Monografia: A Importância da Família na Escola
Sociais Aplicadas > Letras

Monografia: A Importância da Família na Escola

Faculdades Integradas Módulo
2004

 

 

 

Resumo

Essa pesquisa foi baseada em estudos sobre a importância da família na escola. A obra está dividida em três capítulos; o primeiro: Histórico da Família, apresenta a origem e o conceito de família, sua evolução e espécies; o segundo: A participação dos pais na escola, esclarece como efetivamente ocorre esta participação, abordando todos os instrumentos oficiais que são utilizados com este objetivo (MEC, Estatuto da Criança e do Adolescente, Constituição Federal, Conselho de Escola, Associação de Pais e Mestres, etc); o terceiro: O trabalho com as famílias, tem por objetivo fornecer estratégias e medidas visando integrar a família na escola, enfatizando a forma como deve ser executado o trabalho de integração. Todos os capítulos apresentam formas de integração que têm por objetivo proporcionar abertura para que os pais se tornem atuantes dentro da escola.

Sendo assim, a obra conclui que a família é pilar mestre do processo de aprendizagem que em ação conjunta com a escola leva o educando a superar seus problemas e ter sucesso em sua formação. Esta obra apresenta as inovações trazidas pela Constituição Federal brasileira de 1988 que garante, entre outros, o direito a uma educação com qualidade.

 

Sumário

Introdução
1. Histórico da família
2. A Participação dos Pais na Escola
3. O Trabalho com as Famílias
Conclusão
Referências Bibliográficas



Introdução

Este trabalho é o resultado de leitura e pesquisa que ampliam o caminho que leva a interação escola – família.

Muito oportuna e feliz foi á escolha do tema “A importância da família na escola” pois, não se é cidadão, na plenitude desta palavra, sem um mínimo de consciência. E, a escola, somente atingirá seu objetivo de educar, conhecendo a vida e os problemas de seus alunos. O aprendizado depende do conhecimento da vida de cada um para que possa ser adequado a cada realidade. Por isso, a escolha deste tema favorece e complementa o trabalho realizado na escola com as crianças, na medida que possibilita conhecer a comunidade, seus contextos de vida, os costumes e valores culturais de suas famílias, e as diferenças ou semelhanças existentes entre elas.

Temos, assim, uma obra redigida em linguagem simples desenvolvida em 03 capítulos: Capítulo 1 – Histórico da família – relata a evolução de seu conceito, suas espécies, o tratamento dado pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, etc; Capítulo 2 – A participação dos pais na escola – traz sugestões, estratégias, medidas e mecanismos atuais que visam à participação da família na escola, apresenta determinações do MEC, funcionamento participativo do Conselho de Escola e APM; Capítulo 3 – O trabalho com as famílias – descreve como deve ser desenvolvido o trabalho com as famílias, abrange aquilo que deve e aquilo que não deve ser aplicado para alcançar qualidade de ensino, oferecendo também sugestões e estratégias para o desenvolvimento do trabalho com as famílias.

A escola precisa proporcionar caminhos para que flua o processo de aprendizagem, o acompanhamento da família somente nos deveres de casa, é coisa do passado, o intercâmbio escola – família atual exige uma maior integração participativa da família na escola, resultando num melhor conhecimento das crianças e, portanto numa maior qualidade para o trabalho pedagógico.

Sendo assim, o conhecimento, o relacionamento franco e a participação das famílias das crianças na vida da escola são componentes fundamentais para uma educação democrática.

Como diz o psiquiatra Içami Tiba: “A família é o melhor meio para se criar um cidadão”.

Deste modo, a escola e a família são os parceiros ideais para o processo educativo.

 

1. Histórico da Família

De acordo com Ubirajara Nascimento o conceito histórico da família vem desde o homem primitivo, onde os indivíduos eram obrigados a se agruparem para se esconder do frio, dos inimigos predadores e para procriar o grupo. Quando a união entre estes indivíduos foi aumentando, foram se dividindo os núcleos por raças e línguas. Foi daí que surgiu a família, das necessidades básicas de sobrevivência, que se originou de um fenômeno biológico de conservação e procriação, depois transforma -se em fenômeno social.

