Francis Bacon ; Rene Descartes , Galileu Galilei
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Francis Bacon; Rene Descartes, Galileu Galilei


Bibliografia de Francis Bacon

Francis Bacon foi chamado de "primeiro dos modernos e último dos antigos", "inventor do método experimental", "fundador da ciência moderna e do empirismo". Bacon foi apenas o arauto da ciência moderna e jamais seu criador; Bacon foi prejudicado por manchas de graves defeitos morais. A ambição desmedida precipitou-o nas intrigas da vida cortesã. Através de procedimentos nem sempre muito lícitos, Bacon buscou os meios que permitissem levar uma vida extremamente dispendiosa. O egoísmo, somado à vontade de triunfar, tirou-lhe o nobre sentimento da amizade. Mas igualmente injusto seria rebaixar também, senão sua grandeza científica, pelo menos o papel histórico decisivo que desempenhou, lutando a vida inteira pelo progresso das ciências da natureza.

A reforma religiosa realizada por Henrique VIII (1491-1547) trouxera consigo profundas conseqüências econômicas e sociais. Antes, dois terços do solo inglês estavam nas mãos da Igreja de Roma; com o confisco dessas propriedades, surgiu uma pequena nobreza fundiária, que, juntamente com os elementos ligados às atividades comerciais florescentes, serviria de sustentação econômico - social para o absolutismo, em vias de consolidação.

Além de compor o quadro econômico e social mais amplo que explica os conflitos de seu tempo, esse fato relaciona-se de maneira íntima à vida pessoal de Bacon. Pelo lado paterno, ele era um típico representante dessa nova camada social, recebeu terras e títulos de nobreza, por serviços prestados à Coroa. A Inglaterra de Elizabeth I, depois de sangrentas lutas, conseguiu um estado de equilíbrio e segurança interna, tornando-se a maior potência protestante da época e desenvolvendo extraordinária força política. No campo científico e artístico, transformou-se no principal palco dos conflitos culturais.

Francis Bacon, formado no próprio centro dessas lutas, lançado no meio de intrigas políticas, compreendeu que, numa situação como aquela, as forças decisivas do conflito eram as da inteligência e do saber, foi aplicado por ele perigoso menosprezo por qualquer lei moral, aquele princípio permitiu a construção de vasto e eficaz sistema de idéias. Bacon nasceu no dia 22 de janeiro de 1561, desde muito cedo sofreu influências antagônicas.

Por outro lado sua mãe, calvinista em teologia e puritana em moral, estimulou-o no sentido do zelo, da dedicação e da severidade. Mãe opressiva, preocupava-se com as companhias do filho. O culto religioso familiar, a leitura da Bíblia, deixaram marcas profundas até no estilo literário de Bacon. Esses aspectos contraditórios da formação de Francis Bacon permitiriam aspectos fundamentais de sua vida e de sua obra.

Em 1577, dois anos depois de concluir os estudos em Cambridge, o pai de bacon enviou-o à França, para trabalhar junto ao embaixador Sir Amyas Paulet. Começava, assim, a carreira diplomática. Dois anos depois, foi eleito deputado do Parlamento Inglês.

A carreira política continuou brilhante e Bacon recebeu o título de conselheiro da Coroa. Em 1593, discursando na Câmara dos Comuns, fez críticas mordazes acerca de impostos exigidos pela rainha Elizabeth.

Bacon dedicou-se exclusivamente ao trabalho intelectual e redigiu os Ensaios, que o situam entre clássicos da literatura inglesa. A obra teve ampla difusão revelando um espírito jovial, perspicaz, ao mesmo tempo mundano e cultivado em letras clássicas e assuntos bíblicos. Pouco tempo depois (1603), a soberana falece e Jaime I ascende ao trono. Bacon torna-se seu conselheiro ordinário, recebe o título de "sir", eleva-se, em 1618, ao mais alto posto do reino britânico, chanceler.

Apesar da vida política agitada, Bacon não relegava as segundo plano seus interesses filosóficos. Pensava num ambicioso plano de trabalho científico, que intitularia, posteriormente, A Grande Instauração. Enquanto não realizava esse plano, publicou uma obra intitulada Da Proficiência e do Progresso do Saber Divino e Humano. Em 1620 publicou a mais famosa de suas obras: Novum Organun ou Verdadeiras Indicações acerca da Interpretação da Natureza, parte daquela Grande Instauração, projetada alguns anos antes.

