menos, a supervalorização do músculo, mas a fluidez do corpo no seu meio. Seu objetivo é permitir ao individuo melhor sentir-se e, através de um maior investimento da corporalidade, situar-se, no tempo, no mundo dos objetos e chegar a uma modificação e a uma harmonização com o outro.
No Brasil, a história da psicomotricidade vem acontecendo de maneira semelhante a história mundial. Os primeiros documentos registram seu nascimento na década de 1950, quando Gruspum já mencionava atividades motoras indicadas no tratamento de distúrbios de aprendizagem.
Em 1980 surgiu a Sociedade Brasileira de Terapia Psicomotora, que mais tarde muda seu nome para Sociedade Brasileira de Psicomotora (SBP) que define a psicomotricidade como “Ciência que tem por objeto o estudo do homem, através de seu corpo em movimento, nas relações com seu mundo interno e seu mundo externo”.
Os temas sobre a psicomotricidade eram abordados excepcionalmente em pesquisas teóricas fixadas no desenvolvimento motor da criança. Com o tempo, as pesquisas passaram a abranger a relação entre o atraso no desenvolvimento motor e o intelecto da criança. Seguiram-se outros estudos sobre o desenvolvimento da habilidade manual e da aptidão motora em função da idade. Nos dias atuais, os estudos ultrapassam os problemas motores. Atualmente, a psicomotricidade é o relacionar-se através da ação, como um meio de tomada de consciência que une o ser corpo, o ser mente, o ser espírito, o ser natureza e o ser sociedade.
A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL
O ser humano é um complexo de emoções e ações, propiciadas por meio do contato corporal nas atividades psicomotoras, que também favorecem o desenvolvimento afetivo entre as pessoas, o contato físico, as emoções e ações ao observarmos o comportamento de uma criança, percebemos como é o seu desenvolvimento.
A psicomotricidade, desde seu surgimento nos seus primórdios, compreendia o corpo nos seus aspectos neurofisiológicos, anatômicos e locomotores, coordenando-se e sincronizando-se no espaço e no tempo, para emitir e receber significados.
A psicomotricidade contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal, o que facilitará a orientação espacial. A partir do nascimento o bebê é totalmente imaturo, ou seja, precisa desenvolver-se ao que se refere ao nível motor. Isto é decorrente das vias aferentes que já se encontram mielinizadas, e assim, podem receber e captar estímulos, enquanto que as vias eferentes, por encontrarem-se imaturas, não respondem em termos motores ao estimulo fornecido. O bebê, então, apresenta-se imaturo com respeito ao aspecto neuromotor, ou seja está maduro tonicamente para receber estímulos e imaturo para organizar e ordenar suas respostas.
No desenvolvimento total da criança a estimulação através do movimento é essencial, por isso a psicomotricidade ou a manipulação, o uso e manuseio de objetos para ter todas as habilidades, forma parte de suas aprendizagens naturais que lhes servirão de base para sua maturidade e estar preparado para escrever, ler e falar corretamente.
O comportamento ou conduta é termos adequados para todas as suas reações, sejam elas reflexas, voluntárias, espontâneas ou aprendidas. Assim como o corpo cresce, o comportamento evolui. No processo de desenvolvimento a criança evolui tanto física quanto intelectual e emocionalmente. As primeiras evidências de um desenvolvimento normal mental são as manifestações motoras.
À medida que ocorre a maturação do sistema nervoso, o comportamento se diferencia e também se modifica. Inicialmente, a criança apresenta uma coordenação global ampla, que são realizadas por grandes feixes de músculos. Na medida em que os feixes de músculos mais específicos são usados, a criança desenvolve sua coordenação fina.
Para que a partir do momento que ocorre desenvolvimento motor adequado, é necessário um amadurecimento neural, ósseo, muscular, além de crescimento físico, juntamente com o aprendizado
O desenvolvimento motor percentual se completa ao redor de 7 anos, ocorrendo posteriormente um refinamento da integração perceptivo-motora com o desenvolvimento do processo intelectual propriamente dito.
