Japão e os Tigres Asiáticos
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JAPÃO E OS TIGRES ASIÁTICOS


Introdução

Apesar do seu reduzido território, o Japão é a segunda maior potência econômica do mundo. É o líder das relações comerciais da Ásia com os paises da orla do Pacifico, com considerável influência na área do Indico e forte penetração nas economias da Europa Ocidental e Estados Unidos.

Também no extremo Oriente, já há algum tempo, os Tigres Asiáticos ganharam as manchetes dos jornais e espaço quase diário na televisão do mundo todo. Para entendermos que de fato o que Os Tigres representam, precisamos analisar quando o como surgiram, além de acompanhar sua evolução. Nesta historia, o Japão desempenhou importante papel. Justamente por isso, estudaremos esses paises em conjunto.


Japão

Território e população

Localizado no extremo leste da Ásia, o Japão é um arquipélago com mais de 3.000 ilhas com sua capital em Tóquio, mas quatro se destacam pelo tamanho: Hokkaido (78523 km²), Honshu (231090 km²), Shikoku (18780 km²) e Kiushu (42163 km²). O arquipélago possui uma superfície de 372819 km², que corresponde a soma das áreas dos estados de São Paulo e do Espírito Santo.

Com mais de 125 milhões de habitantes, o arquipélago japonês apresenta uma das mais altas densidades demográficas do mundo: 337 habitantes por Km². A maior concentração populacional está na ilha de Honshu, onde vivem 100 milhões de pessoas.

O surgimento de uma potência

Favorecido pela ajuda norte americana logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, o Japão teve rápida crescimento econômico, acompanhado de uma política de controle de natalidade e de elevação do padrão educacional, tecnológica e financeira, que lhe permitiu conseguir grande projeção comercial.

Essa posição comercial e a tecnologia de ponta em diferentes setores da produção foram responsáveis por significativos crescimento do PNB e importante equilíbrio interno. Equilíbrio conseguido com estimulo as exportações e à contenção das importações.

Do isolamento total à modernização

Historicamente, o Japão sempre foi visto como país isolado dos demais. Isso porque, em meados do século XVII, o clã que governava seu território, temendo o crescimento de influências estrangeiras, proibiu qualquer tipo de contato dos japoneses com o mundo exterior. Esse fechamento se prolongou até 1854 quando, em sintonia com o imperialismo da época, os Estados Unidos exigiram a retomada das relações comerciais do Japão com a comunidade internacional.

Pouco depois, em 1868, teve início no país a chamada era Meiji, cujo o governo foi responsável por grandes realizações e pelo desencadeamento do processo de modernização da economia japonesa.

As principais mudanças promovidas pelo novo imperador foram:

  • A submissão das províncias do poder central em substituição ao antigo sistema de feudos;
  • A obrigatoriedade do ensino primário a todos (antes, somente os nobres aprendiam a ler e escrever);
  • A aprovação de uma Constituição;
  • O estabelecimento dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário;
  • A designação do imperador como chefe supremo do país;
  • O estabelecimento do iene como moeda do país;
  • A industrialização do país;
  • A transferência de capital de Kyoto para Tóquio;
  • A instituição da imprensa e dos serviços postais;
  • A formação dos zaibatsus, conjuntos de empresas interligadas do setor produtivo ou financeiro que passaram a controlar a economia do país. Os zaibatsus são considerados a base da industrialização japonesa.

Organização territorial

A pratica da agricultura no Japão é um grande problema devido aos seguintes fatores: pequena disponibilidade de espaço, relevo acidentado, conservação das áreas florestadas e ocupação das áreas das planícies junto aos litorais por atividades industriais.

A reforma agrária realizada em 1946, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, valorizou a distribuição do espaço agrário em pequenas propriedades e incentivou o uso da mecanização e sistemas intensivos de produção.

A reforma agrária ensejou a formação de um mercado consumidor interno, possibilitando o avanço industrial no pós-guerra.

Hoje a produção de legumes e frutas caracteriza o país como um dos líderes mundiais da tecnologia no setor. Alem desses produtos, também se plantam arroz, trigo, chá, amora e cana-de-açúcar.

