Oxigenação
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OXIGENAÇÃO

Araranguá,2005


1.OXIGENAÇÃO

O Oxigênio é indispensável para a vida. No entanto, para haver um abastecimento eficiente dessa substancia em todo o corpo, é necessário que dois sistemas trabalhem em sintonia; o circulatório e o respiratório.

A fisiologia cardíaca compreende a entrega de sangue oxigenado da circulação pulmonar para o lado esquerdo do coração e para os tecidos, e a entrega de sangue desoxigenado para o sistema pulmonar. A fisiologia respiratória compreende a oxigenação do corpo através dos mecanismos de ventilação, perfusão e transporte dos gases respiratórios. Normalmente, em ambientes hospitalares, há grande presença de indivíduos que apresentam deficiência na oxigenação, por isso há a necessidade do profissional de enfermagem estar apto a reconhecer e lidar com situações pertinentes a oxigenação.


2. FISIOLOGIA CARDIOVASCULAR

O sistema cardiovascular participa da oxigenação transportando oxigênio, nutrientes e outras substâncias. A remoção dos produtos restantes no metabolismo celular também faz parte da função cardiovascular.

2.1 Estrutura e Função

O sangue é bombeado, pelo ventrículo direito, para a circulação pulmonar. Enquanto o ventrículo esquerdo bombeia sangue para a circulação sistêmica, irrigando todos os tecidos de oxigênio e nutrientes.

2.2 Bomba Miocárdica

O coração é essencial na entrega de oxigênio para a circulação sistêmica. Este sendo uma bomba impulsiona o sangue para que este possa chegar suficientemente nos tecidos. Havendo um distúrbio na bomba cardíaca, haverá automaticamente, uma deficiência na oxigenação tecidual. Algumas patologias estão diretamente ligadas com a diminuição da capacidade de bombeamento. As doenças relacionas a artéria coronariana (DAC), aos distúrbios cardiopáticos, hemorragias e desidratação interferem na eficácia sistólica dos ventrículos.

Na diástole, as câmaras cardíacas enchem-se e na sístole elas esvaziam-se. Através na monitoração da pressão arterial, é possível avaliar a eficácia dessas manobras.

O miocárdio, como qualquer outro músculo, possui fibras com propriedades contráteis. Em um coração sadio, o processo de alongamento e contração estão proporcionalmente ligados. Porém, em uma coração patológico a contração é ineficaz. Essa sístole inadequada pode acarretar um retorno sanguíneo. Se esse problema encontra-se no lado direito do coração, o sangue retornará para a circulação sistêmica (insuficiência cardíaca direita), porém se essa patologia estiver instalada no lado esquerdo do coração, o sangue retrocederá para a circulação pulmonar (insuficiência cardíaca esquerda).

2.3 Fluxo Sanguíneo do Miocárdio

O fluxo unidirecional do sangue no coração é assegurado pelas quatro válvulas cardíacas. Durante a diástole ventricular, as válvulas atrioventriculares (mitral e tricúspide) se abrem, e o sangue é ejetado nos ventrículos. Logo após este mecanismo, inicia-se a sístole. No momento que os ventrículos estão cheios as válvulas cardíacas se fecham, impedindo um refluxo sanguíneo aos átrios. Em seguida começa a diástole ventricular. A pressão ventricular aumenta, fazendo com que as válvulas semilunares (aórtica e pulmonar) se abrirem. Durante a diástole ventricular, a pressão intraventricular diminui, fazendo com que as válvulas semilunares se fechem, evitando o refluxo para os ventrículos. Pacientes com patologias que envolve as válvulas, podem ter refluxo sanguíneo, que causa um murmúrio audível na ausculta.

2.4 Circulação Arterial Coronária

Como qualquer outra parte do corpo, o miocárdio precisa de nutrição e oxigênio. Esse suprimento é feito pela circulação coronária, que parte da aorta logo acima e atrás da valva aórtica através de uma abertura chamada ósteo coronário. O ventrículo esquerdo é o que mais necessita de suprimento, pois este tem a maior massa muscular para que possa impulsionar sangue para a circulação sistêmica. As artérias coronárias se enchem durante a diástole ventricular.

2.5 Circulação Sistêmica

Todo o processo cardíaco não teria valia se este não estivesse interligado com a circulação sistêmica. Os vasos que compõe esta circulação são responsáveis pela entrega de nutrientes e oxigênio para os tecidos, e também pela remoção de substâncias não mais vitais.

O sangue oxigenado flui do pulmão para o átrio esquerdo, então para o ventrículo esquerdo e finalmente, pela aorta para a circulação sistêmica. Da artéria aorta formam-se outras artérias que ramificam-se em arteríolas e então em capilares. No nível capilar acontece a troca de gases, nutrientes e remoção de escórias, e assim os tecidos são oxigenados. As escórias deixam os capilares através das vênulas, que se unem para formar as veias. Essas veias vão levar o sangue desoxigenado para o coração, onde ele será encaminhado ao pulmão e novamente oxigenado.

2.5 Regulação do Fluxo Sanguíneo

O débito cardíaco define-se pela quantidade de sangue ejetado do ventrículo esquerdo a cada minuto. O débito cardíaco normal é de 4 a 5 L/min em um adulto sadio de 70kg, em repouso. O volume sanguíneo circulante varia de acordo com as necessidades fisiológicas. Durante um exercício, gestação ou febre, o débito cardíaco aumenta, pois o corpo precisa ser mais rapidamente nutrido. Porém durante o sono o débito diminui, tendo em vista que o corpo não necessita de uma grande e rápida quantidade de sangue. O débito cardíaco também pode diminuir em idosos devido ao desgaste natural da parede arterial e pela moderada hipertrofia do miocárdio .

O volume sistólico é a quantidade de sangue ejetado pelo ventrículo esquerdo a cada contração. Este pode ser afetado pela quantidade de sangue no ventrículo esquerdo ao final da diástole (pré-carga), pela resistência à ejeção ventricular esquerda (pós-carga) e pela contratilidade do miocárdio.

A pré-carga é simplesmente o final do volume diastólico. Quanto mais os ventrículos se enchem, mais eles se distendem, sendo assim maior é a contração e o volume sistólico.

Em clientes patológicos, como com choques hemorrágicos, a terapia hídrica e a reposição de sangue aumentam o volume, aumentando assim a pré-carga e o débito cardíaco.

A pós-carga é a resistência à ejeção ventricular esquerda. Essa resistência é comum em pacientes hipertensivos, pois a pressão aórtica é aumentada. Este quadro pode ser tratado pela diminuição da pressão arterial sistêmica.

O volume sistólico e o débito cardíaco podem ser afetados pela contratilidade do miocárdio. Se houver uma contração precária, os ventrículos diminuíram sua ejeção de sangue. Esta situação pode estar presente quando o miocárdio sofre uma lesão, tal como no infarto agudo do miocárdio (IAM).

2.6 Sistema de condução

O relaxamento e a contração rítmica dos átrios e ventrículos dependem da transmissão continua e organizada dos impulsos elétricos. Estes impulsos são gerados e transmitidos por meio do sistema cardíaco de condução.

O sistema de condução origina-se com o nodo sinoatrial (AS), que é conhecido como o "marcapasso" natural do coração. Os impulsos são então transmitidos para o nodo atrioventricular (AV). Este nodo medeia os impulsos entre os átrios e os ventrículos. Ele ajuda no esvaziamento atrial pelo retardamento do impulso antes de transmiti-lo através do feixe de His e da rede de Purkinje ventricular. Esta condução é refletida no eletrocardiograma (ECG). Porém só a condução elétrica é visível no ECG, e não atividade muscular.


3 PRINCIPAIS ESTRUTURAS ANATÔMICAS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO E SUAS FUNÇÕES

fonte: http://www.estudanet.hpg.ig.com.br/corpohumano.htm

Sua função principal é obter oxigênio e eliminar gás carbônico (dióxido de carbono). O sistema envolve o funcionamento pelas narinas (nariz), traquéia, laringe, pulmões e diafragma.

  • Narinas – Têm a função de conduzir, aquecer, umedecer e filtrar o ar. A entrada de ar também pode ser complementada pela boca. Do nariz ou da boca o ar passa pela garganta (faringe). A caixa craniana contém cavidades (seios da face) que estão cheias de ar.
  • Traquéia – Depois de passar pela garganta, o ar entra na traquéia, tubo subdividido em dois brônquios que levam o ar até o pulmão. Uma lâmina chamada epiglote fecha o orifício superior do tubo quando a pessoa come ou bebe e abre-se apenas para a passagem do ar.
  • Laringe – Órgão responsável pela voz. Localizada na parte superior da traquéia, a laringe constitui-se de duas membranas que se estiram quando o ar é expelido, formando o som.
  • Pulmões – Principais órgãos do sistema respiratório. São duas grandes massas esponjosas localizadas no tórax e protegidas pelas costelas. O ar chega aos pulmões através de bronquíolos (ramificações dos brônquios). Estes carregam de ar os alvéolos pulmonares (microscópicos "sacos de ar" de paredes finíssimas). Nos alvéolos, o ar inspirado irá oxigenar o sangue e receber deste o gás carbônico produzido por todas as células do organismo. Os pulmões possuem cerca de 300 milhões de alvéolos.
  • Espaço Pleural: o espaço pleural é um espaço virtual, ou seja, apenas uma fina película de liquido repousando sobre a camada externa do pulmão (pleura visceral) e a camada interna da cavidade torácica (pleura parietal). Isto permite um movimento macio, deslizante, dos pulmões junto à parede torácica. Normalmente, o ar não está presente no espaço pleural.

3.1 Músculos do Abdomen

fonte: www.corpohumano.hpg.ig.com.br/sist_muscular?sist_muscular.html

Distinguem-se os músculos ventrais e os músculos dorsais.

  • Músculos ventrais: São representados pelo reto do abdome, pelos oblíquos (esterno e interno) e pelo transverso, os quais, no seu conjunto, formam a parede abdominal. O reto é um músculo em fita que desce do esterno ao púbis e que tem a função de dobrar o tórax para frente; tomando ponto fixo no abdome, ao contrário, levanta a bacia. Os músculos oblíquos, que são largas lâminas musculares e que se inserem nas costelas e no osso ilíaco, abaixam as costelas (e comprimem, portanto, o tórax: músculos expiratórios), ou então levantam a bacia. O músculo transverso comprime a cavidade abdominal (é importante na defecação, no vômito, no parto) e age, também, como músculo expirador.
  • Músculos dorsais: São representados pelo músculo quadrado dos lombos, de forma quadrilátera, que fecha o abdome posteriormente e tem a função de inclinar a coluna vertebral lateralmente, e pelos músculos caudais, que estão situados sobre o osso sacro e sobre o cóccix e que têm uma função protetora.

3.2 Diafragma

É um músculo ímpar que se encontra acima da cavidade abdominal, que ele separa da cavidade torácica. É sobre as costelas, as vértebras lombares e o esterno que ele se insere. Dessas regiões os feixes musculares se irradiam para cima e para a parte mediana, confluindo para um centro tendinoso. O diafragma é inervado pelo nervo frênico. Ao contrair-se, a sua curvatura diminui, isto é, o músculo tende a achatar-se, a capacidade do tórax aumenta e os pulmões se enchem passivamente de ar. Ao mesmo tempo, o diafragma, achatando-se, comprime a cavidade abdominal. Quando essa contração é enérgica e atuam juntamente os músculos do abdome, temos uma ação de pressão sobre os órgãos abdominais, úteis para esvaziar o intestino, e, na mulher, para o parto.