Com o passar do tempo a sobrevivência começa a ter sua modificação, não bastava você ser importante só na sua família, mas sim na sua comunidade, na sociedade, é uma questão de identidade.

No Brasil a família vem passando por muitas mudanças, no período colonial a família era tradicional, o marido detinha todo o poder e todos os direitos, a mulher era totalmente submissa ao homem, os filhos ao nascerem dificilmente experimentavam o sabor do aconchego e da proteção materna, pois eram cuidados e amamentados pelas mães de leite.

Com a industrialização ocorreram várias mudanças, a família sofreu considerável evolução. Nos últimos anos houveram muitas mudanças no plano sócio – político – econômico relacionadas ao processo de globalização da economia capitalista e isso interferiu na estrutura familiar, possibilitando assim mudanças em seu padrão tradicional de organização.

Hoje, a Constituição Brasileira de 1988 traz um novo conceito de família, onde o homem e a mulher são iguais em direitos e obrigações artigos 201, 208, 226 a 230. Artigo 226 - um novo conceito de família: união estável entre homem e a mulher (§3º) e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes (§4º). E que os direitos e deveres conjugais são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher (§5º).

Portanto, hoje os direitos são iguais tanto para mulher, quanto para o homem, existindo assim homem que faz o papel da mãe e vice-versa, cumprindo-se assim o papel de família é como diz o ditado popular “mãe é aquela que cria”, não importa se é o pai, tia, avó...; o que importa é o amor, o carinho e dedicação ao se criar uma criança.

Uma das funções primordiais da família é a necessidade de assegurar um ambiente adequado para o desenvolvimento pleno do indivíduo no aspecto emocional, psicológico e motor, pois, um ambiente onde a criança só presencia brigas e discussões podem formar crianças agressivas podendo prejudicar posteriormente seu aprendizado.

De acordo com o Programa de Criança: brincar e estudar a construção de uma metodologia de combate ao trabalho infantil (AMAS), existem vários tipos de famílias que são:

a) Nuclear simples: família em que o pai e a mãe estão presentes no domicílio, todos são filhos dos mesmos pais, não há mais nenhum adulto morando no domicílio;

b) Monoparental feminina simples: apenas a mãe está presente no domicílio, mas também, eventualmente, com outros menores sob sua responsabilidade. Não há mais nenhuma pessoa maior de 18 anos, que não seja filho, morando no domicílio;

c) 3 – Monoparental feminina extensa: apenas a mãe está presente no domicílio, vivendo com seus filhos e outros menores sob sua responsabilidade e também com outros adultos, parentes ou não;

d) 4 – Monoparental masculino (simples ou extensa): apenas o pai está presente no domicílio, vivendo com seus filhos e, possivelmente, com outros menores sob sua responsabilidade e/ou outros adultos sem filhos menores de 18 anos;

e) 5–Nuclear extensa: o pai e mãe estão presentes no domicílio, vivendo com seus filhos e outros menores sob sua responsabilidade e também com outros adultos, parentes ou não do pai ou mãe;

f) 6 – Famílias conviventes: famílias que moram juntas no mesmo domicílio sendo ou não parentes entre si;

g) 7 – Família nuclear reconstituída: o pai ou a mãe estão vivendo em nova união, legal ou consensualmente, podendo um dos dois ter filhos com idade até 18 anos, vivendo no domicílio;

h) 8 – Família de genitores ausentes: família em que nem o pai ou a mãe está presente, mas que existem outros adultos (tais como avós, tios) que são responsáveis pelos menores de 18 anos;

i) 9 – Família nuclear com crianças agregadas: o pai e a mãe estão presentes no domicílio com seus filhos e também com outros menores sob sua responsabilidade. Não há outro adulto morando no domicílio.

Portanto, a família desempenha um papel chave na determinação dos padrões básicos de atitudes e valores que as crianças adquirem durante os primeiros anos de seu desenvolvimento e que, em grande parte, vão caracterizar o desenvolvimento de sua personalidade e suas relações com os outros durante toda a sua vida.

