Linguagem e Persuasão
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LINGUAGEM E PERSUASÃO


I. Informação sem persuasão?

Deixar claro, nesse caso, uma atitude antipersuasiva objetiva fixar uma imagem de respeitabilidade, credibilidade. Isso nos revela a existência de graus de persuasão: alguns mais ou menos visíveis, outros mais ou menos mascarados. É possível afirmar que o elemento persuasivo está colado ao discurso como a pele e o corpo, algumas manifestações literárias, jogos verbais, um ou outro texto marcado pelo elemento lúdico. O reconhecimento das formas persuasivas permite aventar a possibilidade de encontrar discursos de outra ordem.

II. A tradição retórica

Os estudos retóricos passaram a receber novas abordagens, em especial no que diz respeito às figuras de linguagens e suas funções.

* A retórica clássica: é composta dos livros I, II, III, elementos de gramática, lógica , filosofia da linguagem e estilística, ao estudo das provas técnicas; às provas extratécnicas: leis depoimentos das testemunhas, contratos, declarações obtidas sob tortura, juramento; A citação nos autoriza a deduzir o seguinte:

1. a retórica não é a persuasão;

2. a retórica pode revelar como se faz a persuasão;

3. os discursos institucionais são o lugar da persuasão;

4. a retórica é analítica;

5. a retórica é uma espécie de código dos códigos, esta a cima do compromisso estritamente persuasivo, pois abarca todas as formas discursivas.

Para tanto, um dos mecanismos mais óbvios indicados por Aristóteles é aquele que fixa a estrutura do texto em quatro instancias seqüenciais e integradas: o exórdio, a narração, as provas e a peroração.

Verdade e verossimilhança: é, pois, aquilo que se constitui em verdade a partir de sua própria lógica. Daí a necessidade, para se construir o "efeito de verdade".

O vazio da retórica: a questão reside em encontrar o enfeite para a idéia, a rima rara, a estrofe construída com a paciência do cinzelado. Escrever passa a ser, principalmente, um ato de exercício verbal, um ritual ao qual não devem faltar os deuses a serem glorificados.

Retórica moderna: entendida como uma técnica de raciocínio humano controlado pela dúvida e submetido a todos os condicionamentos históricos, psicológicos, biológicos, de qualquer ato humano.

Alguns raciocínios: é possível visualizar no mundo clássico a existência de raciocínios:

  • Raciocínio discursivos já codificados pela retórica que possuíam gradações persuasivas. Raciocínio apodítico possui o tom da verdade inquestionável.
  • Raciocínio implícito se você quer emagrecer, deve tomar Zupavivitin. É um raciocínio fechado em si mesmo que não dá margem a discussão.
  • Raciocínio dialético busca quebrar a flexibilidade do raciocínio apodítico.
  • Raciocínio retórico é capaz de atuar junto a mente e corações, num eficiente mecanismo, de receptor.

Algumas figuras: as figuras, ou translações, cumprem a função de redefinir um determinado campo de informação, criando efeitos novos e que sejam capazes de atrair a atração do receptor.

Metáfora: se caracteriza por determinar representações para as quais não se encontra um designativo mais adequado.

  • Transferência ou transposição. É uma operação de passagem do plano de base para o plano simbólico.
  • Associação. Na transposição ocorre um processo de associação subjetiva entre a significação própria e o efeito figurativo.

Metonímia*: é a utilização de um termo em lugar de outro, desde que entre eles haja uma relação de contigüidade. Por exemplo: em " O brasileiro não tem preconceito de cor", "brasileiro" está em lugar do plural brasileiros.


III. Signo e Persuasão

A natureza do signo lingüistico: o signo é representativo, simbólico. Ou seja coisas não se confundem com palavras, as palavras não são as coisas que designam. Um dos aspectos compositivos básicos da palavra é o seu caráter simbólico, visto que as palavras estão sempre em lugar das coisas.

Arbitrário, porém necessário: podemos então deduzir que as circunstancias históricas, o mundo, o mundo concreto, os anseios espirituais, ao longo de seus processos de desenvolvimento, foram criando necessidades de nomeação dos objetos.

Signo e ideologia: ao se contextualizar, ela passa a expressar valores e idéias, transitando ideologias, cumprindo um amplo espectro de funções persuasivas às quais não faltam a normatividade e o caráter pedagógico.

A troca dos nomes: o eufemismo não teria maior importância se deixasse de ser um jogo de mistificação, nascido exatamente pela troca dos nomes. A alteração lexical não é apenas parte de um natural processo sinonímico, mas o desejo de dourar uma pílula cujo desgaste se tornou evidente.

O discurso dominante: são signos que colocados como expressões de uma verdade, querem fazer-se passar por sinônimo de toda verdade, dotados de recursos composicionais, estilísticos, até muito originais, não deixam de trazer a natureza sociabilizada do signo. É necessário, então indagarmos um pouco mais sobre a natureza do discurso persuasivo enquanto ponte para as falas institucionais.

O discurso autorizado: é persuasivamente desejoso de aplainar as diferenças, fazendo com que as verdades de uma instituição sejam expressão da verdade de todos, o problema não está obviamente, no fato de eficácia e da competência, mas na sua natureza e no uso alienado que ela se faz.


IV. Modalidades Discursivas

Ocorre que uma das formas estará sempre em situação de dominância, sendo mais visível, portanto caracterizadora.

O discurso lúdico: o discurso lúdico compreenderia boa parte da produção artística, pôr exemplo, a musica, a literatura.