Fonte: www.corpohumano.hpg.ig.com.br/sist_muscular?sist_muscular.html

3.3 Regulação neurológica e química da respiração

  • Regulação neurológica: Mantém o ritmo e a profundidade da respiração e o equilíbrio entre a inspiração e a expiração.
  • Córtex cerebral: o controle voluntário da respiração envia impulsos para os neurônios respiratórios por meio da medula espinhal; acomoda a fala, a alimentação e o nado.
  • Ponte: o controle automático da respiração acontece continuamente.
  • Regulação química: mantém uma freqüência e uma profundidade da respiração apropriada com base nas trocas de dióxido de carbono sangüíneo, oxigênio e do íon hidrogênio.
  • Quimiorreceptores: localizados na medula, no corpo aórtico e carotídeo. As trocas dos conteúdos químicos de O2, CO2 e H+ estimulam os quimiorreceptores, os quais, por sua vez, estimulam os reguladores neurais para adaptar a freqüência e a profundidade da respiração, para manter os níveis de gases sangüíneos arteriais normais. A regulação química pode acontecer durante o exercício químico e algumas doenças. É um mecanismo de adaptação em curto prazo.

3.4.1 Fisiologia respiratória

As células do nosso corpo obtêm sua energia através do metabolismo que envolve a absorção de Oxigênio (O2) e eliminação de Dióxido de carbono (CO2).

Fonte:http://aol.klickeducacao.com.br/Conteudo/Referencia/Content/598/Images/acb5803a

Para que ocorra a troca gasosa corretamente, os órgãos, os nervos, os músculos da respiração devem estar intactos, com o sistema nervoso central capaz de controlar o ciclo respiratório. Pode-se classificar o processo da respiração em três etapas: Ventilação, Perfusão e difusão.

3.4.2 Ventilação

Compreende o movimento dos gases para dentro e para fora dos pulmões.

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Para que aconteça a ventilação, a coordenação muscular e propriedades elásticas do pulmão e tórax, alem de toda a inervação, devem estar intactos e em prefeito funcionamento.

O principal músculo inspiratório é o diafragma, que como falamos, ele é responsável pela expansão do tórax e conseqüentemente a entrada de ar.

Tem-se também uma substância que química, produzida no pulmão pelas células alveolares tipo 2, que mantém a pressão superficial dos alvéolos e evita que eles colabem-se uns nos outros, esta substância é o surfactante.

3.4.3 Volumes pulmonares

Esses volumes são verificados e medidos por meio de um teste chamado espirometria que mede a quantidade de ar que entra ou sai dos pulmões.

3.4.4 Pressões

Para que haja a entrada e a saída dos gases para os pulmões, o principal fator é a pressão.

A Pressão Intrapleural é negativa ou maior que a pressão atmosférica (que é de mais ou menos 760mmHg ao nível do mar). Então quanto mais alto estivermos, do nível do mar, menor será a pressão atmosférica.

Para que o ar entre e saia dos pulmões, a pressão Intralveolar deve ser menor, estabelecendo um gradiente de pressão, e vice-versa.

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3.4.5 Perfusão

A função primaria da circulação pulmonar é movimentar o sangue para ou decorrente da membrana alvéolo-capilar para que ocorra a troca gasosa.

A circulação pulmonar é um reservatório de sangue, assim quando o pulmão necessitar aumentar o volume sangüíneo, poderá fazê-lo sem aumentar a pressão da artéria ou veia pulmonar.

Essa circulação também age como filtro, removendo pequenos trombos antes que eles cheguem a órgãos vitais.

3.4.6 Circulação Pulmonar

Inicia-se na artéria pulmonar, que recebe o sangue venoso misto fracamente oxigenado do Ventrículo Direito. O fluxo sangüíneo, através desse sistema depende da capacidade de bombeamento do Ventrículo Direito, que possui um debito de aproximadamente 4 a 6 litros/min. O fluxo continua da artéria pulmonar em direção as arteríolas pulmonares, que segue aos capilares pulmonares onde o sangue entra em contato com a membrana alvéolo-capilar, e a troca de gases respiratórios acontece.

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O sangue rico em O2 então circula através das vênulas e veias pulmonares, retornando ao átrio esquerdo, de onde será bombeado para a circulação sistêmica, irrigando todo o corpo.

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3.4.7 Troca de gases respiratórios

Os gases respiratórios são trocados nos alvéolos e capilares dos tecidos corporais. O O2 é transferido do pulmão para o sangue que será levado ao tecido, e o Co2 é transferido do sangue para os alvéolos, para ser exalado (para fora do organismo) como produto residual.

No nível tissular, o O2 é transferido do sangue aos tecidos e Co2 do tecido para o sangue, para retonar aos alvéolos, e então ser posto para fora.

Fonte:http://www.geocities.com/CollegePark/Lab/9707/image23.gif

Estas transferências dependem do processo de Difusão.

3.4.8 Difusão

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É o movimento das moléculas de uma área de maior concentração para outra de menor concentração. Ela acontece ao nível da membrana, podendo ser afetada pelo espessamento da membrana.

O aumento da espessura da membrana impede a difusão porque os gases levam mais tempo para cruzar a membrana. A área da membrana pode ser alterada como resultado de doença crônica (enfisema), doença aguda (pneumonia) ou processo cirúrgico (lobectomia). Quando poucos alvéolos estão funcionando a área de superfície fica diminuída.

3.4.9 Transporte de O2 e CO2

O sistema de transporte de Oxigênio compreende os pulmões e o sistema cardiovascular. A entrega depende da quantidade de oxigênio que entra nos pulmões (ventilação), do fluxo sangüíneo para os pulmões e tecidos (perfusão), da freqüência de difusão e da capacidade de transporte de Oxigênio.

A capacidade do sangue para transportar O2 é influenciada pela quantidade de O2 dissolvido no plasma, pela quantidade de hemoglobina e pela tendência da hemoglobina a ligar-se com o oxigênio.

Apenas uma quantidade relativamente pequena do oxigênio necessário, cerca de 3%, está dissolvida no plasma. A maior parte do oxigênio é transportada pela hemoglobina., que serve como o portador para o oxigênio e o dióxido de carbono. A molécula de oxigênio combina-se com a hemoglobina para formar a oxiemoglobina, e a molécula de Co2 combinada com a hemoglobina forma a desoxiemoglobiana.

A formação da oxiemoglobina é facilmente reversível, permitindo a dissociação, o que faz com que libere o O2 para entrar nos tecidos.

A hemoglobina reduzida (desoxiemoglobina) pode combinar com o Dióxido de carbono mais facilmente que a oxiemoglobinae, assim, o sangue venoso transporta a maioria do Co2.

3.4.10 Regulação da Respiração

O principal propósito da regulação da respiração é suprir a quantidade suficiente de O2 para entender às demandas corporais, como durante o exercício, a infecção ou a gestação. A regulação respiratória promove a exalação do Co2 produzido metabolicamente, que é uma determinante do estado ácido-básico.

A respiração é controlada pro reguladores neurológicos e químicos. A regulação neurológica inclui o controle, pelo SNC, da freqüência, da profundidade e do ritmo respiratórios. A regulação química compreende a influência de químicas, tais como o Co2 e os íons hidrogênio sobre a freqüência e profundidade da respiração.


4 FATORES QUE AFETAM A OXIGENAÇÃO

A adequação da circulação, ventilação, perfusão e transporte dos gases respiratórios para os tecidos são influenciados por quatro tipos de fatores: (1) fisiológicos, (2) desenvolvimentais, (3) comportamentais e (4) ambientais.

4.1-Fatores fisiológicos

Qualquer distúrbio que afete diretamente o funcionamento cardiopulmonar compromete a capacidade corporal de atender as demandas de oxigênio. As classificações gerais dos distúrbios cardíacos incluem os distúrbios de condução, comprometimento da função valvar, hipóxia do miocárdio, distúrbios cardiomiopáticos e hipóxia tissular periférica. Os distúrbios respiratórios incluem a hiperventilação, a hipoventilação e a hipóxia.

Outros processos fisiológicos afetando a oxigenação do cliente incluem as alterações que comprometem a capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue, tais como as anemias; o aumento nas demandas metabólicas corporais, conforme acontecem na gestação ou febre e infecção; e as alterações que afetam o movimento da parede torácica do cliente ou sistema nervoso central.

4.1.2 Diminuição da capacidade de transporte de oxigênio

A hemoglobina transporta para os tecidos 97% do oxigênio difundido. Qualquer processo que diminua ou altere a hemoglobina, tal como a anemia e a inalação de substancias tóxicas, diminuiu a capacidade do sangue em transportar o oxigênio.

A anemia é caracterizada por níveis de hemoglobina abaixo do normal. A anemia é o resultado da diminuição da produção de hemoglobina, do aumento da destruição da célula vermelha e da perda sanguínea.

Os achados clínicos incluem fadiga, diminuição da tolerância à atividade, aumento da respiração, palidez e aumento da freqüência cardíaca.

O monóxido de carbono e o tóxico inalante mais comum que diminui a capacidade do sangue em transportar oxigênio. A afinidade para hemoglobina ligar-se com o monóxido de carbono é 210 vezes maior do que a finalidade para ligar-se com o oxigênio, criando uma anemia funcional. Em razão da força de ligação, o monóxido de carbono não é facilmente dissociado da hemoglobina, tornando a hemoglobina não disponível para o transporte de oxigênio.

4.1.3-Diminuição da concentração do oxigênio inspirado

Quando a concentração de oxigênio inspirado declina, a capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue fica diminuída. A diminuição na fração da concentração de oxigênio inspirado pode ser causada por uma obstrução na via aérea superior ou inferior,limitando a entrega do oxigênio inspirado para os alvéolos;pelo oxigênio ambiental diminuído(conforme acontece em altas altitudes);ou pela diminuição da inspiração como resultado de uma concentração de oxigênio incorreta estabelecida no equipamento de terapia respiratória.

4.1.4 Hipovolemia

A hipovolemia é a redução no volume de sangue circulante devido ás perdas de líquido extracelular que ocorrem em distúrbios, tais como choque e desidratação intensa. Se a perda de líquido é significativa,o corpo tenta se adaptar pelo aumento na freqüência cardíaca e pela vasoconstrição periférica para aumentar o volume de sangue que retorna ao coração e aumentar o débito cardíaco.

4.1.5- Taxa Metabólica Aumentada

O aumento na atividade metabólica do corpo resulta em um aumento da demanda de oxigênio. Quando os sistemas corporais são incapazes de atender a esta demanda aumentada,o nível de oxigenação diminui.Um aumento na taxa metabólica é uma resposta normal do corpo à gestação,à cicatrização de ferida e ao exercício por estar o corpo construindo o tecido.Muitas pessoas podem atender sinais de deprivação de oxigênio.