Segundo Lindgren (1971), em seu livro “Psicologia na sala de aula: o aluno e o processo de aprendizagem”:

Se uma criança adquire o senso de segurança de seu lar, tal sentimento vai capacitá-la a lidar mais adequadamente com as tarefas de aprendizagem na sala de aula e outros problemas que encontra na escola.

A família tem a responsabilidade de formar o caráter, de educar para os desafios da vida, de perpetuar valores éticos e morais para formação da pessoa e construção do ser.

De acordo com o ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE em seu artigo 19: toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes. E, no artigo 22: aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais.

Sendo assim a base de toda nossa educação está na família, um meio de transmissão da cultura em nossa sociedade, por isso ela é de fundamental importância.

Hoje em dia o diálogo se tornou muito importante entre pais e filhos e também dos pais com a escola, é um meio muito importante para se chegar a um bom relacionamento. O diálogo não é uma coisa que se impõe. Pai e Mãe devem tomar a iniciativa para ir ao encontro do filho. Sem raivas, sem preconceitos, sem julgamentos, sem rotulações, nos adverte Maria Tereza Maldonado em seu livro “Comunicações entre Pais e Filhos”. Os pais devem descer do seu pedestal, sair da postura de superioridade. Diálogo só é possível em igualdade e o mais importante antes de tudo, é escutar, é ouvir. Saber ouvir mais do que falar. Tentar compreender não interpretar. Compreender, aceitar que as visões de mundo, opiniões, sentimentos, comportamentos, são diferentes entre as gerações. Por isso, atitude de respeito mútuo num clima de confiança, de liberdade de expressão, de comunicação nos dois sentidos, é a base importante de um bom diálogo.

Criar um ambiente de amor, a união da família ser exemplo para cooperação entre os seus membros e cultivarmos o diálogo. Não será nos livros, nem na rua, nem na escola que nossos filhos aprenderão a amar. Observando o exemplo vivo dos pais, os filhos aprenderão que o amor é o princípio da felicidade, que o amor é exigente, é oneroso, é difícil, mas possível.

 

2 A Participação dos Pais na Escola

A real viagem de descobertas se dá não em buscar novas paisagens, mas em ter novo olhar para vê-las. (Marcel Proust)

Hoje em dia, os pais passaram a serem vistos como um dos elementos – chave da escola, que busca a qualidade de ensino.

Bastiani (1993) afirma que

O envolvimento de pais com a escola passou a ser considerado nos últimos anos como uma preocupação necessária e legítima e não pode ser mais uma opção extra, que as escolas poderiam ou não ter.

Isso não parece ser diferente na nossa realidade brasileira, pois estudos nacionais salientam a importância do contato com os pais em outras situações que não sejam somente em situações extremas e problemáticas (Pinheiro apud Ferraz, 1986; FALCÃO FILHO, 1989, Smolka, 1989, Pinto, 1985).

Toda a equipe da escola (direção, coordenação, professores, alunos, auxiliares, etc), precisa estar preparada para que ocorra a participação dos pais. Não podendo deixar, que se limite o contato entre pais e professores, em algumas reuniões durante o ano letivo.

Zanella et al (1997) também ressalta que,

Em decorrência do desencontro de opiniões entre os professores e pais, e do desconhecimento por parte dos professores, equipe pedagógica, equipe administrativa e de apoio, do que pensam os pais sobre a escola e o papel que esta desempenha.

Pensando nesse envolvimento o MEC, instituiu a data de 24 de abril como o Dia Nacional da Família na Escola. Neste dia, todas as escolas devem convidar os familiares dos alunos para participarem de suas atividades educativas, pois, conforme declaração do Ministro Paulo Renato Souza, quando os pais se envolvem na educação dos filhos, eles aprendem mais.

Precisamos ter clareza do que entendemos por participar. Será que é estar presente nas reuniões para ouvir informações burocráticas e queixas referentes ao mau comportamento dos alunos? Será que é ter acesso a decisões previamente estabelecidas? Será que é ajudar a organizar a festa junina da escola? Será que é poder ouvir e falar? Será que é a possibilidade de uma ação coletivamente construída por todas as partes envolvidas no processo ensino – aprendizagem, em que se pode planejar, decidir e agir? Enfim, muitos podem ser o significado da palavra participar.

