Monografia: Método de Custeio por Absorção: Um estudo de caso Aplicado numa Usina de Açúcar e Álcool
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Monografia: Método de Custeio por Absorção: Um estudo de caso Aplicado numa Usina de Açúcar e Álcool

FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANA – ESUDA
2008

 

 

 

Resumo

As exigências no ambiente dos negócios e o intento de tomar as melhores decisões induz os tomadores de decisão a revisar e aprimorar seus sistemas de custos, de forma que os novos sistemas forneçam mais dados que lhes permitam identificar melhores as competências e fraquezas, como também as oportunidades do negócio.

A globalização que norteia a vida de todos atualmente tem papel fundamental e importante na revolução que ocorreu na contabilidade e nos seus sistemas de custos.

Existem vários tipos de custeio no mundo atualmente, mas somente com a mudança de comportamento do indivíduo inserido na empresa fará com que estes métodos sejam eficazes e eficientes, alcançando seus objetivos. O simples fato de implantar um método de custeio não trará resultados se a mudança de comportamento individual não ocorrer em cada funcionário da empresa.

Neste trabalho, vamos apresentar uma pesquisa feita numa empresa que adota o custeio por absorção,

Embora o custeio por absorção tenha sofrido críticas ao longo do tempo, vale ressaltar que é o único aceito pelos órgãos competentes, contábeis, fiscais, societários e de auditoria, para a preparação das demonstrações contábeis destinadas aos usuários externos da informação contábil. Pois está de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade que objetivam, principalmente, avaliar os estoques; seus defensores argumentam que tanto os custos fixos como os variáveis são necessários à fabricação dos produtos e que, portanto, devem fazer parte do custo.

 

SUMÁRIO

CAPITULO 1
1.1 Introdução
1.2 Definição do problema
1.3 Objetivos
1.4 Justificativa e relevância
1.5 Referencial teórico
CAPITULO 2
2.1 Apresentação de termos utilizados na contabilidade de custos
2.2 Princípios Fundamentais de Contabilidade Aplicados à Contabilidade de Custos
CAPITULO 3
3.1 Custeio por Absorção
3.2 Definições
3.3 Limitações, vantagens e desvantagens da utilização do custeio por absorção
3.4 Um estudo de Caso (Custo Absorção aplicado numa Usina de Açúcar e Álcool)
CAPITULO 4
4 1 Metodologia
CAPITULO 5
5.1 Conclusão
Referencias Bibliográfica
Anexo l
Anexo ll
Anexo lll
Anexo lV
Anexo V
Anexo Vl
Anexo Vll

 

Capitulo 1

 

1.1 Introdução

A Contabilidade custos oferecem o meio de determinar custos de produtos e, assim de gerar demonstrações financeiras significativas e outros relatórios relevantes para a gestão. Procedimentos devem ser projetados para permitir a determinação de custos unitários, assim como os custos totais do produto. A Contabilidade de custos repousa no uso dos dados acumulados e relatados. Uma das funções mais importantes da Contabilidade Custos é controlar operações. A Contabilidade de custos é o ramo da Contabilidade que se destina a produzir informações para os diversos níveis gerenciais de uma entidade, como auxilio as funções e de tomada de decisões. A Contabilidade de custos coleta, classifica e registra os dados operacionais das diversas atividades da entidade, denominados de dados internos, bem como, algumas vezes, coleta e organiza dados externos.

Os dados coletados podem ser tantos monetários como físicos operacionais: unidades produzidas, horas trabalhadas, quantidade de requisições de materiais de ordens de produção, entre muitos outros. Neste ponto, reside uma das grandes potencialidades da contabilidade de custos: a combinação de dados monetários e físicos resulta em indicadores gerenciais de grande poder informativo.

Em seguida, a Contabilidade de custos acumula, organiza, analisa e interpretam os dados operacionais, físicos e os indicadores combinados o sentido de produzir, para os diversos níveis de administração e de operação, relatórios com as informações de custos solicitadas.

Outra peculiaridade da Contabilidade de custos é que ela trabalha dados operacionais de vários tipos: os dados pode ser históricos, estimados, padronizados e produzidos. Aqui reside também, uma das fortes vantagens da Contabilidade de custos. Ela pode e deve fornecer informações de custos diferentes para atender a necessidades gerenciais diferentes. São muitas as necessidades gerenciais. Apenas como forma de atender a uma exigência didática, os estudiosos classificaram as necessidades gerenciais em três grandes grupos:

a) informações que serve para a determinação da rentabilidade e do desempenho das diversas atividades da entidade;
b) informações que auxiliam a gerencia a planejar, a controlar e administrar o desenvolvimento das operações;
c) informações para a tomada de decisões

A Contabilidade de custos é uma ferramenta de grande poder disponível porque utiliza, os princípios, os critérios e os procedimentos fundamentais da Ciência contábil. Quando a contabilidade de custos consegue resolver problemas ou produzir informações utilizando-se procedimentos como, por exemplo, as técnicas estatística e matemática, podem parecer aos menos avisados que tenha cortado os laços naturais com a contabilidade. As informações e as soluções advindas são apenas detalhes que deverão formar um todo que somente terá utilidade para os diversos níveis gerenciais se estiver coeso e articulado com os princípios, os critérios e os procedimentos exclusivos da contabilidade. Só poderá fornecer informações confiáveis e as mais exatas possíveis, dentro as circunstâncias, se todos os contadores, em sua execução, adotarem orientação conceitual uniforme.

O custeio por absorção surgiu no inicio do século passado e se conforma perfeitamente ao paradigma fordista-taylorista. O foco do custeio por absorção é denominado chão-de-fabrica e, por isso, pode ser considerado como uma ferramenta eficaz para controle e redução dos custos de processo. O custeio por absorção, os custos são classificados em diretos e indiretos. Se a empresa for monoprodutora, os custos indiretos de fabricação terão de ser rateados entre os produtos segundo algum critério. A busca do critério mais adequado pode ser problemática, especialmente quando se consideram. Alem dos custos indiretos, as despesas, cuja ligação com os produtos é mais remota. Historicamente, o sistema tradicional - absorção veio a ser utilizado mais em razão dos critérios de avaliação de inventários do que das necessidades gerenciais da empresa. Ele está de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade, pois considera todos os gastos industriais relacionados com os produtos.