A febre aumenta as necessidades de oxigênio dos tecidos, e, como resultado, a produção de dióxido de carbono também aumenta. Se o estado febril persiste, a taxa metabólica permanece elevada e corpo começa a desfazer os armazenamentos de proteínas, resultando em desgaste muscular e diminuição da massa muscular.

Os músculos respiratórios, tais como o diafragma e os intercostais, ficam também desgastados. O corpo tenta se adaptar ao aumento dos níveis de dióxido de carbono pela elevação da freqüência e profundidade da respiração para eliminar o excesso de dióxido de carbono. O trabalho da respiração aumenta, e o cliente eventualmente apresentará sinais e sintomas de hipoxemia. Os clientes com doenças pulmonares estão em maior risco de hipoxemia e hipercapnia. O histórico revela aumento na freqüência e profundidade da respiração, o uso dos músculos acessórios da respiração, o uso da respiração labiobosal e a diminuição da tolerância às atividades.

4.1.6-Distúrbios que afetam o movimento da parede torácica

Qualquer condição que reduza o movimento da parede torácica pode resultar em diminuição de ventilação. Pois se o diafragma não desce completamente com a respiração, o volume do ar inspirado diminui e menos oxigênio é liberado para os alvéolos e, subsequentemente, para os tecidos.

4.1.6.1-Gestação

À medida que o feto cresce, o aumento do útero empurra os conteúdos abdominais para cima, contra o diafragma. No último trimestre de gestação, a capacidade respiratória diminui, resultando em dispnéia ao esforço e aumento da fadiga.

4.1.6.2-Obesidade

Clientes obesos têm volumes pulmonares reduzidos em decorrência do peso do tórax inferior e do abdome. também podem desenvolver a síndrome de hipoventilação, na qual a oxigenação está diminuída e o dióxido de carbono retido, resultando em sonolência diurna.

4.1.6.3-Anormalidades Musculoesqueléticas

O comprometimento musculoesqueléticos na região torácica diminui a oxigenação.

Esses comprometimentos podem resultar em:

  • Configurações estruturais anormais que incluem aquelas que afetam a caixa torácica, tais como a cifose (distúrbio anormal da coluna vertebral), o peito escavado (é uma depressão do esterno que interfere na expansão pulmonar).
  • Trauma para a parede torácica pode impedir a inspiração incluindo as múltiplas fraturas de costelas, incisões na parede torácica e por dose elevada de analgésico narcóticos que inibem o centro respiratório diminuindo a freqüência respiratória e expansão da parede pulmonar.
  • Doenças musculares, tais como a distrofia muscular, afetam a oxigenação dos tecidos pela diminuição da capacidade do cliente para expandir e contrair o tórax.

4.1.6.4 Influência da doença crônica

A oxigenação pode ser diminuída como conseqüência direta da doença crônica ou por efeito secundário. Esta resposta adaptativa é a tentativa do corpo de ampliar a quantidade de hemoglobina circulante para aumentar a disponibilidade de locais de ligação ao oxigênio.


5 Fatores desenvolvimentais

O estágio de desenvolvimento do cliente e o processo normal de envelhecimento podem afetar a oxigenação tissular.

5.1 Lactentes prematuros

Estão em risco da doença da membrana hialina, causada pela deficiência de surfactante. O surfactante está ausente em prematuros, pois sua capacidade de sintetização pelos pulmões desenvolve em torno do sétimo mês de gestação.

5.2 Lactentes e Crianças

Estão em risco de infecções respiratórias do trato superior como resultado da exposição freqüente a outras crianças e da exposição ao tabagismo passivo. Alguns lactentes e crianças podem desenvolver congestão nasal, infecções do trato respiratório superior e também obstrução das vias aéreas superiores por aspiração de objetos estranhos.

5.3 Escolares e adolescentes

Estes estão expostos às infecções do trato respiratório e aos fatores de risco respiratórios, tais como o tabagismo passivo e o fumo de cigarros. Geralmente o adolescente que começa fumar continua até a idade adulta, todavia, tem um crescente risco de doença cardiopulmonar e câncer de pulmão.

5.4 Adultos jovens e de meia – idade

Estão expostos a múltiplos fatores de risco cardiopulmonar: dieta precária, falta de exercício, estresse, drogas e tabagismo.

5.5 Idosos

Os sistemas cardíacos e respiratórios passam por alterações ao longo do processo de envelhecimento. No sistema arterial, desenvolvem-se placas ateroesclerótidas com elevação da pressão arterial sistêmica. A ventilação e transferência dos gases respiratórios diminuem com a idade. As alterações osteoporóticas da caixa torácica e a cifose das vértebras acontecem com o envelhecimento. Com estas alterações, os pulmões são incapazes de se expandir plenamente, levando à níveis menores de oxigenação.


6 FATORES COMPORTAMENTAIS

O comportamento ou estilo de vida pode, direta ou indiretamente, afetar a capacidade do corpo para atender às exigências de oxigênio. Os fatores incluem o tabagismo, exercício, nutrição, abuso de substâncias e o estresse.

6.1 Nutrição

Afeta a função cardiopulmonar de vários modos. A obesidade diminui a expansão pulmonar, e o excesso de peso corporal aumenta a demanda de oxigênio para atender às necessidades metabólicas. O cliente desnutrido apresenta desgaste do músculo respiratório, resultando em diminuição da força muscular e da excursão respiratória. As dietas ricas em gorduras aumentam o colesterol e a aterogênese nas artérias coronárias. As dietas ricas em carboidratos podem ter um papel importante no aumento da carga de dióxido de carbono para os clientes com retenção de dióxido de carbono. Enquanto os carboidratos são metabolizados, um aumento na carga de dióxido de carbono é criado e excretado via pulmão.

6.2 Exercícios

O exercício aumenta a atividade metabólica do corpo e a demanda de oxigênio. A freqüência e a profundidade da respiração aumentam, capacitando a pessoa a inalar mais oxigênio e a expirar o excesso de dióxido de carbono.

6.3 Tabagismo

Está associado a uma série de doenças, incluindo doença cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica e câncer de pulmão. A nicotina inalada causa vasoconstrição dos vasos periféricos e coronários, aumentando a pressão arterial e diminuindo o fluxo sangüíneo para os vasos periféricos. O risco de câncer de pulmão é 10 vezes maior para as pessoas que fumam.

6.4 Abuso de substâncias

O uso excessivo de álcool e outras drogas podem comprometer a oxigenação tissular em duas formas. Primeiro as pessoas que usam abusivamente dessas substâncias tem uma precária ingestão nutricional. Com a resultante diminuição na ingestão de alimentos ricos em ferro a produção de hemoglobina declina. Segundo o uso excessivo dessas substâncias pode deprimir o centro respiratório, reduzindo a freqüência e a profundidade da respiração e a quantidade de oxigênio inalado.


7 FATORES AMBIENTAIS

O ambiente também influencia na oxigenação. A incidência de doença pulmonar em áreas urbanas poluída é maior do que em áreas rurais. O local de trabalho do cliente também pode aumentar o risco de doença pulmonar. Os poluentes ocupacionais incluem pó de talco, poeira e fibras transportadas...

7.1 Ansiedade

Contínuo estado de ansiedade aumenta a taxa metabólica corporal e a demanda de oxigênio. O corpo responde à ansiedade e a outros estresses pelo aumento na freqüência e profundidade da respiração.


8 ALTERAÇÕES NO FUNCIONAMENTO CARDÍACO E RESPIRATÓRIO

8.1Cardíaco

As alterações no funcionamento cardíaco são causadas pelas doenças que afetam o ritmo cardíaco, a força de contração, o fluxo sangüíneo através dos ventrículos e átrios, o fluxo sangüíneo miocárdico como também o periférico.

8.1.1-Distúrbio na Condução

Consiste nos impulsos elétricos que não se originam no nodo AS (sinoatrial), estes distúrbios são chamados de disritmias (desvio do ritmo cardíaco sinusal normal). Estas disritmias podem acontecer como uma resposta á uma isquemia, anormalidade valvar, ansiedade, toxidade medicamentosa ou como complicação do equilíbrio acido – básico ou eletrolítico.

As disritmias são classificadas de acordo com a resposta cardíaca e pelo local de origem do impulso, taquidisritmias e bradidisritmias. Estas podem diminuir o debito cardíaco e a pressão arterial. As taquidisritmias diminuem o debito cardíaco pela diminuição do tempo de enchimento na diástole, já as bradidisritmias devido á diminuição da freqüência cardíaca.

Lembrando que é considerado taquicardia mais que 100 batimentos por minuto, e bradicardia menos que 60 batimentos por minuto.

8.1.2 Débito Cardíaco Alterado

A falência do miocárdio não fazendo a ejeção do volume suficiente para as circulações sistêmica e pulmonar pode resultar numa insuficiência cardíaca (a incapacidade de o coração, geralmente por causa de algum mau funcionamento do próprio coração, bombear sangue suficiente para satisfazer as necessidades do corpo). E esta falência pode ser causada por uma doença arterial coronariana, distúrbios cardiomiopáticos (doença muscular cardíaca primaria), distúrbios valvares (lesões nas válvulas cardíacas) e doença pulmonar.

A insuficiência cardíaca pode se manifestar de duas maneiras, uma é pela diminuição do debito cardíaco, e a outra é por um represamento do sangue nas veias atrás do coração direito e esquerdo.

Nas insuficiências cardíacas a insuficiência do lado esquerdo predomina sobre a do lado direito, em raras situações o lado direito será insuficiente sem a insuficiência significativa do lado esquerdo. Quando o lado esquerdo do coração falha sem a insuficiência concomitante do lado direito ( as duas juntas), o sangue continua a ser bombeado para os pulmões com o vigor usual do coração direito, mas não é bombeado adequadamente para fora dos pulmões e para o interior da circulação sistêmica. Como resultado as pressões em todos os vasos sanguíneos dos pulmões sobrem por causa do desvio de grandes volumes de sangue da circulação sistêmica para a circulação pulmonar, pois o sangue não tem "força" para sair do pulmão. Ocorre uma congestão pulmonar e por conseqüência um edema pulmonar. Os achados clínicos são estertores a ausculta, hipóxia, dispnéia ao esforço, tosse.

Já na insuficiência cardíaca direita, daí resulta da doença pulmonar ou de seqüela da insuficiência esquerda. Um fator patológico na insuficiência direita, é a elevada resistência vascular pulmonar. Ou seja, com o aumento da resistência vascular pulmonar, o ventrículo direito tem que gerar mais trabalho e a demanda de oxigênio para o coração aumenta.À medida que a insuficiência continua a quantidade de sangue bombeada do ventrículo direito diminui, e o sangue começa a reflutir para a circulação sistêmica. Os achados clínicos são o paciente teu aumento de peso distensão das veias do pescoço, hepatomegalia, esplenomegalia e edema periférico.

8.1.3 Função Valvar comprometida

Distúrbio adquirido ou congênito da valva cardíaca, caracterizado por estenose e fluxo sanguíneo obstruído, degeneração valvar e regurgitação.