Depois da condenação, contraiu enormes dividas, o trabalho intelectual, no entanto, continuou cada vez mais intenso. Foi talvez a época mais importante para suas obras. Conseguiu terminar algumas, deu redação definitiva a outras e pretendeu concluir um vasto plano de experiências e observações científicas. No ano de 1626, Bacon dedicava-se, em Londres, a experiências sobre o frio e a putrefação. Em 9 de abril de 1626, faleceu vitimado por uma bronquite.

Método Científico de Francis Bacon

Bacon terminou seus dias trabalhando da maneira como sempre recomendou àqueles que quisessem saber algo de verdadeiro a respeito da natureza: pesquisando experimentalmente. O que projetara teoricamente na Grande Instauração, procurou realizar na prática. Não chegou a descobrir qualquer coisa nos domínios dos fenômenos naturais, mas deixou indicado, naquele projeto formulado duas décadas antes de sua morte, um novo caminho para o conhecimento científico.

O plano Grande Instauração compreendia seis partes: a primeira era uma classificação completa das ciências existentes; a segunda, a apresentação dos princípios de um novo método para conduzir a busca da verdade; a terceira, a coleta de dados empíricos; a quarta, uma série de exemplos de aplicação do método; a quinta, uma lista de generalizações de suficiente interesse para mostrar o avanço permitido pelo novo método; a sexta, a nov filosofia que iria apresentar o resultado final, organizado num sistema completo de axiomas.

Esse vasto e ambicioso plano não foi realizado inteiramente por Bacon. Dele restaram apenas a parte segunda, referente a metodologia, exposta em sua mais conhecida obra, o Novum Organum (publicado em 1620); o De Dignate et Augmantis Scientarum (reformulação de O Progresso do Saber, feito em 1623), indicado pelo autor como devendo representar a primeira parte da Grande Instauração, ou seja, a referente à divisão das ciências. Restou também uma História Natural (terceira parte do plano original), mas muito distante de suas ambições.

Bacon chamava por uma reforma total do conhecimento humano, criticando a filosofia anterior por sua esterilidade quanto a resultados práticos para a vida do homem. Ao fazer essa crítica, pensava particularmente nos filósofos escolásticos. Bacon critica também os "alquimistas", para Bacon o verdadeiro filósofo natural (expressão usada na época para designar o cientista da natureza) deveria seguir o exemplo da abelha e trabalhar na acumulação sistemática de conhecimentos, descobrir o método que permitisse o progresso do conhecimento; não apenas catalogação de fatos de uma realidade supostamente fixa, ou obediente a uma ordem divina, eterna e perfeita. O saber natural deveria ser concebido como saber ativo e fecundo em resultados práticos, uma de suas idéias fundamentais reside na oposição à teoria grega do valor do conhecimento puramente teórico ou contemplativo.

O saber, para Bacon, é apenas um meio mais vigoroso e seguro para conquistar o poder sobre a natureza e não tem valor apenas em si mesmo. Bacon não exigia que cada conhecimento particular da ciência tivesse imediatamente uma utilidade prática. O que concebeu como ciência prática foi o saber em sua totalidade. Por outro lado, sua filosofia não pretende entregar o saber ao homem como instrumento para o domínio dos semelhantes; ao contrário, desejou que a ciência servisse à humanidade.

Bacon ressalta constantemente os filósofos e sábios não trilharam o caminho de uma ciência operativa, em benefício do homem. Por essa razão, propôs, como uma das tarefas preliminares de seu projeto, examinar tecnicamente as causas desse erro. Para se conseguir o conhecimento seria necessário ao investigador libertar-se daquilo que Bacon chama "ídolos" e noções falsas. Para Bacon os ídolos são de quatro tipos: "da tribo", "da caverna", "do foro" e "do teatro".

A "parte construtiva" começa com a formulação de um novo método de investigação da natureza, que permitiria um correto conhecimento dos fenômenos: parindo-se dos fatos concretos, tais como se dão na experiência, ascende-se às formas gerais, que constituem suas leis e causas. Esse procedimento chama-se método indutivo.

A teoria da indução, tal como exposta no Novum Organum, distingue inicialmente experiência vaga e experiência escriturada. A primeira compreende o conjunto de noções recolhidas pelo observador quando opera ao acaso. A segunda abrange o conjunto de noções acumuladas pelo investigador quando, tendo sido posto de sobreaviso por determinado motivo, esse último tipo constitui o mais importante e o ponto de partida para a constituição das tábuas da investigação, núcleo de todo o método baconiano.

A primeira tábua de investigação é a de presença ou afirmação; a segunda tábua das ausências ou da negação; a terceira tábua é a das graduações ou comparações.