Custeio por absorção é justamente a apropriação aos produtos fabricados pela empresa, e de todos os custos incorridos no seu processo de fabricação, podendo ser fixo ou variável. Todos os “custos indiretos de produção” ou “CIF” farão parte integrante do custo aos produtos fabricados,¹ ou seja, seu significado diz respeito à apropriação aos produtos elaborados pela empresa de todos os custos incorridos no processo de fabricação, quer estejam diretamente vinculados ao produto (matérias-primas, mão-de-obra direta e materiais diretos ou componentes), quer se refiram à tarefa de produção em geral e só possam ser alocados aos bens fabricados indiretamente, isto é, mediante rateios, tendo em vista que muitos recursos gastos nas atividades de produção não se relacionam diretamente com o volume físico de unidades produzidas.

Conseqüentemente, ao alocar esses custos com base em algum fator direto (horas de mão-de-obra direta, valor de mão-de-obra direta, custo do material direto, unidades produzidas etc.), distorce os resultados, tornando-se, assim, insatisfatório. O custo dos produtos resultantes dessas alocações não é correto porque esses produtos não consomem diretamente esses recursos em proporção ao seu volume. Essas distorções são agravadas e ainda mais severas nas empresas que possuem uma produção muito diversificada. Volumes diferentes de produção geram complexidade, e o tempo de processamento consome recursos em diferentes montantes. Com o aumento da diversidade de produção, a quantidade de recursos requeridos para suportar tal produção (custos indiretos de fabricação) aumenta, implicando distorções ainda maiores nos relatórios de custo gerados pelo sistema tradicional.

“O mais grave com relação ao sistema de absorção é que ele não consegue refletir os efeitos das grandes mudanças tecnológicas que estão ocorrendo nos processos de produção. A automatização vem crescendo e os custos diretos ou bases diretas tornam-se cada vez menos adequados para a alocação dos crescentes custos indiretos de fabricação.” ²

Sabe-se que todos os gastos feitos no intuito da produção de um bem ou serviço são considerados como custos. Já os gastos efetuados direta ou indiretamente para obtenção de receitas são considerados como despesas. Todavia, a prática, esta divisão não e muito fácil de ser identificada, uma vez que inúmeros esforços desempenhados pelas empresas apresentam elementos de uma e de outra definição ao mesmo tempo (custo e despesas).

Em suma, só devem ser rateados ter uma parte atribuída aos custos de produção e outra às despesas do período os valores relevantes que visivelmente arbitrários, ser divididos nos dois grupos. (Martins, 2000, p.44)

Depois de pesquisada a separação entre custos e despesas, surge ainda outra situação, no processo de custeio, mais complicada e subjetiva, qual seja: o rateio dos custos indiretos aos produtos elaborados, o qual será comentado no decorrer desta pesquisa.

Outra vertente a ser contextualizada é o principio da Competência que caminha no sentido de reconhecer a receita alinhada à despesa, quando correlatas, no período de sua ocorrência, independente do pagamento ou recebimento. Percebe-se que o legislador teve a preocupação de produzir informações coerentes quantos à tempestividade da ocorrência dos fatos.

Utilizando-se informações das duas visões apresentadas, ou seja, a difícil qualificação dos gastos e o principio da competência, pode-se fazer uma caracterização do custeio por absorção.

O custeio por absorção é o método que se apóia basicamente nos princípios fundamentais de contabilidade. Consiste na apropriação dos custos de produção aos bens ou serviços elaborados, conseqüentemente os gastos que não são direta ou indiretamente ligados à produção são considerados como despesas do período. Esta forma de ativação demonstra que os custos de produção tornar-se-ão despesas quando da realização do ativo, ficando evidente a congruência com o principio da competência .

Todos os Custos que são ou foram gastos se transformarão em despesas quando da entrega dos bens ou serviços a que se referem. Muitos gastos são automaticamente transformados em despesas, outros passam primeiro pela fase de custos e outros ainda fazem as vias-sacras completas, passando por investimento, custo e despesas. (Martins, 2000, p. 26)

 

1.2 Definição do problema

A empresa do segundo setor é, por excelência, criada e constituída com um objetivo: o lucro. Executar uma tarefa e esperar retorno por ela faz parte da natureza humana e empresarial. Portanto ferramentas e mecanismos que possam otimizar o trabalho e aumentar a renda são bem vindos.

Embora o custeio por absorção tenha sofrido críticas ao longo do tempo, vale ressaltar que é o único aceito pelos órgãos competentes, contábeis, fiscais, societários e de auditoria, para a preparação das demonstrações contábeis destinadas aos usuários externos da informação contábil. Pois está de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade que objetivam, principalmente, avaliar os estoques; seus defensores argumentam que tanto os custos fixos como os variáveis são necessários à fabricação dos produtos e que, portanto, devem fazer parte do custo.

Conforme se destacou no decorrer deste, o custeio por absorção é o método aceito pela legislação do imposto de renda, para avaliação de estoque, e está de acordo com os princípios contábeis, uma vez que agrega ao custo final do produto todos os custos incorridos. Sempre que houve produto estocado, esta parcela de custo não ira interferir no resultado do exercício.

Atualmente, o custeio por absorção parece mais aceitável e convencional do que o custeio direto. Isso ocorre particularmente nas áreas de avaliação de estoques para fins de elaboração de balanças, fixação de preços e cálculos do impostos, da rentabilidade de produtos ou linhas de produtos.

Os defensores do custeio por absorção consideram que as despesas fixas contribuem para a produção até o limite da capacidade produtiva realmente utilizada. As despesas fixas relacionadas à capacidade ociosa resultam em ganhos ou perdas de volume, cuja importância não desconhecem. Os defensores deste método acreditam em que, se as despesas fixas não puderam ser absorvidas pelo custo unitário de produção, será difícil indicar o lucro liquido por classes de produtos e clientes. Sem esses valores não será, muito fácil proceder a avaliações completas de resultados operacionais tendo em vista a tomada de decisões administrativas

A Contabilidade de custos identifica e acumula os custos e os organiza em informações relevantes, pretendendo dessa forma atingir três objetivos principais: a determinação do lucro, o controle das operações e a tomada de decisão (Leone, 2000, p. 20)

Face à missão da Contabilidade custos e as dificuldades encontradas no custeio por absorção, o presente trabalho se propõe a elucidar a seguinte questão: Verificar se o custeio por absorção gera informações para que o gestor possa tomar decisão.

O custeio por absorção, por ser mais conservador, tende a deixar os empresários mais tranqüilos, sabendo que todos os custos foram apropriados e, com isso, os parâmetros para formação de preços de vendas estariam mais embasados. (Padoveze, 1997, p.247).

 

1.3 Objetivos

 

1.3.1 Objetivo geral

Demonstrar que o custeio por absorção através de um estudo de caso numa usina de açúcar e álcool, possa gerar informações para os gestores de uma entidade desta natureza.