Quando a estenose ocorre nas valvas aórtica e pulmonar, os ventrículos adjacentes trabalham intensamente para movimentar o sangue alem da valva estenosada, com o passar do tempo a estenose pode causar uma hipertrofia do ventrículo (alargamento), podendo causar uma insuficiência cardíaca esquerda ou direita. Já se a estenose ocorre nas valvas mitral e tricúspide a pressão arterial aumenta causando a hipertrofia do átrio.Quando a regurgitação ocorre existe um refluxo do sangue para dentro da câmara adjacente.

8.1.4 Isquemia do Miocárdio

Ocorre quando a suprimento de sangue vindo das coronárias para o coração não é suficiente para atender as demandas de oxigênio do órgão, as duas manifestações mais comuns são angina no peito e infarto do miocárdio.

A angina no peito é um desequilíbrio transitório entre o suprimento e a demanda de oxigênio do coração. Este distúrbio resulta numa dor latejante, de queimação ou com pressão, esta dor pode ser do lado esquerdo ou subesternal (abaixo do esterno) e comumente se irradia para o braça esquerdo ou ambos.A dor é geralmente precipitada por atividades que requerem uma demanda maior de oxigênio para o coração como atividades físicas, ansiedade e stresse. Ela pode ser aliviada com repouso ou medicamentos vasodilatadores coronários.

O infarto do miocárdio é resultado de uma diminuição súbita no fluxo sanguíneo vindo das coronárias ou de um aumento da demanda de oxigênio miocárdico, sem adequada perfusão coronariana, ele ocorre devido a isquemia que pode ser reversível, ou a necrose, que não é reversível do tecido miocárdico. A dor associada é cortante e violenta e irradia-se para varias regiões e não é aliviada com o repouso, nem com mudança de posição e nem com administração de medicamento.

8.2.1 RESPIRATÓRIO

As alterações neste sistema são causadas pelas doenças ou distúrbios que afetam a ventilação ou transporte de Oxigênio. O objetivo das ventilações é manter uma tensão arterial de oxigênio e dióxido de carbono normal nos alvéolos.

8.2.2 Hiperventilação

È um estado de ventilação em excesso exigido para eliminar o dióxido de carbono venoso normal produzido pelo metabolismo celular. Esta pode ser induzida pela ansiedade (a aguda pode levar a perda da consciência devido a exalação de dióxido de carbono em excesso), infecções (na febre para cada acréscimo de 0,5 °C ocorre uma elevação de 7% na taxa metabólica aumentado a produção de dióxido de carbono), medicamentos (o envenamento por aspirina (salicilato) causa uma excessiva estimulação do centro respiratório a medida que o corpo tenta compensar o dióxido de carbono excessivo), desequilíbrio acido-base (pode ocorrer a medida que o corpo tenta compensar a acidose metabólica pela produção de uma alcalose respiratória, a ventilação aumenta pra reduzir a quantidade de dióxido de carbono disponível para formar o ácido carbônico), hipóxia associada com embolia pulmonar ou choque ( a hemoglobina não libera oxigênio para os tecidos tão prontamente e a hipóxia tissular ocorre). A hiperventilação alveolar produz os seguintes sinais e sintomas: taquicardia, dispnéia, dor torácica, tonteira, desmaio, desorientação, paresias, dormência, zumbido, visão turva, tetania (espasmo carpopedal).

8.2.3 Hipoventilação

Ocorre quando a ventilação alveolar é inadequada para atender as demandas de Oxigênio do corpo ou para eliminar suficientemente o dióxido de carbono. Uma atelectasia (colapso dos alvéolos que evita as trocas gasosas de oxigênio e dióxido de carbono) grave pode produzir a hipoventilação pois a medida que alvéolo colapsa uma menor parte do pulmão pode ser ventilada. Nos pacientes com DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) a administração em excesso de oxigênio pode resultar numa hipoventilação, pois o mesmo adaptaram-se com um alto nível de dióxido de carbono, seu estimulo para respirar é a diminuição da pressão normal do Oxigênio, altas concentrações de oxigênio evitam a queda da pressão normal do oxigênio, e inibem o estimulo para respirar resultando em hipoventilação. Pacientes com hipoventilação podem, se não tratados, evoluir para convulsões, inconsciência e morte. Os sinais e sintomas que apresenta são os seguintes: tonteira, cefaléia, letargia, desorientação, diminuição da capacidade de seguir instruções, disritmias cardíacas, desequilíbrios eletrolíticos, convulsões, coma, parada cardíaca.

*OBS: O tratamento para hiper e hipoventilação inicia-se pelo tratamento da causa subjacente, melhorando a oxigenação tissular, restaurando a função respiratória alveolar.

8.2.4 Hipóxia

È uma inadequada oxigenação tissular em nível celular, pode resultar de uma deficiência na entrega de oxigênio ou na utilização do oxigênio em nível celular. A hipóxia pode ser causada por 6 motivos, redução na capacidade de transporte de oxigênio pela diminuição do nível da hemoglobina, diminuição da concentração de oxigênio inspirado, incapacidade dos tecidos para extrair oxigênio do sangue, difusão diminuída dos alvéolos pro sangue, precária perfusão tissular com sangue oxigenado, ventilação comprometida.

O paciente com hipóxia é incapaz de deitar-se horizontalmente e parece fatigado e agitado, as alterações nos sinais vitais incluem o aumento da freqüência cardíaca, na freqüência e na profundidade da respiração (a medida que a hipóxia se agrava pode diminuir a freqüência respiratória como resultado da fadiga do músculo respiratório). Ela é um distúrbio fatal, pode produzir disritmias cardíacas que resultam e morte, ela é tratada pela administração de oxigênio e pelo tratamento da causa adjacente. Os sinais clínicos e sintomas observados na hipóxia são: Inquietação, ansiedade, desorientação, diminuição do nível de consciência, fadiga, tonteira, palidez, dispnéia, alterações no comportamento.

*OBS: a cianose que é a descoloração azulada da pele e membranas mucosas causada pela presença de hemoglobina insaturada é um sinal tardio da hipóxia, a cianose central observa-se na língua, palato mole e conjuntiva do olho, onde o fluxo sanguíneo é elevado. A cianose periférica observada nas extremidades como leitos ungueais e lobos das orelhas é geralmente resultado da vasoconstrição e estagnação do fluxo sanguíneo.


9 PROCESSO DE ENFERMAGEM E OXIGENAÇÃO

9.1 Histórico

O profissional de enfermagem, quando realizar um histórico da função cardiopulmonar de um cliente deve coletar os seguintes dados:

1.Histórico de enfermagem da função cardiopulmonar atual e normal do cliente, comprometimentos prévios na circulação ou no funcionamento respiratório e medidas que o cliente utiliza para melhorar a oxigenação.

2.Exame físico do estado cardiopulmonar do cliente, incluindo inspeção, palpação, percussão e ausculta.

3.Revisão dos resultados dos exames laboratoriais e diagnósticos, incluindo o hemograma completo (HC), eletrocardiograma (ECG), teste de função pulmonar (TFP), escarro e oxigenação, tais como gasometria sanguínea arterial (GSA) e oximetria de pulso.

9.1.1 Entrevista de enfermagem

A entrevista deve ter como foco a capacidade do cliente de proporcionar uma efetiva oxigenação. Na análise cardíaca, o profissional deve identificar a dor e as características da dor, dispnéia, circulação periférica, fatores de risco cardíaco e a presença de distúrbios cardíacos prévios ou presentes. Na parte da função respiratória, o profissional de enfermagem deve observar e discutir a presença de tosse, dispnéia, sibilo, dor, exposições ambientais, freqüência de infecções do trato respiratório, fatores de risco pulmonar, problemas respiratórios prévios, medicação em uso e história de tabagismo ou tabagismo passivo.

Fadiga: A fadiga é uma sensação subjetiva onde o cliente relata a perda da resistência. A presença de fadiga em pacientes cardiopulmonares, é um sinal de agravamento do processo crônico. Para analise eficaz da fadiga, sugere-se que o cliente gradue sua fadiga em uma escala de 1 (um) a 10 (dez), sendo 1 ausência de fadiga e 10 o grau mais alto de fadiga.

Dispnéia: A dispnéia é um sinal clínico de hipóxia e manifesta-se como dificuldade para respirar. A dispnéia fisiológica apresenta-se com uma respiração mais curta associada com exercícios ou excitações. Entretanto, a dispnéia patológica é a incapacidade para conseguir respirar sem relação a atividade ou exercício.

A entrevista de enfermagem deve deter-se as circunstâncias sob as quais a dispnéia ocorreu, tais como esforço, estresse ou infecção do trato respiratório. O enfermeiro também deve analisar se a dispnéia afeta a capacidade do cliente de deitar horizontalmente.

Tosse: A tosse é uma expulsão súbita, audível, de ar dos pulmões. A pessoa inspira, a glote é parcialmente fechada e os músculos acessórios da expiração contraem-se para expelir o ar forçosamente. A tosse é um reflexo protetor para limpar a traquéia, os brônquios e os pulmões dos irritantes e das secreções. A Carina, ponto de bifurcação dos brônquios direito e esquerdo é a área mais sensível para a produção da tosse.

A tosse é classificada conforme o horário em que o cliente tosse mais freqüentemente. Os clientes com sinusites crônicas normalmente apresentam tosse no começo da manha ou imediatamente após acordarem. Os clientes com bronquite crônica produzem catarro durante todo o dia, porem a maior quantidade é produzida após se levantarem na posição horizontal. Após a identificação da presença da tosse, esta deve ser classificada em produtiva ou improdutiva. A tosse produtiva é aquela que gera escarro que pode ser expelido ou deglutido. Se houver presença de escarro na tosse, o enfermeiro deve analisar esta secreção.

Características do Escarro

Coloração

  • Claro
  • Branco
  • Amarelo
  • Raiado com sangue
  • Verde
  • Marrom
  • Vermelho

Qualidade

  • Igual ao de sempre
  • Aumentado
  • Diminuído

Alterações na coloração

  • Mesma coloração por todo o dia
  • Clareando com a tosse
  • Progressivamente escuro

Consistência

  • Espumoso
  • Aquoso
  • Espesso, tenaz

Odor

  • Nenhum
  • Fétido

Presença de sangue

  • Ocasional
  • No início da manhã
  • Brilhante ou vermelho-escuro
  • Tinto de sangue

Quadro de análise das características do escarro.

Fonte: Fundamentos de Enfermagem – Oxigenação

Quando o cliente relata a presença de sangue no escarro deve-se fazer alguns exames diagnósticos, tais como os exames das amostras de escarro, os raios-X de tórax, a broncoscopia e outros exames radiológicos.

Sibilus: O sibilus é caracterizado por um som de alta intensidade, agudo e musical, causado pelo movimento do ar em alta velocidade através da via área estreitada. O sibilus pode estar relacionado a asma, bronquite ou pneumonia. O sibilus pode ocorrer na inspiração, na expiração ou em ambas. O profissional de enfermagem deve determinar quais os fatores precipitantes, tais como a infecção respiratória, os alérgenos, o exercício ou o estresse.

Dor: A presença da dor torácica precisa ser completamente avaliada, com respeito a localização, duração, radiação e freqüência. A dor cardíaca não acontece com variações respiratórias e é mais freqüente sobre o lado esquerdo do tórax,apresentando irradiação. A dor pericárdica resultante da inflamação do saco pericárdico é , geralmente sem irradiação e pode acontecer com a inpiração.