A psicomotricidade está associada à afetividade e à personalidade, porque o indivíduo utiliza seu corpo para demonstrar o que sente, e uma pessoa com problemas motores passa a apresentar problemas de expressão. A psicomotricidade conquistou, assim, uma expressão significativa, já que se traduz em solidariedade profunda e original entre o pensamento e a atividade motora.
Apesar de vários autores (LE BOULCH, 1982; LAPIERRE,1986) demonstrarem a importância da psicomotricidade no desenvolvimento cognitivo, na aprendizagem da leitura e da escrita e na formação da inteligência, tradicionalmente, a escola tem dado pouca importância à atividade motora das crianças. O espaço da atividade infantil fica reduzido à visão de que o movimento é algo essencialmente motor, destacado de qualquer outra esfera do desenvolvimento, seja afetiva, cognitiva ou social (COLELLO, 1993).
É importante estimular a criança desde uma idade muito precoce por meio do movimento sem forçar sua natureza, para chegar a sua maturidade.
Para Barreto (2000), o desenvolvimento psicomotor é de suma importância na prevenção de problemas de aprendizagem e na reeducação do tônus, da postura, da direcional idade, da lateralidade e do ritmo.
Fonseca (1988) comenta que a psicomotricidade é atualmente concebida como a integração superior da motricidade, produto de uma relação inteligível entre a criança e o meio.
Para Ajuriaguerra (1970), psicomotricidade é a ciência do pensamento através do corpo preciso, econômico e harmonioso.
Segundo Coste (1978), é a ciência encruzilhada, onde se cruzam e se encontram múltiplos pontos de vista biológicos, psicológicos, psicanalíticos, sociológicos e lingüísticos.
Para Vayer (1986), a educação psicomotora é uma ação pedagógica e psicológica que utiliza os meios da educação física com o fim de normalizar ou melhorar o comportamento da criança.
Estudos anteriores realizados por Cunha (1990) atestam para a importância do desenvolvimento psicomotor e cognitivo. A autora constatou que o desenvolvimento psicomotor é de grande importância para o aprendizado da leitura e escrita e que as crianças com nível superior de desenvolvimento conceitual e psicomotor são as que apresentam os melhores resultados escolares.
A educação da criança deve evidenciar a relação através do movimento de seu próprio corpo, levando em consideração sua idade, a cultura corporal e os seus interesses. A educação psicomotora para ser trabalhada necessita que sejam utilizadas as funções motoras, perceptivas, afetivas e sócio-motoras, pois assim a criança explora o ambiente, passa por experiência concretas indispensáveis ao seu desenvolvimento intelectual, e é capaz de tomar consciência de si mesma e do mundo que a cerca.
Por meio das atividades, as crianças, além de se divertirem, criam, interpretam e se relacionam com o mundo em que vivem. Por isso, cada vez mais os educadores recomendam que os jogos e as brincadeiras ocupem um lugar de destaque no programa escolar desde a Educação Infantil.
Vitor da Fonseca (1988) comenta que a psicomotricidade é atualmente concebida como a integração superior da motricidade, produto de uma relação inteligível entre a criança e o meio.
Temos outro método preventivo (psicomotricidade relacional) praticado em algumas instituições escolares brasileiras, foi criado por André Lapierre e visa estabelecer equilíbrio sobre o comportamento infantil.
Entende-se que quando trabalhada na educação, a Psicomotricidade tem como principal objetivo oferecer a cada aluno a oportunidade de experimentar a alegria do movimento e desenvolver sua habilidade corporal e expressiva a partir de uma conscientização do seu próprio corpo. Nas aulas de psicomotricidade, elementos da expressão corporal e da conscientização corporal aparecem associadas a jogos corporais, diferentes materiais podem ser usados como bolas de vários tamanhos, bambolês, tecidos, caixas de papelão, jornais, pneus e etc..., e o trabalho é sempre feito em grupo, o que viabiliza uma maior integração e sociabilização entre as crianças e favorece as trocas afetivas proporcionando à criança a possibilidade de experimentar seu corpo, vivenciar ludicamente suas emoções e desenvolver-se psicomotoramente de maneira equilibrada.