Terra para cultivo

No Japão, todas as terras aproveitáveis são cultivadas. Se o espaço não for plantado com arroz ou trigo, com certeza será ocupado pela produção de frutas e hortaliças. Apesar disso, apenas 7% dos trabalhadores japoneses têm suas atividades no campo. A maioria é proprietária de terras. E, embora o país se esforce para desenvolver cada vez mais o setor agrícola, continua sendo um grande importador de alimentos.

Política agrícola

Para manter os preços estáveis, garantindo o lucro dos produtores e o estímulo a produtividade, o governo japonês compra toda a produção agrícola, revendendo-a depois a população. Em muitos casos, a revenda é por preço inferiores aos que foram pagos aos produtores; a diferença é um subsídio que o governo desembolsa afim de também favorecer os consumidores. Cerca de 80% dos produtos agrícolas são assim subsidiados; apenas uma parcela mínima da produção é comercializada livremente, sem a interferência do governo.

O Japão ainda promove o desenvolvimento da agricultura em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, por meio de créditos, envio de técnicos, equipamentos e material, convênio para estagiários, bolsistas, além de auxílios diretos em alimentos. Isso ocorreu, por exemplo, no Centro Oeste brasileiro, onde os japoneses investiram em cultivo de grãos do cerrado.

A atividade pesqueira

A pesca é uma outra atividade econômica importante no país, pois fornece mais da metade das proteínas consumidas pela população. O Japão possui uma das maiores frotas pesqueiras do mundo e, hoje em dia, seus barcos são encontrados em todos os mares e oceanos.

A indústria japonesa

Também foi depois da Segunda Guerra Mundial que o investimento em pesquisas cientificas e o desenvolvimento tecnológico tornaram as industrias japonesas modernas e mais competitivas no mercado mundial.

Isso foi favorecido pela abundante mão-de-obra com elevado grau de instrução e permitiu um aumento progressivo das exportações.

Foi montada uma boa rede de informatização e tecnologia de transmissão, possibilitando até mesmo os trabalhadores em casa ficassem conectados às empresas.

Na corrida pela criação de novos produtos, as empresas japonesas aprimoraram o controle de qualidade e conseguiram praticar preços abaixo do mercado mundial. A partir da década de 60 começou uma invasão de produtos japoneses em países do Oriente e do Ocidente.

Vencendo dificuldades

O Japão não tem a maioria dos minerais básicos empregados na industria. O petróleo é importado e as reservas de carvão e de ferro são muito pequenas. Apesar disso, o país tornou-se uma potência industrial. A industrialização japonesa teve como base:

  • O aproveitamento de grande potencial hidrelétrico, pois os rios do Japão, apesar de pequenos, são encachoeirados, já que o país é montanhoso;
  • A importação de matérias-primas e fonte de energia;
  • A especialização da mão-de-obra japonesa, que, por ser abundante, é relativamente barata;
  • A utilização de tecnologia avançada.

Hoje, o país possui um parque industrial bem diversificado, com destaque para as industrias de construção naval, que produzem mais de 30% dos navios construídos no mundo, e as que exigem grande precisão técnica, como a fabricação de relógios, máquinas fotográficas e aparelhos eletroeletrônicos.

Comércio internacional

Para o Japão, é importante garantir trocas complementares, principalmente na área das matérias-primas naturais (minérios, madeiras e alimentos). Em contrapartida, os japoneses têm a oferecer, além da tecnologia de ponta, a criatividade que permite superar as carências com soluções industriais, e, nesse aspecto, o país emerge como a economia mais evoluída do planeta.

No entanto, o crescimento das exportações dos Tigres, sobretudo na própria Ásia, fez com que as vendas japonesas para o mercado internacional reduzissem seu crescimento desde o final dos anos 80. mesmo assim, no período compreendido entre 1980 e 1990, as exportações do país cresceu em média anual de 5%. Nos anos 90 essa taxa caiu para menos de 1%.

Os países asiáticos absorvem aproximadamente 40% das exportações japonesas, enquanto os Estados Unidos e a Europa compram cerca de 20%.

