O Que é Diferente no Administrador de Hoje
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O QUE É DIFERENTE NO ADMINISTRADOR DE HOJE


INTRODUÇÃO

O mundo atual pode ser definido como uma sociedade institucionalizada e composta por diversos de organizações, as quais desenvolvem atividades voltadas para produção de bens (produtos) ou para prestação de serviços (atividades especializadas), atividades essas que são planejadas, coordenadas, dirigidas e controladas.

As organizações são constituídas de pessoas e de recursos não-humanos (como recursos físicos e materiais, recursos financeiros, recursos tecnológicos, recursos mercadológicos, etc). De acordo com Chiavenato (2000), existem organizações lucrativas (chamadas empresas) e organizações não lucrativas (como o Exército, Igreja, serviços públicos, entidades filantrópicas, organizações não-governamentais, etc). Tais organizações precisam ser administradas, o que é imprescindível para a existência, sobrevivência e sucesso das mesmas. E, assim, em cada organização, o administrador profissional tem o desafio de solucionar problemas, dimensionar recursos, planejar sua aplicação, desenvolver estratégias, efetuar diagnósticos de situações, etc.

A forma de administrar, o conteúdo e o significado da Administração sofreram uma expressiva ampliação e aprofundamento através das diferentes teorias desenvolvidas a partir do início do século passado. Conforme Chavenato (2000), a Teoria Geral da Administração começou com a "ênfase nas tarefas" ( atividades executadas pelos operários em uma fábrica), através da Administração Científica de Taylor, a seguir, a preocupação básica passou para a "ênfase na estrutura" com a Teoria Clássica de Fayol e com a Teoria da Burocracia de Weber, seguindo-se mais tarde da Teoria Estruturalista. A reação humanística surgiu com "ênfase nas pessoas", por meio da Teoria das Relações Humanas, mais tarde desenvolvida pela Teoria Comportamental e pela Teoria do Desenvolvimento Organizacional. A "ênfase no ambiente" surgiu com a Teoria dos Sistemas, sendo completada pela Teoria da Contingência, que , posteriormente, desenvolveu a "ênfase na tecnologia".

Cada teoria uma das teorias administrativas supracitadas abordou, privilegiando ou enfatizando uma ou mais das seguintes variáveis: tarefas, estrutura, pessoas, ambiente e tecnologia.

Ao longo do século passado, até o presente, as teorias e novos modelos administrativos, prepuseram e exigiram mudanças no comportamento do administrador.

É através dessa abordagem, que o presente trabalho procurou identificar o que mudou na forma de administrar e qual o perfil do Administrador nos dias atuais.


O QUE É DIFERENTE NO ADMINISTRADOR DE HOJE

Em uma época de complexidades, mudanças e incertezas como a que atravessamos hoje, a Administração tornou-se uma das mais importantes áreas da atividade humana, ou seja, um fenômeno universl no mundo moderno. Cada organização e cada empresa requer a tomada de decisões, a coordenação de múltiplas atividades, a condução de pessoas, a avaliação do desempenho dirigido a objetivos previamente determinados, a obtenção e a locação de recursos etc(Chiavenato,2000, p.8).

Nos dias atuais, a Globalização é um fator condicionante de toda ação administrativa. De acordo com Lima (2002), a evolução tecnológica acelerada é outro fator fundamental para a compreensão das mudanças que estão ocorrendo; além disso, a descentralização dos processos de decisão e ação é uma reação das organizações, em busca de agilidade, que está se consolidando cada vez mais. Neste contexto, porém, o deslocamento do poder e a inversão da pirâmide organizacional, caminhando para uma horizontalização das empresas é uma tendência destacada. O uso cada vez mais generalizado da informatização, onde as novas Tecnologias de Informação, cruzada com a tendência globalizante, tem produzido efeitos curiosos no ambiente de negócios.

O novo ambiente empresarial provoca a necessidade das empresas se tornarem organizações de aprendizagem. Para isso, uma série de mudanças devem acontecer, sobretudo no perfil do administrador que atua nessas organizações.

Ao se comparar o administrador do passado com o administrador do terceiro milênio, verifica-se que houve é há necessidade de profundas mudanças no comportamento desse profissional da Administração. O quadro a seguir, detalha a mudança de perfil.