Na fase Pré-Escolar (2-5 anos), é a chamada fase de movimentos fundamentais da criança. Nela, a criança aprende Capacidades Físicas importantes como: coordenação , orientação espaço-temporal, equilíbrio, contato social, ritmo, diferenciação. As atividades escolhidas devem ser ligadas a maior descontração e liberdade possível. Jamais a criança vai conseguir competir. Ela pratica esporte adaptado como brincadeira e não deve ser tratada como um atleta
Segundo Piaget, citado por Freire (1989), para adaptar-se ao mundo, para resolver problemas, para agir sobre o mundo, transformando-o, o sujeito constrói movimentos corporais específicos, dirigidos por um fim e orientados por uma intenção: são os esquemas de ação. É por estes esquemas que o ser humano se expressará em todas as ocasiões de sua vida.
O modelo de pensamento do aluno começa a estruturar-se nos primeiros anos de vida. A idade entre 0 e 10 anos é considerada por muitos cientistas como crítica para o desenvolvimento intelectual da criança, uma vez que é nesse período que o indivíduo desenvolve e define as conexões cerebrais que serão utilizadas durante toda a sua vida. O estímulo que a criança recebe nessa fase inicial contribuirá de forma significativa para o seu sucesso escolar.
Vejamos então, pequenos esclarecimentos a cerca de alguns aspectos psicomotores importantes na educação infantil: Esquema Corporal; Imagem Corporal; Coordenação Motora; Equilíbrio; Lateralidade; Dominância Lateral; e Noção Espaço-Temporal.
Esquema Corporal: Processo pelo qual se adquire a consciência de seu próprio corpo e das possibilidades de expressar-se através dele, aprendendo a controlá-lo. Fundamental para a formação da personalidade do indivíduo.
Imagem Corporal: Está relacionada à percepção e ao sentimento que o indivíduo tem de seu próprio corpo, baseando-se em experiências anteriores.
Coordenação Motora: Barbanti (1994) define coordenação motora como “o controle temporal, espacial e muscular de movimentos simples ou complexos que surge em resposta a uma tarefa extrema, ou objetivos mediados sensorialmente”. Temos outras variações da coordenação motora nos itens seguintes.
Coordenação Motora Ampla: Envolve grandes grupos musculares em movimentos fáceis de serem realizados, inicialmente simétricos e simultâneos. Como por exemplo: arrastar, rolar, andar e saltar. Prevalecendo o sistema extrapiramidal.
Coordenação Motora Fina: Responsável por movimentos mais precisos, geralmente para executar tarefas mais complexas, envolvendo pequenos músculos. Prevalece o sistema piramidal.
Coordenação Visomotora: Trabalho conjunto da visão com os demais movimentos corporais, como por exemplo, “arremessar uma bola ao cesto de Basquetebol”.
Coordenação Facial: Possui um papel de destaque na comunicação não verbal, através da motricidade facial de olhos, sobrancelhas, pestanas, queixo, nariz, testa, cabeça, lábios e boca.
Coordenação Audiomotora: Transformação de um comando sonoro em movimentos corporais.
Equilíbrio: Sustentação do corpo através de ações musculares que impedirão o corpo de ceder à lei da gravidade quando colocado em determinada base. Pode ser de dois tipos: estático (movimentos não locomotores); ou dinâmico (movimentos locomotores).
Lateralidade: Referente a prevalência motora de um dos lados do corpo. Propicia o conhecimento do próprio corpo, através principalmente da percepção, contribuindo na formação do esquema corporal. A lateralidade pode ser: Homogênea, quando o olho, a mão e o pé são canhotos; Cruzada, quando uma parte do corpo predomina e há a utilização de uma outra, tal como, canhoto da mão e do olho, e destro do pé; Ambidestra, os dois lados do corpo se equivalem, ou seja, não há um predomínio lateral.
Dominância Lateral : Dificuldade de perceber a diferença entre a esquerda e a direita, não consegue seguir a direção gráfica, como por exemplo, a leitura começando pela esquerda. Problemas de ordem espacial devido, principalmente, a uma indefinição da lateralidade.
Noção Espaço-Temporal: Maneira como se localizar no espaço e no tempo.
Como vimos anteriormente, a psicomotricidade é fundamental para o desenvolvimento da criança, uma vez que aborda a lateralidade, coordenação motora fina, grossa, acuidade visual e auditiva, esquema corporal, estrutura espacial ou temporal.