O Japão exporta principalmente manufaturados, como automóveis, aço, navios, maquinas e bens de consumo, e importa, entre outros, produtos alimentícios, carvão, petróleo, urânio e cobre.

Seus principais parceiros comerciais são:Estados Unidos, Alemanha, França, Austrália, Coréia do Sul, China, Indonésia, Cingapura e Taiwan.

População: O envelhecimento da sociedade

A população japonesa apresente características peculiares. O número de pessoas idosas, por exemplo, corresponde ao dobro do número de crianças.A estimativa do governo é de que, a partir de 2025, o país terá de gastar 73% de sua receita em benefícios e cuidados com as pessoas de mais de 65 anos.

Assim, a economia que já foi de crescimento mais acelerado do globo pode tornar-se a sociedade de envelhecimento mais rápido do mundo. Para conseguir financiar o futuro da nação, o governo não tem outra saída: será necessário cobrar impostos mais altos e diminuir os benefícios sociais.

Outro aspecto importante que hoje preocupa as autoridades japonesas é o número considerável de homicídios, principalmente entre jovens. Numa sociedade que preza o sucesso acima de qualquer valor, as cobranças tornam-se às vezes insuportáveis para o estudante, que prefere o suicídio a enfrentar a reação de parentes e amigos diante de seu fracasso escolar.

Problemas no trabalho também são causas de muitos distúrbios mentais. Os japoneses supervalorizam a eficiência no trabalho, o que provoca inúmeros casos de desequilíbrio emocional e faz crescer o numero de pessoas que necessitam de tratamento psiquiátrico.

A crise da potência nos anos 90

Apesar da explosão industrial, tecnológica e econômica das décadas de 70 e 80, o Japão entra em crise nos anos 90. a estagnação do processo de crescimento econômico foi provocada principalmente pelo desequilíbrio do setor público, que está muito endividado, por dificuldades diante da decorrência cada vez mais acirrada no mercado internacional e pela especulação.

A recessão da década de 90 não tem paralelo na historia moderna do país. Em apenas cinco anos, o Japão perdeu 6% do seu Produto Interno Bruto o que representa por exemplo o PIB inteiro do México. Com isso, aumentou extraordinariamente o número de falências e o índice de desemprego atingiu 3,5% da força de trabalho.

O Japão viveu entre 1985 e 1990 anos de grande euforia econômica, com crescente valorização das ações de suas empresas. Nesse período, os japoneses fizeram grandes investimentos imobiliários, até mesmo nos Estados Unidos. Os empreendimentos, no entanto, não tiveram sucesso, pois os preços superaquecidos pela especulação não foram absorvidos pelo mercado, isto é, os imóveis construídos não tiveram compradores. Com isso, muitas ações despencaram em valor e as respectivas empresas faliram, arrastando para o desastre os bancos que haviam financiado os empreendimentos imobiliários.

Em resposta à crise, o país passou a implementar uma série de mediadas a partir de 1997, como a reestruturação do sistema financeiro. Além disso, o governo pretende promover muitas fusões internas e associações com bancos estrangeiros. O que importa para o país é, uma vez mais, encontrar soluções criativas para recuperar a crise e manter sua liderança no panorama econômico mundial.


Os tigres Asiáticos

Durante a Guerra Fria (1945-1989), período de grande rivalidade entre os Estados Unidos e a União Soviética, o Japão se projetou como potencia mundial e passou a servir de base e modelo para o desenvolvimento para alguns países da área do Pacífico.

Nessa época a China e a Coréia do Sul ameaçavam o equilíbrio de poder na região. Por serem países socialistas, o fato de se destacarem na Ásia representava uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos em relação ao Japão e a seus parceiros.

O Japão teve o seu "boom econômico" na década de 80, quando seu crescimento assombroso chamou a atenção do mundo para o Extremo Oriente.

Depois disso, a ligação entre as nações asiáticas e o Japão, alem do caráter comercial e tecnológico, ganhou nova dimensão: de integração regional e de interesses comuns.

