Modelos de Orçamento
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MODELOS DE ORÇAMENTO


1. ORÇAMENTOS

1.1 CONCEITO

Um orçamento é um plano de atividades futuras, traduzidas em valores monetários e com um horizonte temporal, geralmente, de um ano. Apesar de na maioria das vezes os orçamentos incluírem apenas os proveitos e os custos previstos para cada área ou departamento da organização (Demonstrações de Resultados), os orçamentos podem também incluir um plano para os ativos e passivos (Balanço) e um plano de pagamentos e de recebimentos (Mapa de Fluxos de Tesouraria).

Mais especificamente, o orçamento é aquela parte de um plano de longo prazo que é mais detalhada, referente a um determinado período anual. As receitas são baseadas na produção esperada para cada produto e no preço por unidade. Os custos orçados incluem a depreciação e o combustível para o maquinário, a mão-de-obra e os suprimentos.

Assim, como o objetivo do orçamento de recursos será chegar à projeção do balanço da empresa, deve-se observar os seguintes dados:

Exemplo:

1. Encargos sobre faturamento (produtos da linha B).

  • Simples Federal: 8,6%;
  • ICMS: 12,0%;
  • Despesas administrativas: 12,5%;
  • Despesas de vendas: 1,5%;
  • Despesas financeiras: 0,4%

2. Margem de lucro desejada: 15%.

3. Custo de produção

Custos

Produto A

Produto B

Produto C

Material Direto (MD)

550,00

551,00

540,00

Mão-de-Obra Direta (MOD)

300,00

304,00

306,00

Custos Indiretos de Fabricação (CIF)

150,00

95,00

54,00

Custo Unitário Total

850,00

800,00

750,00

A previsão de vendas é à base do orçamento de vendas, que, por sua vez é a base para todos os outros orçamentos operacionais e a maioria dos orçamentos financeiros. Dessa forma, a precisão da previsão de vendas afeta, e muito, a saúde de todo o orçamento mestre. Estudaremos alguns tipos de orçamento que são:


2. ORÇAMENTO DE VENDAS

2.1. CONCEITO

O orçamento de vendas constitui um plano das vendas da empresa, para determinado período de tempo, pois será a mola propulsora do orçamento global da empresa. É uma das peças mais importantes, pois está diretamente relacionada com a capacidade do mercado de absorver produtos e/ou serviços, o nível de demanda futura, o potencial da equipe de vendas, bem como o dimensionamento da produção.

Sua função principal é a determinação do nível de atividades futuras da empresa. Todos os demais orçamentos parciais são desenvolvidos em função do orçamento de vendas, ou seja, tendo-se determinado o que será vendido, em que quantidade e quando, e conta-se com as informações principais para a determinação dos recursos necessários para o atendimento dessas vendas em quantidade, qualidade e por período de tempo.

A responsabilidade pela elaboração do orçamento de vendas cabe ao executivo máximo dessa área de operações, porém, data a sua importância para toda a empresa, cabe à diretoria a sua revisão final e aprovação.

O principal objetivo do orçamento de vendas é dar velocidade no atendimento qualificado aos clientes, assegurando o preço certo, a quantidade certa, o produto certo, no lugar certo e no tempo certo. Isso irá permitir a correta projeção da receita operacional futura da empresa para o período considerado.

Na elaboração do orçamento de vendas são consideradas variáveis de mercado consumidor, variáveis de produção, variáveis de mercado fornecedor e de trabalho e variáveis de recursos financeiros.


3. ORÇAMENTO DE PRODUÇÃO

3.1. CONCEITO

Será elaborado após a elaboração do orçamento de vendas e das receitas correspondentes, é preciso estimar o quanto será gasto para a obtenção dessas receitas, haja vista a necessidade de prévio conhecimento de sua estimativa para evitar-se excessos ou escassez de produtos. E o orçamento de produção, é o principal instrumento para a determinação dessas despesas.

Consiste basicamente em um plano de produção para o período considerado, visando atender às vendas orçadas e aos estoques preestabelecidos, apresenta, por período de tempo, as quantidades de cada produto a serem fabricadas.

O orçamento de produção é o instrumento que projeta todos os elementos envolvidos com o processo produtivo, ou seja, matérias-primas, mão-de-obra direta e custos indiretos de fabricação, bem como as estratégias e táticas de logística, fornecedores integrados e a qualificação dos fatores operacionais para a produção de produtos com qualidade e quantidade certas no período considerado.

O orçamento de produção é uma estimativa da quantidade de bens que deveram ser fabricados durante o exercício orçamentário.


4. ORÇAMENTO DE MATERIAIS (DIRETOS E INDIRETOS)

4.1. CONCEITO

Matérias-primas são bens adquiridos que, no processo industrial, por transformação ou por montagem, se integram nos produtos acabados.