Para Bacon, a indução torna-se amplificadora, isto é parte-se de uma coleção limitada de fatos e o que se descobre como válido para eles é estendido a todos os análogos, a indução baconiana amplia o conhecimento, avançando de fato o saber. O ponto final da indução é designado, pelo próprio Bacon, pela palavra "forma". Os intérpretes divergem ao significado que se deve atribuir àquela palavra. As formas baconianas pertencem ao mundo empírico, mescladas com a filosofia escolástica, da qual Bacon nunca se libertou completamente, assunto especialmente controvertido. Contudo, deixando-se de lado a terminologia escolástica e situando-se dentro do conjunto mais amplo de sua vida e obra, pode se admitir como mais correta a interpretação da forma como, sobretudo, lei e causa dos fenômenos naturais.

Segundo Bacon, nos fenômenos naturais há duas faces diversas. Por um lado, eles possuem uma certa disposição, conformação ou estrutura (esquematismo latente, na terminologia baconiana). Por outro lado, possuem um aspecto dinâmico, que os faz apresentarem-se permanente transformação (processo latente). Ambos os aspectos são conexos e têm como princípio a "forma", princípio essencial de individualização e lei que rege a geração, ou produção, e o movimento dos fenômenos.

Além das dificuldades apresentadas pela demasiada ligação do conceito de forma com a filosofia escolástica, outros aspectos têm sido alvo de restrições, trata-se principalmente da ausência da matemática em sua metodologia científica, Bacon parece não ter entendido o papel das matemáticas no conhecimento da natureza.


Bibliografia de Galileu Galilei

Há mais de 400 anos, a vida na Europa era muito diferente da atual. Não havia fábricas ou indústrias. A maioria das pessoas trabalhava na agricultura. Os restantes eram artesãos em cerâmica e carpintaria. Poucas crianças iam à escola e menos ainda sabiam ler e escrever. Os livros eram raros e muito caros, geralmente escritos em latim, a língua dos sábios e da Igreja. A ciência, do modo como a compreendemos hoje, era quase desconhecida.

Foi nesse mundo que Galileu nasceu em 15 de fevereiro de 1564, em Pisa, no noroeste da Itália. Ele tinha duas irmãs e um irmão. Seu pai, Vicenzo Galilei, era professor de música. A família não era rica, mas Galileu teve um professor particular na juventude, logo que demonstrou ser um bom estudante e ávido por aprender. Sua família mudou-se para Florença (foto) em 1574 e ele foi educado pelos monges do mosteiro de Camaldolese, na cidade vizinha de Vallombrosa. Em 1581, com apenas 17 anos, Galileu começou a estudar medicina na Universidade de Pisa. A cidade italiana de Pisa, na região de Toscana tinha sido, anteriormente, sede de uma cidade-estado independente, com uma grande frota naval, foi conquistada por Florença no século XV. Galileu alimentava uma vaga idéia de ser médico, mas seu interesse pela medicina nunca evoluiu. Conta-se que, em certo dia daquele ano, na catedral de Pisa, Galileu olhou para um candelabro que pendia no teto por uma corrente comprida. Marcando o tempo da oscilação usando o pulso como "relógio", ele observou que o candelabro oscilava no grande espaço aberto da construção. Não importava se o candelabro oscilava muito ou só de leve, ele empregava o mesmo tempo para completar o movimento de um lado para o outro. Essa observação não estava de acordo com o que Galileu esperava. Mais tarde, ele assistiu a uma aula de geometria na Universidade. A partir daí, despertou seu interesse pelas ciências. A partir de 1583, ele foi educado por um amigo da família, Ostilio Ricci, que vivia em Pisa e era professor da corte do duque de Toscana. Seu pior inimigo era seu próprio temperamento. Ou melhor, uma das facetas de seu temperamento contraditório. Conforme a hora e as circunstâncias, Galileu sabia mostrar-se alegre e comunicativo, amigo das boas coisas da vida. Foi descrito como uma pessoa capaz de apreciar uma boa discussão literária, uma refeição preparada com requinte ou uma bela companhia feminina. Mesmo sua correspondência de caráter científico com o discípulo Benedetto Castelli contém comentários bem-humorados sobre os queijos e as pipas de vinho que eles se enviavam mutuamente.