Os países que se beneficiaram de uma política de apoio promovida pelos Estados Unidos e pelo Japão foram chamados de Tigres Asiáticos. São eles: Cingapura, Coréia do Sul e Taiwan (Formosa), além de Hong Kong, hoje anexado à China.

Basicamente esses países apresentam em comum alguns fatores que favorecem a atração de recursos externos , o desenvolvimento industrial e a acumulação de capital:

  • A posição estratégica em relação aos países socialistas;
  • A superexploração da força de trabalho, com inexistência da maior parte dos direitos trabalhistas conhecidos no Ocidente, ale da restrição da associação sindical;
  • Grande intervenção estatal na economia, principalmente no setor financeiro;
  • Presença de governos autoritários, com cercamento da liberdade política;
  • Concentração de capital, com formação de pouco conglomerados, em oligopólios em todas as etapas do processo produtivo e nos diferentes setores da economia;
  • Reduzido o mercado interno;
  • Considerável investimento em educação e qualificação de mão-de-obra.

Alem de receberem investimentos externos diretos e indiretos, esses países também se beneficiaram de privilégios alfandegários para exportar seus produtos para o Japão e os Estados Unidos.

Por que Tigres?

A idealização de figuras fantásticas que expressem uma idéia ou uma intenção faz parte do imaginário oriental. E nós do Ocidente, quando ouvimos alguma alusão a tal simbologia, logo nos lembramos do dragão, a figura mais conhecida.

Símbolos de poder para os Asiáticos, o dragão é uma combinação de partes de outros animais: cabeça de touro, língua de cobra, garras de leão e corpo de dinossauro. Conta uma das lendas orientais que, durante os eclipses, a lua é invadida por dragões. E, segundo a tradição chinesa, só é possível exterminá-los ao som do rufar dos tambores enquanto o fenômeno acontece.

Já o tigre representa a força e a astúcia; por isso, esse felino é tomado como símbolo dos países Asiáticos recentemente industrializado.

De qualquer forma, o que se quer enfatizar com as figuras é a importância da emergência dessas novas nações como modelos de eficiência e de força produtiva.

Cingapura

A primeira experiência bem-sucedida de desenvolvimento econômico no Sudeste Asiático foi Cingapura. Por sua clara política econômica, agressivo comércio internacional e elevada qualidade de vida, o país constitui-se, desde a sua independência, em 1965, na mais importante economia da região e no mais forte Tigre Asiático

O nascimento de um novo Tigre

Na época da independência de Cingapura, o setor industrial do país consistia, basicamente, na produção de aparelhos elétricos em geral, refino de petróleo, reparos navais e tecelagem. Porém, a rápida expansão do setor de refino e a instalação de empresas do ramo eletrônico nos anos 80 – reflexo direto da onda de desenvolvimento que atingia a região asiática- levaram Cingapura a se transformar em produtor de importância mundial nos ramos de eletrônica, petroquímica e farmácia.

O governo investiu pesado na educação e no aprimoramento constante de sua força de trabalho. Os salários e as condições materiais dos trabalhadores cingapurianos estão entre os melhores da Ásia. Tanto que a renda per capita do país é de mais de 30 mil dólares. O crescimento econômico do país não causou grandes desigualdades. Ao contrario, a diferença de renda entre 20% mais ricos e os 205 mais pobres está diminuindo. Tanto que, nos últimos 15 anos, caiu de catorze para dez vezes.

A determinação de investir na força de trabalho tinha razão de ser: ao examinar com cuidado a tecnologia de ponta dos Estados Unidos e do Japão, ficou claro que, para crescer, Cingapura precisava absorver o quanto antes o avanço tecnológico dos dois países. E foi o que aconteceu. Essa é uma das características que acabaram norteando a conduta dos demais Tigres Asiáticos.

Um importante pólo de atração

Hoje, Cingapura oferece todas as facilidades para quem quiser instalar fábricas que produzam bens de capital no país, ou seja, máquinas, equipamentos e matérias-primas sintéticas. Afinal, esse tipo de indústria tem efeito multiplicador no parque fabril, com o correspondente aumento de capital investido no país.