OS ADMINISTRADORES DO PASSADO   OS ADMINISTRADORES DO TERCEIRO MILÊNIO  
Aprendiam quando alguém lhes ensinava   Procuram deliberadamente aprender  
Achavam que o aprendizado ocorria principalmente na sala de aula   Reconhecem o poder do aprendizado decorrente da experiência de trabalho  
Responsabilizavam o chefe pela carreira Sentem-se responsáveis pela sua própria carreira  
Não eram considerados responsáveis pelo próprio desenvolvimento   Assumem a responsabilidade pelo seu próprio desenvolvimento  
Acreditavam que sua educação estava completa ou só precisava de pequenas reciclagens   Encaram a educação como uma atividade permanente para a vida toda  
Não percebiam a ligação entre o que aprendiam e os resultados profissionais   Percebem como o aprendizado afeta os negócios  
Deixavam o aprendizado a cargo da instituição   Decidem intencionalmente o que aprender  

Quadro 01 - Análise comparativa entre os Administradores do passado e os Administradores do terceiro milênio. Fonte: Wick & León (1997), apud Lima (2002).

O quadro 01 demonstra que os administradores do passado eram profissionais acomodados, com uma visão apenas acadêmica, até porque o contexto da época não exigia muito desses profissionais. Enquanto que os atuais administradores devem se responsabilizar pelo próprio aprendizado e estar conscientes que o seu desenvolvimento pessoal e profissional dependem muito mais das suas ações pessoais na busca de novos conhecimentos.

O administrador atual deve ser um profissional com formação ampla e variada; precisa conhecer disciplinas heterogêneas (como Matemática, Direito, Psicologia, Sociologia, Estatística etc); precisa lidar lidar com pessoas (que executam tarefas ou que planejam, organizam, controlam, assessoram, pesquisam, etc) que lhe estão subordinadas ou que estão no mesmo nível ou acima dele; precisa estar atento aos eventos passados e presentes, bem como às previsões futuras, pois o seu horizonte deve ser mais amplo, já que é o responsável pela direção de pessoas que seguem suas ordens e orientação; precisa lidar com eventos internos (localizados dentro da empresa) e externos (localizados no ambiente externo da empresa); precisa ver mais longe que os outros, pois deve estar ligado aos objetivos futuros que a empresa pretende alcançar por meio da atividade conjunta de todos (Chiavenato,2000,p.8).

Além das características abordadas anteriormente, envolvendo a postura do administrador, esse profissional também deverá exercer suas atividades profissionais em consonância com o Código de Ética Profissional do Administrador, objeto da Resolução Normativa CFA Nº 253, De 30 De Março De 2001. O referido código está expressamente citado na alínea "g", do artigo 7º da Lei nº 4.769, de 9 de setembro de 1965, e na alínea "g" do artigo 20 do Decreto nº 61.934, de 22 de dezembro de 1967.


Conclusão

As últimas décadas têm-se sido caracterizadas pela rapidez nas mudanças. A humanidade saiu da era da industrialização para a era da informação, significando que a organização burocrática está desaparecendo e dando lugar a novas arquiteturas organizacionais soltas e mais adequadas às novas demandas da era da pós-industrialização, com mudanças cada vez mais rápidas, crescimento em tamanho das organizações e atividades organizacionais cada vez mais complexas, o que exige mudanças no exercício da atividade dos administradores.

Nessas circunstâncias, a postura dos administradores do passado sofreu profundas mudanças, passando de um profissional com conhecimentos plenamente definidos e acabados, para o de eternos aprendizes, capazes de levar o seu aprendizado para o ambiente das organizações. Para acompanhar e se adequar às mudanças tão rápidas que vêm ocorrendo no ambiente empresarial o administrador de hoje, além de uma formação técnico-científica, deve ter uma formação humanística, interdisciplinar e sistêmica, levando a aprendizagem para todos os níveis organizacionais, através de novas tecnologias de informação, introduzindo, portanto uma nova concepção de administração nas organizações.


Referências Bibliográficas:   

LIMA, S. M. D. de. O Perfil do Administrador do presente, face as Novas Tecnologias da Informação (2002). [on line). Disponível em http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos – acessado em 05/03/05.

CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração – Edição Compacta - 2 ª ed. revisada e atualizada – Rio de Janeiro: Campus, 2000.

TARTUCE, T.J.A. Orientação para Elaboração de Monografia. Fortaleza: UNICE, 2003.

ADMINISTRAÇÃO. Conselho Federal de Administração [on line]. Disponível em

http://www.virtnet.com.br/administracao/simbolo.html - acessado em 05/03/05.