Há materiais cuja quantidade de consumo sempre é expressa em quantidades discretas, ou melhor, em múltiplos de uma unidade. Fontes de informação sobre as quantidades de consumo são os projetos da Engenharia de Produção, os registros históricos das operações industriais e os dados do setor de Contabilidade de Custos. Há indústrias, geralmente de pequeno porte, onde faltam esses dados ou não são confiáveis; neste caso, a consulta aos supervisores da produção pode ser uma alternativa.

Cumpre destacar que o orçamento de compras representará papel relevante no processo de planejamento de matérias-primas, não apenas pela ótica operacional, mas também pelos aspectos financeiros, em termos de liquidez e capital de giro, com reflexos econômicos sobre a empresa. Essa preocupação estará relacionada ao fato de que uma boa venda do produto ao cliente, começa com uma boa compra de matéria-prima pela empresa.

O passo seguinte consiste em preparar o orçamento para materiais diretos, mão-de-obra direta e CIF. Ele é baseado na quantidade de materiais necessários para a produção e para os estoques de materiais diretos. O consumo esperado de materiais diretos é determinado pelo relacionamento de entradas-saídas. A quantidade de materiais diretos em estoque é determinada pela política de estoque da empresa.


5. ORÇAMENTO DE MÃO-DE-OBRA (DIRETA OU INDIRETA)

5.1. CONCEITO

A elaboração do orçamento de mão de obra direta também se reveste de grande importância para a empresa, pois absorve uma parcela substancial dos custos totais.

Orçar a mão de obra direta significa a estimar a quantidade de mão de obra direta que será necessária para cumprir o programa de produção b, projetar a taxa horária que será utilizada e c, calcular o custo total de mão de obra.

Este orçamento pode ser apresentado detalhando-se a quantidade e os valores de mão de obra direta por produto, centro de custo e período de tempo.

A despesas com a mão de obra direta é representada pelos salários pagos aos trabalhadores ocupados em operações produtivas ou que tem a seu cargo o controle de operações especificas de fabricação. Os serviços de manutenção, almoxarifado, ferramentas e outros não diretamente vinculados à atividades produtivas terão os seus custos de mão de obra associados aos custos indiretos de produção e será agregado aos orçamentos de matéria prima e de custos indiretos, permitirá a apuração do custo total de produção, o total de horas gastas com mão-de-obra direta necessária e o custo associado para o numero de unidades no orçamento de produção. Mostra a mão-de-obra direta consumida por uma unidade de produção, e as unidades a serem produzidas do orçamento de produção.


6. ORÇAMENTO DE GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO

6.1. CONCEITO

O orçamento de despesas indiretas de fabricação relacionará todos os gastos de produção, exceto os relacionados com matérias-primas e mão-de-obra direta com encargos sociais no período orçamentário.

As projeções dos referidos custos devem ser elaboradas por cada uma das áreas responsáveis pela sua gestão, tomando-se por base a série histórica, normalmente. Outros métodos podem ser utilizados.

Este orçamento mostra o custo de todos os itens indiretos de manufatura. Diferentemente de matérias diretos e mão-de-obra direta, não exige relacionamento prontamente identificável de entradas e saídas para os itens de CIF. Os CIF são constituídos pelos custos variáveis e fixos.

Usando as informações e as horas orçadas de mão-de-obra direta do orçamento de mão-de-obra direta preparam-se o orçamento de CIF, e veremos demonstrado a quantidade de horas orçadas de mão-de-obra direta, a taxa do CIF variáveis e fixos.

6.2. ORÇAMENTO DO ESTOQUE FINAL DE PRODUTOS ACABADOS

Para calcularmos este orçamento usaremos os materiais diretos e indiretos, mão-de-obra direta e indireta e gastos gerais com fabricação, onde teremos as informações necessárias para o balanço e o custo por unidade e o custo do estoque final de cada produto.

6.3. CUSTO ORÇADO DE PRODUTOS VENDIDOS

Temos a demonstração do resultado usando os resultados dos materiais diretos e indiretos, mão-de-obra direta e indireta e gastos gerais com fabricação e orçamento final de produtos acabados, e será elaborada para demonstrar o resultado orçado o exercício.


7. ORÇAMENTO DE INVESTIMENTOS

7.1. CONCEITO

O orçamento de Investimentos (ou Orçamento de Capital) visa determinar os valores de aquisições e baixas do Ativo Permanente, bem como apurar as cotas de depreciação, exaustão e amortização. Ao contrário dos orçamentos anuais, as aplicações em prédios, lojas, armazéns, equipamentos, etc. ocupam mais de um período e a sua administração normalmente é feita à base de projetos; além disso, a sua viabilidade é avaliada a partir de uma série de procedimentos com o fito de assegurar uma relação adequada entre custos X benefícios.