Partindo desse princípio que reconhece a importância da relação escola – família e o que é participar, é possível pensar em como essa relação pode ser desenvolvida e esclarecida para todos.

Além da participação natural, os pais têm outros canais de representação e participação, que referem-se a inclusão desses no que diz respeito à tomada de decisões para com o projeto educativo da escola. Alguns dos quais, são reconhecidos e amparados pela legislação vigente, sendo esses, o Conselho de Escola e Associação de Pais e Mestres.

O artigo 95, da Constituição, cita o Conselho de Escola, sendo de natureza deliberativa, eleito todo começo de ano, formado por 40% docentes, 5% de especialistas da educação, 5% de funcionários, 25% de pais de alunos e 25% de alunos.

O §5º, refere-se as atribuições do Conselho de Escola, que delibera sobre as diretrizes e metas da escola, na elaboração do calendário escolar e o regimento da escola, na elaboração da proposta pedagógica, em buscar soluções para os problemas tanto administrativo quanto pedagógicos, é quem administra os recursos da escola, busca integrar a escola e a comunidade, é quem analisa as penalidades disciplinares que estiverem sujeitos os funcionários, servidores e alunos da escola e analisa o desempenho da escola, face as metas estabelecidas.

Os artigos 2º, 3º e 4º descrevem a APM, sendo uma instituição auxiliar à escola, composta por professores, diretor e pais de alunos e tem como finalidade colaborar com o processo educacional, representar a comunidade e os alunos junto à escola, administrar os recursos humanos, materiais e financeiros da escola e colaborar com a direção para atingir os objetivos educacionais.

A APM constitui um espaço que permite o encaminhamento de propostas dos segmentos nela representados, para o aprimoramento do processo educacional, e a integração família – escola e o Conselho de Escola, são considerados fóruns democráticos, em que são tratados os assuntos de interesse da escola como um todo.

Quando pais e alunos são convidados a participar de discussões e decisões que dizem respeito à vida escolar é muito comum apresentarem resistências e desconfianças. Estas reações não decorrem necessariamente, como se poderia pensar de início, da má vontade dessas pessoas. Em muitos casos, na verdade, essas reações constituem a resposta que elas conseguem oferecer ao processo que as marginalizou das decisões, durante anos, quer como cidadãos, quer como pais e alunos.

Por isso, cabe ao Conselho de Escola não só garantir a efetiva participação dos diversos segmentos da comunidade escolar nas decisões que lhes dizem respeito mas, também, conquistar credibilidade junto a esses mesmos segmentos fazendo com que as decisões tomadas sejam realmente cumpridas. Isto tornará o Conselho uma força viva na escola, evitando que se cristalize como instância meramente burocrática” (PINOTTI, 1991).

O Conselho de Escola e a APM, são canais legais entre a escola e a família, na medida em que juntos, partilhem objetivos comuns, através de suas ações, fortalecendo o avanço democrático dentro da escola, promovendo um ensino melhor.

O desenvolvimento desses colegiados, em integração, contribui para resgatar a função social da escola de maneira a enriquecer o currículo.

Quando pais e professores estão presentes nas discussões dos aspectos educacionais, estabelecem-se situações de aprendizagem de mão dupla: ou seja, a escola com sua função pedagógica, e a comunidade influenciando os caminhos da escola.

O Conselho de Escola é um dos colegiados que garante a autonomia no sistema educacional, uma vez que colabora no controle e elaboração do Plano de Gestão, no aprimoramento e participação de todos no processo de qualidade de ensino. Através de um estatuto previamente elaborado, o Conselho delega atribuições com o objetivo de facilitar sua própria organização.

A Gestão Participativa é de fundamental importância, pois á hierarquia de cargos e pessoas diferentes, geram uma visão bem diversificada dos vários problemas escolares surgidos no dia-a-dia, principalmente em assuntos importantes, delicados e não rotineiros e que dependam de uma visão coletiva, em que cada um expõe o seu ponto de vista.