 

1.3.2 Objetivos específicos

- Explicar o conceito de custo.
- Explicar como a informações sobre custos podem adicionar valor a uma organização.
- Fornecer aos administradores as informações através de um método de custeio para tomadas de decisões.
- Explicar como os materiais, mão de obra e os custos indiretos de fabricação são adicionados a um produto, em cada etapa do processo de fabricação.

 

1.4 Justificativa e relevância

Caracteriza-se o por atender as necessidades das grandes empresas, o custeio por absorção é o método aceito pela legislação do imposto de renda, para avaliação de estoque, e está de acordo com os princípios contábeis, uma vez que agrega ao custo final do produto todos os custos incorridos. Sempre que houve produto estocado, esta parcela de custo não irá interferir no resultado do exercício.

Atualmente, o custeio por absorção parece mais aceitável e convencional do que o custeio direto. Isso ocorre particularmente nas áreas de avaliação de estoques para fins de elaboração de balanças, fixação de preços e cálculos do impostos, da rentabilidade de produtos ou linhas de produtos.

Os defensores do custeio por absorção consideram que as despesas fixas contribuem para a produção até o limite da capacidade produtiva realmente utilizada. As despesas fixas relacionadas à capacidade ociosa resultam em ganhos ou perdas de volume, cuja importância não desconhecem. Os defensores deste método acreditam em que, se as despesas fixas não puderam ser absorvidas pelo custo unitário de produção, será difícil indicar o lucro liquido por classes de produtos e clientes. Sem esses valores não será, muito fácil proceder a avaliações completas de resultados operacionais tendo em vista a tomada de decisões administrativas.

A Contabilidade de custos identifica e acumula os custos e os organiza em informações relevantes, pretendendo dessa forma atingir três objetivos principais: a determinação do lucro, o controle das operações e a tomada de decisão (Leone, 2000, p. 20)

O custeio por absorção, por ser mais conservador, tende a deixar os empresários mais tranqüilos, sabendo que todos os custos foram apropriados e, com isso, os parâmetros para formação de preços de vendas estariam mais embasados. (Padoveze, 1997, p.247).

 

1.5 Referencial teórico

 

1.5.1 Origem da Contabilidade de Custos

Surgiu com a revolução industrial, como tentativa de se elaborar um inventario disponível em um determinado período operacional, onde se procurava identificar o valor dos produtos fabricados e vendidos. Todavia naquela época as empresas apresentavam processos de produção muito semelhantes aos processos artesanais, e compunham suas matrizes de custos basicamente com matérias primas e mão-de-obra, que eram sem duvidas os mais relevantes.

Com o desenvolvimento, e o emprego cada vez mais intensivo das maquinas no processo de produção, os novos custos apareceram tornando-se bem mais complexos os métodos para medi-los. A complexidade destes métodos contábeis, capazes de solucionar cada vez com mais rapidez os custos de fabricação, foi que deu origem a contabilidade de custos.

Desde a revolução industrial, a contabilidade de custos sofreu uma evolução considerável, devido à necessidade de realinhamento de seus objetivos e à expansão.

A partir da 1ª guerra mundial, como o incremento do processo produtivo, e conseqüente aumento da concorrência entre empresas e a escassez de recursos, surgiu a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de planejamento e controle das empresas. Neste sentido as informações de custos, desde que devidamente apresentadas em relatórios, seriam um grande subsidio para o controle e planejamento empresarial. Diante de tal fato, a Contabilidade de custos tornou-se, devido a grande gama de informações que a compõem, um grande sistema de informações gerenciais.

Aliado ao desenvolvimento experimentado pela contabilidade de custos nas empresas nas quais teve origem, ou seja, na empresa de setor secundário, foi possível criar sistemas perfeitamente adaptáveis ao setor terciário (escolas, bancos.Hospitais, empresas de ônibus, etc).

 

1.5.2 Importância da Contabilidade de Custos

A Contabilidade de custos desempenha um papel relevante na identificação da estrutura de custos da empresa, pois esta contribui para a estratégia da empresa, sendo fator diferencial de competitividade entre as empresas.

Segundo Leone (2000, p.19) a Contabilidade de custos é o ramo da contabilidade que se destina a produzir informações para os diversos níveis gerenciais de uma entidade como auxilio as funções de determinação de desempenho, de planejamento e controle das operações e de tomada de decisões.

Identifica e quantifica as atividades que compõem o processo de produção na organização é função da contabilidade de custos.

A Contabilidade de custos direciona-se em mensurar de maneira eficaz as variações patrimoniais, independentes da sua natureza ou razoes de sua ocorrência, que acontecem no seu ciclo operacional interno. Essas variações no ciclo operacional das entidades, podem ser inicialmente de natureza qualitativa ou permutativa (alteram a natureza ou a quantidade do patrimônio) sem, contudo modificarem o patrimônio liquido. Na conclusão do ciclo, prevalece a variação quantitativa, também chamada modificativa, tendo em vista que elas alteram o patrimônio liquido das empresas. Pode-se concluir que a contabilidade de custos concentra sua atenção para as variações do tipo qualitativo.

Dessa forma entende-se que uma eficiente aplicação da contabilidade de custos fica vinculado ao perfeito entendimento da ocorrência e do domínio sobre as variações patrimoniais que ocorrem no processo produtivo das empresas, atentando para o fato de que esse domínio deve acontecer em relação aos valores econômicos, mas sobretudo nos aspectos físicos, visando à perfeita e correta alocação dos custos.

A importância das informações contábeis para a operação bem sucedida de uma empresa, incluindo dados sobre custos específicos, foi reconhecida há muito tempo. Diante do atual ambiente da economia globalizada e altamente competitiva essas informações são mais criticas do que nunca. É evidente a pressão exercida pó esse ambiente quer seja interna ou externamente e, por conta disso, as empresas estão dando mais ênfase no controle dos custos em uma tentativa de manter os seus produtos e ou serviços competitivos.

A Contabilidade de custos fornece as informações detalhadas sobre os custos que a gestão precisa planejar e controlar, acerca das operações da empresa, fornece ainda informações que permitem a gerencia alocar recursos para as áreas mais eficientes e rentáveis da produção.

 

1.5.3 Classificação dos Custos

Segundo Leone (2000). A contabilidade de custos olha os custos de maneira diferente para produzir informações diferentes que atendam as necessidades diferentes. Olhar os custos de maneira diferente significa que o contador realiza diferente sistema de custos e adota critérios diferentes de avaliação. A contabilidade de custos acompanha a evolução da tecnologia de processos de produção, de modelos gerenciais e das novas necessidades informativas. Os sistemas de custos, denominados “tradicionais” por alguns, que ainda produzem tipos de custos que permanecem válidos para cenários bem definidos.

Alguns tipos de custos bastante empregados são definidos segundo as necessidades a que devem atender.