O orçamento de investimentos em imobilizado possui importância considerável do ponto de vista do planejamento e controle administrativo. A alta administração defronta-se constantemente com o problema da determinação do volume de fundos a serem aplicados em imobilizado. O problema básico envolve a necessidade de manutenção de instalações apropriadas para fins de crescimento, para atender a procura dos clientes e fazer frente à concorrência.

Como as despesas de capital geralmente envolvem a imobilização mais ou menos permanente de grandes quantias, as decisões a elas relacionadas tendem a exercer efeitos substanciais e duradouros sobre a posição econômica de uma empresa.

Assim sendo, os planos devem ser elaborados de forma a evitar a existência de capacidade ociosa, investimento excessivo e investimentos em ativos com baixo retorno em termos de fundos aplicados. Além disso, deve haver estreita compatibilidade com a posição de caixa e com as condições financeiras criadas.

Por fim, vale ressaltar que, a atenção inadequada dos administradores em relação as considerações acima, pode resultar, no mínimo, na deterioração do poder de concorrência da empresa no seu segmento de atuação.

7.2. ORÇAMENTO DE DESPESAS OPERACIONAIS

O orçamento de despesas operacionais será constituído por despesas administrativas (gerais), vendas (comerciais), tributárias e financeiras, ou seja, por todos os gastos que irão incorrer no período projetado, exceto os custos de produção vistos anteriormente.

Acresce-se que o orçamento de despesas operacionais irá envolver, além dos itens relacionados acima, as despesas relativas à captação e alocação de recursos financeiros na empresa e da estimativa do risco de créditos concedidos a clientes. Assim, o orçamento de despesas operacionais será constituído por todos os gastos necessários para administrar e vender os produtos e/ou serviços aos clientes.

7.3. ORÇAMENTO DE DESPESAS FINANCEIRAS

O orçamento de despesas financeiras é o instrumento que irá relacionar os futuros desembolsos de caixa decorrentes de captações de recursos destinados à manutenção do capital de giro e/ou do capital fixo à ampliação, à expansão, à modernização, à diversificação e à relocalização da empresa no período projetado.

Dessa forma, serão contemplados os juros, os descontos concedidos nas vendas, as taxas de abertura de crédito, os avais, ao encargos de aplicações temporárias em títulos de renda fixa e variável, ou fundos de investimentos, etc.

O último orçamento elaborado para as operações foi o orçamento de despesas administrativas. O orçamento de despesas administrativas consiste de despesas estimadas para a organização e a operação como um todo da empresa. A maioria das despesas administrativas é fixa com respeito às vendas. Incluem os salários, a depreciação no prédio e equipamento dos escritórios, honorários, e assim por diante.

7.4. DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO ORÇADO

Apos concluir as tabelas de despesas administrativas teremos os dados necessários para a demonstração do resultado orçado. O resultado operacional não é equivalente ao lucro líquido da empresa. Para se obter o lucro líquido é preciso subtrair as despesas de juros e de impostos do lucro operacional. A dedução das despesas de juros é tirada do orçamento de caixa. Os impostos devidos dependem da legislação tributária corrente.


8. ORÇAMENTO DE CAIXA

8.1. CONCEITO

A projeção do fluxo de caixa é uma atividade indispensável para a grande maioria das instituições. O que pode variar é o grau de formalização utilizado em sua confecção. Nas pequenas empresas individuais, como no caso de um pequeno estabelecimento de comercio, a projeção do fluxo de caixa é feita quase mentalmente, auxiliada por cálculos em folha de papel. Por outro lado, em grandes empresas a projeção do fluxo de caixa pode adquirir grande complexibilidade, empregando-se até conceitos probabilísticos e sistemas em computador.

O Orçamento de Caixa permite que a empresa planeje suas necessidades de caixa a curto prazo, antevendo, assim, a ocorrência de déficits ou excessos ao longo do período, de forma a assegurar condições adequadas de liquidez. Sem um procedimento confiável para estimar a necessidade de financiamento, uma empresa pode acabar não dispondo de recursos suficientes para pagar seus compromissos, tais como juros sobre empréstimos, duplicatas a pagar, despesas de aluguel, tributos, salários. Portanto, a falte de um planejamento financeiro sólido pode causar falta de liquidez e então a falência – mesmo quando os ativos totais estão excedendo os passivos. O sucesso e a solvência de uma empresa não podem ser garantidos meramente por projetos rentáveis e pelo aumento das vendas.