Outra atividade importante é o refino e a revenda de petróleo, que Cingapura compra do Oriente Médio, da Indonésia e de outros países vizinhos, antes de comercializá-lo em toda Ásia.

O comércio exterior de Cingapura tem se beneficiado de continuo crescimento ao longo dos últimos anos. Em 1996, por exemplo, as exportações tiveram um aumento de 5,2% em relação a 1995 os principais parceiros comerciais de Cingapura são: Estados Unidos, Malásia e Japão.

Como não tem maior espaço físico nem expressivo mercado interno, Cingapura importa tudo de que precisa para existir – da água, que vem da vizinha Malásia, ao leite fresco, que chega diariamente da Austrália.

No entanto, em 1996 o crescimento econômico, que era de cerca de 10% ao ano, caiu para 6,5%. Essa queda representou quase uma crise econômica no país, mesmo que a taxa de crescimento tenho permanecido muito superior à média dos principais países latino-americanos no mesmo período ( cerca de 3%).

Coréia do Sul

A evolução da economia sul-coreana confirma a crença de que o crescimento econômico não está necessariamente atrelado à liberdade política, fronteiras abertas e outros fatores de gênero.

O enorme desenvolvimento do país deve-se, em grande parte, ao protecionismo e uma forte aproximação entre as empresas e o governo.

A Coréia do SuL é um dos Tigres que apresenta maior diversidade industrial, e suas exportações incluem produtos de alta e média tecnologia, como eletroeletrônicos, computadores, automóveis e outros.

Ao contrário do apregoado pela teoria capitalista do livre comércio, com reduzida interferência do Estado, a prosperidade sul-coreana foi construída em um regime político e econômico rígido e controlado, aberto apenas às exportações.

A Coréia do Sul só recentemente se tornou uma democracia. Governado agora por um civil eleito pelo povo e tendo ingressado na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país está às voltas com a liberação gradual dos entraves às importações.

Mão-de-obra barata: garantia de novos investidores

Os operários sul-coreanos enfrentam hoje difícil situação: os trabalhadores mais caros são, cada vez mais, substituídos por outros, mais baratos. Contra essa prática implacável de diminuir gastos, cortando salários e buscando mão-de-obra de baixo custo, pouco pode ser feito. Afinal, o grande atrativo aos investidores externos é exatamente o baixo preço da força de trabalho.

Assim, o aumento dos salários nas novas indústrias acaba sendo contido pela séria ameaça de evasão do país. Quando os trabalhadores se revoltaram e exigiram maiores salários, as industrias mais leves, de montagem de equipamento ou de confecção, transferiram-se para outras nações da Ásia, levando consigo quase sempre seus equipamentos administradores.

Os sinais da crise

Entre os Tigres tradicionais, o país que mais sofreu com a crise econômica que atingiu a Ásia em 1997 foi a Coréia: crise no sistema bancário, drástica diminuição dos investimentos externos, aumento da inflação e do desemprego, necessidade de desvalorização da moeda em relação ao dólar.

Esses fatores obrigaram o país a reduzir acentuadamente o ritmo do crescimento econômico. O grau de expansão da economia caiu de 6,5% em 1996 para menos de 2,5% em 1997 e 1998.

TAIWAN: a luta pela autonomia

Com a subida dos comunistas ao poder na China, no dia 1º de outubro de 1949, os nacionalistas foram obrigados a se refugiar com seus seguidores na ilha de Formosa.

A partir de então formaram-se duas Chinas : uma, de estrutura socialista, localizada na área continental, com a capital em Pequim, e outra, de estrutura capitalista, situada na ilha de Formosa, com a capital em Taipe.

Vista atual de Pequin

A ilha de Formosa, que também recebe o nome de Taiwan, luta até hoje com o governo chinês para obter o reconhecimento de sua independência.

O governo de Pequim não aceita a independência, persistindo em considerar Formosa como uma província da China. Propõe, contudo, a reintegração de Taiwan sob o lema "um país, dois sistemas", nos moldes do que está sendo obedecido com a incorporação de Hong Kong ao território chinês.