Portanto, compreender, conhecer e reconhecer o jeito particular das crianças serem e estarem no mundo é o grande desafio da educação infantil e de seus profissionais. Embora os conhecimentos derivados da psicomotricidade, pedagogia, psicopedagogia, psicologia, antropologia, sociologia, medicina etc, possam ser de grande valia para desvendar o universo infantil apontando algumas características comuns de ser das crianças, elas permanecem únicas em suas individualidades e diferenças.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Quando falamos em psicomotricidade na educação infantil, estamos nos referindo a movimento. Esta importância não se restringe apenas ao aspecto biológico. Independente das divergências e discussões em torno das diferentes abordagens, pode-se evidenciar um aspecto comum entre elas que é a importância do movimento no desenvolvimento do ser humano.
O desenvolvimento da personalidade da criança, que compreende as mudanças ocorridas no organismo durante o processo de crescimento e desenvolvimento (comportamento motor, percepção, construção da inteligência, afetividade, aprendizagem) tem merecido ultimamente uma atenção cada vez maior por parte dos investigadores, como assinala Cirigliano (1981).
Entendemos que ensinar e educar configura atender todas as crianças, sem qualquer diferença, é ir além do ler e escrever, é estimular todos os seus sentidos, com uma prática psicomotora baseada em atividades e avaliações que respeitam a sua história de vida, seu ritmo e seu desenvolvimento, pois cada ser humano é um ser único. Os estímulos nos primeiros anos do crescimento e do desenvolvimento infantil são decisivos e fundamentais para sua formação e personalidade. Por isso, nossa proposta está voltada para a interação, o prazer, o lúdico e principalmente a rotina e o estímulo de todos os sentidos, os quais trabalham nas crianças enriquecimento dos conhecimentos, a socialização e a formação de hábitos, valores e atitudes.
Não temos como fugir de uma educação corporal, uma educação que considere o corpo como uma ligação homem-mundo, ela está presente na cultura, nas tradições e na natureza. Nossos alunos precisam de uma educação que comprove nossa existência e importância no mundo, que entenda ser preciso existirmos para que o mundo possa existir também, uma educação que considere importante que nossos corpos se movimentem, se transformem, para que possamos transformar as coisas do mundo e ao mesmo tempo estar organizando e desorganizando o nosso auto fazer-se.
Poderíamos dizer então, que a Consciência Corporal e Educação do Movimento enquanto uma prática da Expressão Corporal poderá estar contribuindo para a reeducação ou aprimoramento das habilidades básicas, dos padrões fundamentais do movimento, no desenvolvimento das potencialidades humanas e sua relação com o mundo.
Como benefício no desenvolvimento social, devemos criar condições para que estabeleça relações com as pessoas e com o mundo no desenvolvimento biológico: o conhecimento de seu corpo e de suas possibilidades; no desenvolvimento intelectual, contribuir para a evolução do cognitivo e no filosófico, contribuir para o auto-controle, para o questionamento e a compreensão do mundo.
Portanto, o estudo da psicomotricidade permite compreender a forma como a criança toma consciência do seu corpo e das possibilidades de se expressar pôr meio desse corpo, localizando-se no tempo e no espaço. Buscamos compreender como a psicomotricidade se relaciona as do rendimento escolar, podendo afeta-lo e como o professor pode descobrir as lacunas nesse desenvolvimento, de forma a saná-las. Evidencia-se, assim, como o esquema corporal é um elemento para a formação da personalidade da criança. A criança se sentirá mais segura na medida em que conhecer bem o seu corpo e que puder utilizá-lo não só para se movimentar mas também para agir e transformar o mundo à sua volta.
É importante esclarecer que essa discussão não termina, não se encerra tão facilmente, é necessária a conscientização de que a questão da psicomotricidade merece ainda muita reflexão, muito estudo e comprometimento dos profissionais e educadores.
Seria interessante que houvesse uma transformação educacional, de modo que essa prática possa ganhar a sala de aula, interferindo na realidade de cada criança, proporcionando, assim, um desenvolvimento significativo e prazeroso para cada uma delas.
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