Custos Diretos e Indiretos - Quando a contabilidade deseja conhecer os custos dos produtos, dos serviços, dos componentes organizacionais e etc. surgem os custos diretos e indiretos. Os custos diretos são aqueles custos (ou despesas) que são facilmente identificados como objeto de custeio. Os custos indiretos são aqueles custos que não são facilmente identificados com o objeto de custeio.

Custo padrões, estimados por atividades – uma das finalidades da contabilidade de custos é fornecer aos usuários (diversos níveis gerenciais) informações (tipos diferentes de custos) que os auxiliem a controlar as operações que estão sob seu comando e supervisão.

Custos-padrão - É um custo predeterminado que leva em conta condições consideradas normais de operação. È o custo que deve ser. Os valores-padrão monetários (de materiais, mão de obra e despesas de fabricação) são calculadas com base em determinadas expectativas de eficácia e eficiência operacionais.

Custos estimados - Em algumas ocasiões em que as operações não são padronizadas especialmente quando os produtos ou os serviços são feitos sob encomendas e por isso mesmo são produtos e serviços com características exclusivas diferentes das características de outros produtos e serviços realizados pela empresa. Os custos estimados são também aplicados a planos alternativos, a atividades, aos componentes organizacionais e atividade em que se dividem, o exercício de produzir estimações.Para produzir estimações a contabilidade de custos utiliza-se de orçamentos e instrumentos estatísticos, do que aconteceu no passado e da experiência dos responsáveis pelos objetos de custeio.

Custos por atividade - A contabilidade de custos criou o custeio ABC que, em inglês, se diz Activity Based Costing e, em português foi traduzido por Custeio baseado em Atividades. Entretanto, apesar de erradamente, todos passaram a chamar esse critério, aqui no Brasil, de custeio ABC. Quando dissemos que a “contabilidade custos criou” na verdade esse sistema de custeio estava adormecido desde a década de 60. Esse sistema tem sido para alguns apenas mais um critério de custeio, não encontra aceitação ampla. Ele é muito detalhado, utiliza enormemente os rateios e seus resultados, portanto são bastante poluídos como qualquer outro sistema de alocações.

Custos e despesas do produto (inventariáveis) - São os custos (e despesas) que relacionam diretamente com os produtos; a contabilidade de custos descobre que esses custos (e despesas) acompanham de perto os processos produtivos e que seus consumos podem ser facilmente computados em cada um dos produtos. Dizemos também são custos ou despesas inventariáveis porque eles são debitados aos inventários sobretudo ao estoque de produtos em processo.

Custos e despesas do período (não inventariáveis) – Os custos e despesas que a contabilidade de custos não consegue com facilidade ligar aos produtos, que são repetitivos e mais ou menos fixos, pertencem mais aos períodos do que aos produtos. São chamados “do período”. São custos e despesas cujos benefícios se realizam no próprio momento em que os custos e as despesas acontecem.

Custos (ou despesas) Variáveis - São os custos (ou despesas) que variam de acordo com os volumes das atividades. O volume das atividades deve estar representado por bases de volume. Que são geralmente medições físicas.

Custos (ou despesas) Fixos – São custos ou despesas que não variam com variabilidade da atividade escolhida. Isto é, o valor total dos custos permanece praticamente igual mesmo que a base de volume selecionada como referencial varie.

 

Capitulo 2

 

2.1 Apresentação de termos utilizados na contabilidade de custos

Ao se comparar alguns termos como despesas, gastos, custos, desembolso, perda enfim todas as formas de citações dos componentes das informações inerentes ao processo de custeamento, surgem muitas duvidas com relação ao real sentido contábil do termo utilizado. A literatura, por sua vez, aborda o assunto de maneira um pouco destoante, todavia não fere os procedimentos tidos como corretos. Nesse sentido com objetivo de se fazer entendido também pelos leitores não habituados à terminologia utilizada pela contabilidade de custos, segue algumas definições com base no livro do professor Eliseu Martins.

A exposição dos termos será disposta com uma gradação de idéias, para facilitar o entendimento e possibilitar o raciocínio dedutivo.

O gasto tem sentido extremamente amplo e profícuo para que faz uso desse substantivo, à medida que faz referência universalidade dos bens e serviços adquiridos pela entidade. Assim,ao ser usado para expressar algum evento contábil, o risco de equivoco pelo mau uso do termo fica bastante minimizado. Contudo, para caracterizá-lo é imprescindível que exista implemento de condição, o qual é o reconhecimento da passagem para a propriedade da empresa do bem ou serviço e isso se dá através da redução do ativo dado em pagamento ou reconhecimento de uma dívida.

“Gastos - Sacrifício financeiro com que a entidade arca para a obtenção de um produto ou serviço qualquer, sacrifício esse representado por entrega ou promessa de entrega de ativo – normalmente dinheiro” (E. Martins,2000, p. 25).

O investimento já possui menor grau de abrangência se comparando com os gastos, pode – se até mesmo dizer que todos os ativos estocados para sua posterior realização (venda), consumo ou perda de seu valor econômico que foram oriundos da gastos são considerados investimentos. Logo, os investimentos são os gastos ativados com expectativas de benefícios futuro.

“Investimento – gastos ativados em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuros períodos” (Martins,2000, p. 25).

Acrescenta-se que o componente do grupo ativo permanente intitulado como investimento não fica em desacordo com os comentários supracitados, visto que, mesmo com as peculiaridades relacionadas com sua manutenção por mais de 360 dias na entidade e seu objetivo não se destinar à manutenção da atividade direta da empresa, mantém sua característica de ser ativo e possuir possibilidades de resultados futuros

Investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa (Lei das S.A, inciso III, art 179, p.81).

Custos – Gastos relativos à bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços (Martins,2000, p. 25).

Via de regra, a definição apresentada deve ser observada sob o aspecto da potencialidade de uso nas produções e não sob o aspecto dos produtos componentes do estoque de matéria-prima, visto que alguns produtos são adquiridos e logo compõem o processo produtivo sem passar pela fase de estoque. Assim, verifica-se que pode haver ativos comprados (gastos), depois estocados (investimentos) e em seguida utilizados no processo produtivo (custos); os apenas comprados e consumidos

Desembolso – Pagamento resultante da aquisição do bem ou serviço. (Martins,2000, p. 26).

Pode ocorrer antes, durante ou após a entrada da utilidade comprada, portanto defasada ou não do momento do gasto.

Perda – bem ou serviço consumidos de forma anormal e involuntária (Martins,2000, p. 26).

Não se confunde com a defesa (muito menos o custo), exatamente por sua característica de anormalidade e involuntariedade; não é um sacrifício feito com intenção de obtenção de receita. Exemplos comuns: perdas com incêndio, obsoletismo de estoques etc.