Diante da insegurança, Taiwan tem investido em defesa. Em 1997, por exemplo, chegaram à ilha os dois primeiros caças F-16, de um lote de 150, comprados dos Estados unidos. Em 2000, além de todos os f-16, Taiwan conta também com 60 Mirage 2000-5s, de fabricação francesa, e 130 caças desenvolvidos no próprio território.

Hoje, Taiwan é forte em caças, destróieres e equipamentos eletrônicos. Já a China é superior em satélites, submarinos e mísseis. As tropas chinesas também são maiores ¾ 3 milhões de soldados ¾ , mas o treinamento dos taiwaneses é reconhecidamente mais eficiente.

De olho no retorno de Hong Kong à China...

Ao lado do desafio militar, Taiwan acompanha com interesse os desdobramentos do acontecimento mais importante do continente nos últimos tempos: o retorno de Hong Kong `a China em 1997.

Esse fato trará conseqüências para toda a região e particularmente para o estado taiwanês.

Taiwan usa a ex-colônia britânica como porta de entrada da China continental, pois na prática quase tudo que é proibido através do estreito que separa os domínios de Pequim e Taipe é permitido se for feito via hong Kong.

A importância dessa relação com as transações comerciais de Taiwan pode ser verificada em dados concretos: do total das exportações taiwanesas de 1995, por exemplo, cerca de 15% foram para o território comunista, sempre por Hong Kong.

Atualmente, sob o governo comunista, Hong Kong é considerada uma Região Administrativa especial, com autonomia em assuntos econômicos. O comércio entre Taiwan e Hong Kong, garante Pequim, não será alterado com a mudança.

Estrutura produtiva

Desde os anos 80, o país beneficiou-se da presença de uma sólida indústria de base, herança dos investimentos americanos durante a Guerra do Vietnã. Taiwan possui ainda indústrias tradicionais, como as do ramo têxtil, e indústrias de construção naval,de automóveis, de equipamentos elétricos e eletrônicos, e petroquímica.

Com posição geográfica favorável e sólida base industrial, Taiwan quer se fortalecer como centro econômico, tal qual Hong Kong, Xangai e Cingapura.

A seu favor, Taiwan conta com a simpatia do ocidente por ter um governo democraticamente eleito.

Hong Kong

Com apenas 1.078 quilômetros quadrados de superfície e uma população com cerca de 1 milhão de habitantes, a ex-colônia britânica de Hong Kong é um dos maiores centros financeiros do mundo.

Diversos fatores contribuíram para que essa condição fosse alcançada. Entre eles:

A localização geográfica, pois o território fica meio caminho entre Japão e Cingapura, o que o situa na principal rota marítima e aérea da porção oeste do pacífico.

O fato de Hong Kong ser o maior porto de entrada da China, que ele se serve para receber investimentos e mercadorias em geral.

O retorno do filho pródigo

Com uma renda per capta de 25.000 dólares, Hong Kong é hoje uma das regiões mais ricas do mundo. O PIB do território ultrapassa 170 milhões de dólares, sendo que, na década de 90, a taxa média de crescimento anual ficou em torno de 6%.

Em 1841, mediante um contrato de arrendamento mercantil (leasing), a China cedeu Hong Kong à Inglaterra como um entreposto comercial. Pouco mais de trinta anos depois, em 1875, o território já era rota obrigatória no comércio com a Ásia. O acordo entre a China e a Inglaterra expirou em 1º de julho de 1997, quando Hong Kong foi finalmente reintegrada à potência chinesa.

Os futuros de Hong Kong e da China estão intimamente ligados. A China depende Hong Kong para receber investimentos estrangeiros: cerca de 40% deles tem origem em Hong Kong. A China também precisa do capital baseado em Hong Kong, principalmente para implementar o desenvolvimento das regiões mais remotas e pobres do país.

Hong Kong, por sua vez, tem a china a base de seu comércio exterior. A reexportação de produtos para a China por exemplo, para montagem e processamento a custos menores, superou os 150 bilhões de dólares em 1996. Os custos de produção de manufaturas em Hong Kong não são mais competitivos devido à elevação salarial da sua força de trabalho.