A dor torácica pleurítica é periférica e pode irradiar-se para as regiões escapulares. É agravada pelas manobras inspiratórias, tais como a tosse, o bocejo e o suspiro. A dor pleurítica é geralmente causada por uma inflamação ou infecção no estaco pleoral, sendo descrita como cortante e com duração de um minuto à horas, sempre associada com a expiração.

A dor musculoesquelético pode estar presente após o exercício, o trauma de costela e episódios prolongados de tosse. Esta dor também é agravada pelos movimentos inspiratórios e pode facilmente ser confundida com a dor torácica pleurítica.

Exposições Ambientais ou Geográficas: O enfermeiro deve investigar a exposição do cliente a substâncias que possam estar diretamente relacionas a doenças respiratórias. Essa investigação deve acontecer tanto a nível domiciliar quanto ao local de trabalho. Fumaças, monóxido de carbono, radônio, carvão, fibras de algodão e inalantes químicos são substancias comuns que podem acarretar doenças respiratórias.

Infecções Respiratórias: O histórico de enfermagem deve coletar informações sobre a freqüência e a duração das infecções do trato respiratório do cliente. Determinar se o cliente recebeu previamente s pneumovax ou vacina do resfriado. Também deve-se perguntar sobre qualquer exposição conhecida à tuberculose e os resultados do teste cutâneo da tuberculina.

Os clientes com uma historia de uso de drogas EV, múltiplos parceiros sexuais não-protegidos estão em risco de desenvolver a infecção por HIV. O cliente pode não apresentar quaisquer sintomas da infecção por HIV até que ele se apresente com o Pneumocystis carinii (PCP) ou Mycobacterium pneumonia. A apresentação com PCP ou Mycobacterium pneumonia indica uma significativa depressão do sistema imune do cliente e a progressão da AIDS.

Fatores de Risco: O enfermeiro deve investigar os fatores de risco familiares e ambientais, tais como a historia familiar de câncer de pulmão ou doença cardiovascular, presença de doenças infecciosas, particularmente a tuberculose. O enfermeiro deve determinar quem na casa do cliente foi infectado e o estágio do tratamento.

Medicamentos: O último componente do histórico de enfermagem deve descrever os medicamentos que o cliente está utilizando.Isto inclui os medicamentos prescritos, os medicamentos comprados sem receita médica e as drogas ilícitas. Além da listagem, o enfermeiro deve testar o conhecimento do cliente sobre os efeitos colaterais das medicações e os riscos de interações medicamentosas.


10 Exame físico

O exame físico realizado para avaliar o nível de oxigenação tissular do cliente, inclui a avaliação de todo o sistema cardiovascular. São utilizadas as técnicas de inspeção, palpação, ausculta e percussão.

Inspeção: pelo uso das técnicas de inspeção, a enfermeiro realiza a observação do cliente, da cabeça até o pé, quanto à coloração da pele e membrana mucosa, aparência geral, nível de consciência, adequação da circulação sistêmica, padrões respiratórios e movimentos da parede torácica. Quaisquer anormalidades devem ser investigadas durante a palpação, percussão e ausculta.

Palpação:a palpação do tórax proporciona dados de exame em vias aéreas. Ela documenta o tipo e a qualidade de excursão torácica, suscita quaisquer áreas de sensibilidade e pode identificar o frêmito tátil, vibração, suspiros e o ponto de impulso máximo cardíaco. A palpação também permite ao enfermeiro sentir as mamas anormais ou nódulos nas axilas e tecidos mamários. A palpação nas extremidades proporciona dados sobre a circulação periférica, a presença e a qualidade dos pulsos periféricos, a temperatura da pele, a coloração e o enchimento capilar.

Percussão: é o golpeamento sobre um objeto para determinar a presença de ar, líquido ou sólido no tecido subjacente. A percussão suscita vibrações de 4 a 6 cm de profundidade na área subjacente. Os cincos tons da percussão são a ressonância, hiper-ressonância, macicez, seco e timpânico. A percussão permite que o enfermeiro detecte a presença de líquido anormal, ar no pulmão ou a excursão diafragmática.

Ausculta: o uso a ausculta capacita o enfermeiro a identificar os sons cardíacos e pulmonares normais e anormais. A ausculta do sistema cardiovascular inclui o exame dos sons normais S1 e S2, a presença de S3 e S4 e murmúrios e atritos. O examinador verifica a localização, a irradiação, a intensidade, a sonoridade e a qualidade do murmúrio. A ausculta é também utilizada para identificar ruídos sobre as artérias carótidas, aorta, abdominal e artérias femorais.

A ausculta dos sons pulmonares compreende a audição do movimento do ara por todos os campos pulmonares: anterior, posterior e lateral.

Os sons respiratórios adventícios acontecem com o colapso de uma região pulmonar, com liquido em um campo pulmonar com a obstrução de uma via aérea. A ausculta também avalia a resposta do cliente as prescrições relacionadas com o melhoramento do estado respiratório.


11 EXEMPLOS DE DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM DE NANDA PARA DISFUNÇÃO CARDIOPULMONAR

11.1 Eliminação traqueobrônquica ineficaz relacionada com:

  • Comprometimento da tosse
  • Dor incisional
  • Diminuição do nível de consciência

11.2 Troca gasosa prejudicada relacionada com:

  • Expansão pulmonar diminuída
  • Presença de secreções pulmonares
  • Ingestão de oxigênio

11.3 Padrão respiratório ineficaz relacionado com:

  • Imobilidade
  • Depressão da ventilação devido ao uso de narcóticos
  • Lesão neuromuscular
  • Obstrução da via aérea

11.4 Debito cardíaco diminuído relacionado com:

  • Ritmo cardíaco irregular
  • Freqüência cardíaca rápida

11.5 Risco de infecção relacionado com:

  • Estase das secreções pulmonares

11.6 Intolerância à atividade relacionada com:

  • Fraqueza
  • Ingestão nutricional inadequada
  • Fadiga


12 Promoção da Saúde Cardiopulmonar

Tem como objetivo ensinar o cliente a verbalizar e demonstrar os problemas relacionados à saúde cardiopulmonar.

E importante educar o paciente, quanto à importância da verificação da pressão arterial e dos medicamentos necessários para controlar a PA, assim como fazer um controle também dos níveis de colesterol e triglicerideos.

Informar sobre as dietas que devem ser seguidas, os alimentos adequados (pobres em gordura e sal). Ressaltar o quanto e importante praticar exercícios aeróbicos regularmente, tentar minimizar o estresse no cotidiano destes pacientes (meditação, relaxamento, repouso, sono). A vacina contra a gripe e pneumocócica são uma boa opção para evitar doenças oportunistas, explicar os malefícios do tabagismo e caso o paciente seja um tabagista, falar o quanto e importante tentar parar de fumar.

Faz parte da evolução de enfermagem manter o controle do peso, pressão arterial, se o paciente continua fumando.Sempre conversar para saber as atividades que este paciente vem desenvolvendo durante o tratamento, levando sempre em consideração os relatos feitos.


13 Manutenção da Permeabilidade da Via Aérea

As vias aéreas estão permeáveis quando estão livres de obstrução(traquéia, brônquios) e três tipos de prescrição são utilizadas para manter a permeabilidade das vias aéreas: técnicas da tosse, aspiração e inserção de uma via aérea artificial.

13.1 Técnicas da Tosse

A tosse permite ao paciente remover as secreções das vias aéreas. As series de eventos normais no mecanismo da tosse soa a inalação profunda, o fechamento da glote, a ativa contração dos músculos expiratórios e a abertura da glote. A inalação profunda aumenta o volume pulmonar e o diâmetro da via aérea permitindo que o ar passe rompendo os tampões existentes na via. A contração dos músculos expiratórios contra a glote fechada causa uma elevação na pressão intratoracica. Quando a glote se abre, um grande fluxo de ar e expelido em grande velocidade, proporcionando um impulso para o muco ser expectorado ou deglutido. A eficácia da tose e avaliada pela expectoração do escarro, pelo relato do cliente quanto à deglutição ou pela limpidez dos sons adventícios a ausculta. Os paciente com doenças pulmonares crônicas ou que tenham grandes quantidades de muco devem ser encorajados a tossir para poder expectorar.

13.2 Tosse em Cascata

Esta técnica promove a limpeza da via aérea e a permeabilidade em clientes com grandes volumes de escarro. O cliente deve fazer uma respiração profunda e lenta, e prender por 2 segundos, enquanto contrai os músculos expiratórios. Então o cliente abre a boca e realiza uma serie de tosses, exalando assim volumes pulmonares progressivamente menores.

13.3 Acesso de Tosse

Estimula o reflexo da tosse natural e e geralmente eficaz apenas para limpeza das vias aéreas centrais. Enquanto exala o paciente abre a glote emitindo um som característico, com mais pratica o paciente consegue inalar mais ar e progredir para tosse em cascata.

13.4 Tosse Abdominal

Essa técnica e utilizada para pacientes que não tem o controle dos músculos abdominais, um exemplo são pacientes com lesão medular. Ele deve expirar o mais que puder, enquanto isso o enfermeiro empurra para dentro e para cima os músculos abdominais na direção do diafragma, ocasionando a tosse.

13.5 Técnicas de Aspiração

Quando o paciente e incapaz de eliminar as secreções, e necessário que uma pessoa capacitada proceda a aspiração, técnica essa considerada estéril, em razão de a orofaringe e traquéia serem estéreis. Se as secreções são identificadas pelas técnicas de inspeção ou ausculta, a aspiração e necessária, sendo que não há necessidade de aspirar o paciente dentro de intervalos pequenos, pois o escarro leva cerca de 2 horas pra ser produzido.

13.6 Aspiração Orofaríngea e Nasofaringea

A aspiração orofaríngea ou nasofaringea e utilizada quando o paciente consegue tossir efetivamente, porem não e capaz de eliminar as secreções pela expectoração ou deglutição. À medida que a quantidade dessas secreções pulmonares fica reduzida e o cliente este menos fatigado, ele pode se tornar capaz de eliminar o muco, assim a aspiração não se faz mais necessária.

A orofaringe localiza-se atrás da boca desde o palato mole ate acima do nível do osso hióide e contem as tonsilas. A nasofaringe esta localizada atrás do nariz e estende-se ate o nível do palato mole.

13.7 Aspiração Orotraqueal e Nasotraqueal

A aspiração orotraqueal e nasotraqueal e necessária quando o paciente e incapaz de tossir e não tem uma via aérea artificial. O cateter e passado através da boca ou nariz, sendo que o nariz e preferido, pois causa menos reflexo do vomito. O procedimento não deve ultrapassar 15 minutos, porque o oxigênio não alcança os pulmões causando instauração e hipoxia, pode apresentar também disritmias e hipotensão secundarias ao procedimento realizado.

13.8 Vias Aéreas Artificiais

Uma via aérea artificial e indicada para os pacientes com diminuição no nível de consciência e obstrução da via aérea, com necessidade de ventilação mecânica e remoção das secreções traqueobrônquicas.