O presente trabalho centra-se nos custos. Daí a necessidade de um completo entendimento das características dos mesmos.

1) Componentes dos Custos

São basicamente os gastos com materiais diretos (matéria-prima e embalagem), os gastos de mão-de-obra com s encargos sociais correlatos e os gastos gerais de produção ou custos indiretos (inspeção , supervisão, depreciação, seguros, energia etc). Os custos indiretos são apropriados aos produtos por meio de rateios, á medida que são incorridos no processo de maneira direta.

Como os elementos formadores dos custos são diversos, surgem os métodos de custeio com a missão de decodificar,interpretar e manipular os vários componentes aqui apresentados. Ressalta-se, no entanto, que apenas o custeio por absorção e a consoante com os princípios Fundamentais de contabilidade e conseqüentemente com a lei das Sociedades por Ações e com a legislação fiscal.

2) Critérios de avaliação

Como se observa legislador foi bastante criterioso no que tange ao principio da Prudência, Apresentado como premissa maior o custo de aquisição, seguida do valor e mercado e conclui que o valor a ser registrado deve ser o menor dos dois.

Os direitos que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comercio da companhia, assim como matérias-primas, produtos em fabricação e bens em almoxarifado, serão avaliados pelo custo de aquisição ou produção, deduzido de provisão para ajustá-lo ao valor de mercado, quando este for inferior. (Lei das S.A, inc. II, art. 183,p. 82)

Assim, o elemento básico principal para contabilização dos estoques de matéria-prima, de produtos comprados para simplesmente serem revendidos e outros materiais que serão empregados na produção deve ser o custo de aquisição. Já os produtos em elaboração ou acabados devem ser quantificados pelo custo de produção. Todavia, caso o mercado apresente preços inferiores ao custo,deve aquele ser o parâmetro para avaliação do estoque conforme o principio da prudência. Ressalta-se através de uma provisão, procedimento este que tem como objetivo manter o estoque registrado pelo valor que seja aderente ao principio da prudência.

Acrescenta-se que a palavra custo foi utilizada na lei das sociedades por ações com sentido de sacrifício financeiro e, como já foi visto, essa dimensão se enquadra melhor na definição de gasto.

Ainda centrado neste assunto (critério de avaliação), deve-se destacar que normalmente as empresas possuem em seus estoques o mesmo tipo de produto comprado em datas diferentes e com valores unitários diferentes. Esse detalhe dificulta muito a apuração do valor do estoque, ou seja, como as empresas vão adquirindo e utilizando ou vendendo os produtos em seu dia a dia , torna-se necessário o conhecimento da cronologia de entradas e saídas dos produtos com seus respectivos valores, somente assim ter-se-á condição suficiente para quantificação dos estoques existentes.

Há na literatura contábil, diversos métodos para apuração do valor de estoque (preço especifico, PEPS, UEPS e media ponderada), entretanto somente é aceita pela legislação do imposto de renda o método especifico do custo médio ponderado móvel ou a dos bens adquiridos mais recentemente (PEPS).

Logo, observa-se que as informações sobre os critérios de avaliação de estoques complementam a abordagem do processo de custeio.

 

2.2 Princípios Fundamentais de Contabilidade Aplicados à Contabilidade de Custos.

Com o objetivo de seguir a exposição e idéias do trabalho em tela, fazem-se necessários alguns comentários a respeito de vários detalhes que vão permear os próximos capítulos, visto que sem estas elucidações o leitor poderá não ter a dimensão correta do que é a Contabilidade de Custos Feita sob a égide da Legislação e a Contabilidade de Custos com enfoque gerencial.

Competência: a receita é reconhecida apenas quando realizada; a realização ocorre quando há troca de mercadorias, bens ou serviços por elementos do ativo, portanto o lucro ou prejuízo só se realiza no ato da venda. O reconhecimento da receita não está relacionado com os recursos entrados em caixa.

Custo Histórico como base de valor: os ativos são registrados contabilmente por seu valor original de entradas, ou seja, histórico.

Consistência ou uniformidade: uma vez escolhido um processo para os registros contábeis, não deve ser mudado com freqüência, para que os resultados contábeis fiquem prejudicados. Entretanto, se houver necessidade de mudança de critério, deve ser feita à divulgação do seu efeito nas demonstrações contábeis.

Materialidade ou relevância : este principio desobriga a um tratamento mais rigoroso àqueles itens cujo valor monetário é pequeno dentro dos gastos totais.

È necessário lembrar que a soma de diversos itens irrelevantes pode ser material, e nesse caso, um tratamento mais rigoroso precisa ser utilizado.

Conservadorismo ou Prudência: Entre duas alternativas para o registro de um ativo deve-se escolher entre o custo e o valor de mercado dos dois o menor. O mesmo raciocínio deve nortear o contador no registro dos gastos que provocam duvida de classificação entre custo de produção ou despesa do período, devendo prevalecer à escolha que representa redução imediata do resultado, portanto despesa do período.

No que diz respeito à relação entre certos custos de produção e o conservadorismo, podem ser mencionados certos tipos de gastos que provocam duvida quanto a sua verdadeira classificação entre custo ou despesa; na duvida, deve prevalecer a hipótese mais pessimista, que não vai provocar o estoque desse valor, e sim sua transformação imediata em despesa.

O foco dos próximos itens não tem a pretensão de analisar exaustivamente o assunto, mesmo porque foge aos objetivos deste trabalho. Entretanto as elucidações, mesmo superficiais, irão facilitar o seu entendimento.

 

Capitulo 3

 

3.1 Custeio por Absorção

Neste método far-se-á uma abordagem a respeito do método de custeio por absorção, também denominado de custeio integral, um dos que compõe os chamados custeios tradicionais. Serão mencionadas algumas definições, formas de apuração do custo e limitações do esmo, quando se deseja informações de cunho gerencial, que influirão na tomada de decisões.

 

3.2 Definições

Custeio por Absorção é o método derivado da aplicação dos princípios de contabilidade geralmente aceito, nascido da situação histórica mencionada. Consiste na apropriação do todos os custos aos es elaborados, e só os de produção; todos os gastos relativos ao esforço de fabricação são distribuídos para todos os produtos feitos. Não é um principio contábil propriamente dito, mas uma metodologia decorrente deles, deles, nascida com a própria contabilidade de custos.

Neste método são incorporados aos produtos todos os custos envolvidos o processo produtivo. Tanto os custos diretos quanto os indiretos, independente de serem fixos ou variáveis. Todos irão participar da composição do custo dos produtos elaborados.

As despesas, que são gastos não relacionados com a produção, quando incorridas não serão incluídas na formação do custo do produto. Estas serão lançadas imediatamente contra o resultado do período.