O discurso polêmico: o discurso polêmico pode ser encontrado em situações muito variadas: uma discussão entre amigos, uma defesa de tese, um juízo sobre uma questão nacional, um editorial jornalísticos ou uma sala.

O discurso autoritário: é encontráveis, de forma mais ou menos marcada, na família: o pai que manda, sob a máscara do conselho; na igreja: o padre que ameaça sob a guarda de deus; no quartel: o grito que visa a preservar a ordem e a hierarquia; na comunicação de massa: o chamado publicitário que tem pôr objetivo racionalizar o consumo; há, ainda, longos etecéteras a serem percorridos.

Um esquema: um esquema que ajuda na análise dos discursos deve ser considerada em função de quatro elementos: distância(atitude do sujeito falante fase ao seu anunciado), modalização(o modo como o sujeito constrói o enunciado), tensão(relação que se estabelece entre o emissor e o receptor), e transparência(maior ou menor grau de transparência, ou opacidade, do enunciado).


V. Texto persuasivos

Na publicidade: o texto publicitário nasce na conjunção de vários fatores quer psico-sociais-econômicos, quer do uso daquele enorme conjunto de efeitos retóricos aos quais não faltam as figuras de linguagem, as técnicas argumentativas, os raciocínios.

Esquemas básicos: insiste em que a propaganda, ou a publicidade, usa alguns esquemas básicos a fim de obter o convencimento dos receptores: o uso dos estereótipos; a substituição de nomes; criação de inimigos; apelo à autoridade; afirmação e repetição. Apregoava que uma mentira repetida muitas vezes era mais eficaz do que a verdade dita uma única vez.

No discurso religioso: a conclusão serve que fixar a situação do homem e o que dele deseja Deus. Para o senhor, o homem está em falta, em queda, ou seja, o sujeito não é, mais pode vir a ser, superando-se e conseguindo, através da fé, encontrar a salvação. É possível caracterizar o discurso religioso como dogmático, dado essa sua natureza de inquestionalidade.

No discurso do livro didático: é um procedimento que visa a ensinar as primeiras letras: alfabetização, leitura: particularmente, pretende formar os "bons hábitos", despertar a criança para "os valores mais caros à sociedade", o respeitos às leis, às tradições, enfim, aquele corpo de preceitos ditados como expressivos e determinantes para a vida futura do educando. Conclusão: formamos uma família.

Na literatura: entre discurso literário e persuasão passa por uma definição – ou (Re)definição – da própria consciência que se tenha a cerca do uso da linguagem: ou nós a vemos como um instrumento para transmitir idéias e ditar preceitos, ou como instância promotora de saberes; nesse caso, um convite para, na aventura da linguagem, sentirmos o prazer de descobrir o mundo.

No discurso dos justiceiros: é o causer, o que relata os casos, mais ao mesmo tempo se transforma em tribunal e juiz, sumo sacerdote do bem. É possível depreender a idéia de que a matriz persuasiva percorre as mais diferentes formações discursivas. Da publicidade é possível localizar como se procede a fim de conseguir a feitura de um discurso do convencimento.

Fugir da persuasão: de inicio é bom lembrar que persuadir não é sinônimo imediato de coerção ou mentira. Para existir persuasão é necessário que certas condições se façam presentes: a mais óbvia é a da livre circulação de idéia. É possível imaginar, contudo que em certas áreas do conhecimento possa imperar uma natureza discursiva menos persuasiva, até mesmo lúdica, aberta. A arte moderna, ou de vanguarda, possui muito desta natureza antipersuasiva.


VI. Vocabulário crítico

Antítese; figura de linguagem que faz uso de expressões opostas.

Arbitrariedade; porque a relação entre significante e significado é casual, não respeitando nenhuma regra ou lei preestabelecida.

Conotação; são os muitos sentidos que uma palavra pode adquirir num contexto.

Corpus; indica o conjunto de fenômeno, normas, incidências, representadas pela língua.

Denotação; é a referência às palavras que produzem um único sentido.

Discurso; trata-se de um termo de largo uso e de sentidos diversos.

Eloqüência; está ligada à técnica de expressão oral.

Escola de Liège; designativo do grupo de professores.

Estereótipo; frase ou expressão modelar que de tanto ser usada perdeu sua força inicial.

Eufemismo; figura de linguagem que consiste no uso de expressões mais suaves e menos agressivas, a fim de comunicar algo desagradável.

Ética; a retórica não é ética, porque a ela não cabe fazer juízos a cerca do bem ou do mal.

Função emotiva; é uma das funções desempenhada pela linguagem.

Hipérbole; figura de linguagem que destaca uma idéia pelo exagero.

Kitsch; é um conceito vinculado ao mau gosto.

Monossemia; palavras ou expressões que remetem a um mesmo sentido.

Outdoor; cartaz publicitário colocado em avenidas de larga circulação.

Parnasianismo; tendência literária que se difundiu no Brasil.

Plano de base; expressão designadora do aspecto denotativo da palavra.

Plano simbólico; está ligado a metáfora, ao nível representativo do signo.

Refratar; que quebra ou desvia a direção de alguma coisa.

Retórica analítica; em dada passagem afirmamos que a retórica é analítica, ou seja, se presta á analítica do discurso.

Signo; transcende o plano meramente lingüístico, encontramo-lo nos gestos, na bandeira, numa imagem etc.

Unidirecional; significa numa única direção, ou seja é o discurso onde o emissor domina completamente a ponto de não haver retorno por parte do receptor.