13.9 Aspiração Traqueal

E obtida por meio de uma via aérea artificial, tal como tubo endotraqueal ou sonda de traqueostomia. A remoção da secreção deve ser, o Maximo possível, sem trauma que compreende a utilização de um cateter de aspiração estéril e manuseada com luvas estéreis também. O cateter e rotacionado e a aspiração e realizada intermitentemente durante a retirada. Recomenda-se que o enfermeiro utilize mascara, luvas, avental e óculos durante a aspiração para evitar contato com a secreção.

13.10 Via Aérea Oral

E o tipo de via aérea artificial mais simples, evita a obstrução da traquéia pelo deslocamento da língua dentro da orofaringe. A via aérea estende-se desde os dentes ate a orofaringe, mantendo a língua em sua posição normal. Se a via aérea e muito pequena, a língua não e mantida na porção anterior da boca; se e muito grande, ela pode forçar a língua na direção da epiglote e obstruir a via aérea.

A via aérea e inserida virando a sua curvatura na direção do queixo e colocando-a sobre a língua. Quando a via aérea esta na orofaringe, o enfermeiro deve vira-la de modo que a abertura aponte pra baixo. Corretamente colocada, a via aérea movimenta a língua para fora e distante da orofaringe, e a abertura, a porção achatada da via aérea, repousa contra dos dentes. A inserção incorreta geralmente forca a língua de volta para trás e para dentro da orofaringe.

13.11 Via Aérea Traqueal

As vias aéreas traqueais incluem os tubos endotraqueais, nasotraqueal e a sonda de traqueostomia. Eles permitem um fácil acesso à traquéia do cliente para uma aspiração traqueal profunda. Em razão da presença desta via, o paciente não possui mais a umidificacao natural, sendo necessário que o enfermeiro mantenha a permeabilidade da via (nebulizacao, oxigênio), reduzindo assim o risco de tamponamento.


14 MANUTENÇÃO E PROMOÇÃO DA OXIGENAÇÃO

A promoção da expansão pulmonar, a mobilização de secreções e a manutenção de via aérea permeável ajudam o cliente no entendimento das necessidades de oxigenação. Alguns clientes, todavia, também precisam de oxigenoterapia para manter um nível sadio de oxigenação tissular.

14.1.1 Metas da Oxigenoterapia.

A meta da oxigenoterapia é prevenir ou avaliar a hipóxia. Qualquer cliente com comprometimento da oxigenação tissular pode se beneficiar da administração controlada de oxigênio. O oxigênio não é um substituto de outro tratamento, todavia, e deve ser utilizado apenas quando indicado. O oxigênio deve ser considerado como um medicamento. É caro e possui perigosos efeitos colaterais. Como qualquer medicamento , a dosagem ou concentra;cão de oxigênio deve ser continuamente monitorada. O enfermeiro deve rotineiramente verificar a prescrição do medico para observar se oi cliente esta recebendo a concentração prescrita de oxigênio. As cincos certezas da administração de medicamentos também são considerados para o oxigênio.

14.1.2 Precauções de Segurança com a oxigenoterapia.

O oxigênio é um gás altamente combustível. Embora não queime espontaneamente nem cause explosão, ele pode facilmente fazer fogo iniciar no quarto do cliente se entrar em contato com uma brasa de cigarro ou de equipamento elétrico. O oxigênio em altas concentrações possui um grande potencial de combustão e alimenta o fogo prontamente.

Com o crescente uso da oxigenoterapia domiciliar, os clientes e os profissionais de cuidado de saúde devem estar atentos quanto aos perigos de combustão. O enfermeiro deve manter a segurança observando as seguintes medidas:

  • Não fumar – essas placas devem ser colocadas sobre a porta do quarto do cliente e sobre o leito. O cliente, os visitantes e as pessoas da limpeza e toda a equipe devem ser informados da proibição do fumo em áreas onde o oxigênio esta em uso.
  • O enfermeiro verifica se todo o equipamento elétrico no quarto esta funcionando corretamente e se esta adequadamente aterrado. Uma fagulha elétrica na presença dec oxigênio pode resultar em grave incêndio.
  • O enfermeiro deve conhecer os procedimentos contra incêndios e a localização dos extintores de incêndio mais próximos.
  • O enfermeiro deve sempre verificar o nível das balas portáteis de oxigênio antes do transporte, de modo a assegurar que existe oxigênio remanescente em quantidade suficiente em cada bala.

14.1.3 Suprimento de Oxigênio.

O oxigênio é suprido para cliente tanto por meio de balas de oxigênio como por meio de um sistema de bicos presos à parede. As balas de oxigênio são transportadas ou carregadas em um suporte próprio, permitindo que sejam colocadas na posição vertical ao lado do leito. Os reguladores são utilizados para controlar a quantidade de oxigênio liberado. Um tipo comum é o fluxômetro vertical com uma válvula de adaptação do fluxo na parte superior. Um segundo tipo é um indicador cilíndrico com uma válvula de adaptação de fluxo.

No hospital o no domicilio, as balas de oxigênio são entregues com o registro no local. No hospital, a conexão do registro é geralmente feita pelo departamento de cuidado respiratório. Os distribuidores domiciliares são geralmente responsáveis pela conexão de balas de oxigênio ao registro de uso domiciliar.

14.1.4 Métodos de Administração de oxigênio

O oxigênio pode ser administrado para o cliente por cânula nasal, cateter nasal, mascara facial ou ventilador mecânico.

14.2 Cânula nasal

A cânula nasal é um equipamento simples, confortável. As duas cânulas, com cerca de 1,5 cm de comprimento, protrusas a partir do centro de um tubo descartável, são inseridas dentro das narinas. O oxigênio é administrado por meio da cânula com uma velocidade de fluxo de ate 6 L/min. As freqüências de fluxos maiores de 4L/min não são utilizadas com freqüência devido ao efeito ressecante sobre a mucosa e ao pequeno aumento relativo na captação de oxigênio. O enfermeiro também deve estar alerta quanto a ruptura da pele sobre as orelhas e nas narinas devido uma fixação muito apertada da cânula nasal.

14.2.1Cateter nasal

Os cateteres nasais são utilizados menos freqüentemente do que as cânula nasal, mas eles não são obsoletos. O procedimento compreende a inserção de um cateter de oxigênio pelo nariz ate a nasofaringe. Como a fixação do cateter pode causar pressão sobre a narina, o cateter deve ser trocado, no mínimo, a cada 8 horas e inserido na outra narina. Por essa razão, o cateter nasal é geralmente o método menos desejável, pois o cliente pode sentir dor, quando o cateter é passado por dentro da nasofaringe, e haver trauma à mucosa nasal.

14.2.2 Oxigênio Transtraqueal

O oxigênio transtraqueal (OTT) é um método de administração de oxigênio, para clientes com doenças pulmonares crônicas, pelo qual um cateter pequeno, do mesmo tamanho de um endovenoso, é inserido diretamente dentro da traquéia, através de uma via cirúrgica na parte superior do pescoço, e, assim, o oxigênio é administrado diretamente dentro da traquéia.

As vantagens do OTT são:nenhum oxigênio é perdido para a atmosfera; os clientes obtêm uma adequada oxigenação a baixos fluxos; assim, a administração de oxigênio é mais eficiente, mais barata e produz menos efeitos colaterais; mos clientes são mais propensos a utilizar o oxigênio em razão da mobilidade, do conforto e da melhoria cosmética.

Uma vez que o estoma traqueal fica cicatrizado, o cliente é ensinado a remover e irrigar o cateter com soro fisiológico, no mínimo 3 vezes ao dia, para manter a permeabilidade do cateter. A velocidade final do fluxo de oxigênio geralmente é menor que 4L/min, administrado através de um cateter numero 8 Fr através do trato cicatrizado.

14.2.3 Máscara de oxigênio

Uma máscara de oxigênio é um equipamento utilizado para administrar oxigênio, umidade ou umidade aquecida. Ela é moldada para se adaptar confortavelmente sobre a boca e o nariz, e é fixada no local por meio de um elástico. Existem dois tipos básicos de máscara de oxigênio: as de baixa e as de alta concentração.

A máscara facial simples é utilizada para oxigenoterapia em curto prazo. Ela se adapta frouxamente e administra concentrações de oxigênio de 30% a 60%. A máscara esta contra-indicada para os clientes com retenção de dióxido de carbono porque a retenção pode ser agravada.

A máscara facial plástica com uma bolsa-reservatório e a máscara de Venturi, são capazes de administrar elevadas concentrações de oxigênio. Quando utilizadas sem a reinspiração, a máscara facial plástica com bolsa-reservatório pode administrar de 80 a 90% de oxigênio (70% quando utilizada como reinspiração) com uma velocidade de fluxo de 10L/min. Esta máscara de oxigênio mantém uma alta concentração de suprimento de oxigênio na bolsa-reservatório.

O enfermeiro deve inspecionar freqüentemente a bolsa para ter certeza de que ela está inflada. Se está desinflada, o cliente pode estar inspirando grandes quantidades do dióxido de carbono exalado.

A máscara de Venturi pode ser utilizada para administração de concentração de oxigênio de 24 a 28, 30, 35, 45, 55% com velocidade de fluxo de oxigênio de 2 a 3, 4, 8,14L/min, respectivamente, dependendo do fluxômetro de controle que é selecionado.

14.2.4 Oxigênio no domicílio

As indicações para oxigenoterapia domiciliar incluem a pressão parcial arterial(Pao2) de 55 mm Hg ou menos ou uma saturação de oxigênio arterial(Soa2) de 88% ou menos no ar ambiente em repouso, ao esforço ou com exercício. Os clientes com Pao2 de 56 a 59 mm Hg podem igualmente receber oxigênio se existe também evidencia de cor pulmonale,hipertensão pulmonar, eritrocitose, disfunção do sistema nervoso central, comprometimento do estado mental ou aumento da hipoxemia ao esforço.

Quando necessário o oxigênio no domicílio, ele geralmente é administrado por cânula nasal. Quando o cliente tem uma traqueostomia, todavia, um tubo em T ou um colar de traqueostomia é necessário. Três tipos de oxigênio são utilizados: oxigênio comprimido, oxigênio líquido e concentradores de oxigênio. As vantagens e as desvantagens de cada tipo são avaliadas, juntamente com as necessidades dos clientes e os recursos comunitários, antes da instalação de um determinado sistema de administração no domicilio. No domicílio, a principal consideração é a fonte de administração de oxigênio.

Os clientes que necesssitam de oxigênio no domicílio requerem também de ensino amplo para serem capazes de continuar a oxigenoterapia domiciliar de modo eficiente e seguro. Isto inclui segurança com o oxigênio, regulação da quantidade de oxigênio e como usar o sistema prescrito de administração do oxigênio no domicílio. O enfermeiro coordena os esforços do cliente e da sua família, do enfermeiro de cuidado domiciliar, do terapeuta respiratório domiciliar e do fornecedor do equipamento do oxigênio domiciliar. O assistente social geralmente ajuda com a negociação entre o enfermeiro de cuidado domiciliar e o vendedor de oxigênio. O enfermeiro deve ajudar o cliente e a família na aprendizagem sobre o oxigênio domiciliar e assegurar a sua habilidade para manter o sistema de administração de oxigênio.