O custeio Por absorção consiste na apropriação dos custos de produção aos bens elaborados, e só os de produção. Mediante esse método é feito uma distinção entre gastos diretamente relacionado ao processo de produção e demais despesas administrativas. Somente é reconhecido como custo do produto os gastos diretamente a ele relacionados.

Na contabilidade de custo tradicional, todos os gastos de fabricação são incluídos no custo de um produto para fins de valorização dos estoques. Excluem-se apenas os gastos não fabris, considerados como despesas do período. (Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo, 1997,p.81).

Custeio por absorção é justamente a apropriação aos produtos fabricados pela empresa, e de todos os custos incorridos no seu processo de fabricação, podendo ser fixo ou variável. Todos os “custos indiretos de produção” ou “CIF” farão parte integrante do custo aos produtos fabricados, ou seja, seu significado diz respeito à apropriação aos produtos elaborados pela empresa de tos os custos incorridos o processo de fabricação, quer estejam diretamente vinculados ao produto (matérias-primas, mão de obra direta e materiais diretos ou componentes), quer se refiram à tarefa de produção em geral e só possam ser alocados aos bens fabricados indiretamente, isto é, mediante rateios, tendo em vista que muitos recursos gastos nas atividades de produção não se relacionam diretamente com o volume físico de unidades produzidas. (Medeiros & Barbosa, 1999).

A figura 1 adiante apresenta um fluxograma representativo do método de custeio por absorção. Nela pode-se visualizar que a despesa do período (administrativas e de vendas) quer sejam fixas ou variáveis serão lançadas na demonstração do resultado do período sem que sejam apropriadas ao custo do produto. Os custos de produção, fixos e variáveis, somente serão lançadas no período no demonstrativo de resultado quando os produtos forem comercializados.

Figura 1 – Fluxograma do Custeio por Absorção

 

 

3.3. Limitações, vantagens e desvantagens da utilização do custeio por absorção

Como visto, a base de rateio dos custos indiretos utilizados neste método, é um elemento dos custos diretos (matéria-prima, Mão-de-obra),ou outro fator que se possa determinar, como quantidade de horas-máquinas. Quando da concepção deste método, mesmo arbitrário, o rateio dos CIF`s era mais próximo do real, visto que os custos diretos somavam uma parcela expressiva dos custos totais. Na atualidade, com o avanço tecnológico há inversão desses fatores. Os custos indiretos aumentaram sendo que em alguns casos estão até mais elevados que os custos diretos.

O atual enfoque de contabilidade de custos foi concebido para uma época em que a mão-de-obra era considerada o principal componente de custo do produto para se alocar aos custos indiretos de produção (CIF). Já as tecnologias avançadas de produção, alem de revolucionarem os processos de produção ao nível de “chão de fábrica” vêm provocado alterações de comportamento dos custos, pois os próprios custos indiretos de fabricação, como depreciação, sistemas automatizados, processo de dados etc., têm aumentado significamente. (Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo, 1997, p.175).

Esse aumento dos custos indiretos e conseqüentemente maiores subjetividade e arbitrariedade provocada pelo rateio dos mesmos estão proporcionando grandes distorções o custeio dos produtos. Essas distorções têm influenciado drasticamente o surgimento de inúmeros erros nas tomadas de decisões.

Enquanto os custos indiretos de fabricação vêm crescendo, as bases utilizadas para a sua apropriação podem estar diminuindo, implicando aumento de risco de erros na apuração dos produtos. (Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo, 1997, p. 176).

Com a utilização do custeio por absorção, os custos quase sempre estão destoantes. Mudando-se a base de rateio, valores diferentes são obtidos para os produtos. Por esse método não se atinge dados adequados para tomadas de decisões.

Diante de tantos percalços oriundos do rateio dos CIF´s, infere-se que o custeio por absorção não é adequado pára prestar informações de cunho gerencial. Suas informações não fornecem subsídios suficientes pra que os gestores tomem decisões, condizentes com as atuais técnicas produtivas adotadas, com mix de produtos, e principalmente satisfazer o anseio dos consumidores que procuram produtos com melhor qualidade a baixo custo.

Conforme se destacou no decorrer deste, o custeio por absorção é o método aceito pela legislação do imposto de renda, para avaliação de estoque, e está de acordo com os princípios contábeis, uma vez que agrega ao custo final do produto todos os custos incorridos. Sempre que houve produto estocado, esta parcela de custo não ira interferir no resultado do exercício.

Atualmente, o custeio por absorção parece mais aceitável e convencional do que o custeio direto. Isso ocorre particularmente nas áreas de avaliação de estoques para fins de elaboração de balanças, fixação de preços e cálculos do impostos, da rentabilidade de produtos ou linhas de produtos.

Os defensores do custeio por absorção consideram que as despesas fixas contribuem para a produção até o limite da capacidade produtiva realmente utilizada. As despesas fixas relacionadas à capacidade ociosa resultam em ganhos ou perdas de volume, cuja importância não desconhecem. Os defensores deste método acreditam em que, se as despesas fixas não puderam ser absorvidas pelo custo unitário de produção, será difícil indicar o lucro liquido por classes de produtos e clientes. Sem esses valores não será, muito fácil proceder a avaliações completas de resultados operacionais tendo em vista a tomada de decisões administrativas

Apesar das deficiências apontadas pelo custeio por absorção, verifica-se que a fixação do preço de venda será mais segura, à medida que não despreza a importância do custo fixo ao produto.

O custeio por absorção, por ser mais conservador, tende a deixar os empresários mais tranqüilos, sabendo que todos os custos foram apropriados e, com isso, os parâmetros para formação de preços de vendas estariam mais embasados. (Padoveze, 1997, p.247).

 

3.4 Um estudo de Caso

Histórico da Empresa

A empresa Usina São José S.A. estar localizada na Rodovia PE-41, KM 10,7 – Três Ladeiras – Igarassú-PE. Foi fundado, por Joaquim Coelho Leite e José Joaquim Coelho Pereira Leite, que em 1891, receberam uma concessão do Estado de Pernambuco para construir uma usina, a qual deram o nome de Coelho. Moeu pela primeira vez em 1906. Em 1900, tinha como proprietário a firma Pontual & Padilha, sendo vendida em 1917, à empresa Bandeira & Irmãos. Em 1929, possuía 14 propriedades agrícolas, uma ferrovia com 51 quilômetros, três locomotivas e 93 vagões. Tinha capacidade para trabalhar 600 toneladas de cana e fabricar 2.500 litros de álcool em 22 horas. No período da moagem trabalhavam na fábrica cerca de 200 operários. Possuía uma grande vila operária, escolas, cinema e serviços de saúde. Em 1946, a sociedade foi reorganizada e passou a chamar-se Alfredo Bandeira & Cia.