O Conselho é democrático e todos defendem suas idéias, garantindo a participação direta na Gestão Democrática. O diretor precisa conduzir bem essa relação para que não haja conflitos, rivalidades e competitividade.

Por ser a instituição familiar anterior à sociedade civil, a ela cabe o direito e dever em relação à Educação. É ela quem ensina a linguagem, os hábitos, os comportamentos e atitudes para vida em sociedade. Ao entrar na escola, a família espera uma educação que assegure a manutenção de seus princípios, respeite sua concepção de vida e busque a concretização de seus anseios em relação ao destino de seus filhos.

O envolvimento dos pais no processo pedagógico da escola precisa ser incentivado, pois possibilita a troca de informações sobre os objetivos e metodologias adotados pela escola e pela família. Isso tudo proporciona uma ação integrada, levando o educando a perceber não só a ligação existente entre a casa e a escola, mas, também, a unidade de procedimentos para sua própria educação.

 

3 O Trabalho com as Famílias

Sônia Kramer em seu livro “Com a pré – escola nas mãos”, afirma que

A interação escola – família favorece e complementa o trabalho realizado na escola com as crianças, na medida em que possibilite que se conheça seus contextos de vida , os costumes e valores culturais de suas famílias, e as diferenças ou semelhanças existentes entre elas. E esta interação está relacionada desde o momento em que a escola propicie momentos onde a família participe das atividades da escola, favorecendo assim esta participação em horários flexíveis.

Atualmente, algumas Escolas, oferecem para comunidade cursos ministrados por professores especializados, onde a grande parte dos alunos são pais de alunos da própria escola. O curso deve tentar atender a disponibilidade de horários dos interessados. Estes cursos permitem a aproximação entre pais e escola.

O intercâmbio escola – família visa o melhor conhecimento da vida das crianças e, portanto, uma maior qualidade para o trabalho pedagógico.

Muitas vezes a escola “culpa” as famílias pelos mais diversos problemas das crianças (de dificuldades afetivas até de aprendizagem), e, “esquece” de assumir o seu papel de ensinar. Essa prática é comum, na rede pública ou particular. No entanto, ela tem uma conseqüência mais séria na rede pública: provoca o afastamento, justamente daquelas famílias que mais necessitam da escola, as das classes populares. Fatores de ordem social e cultural interferem, portanto, nessa relação, provocando vários confrontos: uma atitude de cobrança e acusação por parte da escola e, paralelamente, reações de apatia, resistência ou revolta por parte das famílias.

O pai,ou a mãe podem ter horários de trabalho que não lhes permitam vir à escola para trazerem ou buscarem seu filho (a/s), ou mesmo que dificultem o comparecimento às reuniões. É necessário que a escola reconheça que tais problemas são reais e tanto mais sérios quanto mais pobres as famílias, e que evite fazer julgamento referente ao suposto desinteresse dos pais em relação a seus filhos e à escola. É preciso levar em consideração esses aspectos na decisão quanto ás estratégias de trabalho com os pais.

Diversas são as alternativas possíveis, desde a realização de entrevistas até reuniões, festividades e visitas dos pais a escola para mostrar que eles também fazem parte do aprendizado de seus filhos.

As entrevistas permitem que haja maior troca entre pais e a equipe escolar, que seja feita ao menos uma entrevista individual por ano, no início do período letivo, com o propósito de favorecer o conhecimento do contexto de vida das crianças, suas atividades fora da escola e situação sócio - econômica. Os relatos desses momentos devem ser acrescentados ao dossiê de cada criança, que assim, vai tendo a sua história registrada.

Além das entrevistas é interessante prever encontros com os pais ao final de cada semestre para a avaliação do desenvolvimento da criança, que podem ser individuais, em pequenos grupos ou com toda a turma reunida.

Outras estratégias importantes no trabalho com os pais são as reuniões com a equipe da escola, onde a proposta pedagógica vai sendo apresentada e discutida. Nesse sentido, é preciso evitar tanto as reuniões de cobranças dos pais e reclamações sobre as crianças, quanto ás reuniões didáticas ou normativas que pretendem ensinar aos pais como cuidar de seus filhos. As reuniões devem ser momentos de integração, onde as famílias tenham oportunidade de conhecer, sentir e refletir sobre o que as crianças fazem e aprendem na escola, e onde os profissionais da escola ouçam e respondam as dúvidas e críticas dos pais, criando um clima de debate e crescimento. Para que tal objetivo seja alcançado é crucial envolver as famílias na escolha dos temas das reuniões e, além disso, desenvolver um tipo de dinâmica que possibilite a participação intensa de pais e professores.