15 RESTAURAÇÃO DO FUNCIONAMENTO CARDIOPULMONAR

Se a hipóxia do cliente é grave e prolongada, a parada cardíaca pode acontecer. A parada cardíaca é a cessação súbita do debito cardíaco e da circulação. Quando isso acontece, o oxigênio não é entregue aos tecidos, o dióxido de carbono não é transportado a partir dos tecidos, o metabolismo tissular torna-se anaeróbio e a acidose respiratória e metabólica acontece. A lesão tissular permanente ao coração, cérebro e outros tecidos ocorre dentro de 4 a 6 minutos.

15.1 Ressuscitação Cardiopulmonar

A parada cardíaca é caracterizada pela ausência de pulso e respiração. Se o enfermeiro verifica que o cliente tem uma parada cardíaca, a ressuscitação cardiopulmonar (RCP) deve ser iniciada. A RCP é um procedimento básico de emergência de respiração artificial e massagem manual cardíaca externa. Os "ABCs" da ressuscitação cardiopulmonar são: estabelecer uma via aérea, iniciar a respiração e manter a circulação. Quando uma via aérea não pode ser estabelecida, o enfermeiro deve reexaminar quanto ao posicionamento adequado da cabeça e examinar quanto à obstrução da via aérea. Não existe nenhum beneficio clinico com as compressões cardíacas se uma via aérea não puder ser estabelecida. O propósito da RCP é circular o sangue oxigenado para o cérebro para prevenir uma lesão tissular permanente.


16 CUIDADO DE RECUPERAÇÃO

O cuidado de recuperação deve enfatizar o recondicionamento cardiopulmonar enquanto um programa estruturado de reabilitação. A reabilitação cardiopulmonar esta ajudando ativamente o cliente a obter e a manter um ótimo nível de saúde por meio do exercício físico controlado, do aconselhamento nutricional e das técnicas de relaxamento e gerenciamento do estresse, das medicações e do oxigênio prescrito e da colaboração do cliente com o tratamento. À medida que o recondicionamento físico acontece, as queixas de dispnéia, dor torácica, fadiga e intolerância à atividade pelo cliente devem diminuir. A ansiedade do cliente, a depressão ou as preocupações somáticas costumam também diminuir. As metas da reabilitação são definidas pelo cliente e pela equipe de reabilitação.

16.1 Evolução

As prescrições e terapias de enfermagem são avaliadas pela comparação do progresso do cliente quanto às metas e resultados desejados no que se refere ao plano de cuidado de enfermagem. Cada meta e categoria das prescrições tem critérios objetivos de evolução.

Quando as medidas de enfermagem direcionadas para melhorar a oxigenação não são bem-sucedidas, o enfermeiro deve imediatamente modificar o plano de cuidado de enfermagem. As novas prescrições são então desenvolvidas. O enfermeiro não deve hesitar em notificar ao medico sobre deterioração do estado de oxigenação do cliente. A notificação imediata pode evitar uma situação de emergência ou mesmo a necessidade da ressuscitação cardiopulmonar.


17 OXIGENIOTERAPIA

Consiste na administração de oxigênio numa concentração superior á encontrada na atmosfera. A meta da oxigenoterapia é proporcionar um transporte de oxigênio adequado no sangue enquanto diminuí o trabalho da respiração e reduz o estresse sobre o miocárdio. O transporte de oxigênio para os tecidos depende de fatores tais como débito cardiaco, conteúdo de oxigênio arterial, concentração de hemoglobina e demandas metabolicas.O oxigênio é um medicamento e, excetuando-se as situações de emergência só pode ser utilizado sob prescrição medica. O oxigênio pode produzir efeito tóxicos sobre os pulmões e SNC. A fisiopatologia da intoxicação pelo oxigênio não é completamente compreendida, porém, acredita-se estar relacionada a uma destruição do tecido pulmonar e a diminuição do surfactante. É potencialmente inflamável.

17.1 Administrando Oxigenoterapia

O oxigênio é um gás inodoro, sem sabor e transparente, ligeiramente mais pesado que o ar. É utilizado para tratar ou evitar os sintomas e manifestações da hipoxia. Pode ser fornecido a partir de um cilindro, sistema de tubulação, reservatório de oxigênio liquido ou concentrador de oxigênio, podendo ser administrado por cateter nasal, cateter transtraqueal, cânula nasal com aparelhos de reservatório ou vários tipos de mascara facial. Também pode ser aplicado diretamente ao tubo endotraqueal ou traqueal por meio de um respirador mecânico, peça em T ou ambu de ressuscitação manual. O método escolhido depende da concentração necessária de oxigênio.

17.1.1 INDICAÇÕES

Uma alteração na freqüência ou padrão respiratório do paciente pode ser um dos primeiros indicadores da necessidade de oxigenoterapia. A alteração na freqüência ou padrão respiratório pode resultar de uma hipoxemia ou hipóxia. A hipoxemia (uma diminuição na tensão do oxigênio no sangue arterial) é manifestada por alterações no estado mental (progredindo no sentido do comprometimento do julgamento, agitação, desorientação, confusão, letargia e coma), dispnéia, aumento na pressão arterial, alterações na freqüência cardíaca, arritmias, cianose central (sinal tardio), diaforese e extremidades frias. A hipoxemia geralmente leva a hipóxia, que é uma diminuição do suprimento de oxigênio para os tecidos. A hipóxia se grave o bastante, pode ser fatal.

Intervenção Assistencial aos Pacientes com Dificuldades Respiratórias


18 FATORES QUE INTERFEREM NA SATISFAÇÃO DAS NECESSIDADES DE OXIGÊNIO:

18.1 Problemas relacionados com a ventilação:

18.1.1 Obstruções por: alimento, tumores, secreções....

18.2 Problemas de difusão de gases entre alvéolos e sangue:

18.2.1 Hipoxemia

18.3 Consolidação pulmonar ( pneumonia, tumoração, edema pulmonar...)

18.4 Excesso de oxigênio no ar inspirado

O excesso de 02 prejudica reações químicas normais que ocorrem dentro das células; favorece a vasoconstrição, diminuindo o fluxo sanguíneo destinado as células; seu uso crônico causa lesão no interior do tecido pulmonar, distúrbios visuais e lesão ocular no RN prematuro, por lesão do nervo óptico.

Excesso de CO2: a hemoglobina tem afinidade pelo CO2 e quando une-se a ele forma uma ligação estavel, o que diminui a quantidade de O2 circulante.


19 Problemas relacionados com o transporte de O2

  • 19.1 Hipoxemia anêmica: Anemia por dieta inadequada, problemas gastrointestinais, hereditariedade, uso de drogas (quimioterapicos), hemorragias...
  • 19.2 Problemas vasculares: isquemias, AVE, AVC...
  • 19.3 Problemas cardíacos: bombeamento insuficiente, IAM...


20
PROBLEMAS RELACIONADOS COM A REGULAÇÃO DO SUPRIMENTO DE O2

  • Problemas de condução nervosa do nódulo sinoatrial;
  • Traumatismo craniano;
  • Traumatismo ou doença medular;
  • Drogas: anestésicos, narcóticos...

A oxigenioterapia de longo prazo ultimamente melhora a qualidade de vida e a sobrevivência. A manutençao de uma saturação adequada e constante de oxigênio (mais de 90%) para aqueles com uma pressão arterial de 02 (PaO2) de 55mmHg, ou menus, no ar ambiente está associada com uma significativa redução da taxa de mortalidade. A oxigenoterapia intermitente é indicada para aqueles que desaturam apenas durante o exercício ou o sono.


21 MELHORANDO A TROCA GASOSA

O broncoespasmo, que acontece em muitas doenças pulmonares, reduz os calibres dos bronquíolos e podem causar dispnéia, estase das secreções e infecção. Os broncoespasmos podem, por vezes, ser detectado quando se auscultam sibilos ou sons respiratórios diminuídos com o estetoscópio. O aumento da produção do muco juntamente com a diminuição da ação mucociliar, contribui para uma posterior redução no calibre dos brônquios, resultando na diminuição do fluxo aéreo e da troca gasosa. Isso é posteriormente agravado pela perda da elasticidade pulmonar observada com a DPOC. Essas alterações nas vias aéreas exigem que a enfermeira monitorize o paciente quanto à presença de dispnéia e hipoxemia. Se os brocodilatadores ou corticosteróides estão prescritos, a enfermeira deve administrar os medicamentos adequadamente e estar alerta para os potenciais efeitos colaterais. O alivio do broncoespasmo é confirmado pela verificação da melhora nas freqüências do fluxo expiratório (quanto tempo leva para exalar e a quantidade de área exalada) e pela avaliação se o paciente tem menos dispnéia.

21.1 Supressão da Ventilação

Nos pacientes com DPOC, o estímulo para a respiração é a diminuição do oxigênio no sangue em vez de uma elevação nos níveis de dióxido de carbono. Assim, a administração de alta concentração de oxigênio suprime o reflexo respiratório que tem sido mantido há muito pela baixa tensão crônica de oxigênio. A diminuição resultante na ventilação pulmonar pode causar um aumento progressivo na pressão arterial de dióxido de carbono PaCO2, por fim levando a morte do paciente devido à narcose por dióxido de carbono e acidose. A hipoventilação induzida pelo oxigênio é prevenida, administrando-se oxigênio em taxas de baixo fluxo (1 a 2L/min).

22 MÉTODO DE ADMINISTRAÇÃO DE OXIGÊNIO POR CATETER NASAL TIPO ÓCULOS

É uma tubulação de oxigênio afixada em torno da cabeça/queixo com duas pontas que se abrem no interior das narinas. Exige respiração nasal. Como a cânula nasal é um sistema de baixo fluxo (o volume corrente do paciente supre parte do gás inspirado), a concentração de 02 varia conforme a freqüência respiratória do paciente e o volume corrente. As concentrações aproximadas de oxigênio fornecidas são:

  • 1 litro= 24 a 25%
  • 2 litros=27 a 29%
  • 3 litros= 30 a 33%
  • 4 litros= 33 a 37%
  • 5 litros= 36 a 41%
  • 6 litros= 39 a 45%

22.1 Vantagens: seguro, simples,confortável e facilmente tolerado eficiente para baixas concentrações de oxigênio; permite movimentos, alimentação e fala; barato e descartável.

22.1.1 Desvantagens: não pode fornecer concentrações de oxigênio superior a 40% (6L/min); não pode ser administrado se tiver obstrução nasal completa; se ultrapassar 6L/min pode provocar efeitos indesejáveis como: cefaléia, ressecamento da mucosa e pode ser facilmente deslocado.

22.1.2 Material :

  • cânula nasal tipo óculos
  • Intermediário
  • Umidificador com água destilada ou SF09% na quantidade adequada
  • Fluxômetro de O2
  • Rede de 02 (torpedo ou rede canalizada)

22.1.3 Procedimento:

1- lavar as mãos;

2- reunir material e levar próximo ao paciente;

3- explicar o procedimento e a sua finalidade;

4- verificar se as narinas estão desobstruídas;

5- verificar se há secreção e s/n aspirar;

6- montar: fluxômetro-umidificador-intermediario;

7- colocar o cateter: encaixe-o nas narinas, passe-o por cima das orelhas e fixe-o abaixo do queixo ou atrás da cabeça do paciente. Conectar intermediário ao cateter;

8- instalar oxigênio prescrito;

9- reunir material;

10- lavar as mãos e

11- anotar no prontuário.