Em 1952, a firma proprietária foi transformada em sociedade anônima, sob a denominação de Usina São José S/ A, sendo vendida à Companhia de Cimento Portland Poty (José Ermírio de Morais).

Atualmente, pertencente ao grupo Cavalcanti Petribu, possui 880 trabalhadores nos setores da Industria, garagem, transporte e departamento agrícola, no campo 2.653 trabalhadores rurais.

Missão

Oferecer aos seus clientes produtos de qualidade com baixo custo operacional, rapidez e confiabilidade. Ser eficiente e eficaz no que produz.

Visão

Estar no Ranking entre as melhores, oferecendo maior produção com qualidade e tecnologia

Objetivo

Produzir e Comercializar açúcar, álcool e seus derivados no mercado interno e externo.

ANÁLISE INTERNA

A Empresa está dividida em Departamentos Administração em Geral e Industrial.

Administração em Geral:

- Administrativo
- Departamento de Pessoal
- Departamento de Compras
- Departamento de Recursos Humanos e social
- Departamento Patrimonial
- Departamento Almoxarifado
- Departamento Comercial
- Departamento Social
- Financeiro
- Contabilidade
- Custos e Orçamentos
- Contas a Pagar
- Contas a Receber
- Fiscal e Tributário
- Departamento Industrial
- Recepção de Cana
- Moendas
- Fabricação de Açúcar
- Ensacamento
- Estocagem
- Fabricação de álcool
- Destilação do álcool
- Laboratório de pagamento de cana
- Laboratório industrial
- Manutenção Industrial
- Manutenção patrimonial
- Armazém de Açúcar
- Depósito de Álcool e Tancagem
- Administração Industrial

A EMPRESA

A Usina São José S.A. é formada por quatro acionistas.

É uma empresa Centralizada, porém, com uma visão política de mercado interno x externo.

Possui regime aberto, é flexível em tudo que produz.

Demonstra um regime hierárquico maleável e direcionado muito ao social.

ESTILO DE GESTÃO

Apresenta estado flexível, considerando todos os aspectos internos e externos.

Participação interativa dos funcionários em geral no ambiente interno e externo.

Ética sobre tudo humanista com o social.

Tratamento por igual, respeitando todos os níveis hierárquicos.

Confiabilidade no que produz, no sentido de desenvolvimento de recursos humanos como: capacitação em cursos diversos, diálogos e comunicação perfeita.

Capacidade Nominal

Moagem: 8.500 ton. / dia

Produção de Açúcar: 20.000 sacos / dia de 50 Kg

Temos dois aparelhos de destilação: 150.000 litros / dia Álcool Hidratado e outro de 90.000 litros / dia Álcool Anidro

Produção de Álcool Hidratado: 240.000 litros / dia

Produção de Anidro: 90.000 litros / dia

O objetivo da Empresa pesquisada é a produção de Açúcar e Álcool, para a produção destes produtos existem dois departamentos produtivos que são chamados:

1-Produção de Açúcar
2-Produção de álcool

No setor de produção de Açúcar são fabricados três tipos de produtos:

-Açúcar VHP
-Açúcar Cristal
-Açúcar Refinado

No setor de produção de álcool são fabricados dois tipos de produtos

-Álcool Hidratado
-Álcool Anídro

A Matéria Prima usada é a cana de açúcar, própria recebida a preço de custo de sua produção agrícola e a cana de açúcar de terceiros comprados a fornecedores diversos.

No Departamento de produção de Açúcar existem vários departamentos que são divididos em centros de custos, com profissionais qualificados que vai de encarregados a auxiliares.

- Recepção de cana de açúcar
- Moagem
- Sulfitação
- Alcalinização
- Aquecimento
- Decantação
- Filtração
- Evaporação
- Flotador
- Cozimento
- Cristalização
- Centrifugação
- Secagem
- Ensacamento / Cristal
- Empacotamento
- Preparo do licor
- Clarificação do licor
- Cozimento
- Centrifugação
- Secagem / Peneiramento
- Resfriamento
- Ensacamento / Refinado

Obs. Neste departamento é extraído o melaço que será usado como a matéria prima na Fabricação do Álcool.

No Departamento de produção de Álcool existem vários departamentos que são divididos em centros de custos, com profissionais qualificados que vai de encarregados a auxiliares.

- Tratamento do Caldo
- Fermentação Alcoólica
- Centrifugação do Vinho
- Destilação do Álcool
- Vinhaça

Existem também os Departamentos de apoio à produção (Serviços) que são divididos em centros de custos auxiliares, com profissionais qualificados que vai de encarregados a auxiliares.

- Estação de Tratamento de Água
- Geração de Vapor
- Águas Industriais
- Laboratórios
- Energia Elétrica
- Estação de Tratamento de Ar Comprimido
- Manutenção Industrial
- Manutenção Patrimonial
- Armazém de Açúcar
- Depósito de Álcool
- Administração Industrial

Existe também o Departamento Administrativo e Financeiro, este setor é responsável por todas as rotinas relacionadas aos departamentos de contabilidade, Finanças, Recursos Humanos e vendas.

CUSTO X DESPESA

Segundo Eliseu Martins (1996, p. 54) temos as seguintes definições para gasto, custo e despesa:

“Gasto - Sacrifício financeiro arcado para obter um produto ou serviço”.

Custo - Gasto relativo à bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços.

Despesa - Bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para obtenção de receitas.

Porém, entendendo despesa como todo consumo de recursos para obtenção de receita. A afirmação acima se aplica à instituição-caso, pois, empresas com fins lucrativos têm como um de seus objetivos a obtenção de lucro para remunerar os acionistas.

Na instituição estudada, todos os gastos obtidos na industria serão considerados custos e os gastos na Administração em geral serão considerados despesas (Contas de resultado).

SISTEMAS DE CUSTEIO

Diante da estrutura organizacional a Empresa utiliza o método de custeio como mostrado a seguir:

CUSTEIO POR ABSORÇÃO

O Custeio por Absorção caracteriza-se pela apropriação de todos os custos de produção aos produtos, segundo diferentes critérios. Os custos diretos são identificados e apropriados diretamente e os custos indiretos são apropriados segundo diferentes critérios de rateio.

Para MARTINS (1996, p. 177), o custeio por absorção é o critério “em que se apropriam todos os custos de produção, quer fixo, quer variáveis, quer diretos ou indiretos, e tão somente os custos de produção, aos produtos elaborados.”

HORNGREN (1978, p. 391) colabora afirmando que o custeio por absorção significa que as despesas indiretas e fixas de fábrica são incluídas nos estoques, e que portanto compõem o custo do produto elaborado.