Uma estratégia que pode tornar interessante uma reunião de pais é estimulá-los a trocar idéias sobre suas experiências positivas e negativas, com a matemática, por exemplo, ou propor que desenvolvam algumas atividades com os materiais pedagógicos utilizados por seus filhos. Assim, eles podem perceber como as crianças pequeninas lidam com esse conhecimento, que descobertas fazem, etc.

As reuniões podem também favorecer a análise ou busca de soluções para problemas do grupo, da escola, ou da comunidade em que está inserida.

É importante haver, ainda, atividades integradoras de pais, crianças e da equipe escolar, com o objetivo de estreitar os vínculos e os laços de convivência. Assim, ocasiões tais como o Dia dos Pais, das Mães ou Festa Junina podem dar lugar a eventos festivos, tornando-se as famílias, aos poucos, de convidadas em organizadoras.

Os pais podem ser consultados sobre o interesse e disponibilidade para participar das atividades, tais como, ensinar as crianças a fazer pipas, contar uma história que conheçam (do seu tempo ou de sua localidade de origem).

A população não sente como seu o espaço público, muito ao contrário, considera que a rua, praça, praia, o telefone ou escola pública “não são de ninguém”. As pessoas também não se sentem responsáveis pelas instituições particulares como uma escola, que, assim, “deve ser cuidada por seu dono específico”. Nesse sentido, é preciso compreender os fatores sociais e políticos que estão em jogo na relação escola – família, não acusando ou culpando os pais quando não participam da vida escolar e, simultaneamente, buscando as formas de aproximá-los da nossa proposta e de aproximarmo-nos de seus interesses.

Sabemos, enfim, que os objetivos do trabalho com os pais apenas serão alcançados quando estes sentirem e considerarem a escola como sua. E isso significa que também aqui nos orienta o objetivo maior de construir uma educação voltada para a cidadania.

 

Conclusão

Ao concluir esse trabalho, juntamente com minha prática educacional, pude constatar a importância da relação escola – família – comunidade no desenvolvimento da aprendizagem da criança.

Essa relação somente poderá ser construtiva se estiver baseada no respeito das diferenças sociais e intelectuais dos envolvidos no processo.

O contato entre pais e professores deve se basear nos objetivos de conhecer a criança, trocar informações e compartilhar critérios educativos.

Cabe à escola fornecer oportunidades para que os pais venham a participar do processo educacional, proporcionando uma ação conjunta, que leve o educando a perceber a importância dessa integração para a eficácia da sua educação.

 

Referências Bibliográficas

ASSOCIAÇÃO FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS: Cadernos de Pesquisa, julho, 2000, nº 110.Editora: Autores

ASSOCIAÇÃO FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS: Cadernos de Pesquisa, março, 1999, nº 106. Editora: Autores.

BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil, 1988.

BRASIL, Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8.069 de Junho de 1990.

BRASIL, Plano Nacional de Educação, MEC, 2001.

KRAMER, Sonia, Com a pré-escola nas mãos.

LINDGREN, Henry Clay, Psicologia na sala de aula: o aluno e o processo de aprendizagem. Rio de Janeiro: Livro técnico AS, 1971.

MALDONADO, Maria Tereza, Comunicações entre pais e filhos.

NASCIMENTO, Dr.Ubirajara, Relações familiares e sua repercussão na vida escolar, 1997.

PILETTI, Nelson, Psicologia Educacional, São Paulo: Ática, 1999.

SÃO PAULO. Secretaria de Estado da Educação – DRECAP: Conselho de Escola: Construir juntos uma escola de todos para todos: 1986/1987.

SÃO PAULO. Secretaria de Estado da Educação: Integração Escola – Comunidade. Editora FDE: São Paulo 1991