Observação: orientar ao paciente que respire pelo nariz. Quando o nível da água no umidificador estiver baixo, despreza-lo e colocar nova quantidade de água destilada (evita a proliferação de microorganismo).


23 MÉTODO DE ADMINISTRAÇÃO DE OXIGÊNIO POR CATETER NASAL TIPO SONDA

O catéter nasal de O2 é um tubo de plástico flexível com orifícios na extremidade através do qual o oxigênio flui para dentro da orofaringe. Tem vários calibres, mas os números mais usados em adulto são 8 e 10. fornece uma quantidade moderada de oxigênio, é freqüentemente usado, sendo possível uma concentração de O2 entre 25 a 40% a uma velocidade de fluxo de 6L/min.

23.1Vantagens: seguro, simples, confortável; facilmente tolerado. O O2 fornecido é adequado para a maioria das necessidades dos pacientes, tendo um melhor aproveitamento do oxigênio já que sua extremidade fica na orofaringe. O fato do paciente respirar pelo nariz ou pela boca não interfere no seu recebimento de O2, porque o ar atmosférico e o oxigênio são misturados antes da sua penetração na traquéia e pulmões. Permite o movimento; fala; alimentação; é barato e descartável.

23.1.1 Desvantagens: pode causar distensão gástrica, irritação das narinas; cefaléia e ressecamento da mucosa se o fluxo exceder os 6L/min.

23.1.2 Material:

  • Cateter nasal
  • Intermediário
  • Umidificador com água destilada ou SF09%, na quantidade adequada
  • Fluxômentro de oxigênio
  • Esparadrapo para fixar
  • Gaze
  • Lubrificante
  • Luvas de procedimento s/n
  • Sonda de aspiração s/n
  • Fonte de 02 ( torpedo ou rede canalizada).

23.1.3 Procedimento:

  • lavar as mãos;
  • reunir material e levá-lo ao leito do paciente;
  • explicar o procedimento ao paciente;
  • verificar se as narinas estão desobstruídas;
  • conectar fluxômetro –umidificador-intermediario;
  • coloque o paciente em posiçao fowler ou semi-fowler, permite a melhor realização da técnica;
  • medir o cateter: da ponta do nariz até a ponta do sigomático. Marcar com esparadrapo. Esta medida indica quanto à sonda deve ser introduzida, pois a sua introdução em demasia poderá ser conduzido ao estomago;
  • abrir o pacote de gaze e colocar lubrificante;
  • lubrificar o cateter;
  • antes da introdução do cateter, ligar o oxigênio e verificar se os orifícios estão permeáveis e para evitar acidentes por saída intempestiva de 02;
  • umedeça o cateter com o lubrificante, segura-lo com uma gaze, evitando atrito do cateter na mucosa nasal;
  • introduzi-lo por uma das narinas vagarosamente, até o ponto marcado;
  • secar a pele com gaze se paciente com sudorese;
  • fixar o cateter com esparadrapo sobre a face, nariz ou na testa do paciente;
  • conectar o intermediário ao cateter;
  • instalar oxigênio prescrito
  • reunir material;
  • lavar as mãos;
  • fazer anotações no prontuário;

23.1.4Como retirar o cateter nasal

  • lavar as mãos
  • calçar luvas
  • explicar ao paciente
  • desliga fonte de 02
  • retirar o esparadrapo e s/n utilizar benzina para retirada o excesso
  • com uma gaze na mão, pede para o paciente respirar fundo e puxe o cateter
  • limpe com a gaze a narina se tiver secreção
  • recolher material
  • desprezar o material contaminado em local apropriado
  • colocar umidificador de molho para desinfecção e extensão segue para esterelização


24 CUIDADOS DE ENFERMAGEM:

  • Verificar os sinais vitais e nível de consciência atuais bem como a GA mais recente, proporciona uma linha de base para a futura avaliação. A administração por cateter nasal é freqüentemente utilizada para os pacientes propensos a retenção de C02 . O oxigênio pode deprimir o estimulo hipóxico destes pacientes (evidenciado por uma freqüência respiratória diminuída, estado mental alterado e elevação adicional da Pco2).
  • Verificar se o paciente em uso de oxigênio está confortável
  • Registrar a velocidade do fluxo usada e a resposta imediata do paciente, relatando qualquer intolerância percebida.
  • Avaliar a condição do paciente. GA ou Sao2 e o funcionamento do equipamento em intervalos regulares, pois a depressão do estimulo hipóxico é mais provável de ocorrer dentro das primeiras horas de uso de oxigênio. A monitorização da Sao2 com a oximetria pode substituir a GA, caso o paciente não esteja retendo CO2.
  • Inspecionar a pele atrás das orelhas periodicamente para averiguar irritação ou ruptura.
  • Manter o reservatório com o nível necessário de água para evitar que o paciente receba 02 seco o que pode ressecar as mucosas;
  • Trocar o cateter de narina a cada 8 ou 12 horas no mínimo , se o oxigênio for continuo, a fim de evitar ferimento na mucosa nasal, asa do nariz e obstrução do cateter por secreção.
  • Afixar avisos de não fumar na porta e no campo visual do paciente e das visitas.
  • Evitar o uso de vaselina para lubrificar as narinas, porque pode obstruir as aberturas do cateter.
  • Proteger a ponta do intermediário quando o paciente retirar o 02 para satisfazer necessidades básicas com gases estéreis e esparadrapo.


25 MEDIDAS DE ENFRENTAMENTO DO ESTRESSE

Qualquer fator que interfere com a respiração normal quase que naturalmente induz à ansiedade, depressão e alterações no comportamento. Muitos pacientes consideram exaustivo o menor esforço. As dispnéias constantes e a fadiga podem tornar o paciente irritável e apreensível a ponto de entrar em pânico. A restrição das atividades, a frustração de esforçar-se para respirar e a compreensão de que a doença é prolongada e dolorosa podem provocar, no paciente, uma reação manifestada pela raiva, depressão ou um comportamento exigente. O funcionamento sexual pode estar comprometido o que também, diminui a auto-estima.

É importante a enfermeira e outros profissionais de saúde encorajar o paciente a permanecer ativo, tanto quanto possível, sem tornar-se extremamente fatigado.


26 ENSINANDO O AUTOCUIDADO AOS PACIENTES

A enfermeira instrui o paciente a respirar pela boca, fazendo respirações profundas e lentas, e, então, a segurar a respiração por alguns segundos, ao final da inspiração, para aumentar a pressão intrapleural e reabrir os alvéolos colapsados, aumentando assim a capacidade funcional residual. A enfermeira encoraja o paciente a tossir e a monitorizar a eficácia da terapia. Instrui o paciente e a família sobre o propósito do tratamento, equipamento, aditivo medicamentoso e sobre a limpeza e armazenamento adequado do medicamento.

26.1 Exercícios Respiratórios

A respiração da maioria das pessoas com DPOC são superficiais, rápidas e ineficazes. Esse tipo de respiração que utiliza o tórax superior pode ser alterado, com a pratica, para a respiração diafragmatica. O treinamento para a respiração diafragmática reduz a freqüência respiratória, aumenta a ventilação alveolar e, por vezes, ajuda expelir tanto o ar quanto possível durante a expiração. O treinamento quanto à respiração com lábios semi-serrados ajuda a tornar a expiração lenta, previne o colapso das pequenas vias aéreas e ajuda o paciente a controlar a freqüência e a profundidade da respiração. Além disso promove o relaxamento, o que capacita o paciente na obtenção do controle da dispnéia e dos sentimentos de pânico.


27 Instruções gerais

  • respire lenta e ritmicamente para exalar por completo e esvaziar os pulmões totalmente.
  • Inale através do nariz para filtrar, umidificar e aquecer o ar antes que ele entre nos pulmões.
  • Se você se sente sem ar, respire mais lentamente prolongando o tempo de exalação.
  • Mantenha o ar úmido com um vaporizador.

27.1Respiração Diafragmática

Meta: utilizar e fortalecer o diafragma durante a respiração.

  • coloque uma das mãos sobre o abdomem (logo abaixo das custelas) e a outra mão no meio do tórax para aumentar a atenção quanto à posição do diafragma en sua função na respiração.
  • Respire lenta e profundamente pelo nariz, deixando o abdomem protruso tanto quanto possível.
  • Expire através dos labios semi-serrados enquanto enrijece (contração) os músculos abdominais.
  • Pressione firmemente para dentro e para cima sobre o abdomem enquanto expira.
  • Respita por um minuto; em seguida, faça um período de repouso de 2 minutos.
  • Gradualmente aumente a duração para mais de 5 minutos, varias vezes ao dia (antes das refeições e antes de dormir).

27.1.1 Respiração com os lábios Semicerrados

Meta: prolongar a exalação e aumentar a pressão nas vias aéreas durante a expiração, reduzindo assim a quantidade de ar aprisionado e a quantidade da resistência nas vias aéreas.

  • inale através do nariz enquanto conta até três
  • exale lenta e continuamente contra os lábios semicerrados enquanto enrijece os músculos abdominais. (franzir os lábios aumenta a pressão intratraqueal; a exalação através da boca oferece menor resistência ao ar expirado).
  • Conta até 7 enquanto prolonga a expiração através dos lábios semicerrados.

Enquanto estiver sentado em uma cadeira:

  • Dobre os braços sobre o abdômem.
  • Inale através do nariz enquanto conta até três.
  • Incline-se para à frente e exale lentamente, através dos lábios semicerrados, enquanto conta ate 7.

Enquanto caminha:

  • Inale enquanto dá dois passos.
  • Exale através dos lábios semicerrados enquanto dá 4 ou 5 passos.

27.1.2 Treinamento dos Músculos Inspiratórios.

Esse programa exige que o paciente respire contra uma resistência por 10 a 15 minutos todos os dias. A resistência é gradualmente aumentada e os músculos tornam-se mais bem condicionados. O condicionamento dos músculos respiratórios levam um longo tempo, e o paciente é instruído a continuar a pratica-lo no domicilio.


28 TOXIDADE PELO OXIGÊNIO

A toxidade pode acontecer quando uma concentração muito elevada de oxigênio (maior que 50%) é administrada por um período prolongado (mais de 48horas).

Os sinais e sintomas de toxidade incluem angustia substernal, parestesia, dispnéia inquietação, fadiga, mal estar, dificuldade respiratória progressiva e infiltrados alveolares evidentes aos raios X de tórax.

28.1 Precauções Quanto a Oxigenoterapia

Os sistemas portáteis de oxigênio domiciliar permitem que o paciente se exercite, trabalhe e viaje. Para ajudar o paciente na adesão ao tratamento com oxigênio, a enfermeira explica sobre a freqüência de fluxo adequada e o numero necessário de hora de uso do oxigênio, assim como dos perigos de alterações arbitrarias nas freqüências de fluxo ou na duração da terapia. A enfermeira alerta o paciente para o fato de que o tabagismo com o oxigênio ou próximo ao oxigênio é extremamente perigoso. A educação do paciente também inclui a tranquiliazação para ele de que o oxigênio não é "aditivo", assim como a necessidade de avaliações regulares da oxigenação sanguínea pela oximetria de pulso ou analise da gasometria arterial.


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