Já BACKER e JACOBSEN (1984, p. 266) dizem que “no custeio por absorção, todos os custos de produção são tratados como custos dos produtos”.

Como base para obtenção do custo de um produto, esta técnica de custeio tem sofrido diferentes críticas à sua aplicabilidade ao longo do tempo, das quais destacam-se:

a) Os custos médios ou custos unitários, no curto prazo, resultantes deste critério serão influenciados por um maior ou menor volume de atividade, conseqüentemente decisões baseadas nesses custos poderão ser continuamente revisadas em função da maior ou menor utilização da capacidade instalada;

b) O rateio dos custos e despesas indiretas e fixas aos produtos, envolve critérios de alocação que podem ser subjetivos, ou seja, envolvem julgamentos pessoais para decidir-se qual a melhor base de rateio para estas apropriações, podendo-se desta forma, alterar ou manipular o custo do produto ou serviço;

c) Os custos fixos, pela sua própria condição, são necessários para que uma organização tenha capacidade potencial de produção ou prestação de serviços e não simplesmente para a fabricação de uma ou outra unidade específica.

Embora o custeio por absorção tenha sofrido críticas ao longo do tempo, vale ressaltar que é o único aceito pelos órgãos competentes, contábeis, fiscais, societários e de auditoria, para a preparação das demonstrações contábeis destinadas aos usuários externos da informação contábil. Pois está de acordo com os princípios fundamentais de contabilidade que objetivam, principalmente, avaliar os estoques; seus defensores argumentam que tanto os custos fixos como os variáveis são necessários à fabricação dos produtos e que, portanto, devem fazer parte do custo. Esta visão pode ser compreendida melhor pelas palavras de ANTHONY (1976, p.350) que diz que “o objetivo da Contabilidade Financeira de Custo não é apurar um custo cientificamente correto; ao contrário, é debitar os produtos com uma parcela justa dos custos totais incorridos no processo de manufatura.”

CRITÉRIOS DE APROPRIAÇÕES DOS CUSTOS

CUSTOS DIRETOS

Na entidade pesquisada foram identificados os departamentos diretamente ligados às produções de Açúcar e Álcool, onde os mesmos foram considerados custos diretos e alocados diretamente aos produtos.

CUSTOS INDIRETOS

Com relação a estes custos foi identificado o relacionamento destes com os departamentos de produção de açúcar e de álcool e usam-se os seguintes critérios de rateios:

- Volume de produção
- Volume da produção x ATR dos produtos
- Volume da produção x tempo padrão de produção.

 

Capitulo 4 Metodologia

 

4.1 Tipo de pesquisa

O método de pesquisa que foi adotado na elaboração da monografia é a pesquisa bibliográfica. Este método consiste em realizar uma investigação sobre o tema a partir do seu referencial teórico existente em material elaborado.

A finalidade deste trabalho, é responder o problema destacado no item definição do problema através de estudos bibliográficos, tendo como fontes bibliográficas alguns comentários e citações, a qual tem credibilidade suficiente para auxiliar nas inferências e conclusões referentes ao tema. Para tanto, foram consultados livros textos, teses, dissertações e revistas contendo artigos técnicos.

 

Capitulo 5

 

5.1 Conclusão

A pesquisa elaborada para a confecção deste trabalho, procurou-se mostrar em uma usina de açúcar e álcool a viabilidade e a utilização do método de custeio por absorção.

As empresas do Brasil aos poucos estão adquirindo consciência quanto ao uso de métodos para tomar decisões. Elaboram-se indicadores quanto ao nível de produção, gastos ocorridos na produção, prejuízos decorrentes de vendas mal feitas e outros fatores.

A implantação de um método de custeio em uma empresa se torna eficiente quando embasada em situações concretas , pois cada empresa melhor se adaptará a um método de custeio de acordo com suas características, não podendo ser padronizadas em um só tipo.

Os principais métodos de custeio consagrado pelo uso nas empresas nacionais e internacionais são: custo direto/variável; custo por absorção e custo ABC (Activity-Based Costing).

Todos esses métodos são considerados válidos, entretanto para um uso numa empresa especifica, tem-se que analisar a sua adequação ou seja deve-se focar o binômio: validade x adequação.

Recomenda-se a utilização do método: custeio por absorção quando os custos diretos são também significativos, enquanto os custos indiretos apesar de serem relativamente baixos, e de baixa ou média diversidade, existe uma motivação de se proceder a um processo de rateio para apropriá-los aos produtos conforme critérios de rateios especifico a cada caso.

Sob a ótica da abordagem anterior concluímos que: Tendo em vista que os custos diretos inerentes à produção de açúcar e álcool oriundo de uma planta industrial do setor suco-alcooleiro representam cerca de 75% (vide anexo) e que os custos indiretos não apresentam grande diversidade, o método: custeio por absorção se enquadra perfeitamente às necessidades dos usos gerenciais decorrentes de um sistema de custos.

 

Referências

ANTHONY, Robert N. Contabilidade gerencial: introdução à contabilidade. São Pualo, Atlas, 1976.

BACKER, Morton & JACOBSEN, Lyle. Cost accounting: a managerial approach. New York, McGraw-Hill, 1964.

BEUREN, I. M. As informações contábeis em entidades sem fins lucrativos não governamentais. Revista Brasileira de Contabilidade, v.28, n.116, p.44-51, 1999.

DRUCKER, Peter Ferdinand. Administração de organizações sem fins lucrativos: princípios e práticas. 4 ed. São Paulo: Pioneira, 1997.

HORNGREN, Chales T. Contabilidade de Custos: um enfoque administrativo. São Paulo, Atlas, 1978. 2v.

LEONE, George S. Custos: planejamento, implantação e controle. São Paulo, Atlas, 2000.

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 5.ed. São Paulo: Atlas,1996.

MAHER, Michael, Contabilidade de Custos. 5.ed. São Paulo: Atlas,2001.

MOTTA, Fernando C. Prestes, PEREIRA, Luiz C. Bresser. Introdução à organização burocrática. 3 ed. São Paulo: Brasiliense, 1983.

NATIONAL ASSOCIATION OF ACCOUNTANTS - NAA BULLETIN, Flexible costs for pricing decisions, BACKER, Morton. New York, maio/1961.

SANTOS, Roberto Vantan dos. Modelagem de Sistemas de Custos. In: ANAIS CONGRESSO INTERNACIONAL DE CUSTOS, V, Acapulco, Gro. México, 1997.

 

ANEXO I

 

 

ANEXO II

 

 

ANEXO III

 

 

ANEXO IV

 

 

ANEXO V

 

 

ANEXO VI

 

 

ANEXO VII