Os Novos Tigres

Quatro outras nações, conhecidas como Novos Tigres, acabaram se destacando no processo asiático de valorização econômica do espaço, priorização dos investimentos em educação e especialização de mão-de-obra, conquista de mercados e avanço tecnológico. São elas: Malásia, Tailândia, Indonésia e Filipinas.

Nos Novos Tigres Asiáticos, o que mais chama a atenção é a presença de grupos transnacionais, que investem grandes somas de capital e know-how para promover o desenvolvimento industrial e tecnológico. Nesses países, os fatores determinam o processo acelerado da economia são: baixo custo da mão-de-obra, grande contingente populacional, incentivos fiscais por parte do estado e facilidades para a exportação.

Nos últimos anos, o crescimento médio do Produto Nacional Bruto (PNB) nos Novos Tigres tem se mantido alto ¾ cerca de 6% ao ano ¾ , enquanto os índices de analfabetismo e de crescimento vegetativo tiveram queda acentuada.

Esses dados favoráveis são acompanhados de baixa taxa de inflação, pequena dívida externa e elevado valor das exportações.

Indicadores sociais dos Tigres: elementos para comparação

Com uma população superior a 420 milhões de pessoas, os Tigres possuem alta densidade demográfica. A mais baixa é a da Indonésia, com 105 habitantes por quilômetro quadrado, seis vezes maior que a densidade demográfica brasileira, que é hoje de 18 habitantes por quilômetro quadrado. Dois Tigres, porém, detêm a maior densidade do planeta: Cingapura, com 5.460 habitantes por quilômetro quadrado, e Hong Kong, com quase 6.000 habitantes por quilômetro quadrado.

Apesar dos números elevados, a tendência da região é de diminuição gradativa do crescimento médio anual da população. Isso significa, a longo prazo, diminuição também da expansão da força de trabalho, contrariando o desejo dos investidores internacionais, ávidos por mão-de-obra abundante e conseqüentemente barata.

 

Crescimento médio anual da população (%) Crescimento médio anual da mão-de-obra (%)

 

1980-1990

1990-1994

1980-1990

1990-1994

Cingapura

1,7

2

1,7

1

Hong Kong

1,2

1,5

1,6

0,8

Coréia do Sul

1,2

0,9

2,3

1,9

Filipinas

2,4

2,2

2,6

2,6

Tailândia

1,8

1

2,6

1,5

Malásia

2,6

2,4

2,8

2,7

Indonésia

1,8

1,6

3

2,5

Obs: não há dados disponíveis sobre Taiwan Fonte: Banco Mundial 1996


A explosão econômica ocorrida nos Tigres nos últimos anos não causou melhoras em mesma proporção no nível de vida da população. Ocorre que as condições reais de vida ¾ expressas por indicadores sociais ¾ modificam-se lentamente, sobretudo quando a economia está mais voltada para atender ao interesse do capital externo do que para beneficiar o conjunto da população, como em geral é o caso dos Tigres.

Na área da educação, considerada um dos pilares do modelo econômico dos Novos Tigres, o analfabetismo ainda é um grande desafio a ser vencido. O número de pessoas sem escolaridade ou com baixa escolaridade é alto, principalmente se comparado aos do Japão ¾ modelo de todos os Tigres ¾ , que possui uma taxa de analfabetismo de apenas 1%.

O índice de mortalidade infantil nos Tigres Asiáticos é de modo geral baixo, graças a um sistema de saneamento eficaz que previne doenças e infecções na população infantil. Há, no entanto, um considerável desequilíbrio entre os novos e os velhos Tigres, como se pode ver no quadro abaixo.

Esse desequilíbrio fica explicado, pelo menos em parte, se compararmos, por exemplo,Indonésia e Cingapura. No primeiro, onde 55% da população tem acesso a saneamento, de cada mil crianças vivas, 49 acabam morrendo antes de completarem um ano idade; em Cingapura, porém, 100% tem acesso a saneamento, e de cada mil crianças nascidas vivas, apenas 5 morrem antes de completarem um ano. Essa diferença se reflete na expectativa de vida da população.