O orçamento não é nada mais do que um plano descrito, expresso em termos de unidades físicas e/ou monetárias. A complexidade do processo orçamentário e os seus detalhes de elaboração poderão variar de empresa para empresa, porém na sua essência são semelhantes.

O principal objetivo do orçamento de caixa será dimensionar para um dado período, se haverá ou não, recursos disponíveis para suprir as necessidades de caixa da empresa. Através do nível projetado de caixa pode-se orçar a parte de recursos que deverão se capitados e a melhor destinação dos possíveis excedentes de caixa. Justifica-se esta preocupação, porque na atual conjuntura, se o dinheiro não estiver corretamente aplicado, tornar-se-á anti-produtivo para a empresa, na proporção do tempo em que estiver ocioso.

Com baixo ou elevado grau de formalização, o fato é que a grande maioria das empresas elabora algum tipo de projeção do fluxo de caixa. As razões para isso se prendem ao fato de que em economias inflacionarias a manutenção de elevados saldos de caixa implica prejuízos devidos ao decréscimo do poder aquisitivo desses valores, além dos juros correspondentes, ou seja, o valor do dinheiro que poderia estar sendo aplicado produtivamente. Por outro lado, as faltas imprevistas de caixa trazem como conseqüência maiores ônus financeiros na obtenção de empréstimos, além de poderem desacreditar a empresa junto aos seus credores.

É por essa razões que se faz necessária a elaboração de projeção do fluxo de caixa, que dentro da seqüência do processo orçamentário consiste em estimar as entradas de caixa decorrentes de vendas e outras receitas e as saídas de caixa resultantes das despesas operacionais e outros gastos; além disso, é preciso avaliar os saldos de caixa, identificando-se as eventuais correções necessárias.

A elaboração do orçamento de caixa requer, entretanto, que se façam alguns ajustes nos orçamentos de receitas e despesas, até aqui elaborados. Isto é necessário porque o orçamento obedece, como a moderna contabilidade, ao principio da competência do exercício, segundo o qual as receitas e os custos são atribuídos aos períodos de acordo com a data do fato gerador, e não com a data de recebimento ou pagamento.

Desta forma, o orçamento é o instrumento que permite ao administrador financeiro saber, antecipadamente, se haverá problemas de liquidez ou não, em termos operacionais e não operacionais, considerados os aspectos de solvabilidade e de rentabilidade da empresa, para o período.

Assim, em termo hábil, a empresa irá projetar a necessidade de levantar empréstimos para cobrir déficit de caixa, analisando as fontes internas e externas, o custo financeiro de operação, as reciprocidades que deverão ser oferecidas à instituição de crédito, etc.

Por outro lado, na aplicação deverão ser considerados o volume de recursos que serão comprometidos, o tempo, o risco, a liquidez e a rentabilidade do investimento.  

O padrão de cobrança para receitas e o padrão de pagamento de compras também devem ser considerados pelo planejador. As despesas com depreciação devem ser subtraídas, uma vez que despesas com depreciação são de natureza econômica e não financeira. Algumas empresas preparam seu orçamento de caixa para períodos mensais, semanais e/ou diários.

8.2. FLUXO DE CAIXA

Criação do Fluxo de Caixa possibilita a visualização, com antecedência, as necessidades financeiras. Sem planejamento, a empresa pode ganhar na produtividade e perder esses ganhos com a tomada de empréstimos no curto prazo e a juros elevados.


9. CONCLUSÃO

O orçamento é um dos mais eficientes instrumentos de planejamento e de controle empresariais, que poderá ser projetado de várias maneiras, de acordo com as necessidades ou conveniências de cada empresa.

As decisões terão de ser tomadas, mediante as informações que darão suporte financeiro à empresa e que estarão contidas necessariamente no orçamento de caixa.

Diante do que foi exposto, é possível perceber a extrema importância do assunto para o universo do mundo administrativo empresarial.

Nota-se que o sucesso dos empreendimentos passa, necessariamente por um rígido controle das finanças e suas políticas de gerenciamento, onde, o orçamento de caixa, que vai definir os rumos, quanto a administração das entradas e saídas de recursos, como vistas a evitar estrangulamentos financeiros e fazer com que a organização incorra em custos desnecessários e realizados sem condições de planejamento, que muitas vezes resultam em gastos que poderiam ser evitados.

Portanto, o assunto abordado é capaz de despertar grande interesse, visto que trata de uma das questões fundamentais da empresa, e estimula os alunos a aprofundar suas pesquisas, visando adquirir maiores conhecimentos e domínio sobre o assunto, sobretudo se existir nesse público, um interesse de ser gestor de empresas. 


10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Diversos Sites.

Orçamento na Adminstração de Empresas, Antonio Zoratto Sanvivente, Atlas, 1995.