 

Tigres Asiáticos:Indicadores Sociais

 

Analfabetismo de adultos (%) Acesso da população a saneamento (%) Taxa da mortalidade infantil (por mil nascidos vivos) Expectativa de vida (em anos)
Cingapura

8

100

5

76

Hong Kong

8

85

6

78

Coréia do Sul

2

100

9

73

Taiwan

6

*

*

75

Filipinas

5

72

37

66

Tailândia

6

87

34

69

Malásia

16

94

11

72

Indonésia

16

55

49

65

Obs: *não há dados disponíveis sobre Taiwan Fonte: Banco Mundial 1996

Anos 90: o fim de um modelo?

Os Tigres Asiáticos despontaram no início dos anos 80 por sua capacidade de produzir superávits na sua balança comercial. A máquina de exportação das economias da região começou a dar sinais de esgotamento no momento em que o custo trabalhista ficou tão ou mais caro que o dos principais parceiros comerciais.

Para completar, o Japão deixou de ser um grande comprador e a China tornou-se um grande produtor. Pela primeira vez, desde a crise do petróleo na década de 70, a economia japonesa corre sério risco de estagnar, reduzindo o volume de compras de produtos das demais nações asiáticas.

A gigantesca economia chinesa, por sua vez, pode ser uma das razões desse complexo problema. Com a abertura da economia aos investidores estrangeiros, a China já soma volumes altamente elevados de poupança interna e reservas no valor de 130 bilhões de dólares ¾ cerca de 8% ao ano ¾ , e a inflação permanece próxima de zero.

Crise globalizada

No início de 1997, depois de quase duas décadas de crescimento contínuo, ocorreu a primeira crise asiática. Foram atingidas as economias mais frágeis, como a da Indonésia, Malásia, Tailândia e Filipinas. Os Tigres Asiáticos mais antigos, porém, não foram abalados.

Somente no final desse ano, a crise assumiu uma dimensão muito maior do que se podia imaginar, surpreendendo a comunidade internacional. Atingiu em cheio Hong Kong, Taiwan, Coréia do sul e Cingapura ¾ países modelo para boa parte do mundo durante anos.

Embora trilhassem um caminho que deu resultados positivos, os Tigres Asiáticos ainda têm problemas estruturais para resolver. As fraquezas políticas e institucionais foram disfarçadas por anos de rápido crescimento econômico. Agora, existe a possibilidade de uma intensificação das tensões sociais, aparentemente sufocadas enquanto a economia da região crescia numa velocidade de 7% ao ano.

Na avaliação de grandes bancos estrangeiros, a crise na Ásia poderá se prolongar até o início do próximo milênio. Várias empresas estão se transferindo dos Tigres Asiáticos para a China, atraídas pelos custos trabalhistas mais baixos e por um mercado bastante promissor.


Conclusão

Dos Tigres Asiáticos fazem parte Japão, China, Formosa, Cingapura, Hong Kong e Coréia do Sul, tendo um PIB de 4,25 trilhões de dólares e um mercado consumidor de 1,295 bilhão de pessoas.

Na Bacia do Pacífico, quem predomina sobre os outros componentes é o Japão, com uma economia supercompetitiva que está enfrentando a União Européia e os Estados Unidos. Destina volumosos investimentos aos Dragões Asiáticos (Coréia do Sul, Formosa, Cingapura e Hong Kong), que são os países que mais crescem industrialmente naquela região e precisam de apoio financeiro, o qual o Japão está promovendo para a atuação de um mercado competitivo no cenário mundial da economia. E aos países de industrialização mais recente (Indonésia, Tailândia e Malásia, além das zonas exportadoras do litoral da China), o Japão também está colaborando para o desenvolvimento dos mesmos neste setor.

Esse bloco asiático, movido pelo potente Japão, está tentando erguer os outros países para que se torne uma massa que tenha competição na economia mundial e que ocupe parte dela.


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Moreira, Igor Antônio Gomes; Construindo o Espaço Mundial. Editora Ática. São Paulo, 2002.