Galileu nunca se casou, mas não lhe faltaram aventuras amorosas: teve quatro filhos e filhas, uma das quais viveu em sua companhia até a morte. Mas a personalidade de Galileu tinha um lado sombrio: quando entrava em polêmicas científicas, era sarcástico, brutal, de um orgulho desmedido. Gastou muita energia atacando supostos rivais. Durante as últimas duas décadas, os estudiosos têm produzido muito material novo sobre o uso da experimentação por Galileu. Segue havendo discussão em torno de pontos particulares, mas hoje é possível pelo menos supor, sem temor, que ele planejou e realizou experimentos no curso de suas várias investigações. Sem dúvida, algumas perguntas básicas continuam em pé: Quando ele inicou a prática? O quanto estava maduro ou desenvolvido seu sentido experimental quando começou? Ele partiu do nada ou levou adiante, e possivelmente transformou, uma tradição pré-existente? O fato de que não inventou a arte do experimento é algo que parece claro tendo em vista que seu pai, Vicenzo Galilei, antes dele, já realizava, como músico e teórico da música, experimentos interessantes no terreno da acústica musical durante a penúltima década do século XVI, quando o jovem Galileu tinha cerca de 20 anos. Por isso Vicenzo havia se proposto a resolver uma disputa musical, a qual o levou a investigar as proporcionalidades entre comprimentos, tensões e "pesos" das cordas dos instrumentos musicais, e os sons resultantes. Ele acabou por descartar todos os argumentos fundados em juízos a priori sobre a primazia das razões entre números naturais pequenos e idealizou regras relativas às razões numéricas, baseando-se em evidências empíricas. Sob a tutela de Vicenzo, o próprio Galileu tocava muito bem o alaúde e se dedicou a estender o trabalho experimental de seu pai e a melhorar suas teorias. Para nosso azar, Galileu não descreveu seus resultados até muito depois, nos Discorsi, de forma que é difícil avaliar a ordem de suas idéias ou experimentos e da linha ou linhas que seguiu.

Estamos melhor situados, por outro lado, com relação à obra de Galileu sobre o movimento natural. Existem muitos textos datados, a partir de seu manuscrito ao redor de 1590, De Motu, passando pela correspondência, notas e publicações do princípio do século, até o Dialogo e os Discorsi da quarta década. Esses documentos começam a nos dar uma imagem de Galileu como investigador, imagem na qual certo movimento temporal substitui os quadros planos e imóveis que só recalcavam os logros positivos finais de Galileu. Nessa nova imagem vemos Galileu a partir de certos pressupostos e práticas básicos, mudando de opinião, usando a experimentação para criticar e revisar a teoria, usando a teoria para criticar e revisar o experimento, decidindo-se, flutuando, metendo-se em becos sem saída, etc; precisamente o que seria de se esperar de uma pessoa com a sua inteligência penetrante trabalhando ativamente durante mais de 50 anos, inclusive depois de cego.


Método Científico de Galileu Galilei

Na época em que Galileu Galilei realizou suas mais importantes descobertas a Itália era um país dividido. A maior parte dos estados estava sob a poderosa influência da igreja e o Santo Ofício, através da Inquisição, sentenciava com pesadas condenações atitudes e palavras que pudessem ser consideradas heréticas.

Por outro lado, era também o país do Renascimento. As grandes modificações que ocorreram nas Artes e nas Ciências com a revalorização da cultura clássica grega transformaram profundamente a visão que os homens tinham do mundo. Leonardo Da Vinci, através da perspectiva, criara obras primas de precisão e equilíbrio. Antigos manuscritos haviam sido traduzidos para o latim e publicados na forma de livros. Entre eles, as obras de Euclides e Arquimedes. Quando Galilei nasceu, em 1564, na cidade de Pisa, o espírito renascentista ainda estava presente.

A grande pergunta que normalmente se faz sobre o século XVII é: por que este século é colocado como o início formal da ciência moderna? Se a ciência moderna significou uma ruptura com uma forma de pensamento anterior, por que não colocar o início dessa ciência, por exemplo, no humanismo, no início do Renascimento?
Primeiramente, porque os próprios humanistas não se sentiam como desestruturadores de uma ordem, mas sim ao contrário como restabelecedores do pensamento greco-romano que os "medievais" teriam corrompido. Em segundo lugar, para aquele historiador que pensa em termos de uma sucessão de eventos puramente internos à ciência, é patente que esse século signifique uma fase radical de mudanças e o início, propriamente dito, da ciência enquanto instituição.

Tomando o sistema copernicano como referência - que por questões de prudência o próprio editor de Copérnico considerou como uma hipótese na época de sua formulação, ainda no século XVI - veremos que de fato este começa a ganhar corpo durante o século XVII. Ainda que os problemas com a navegação, que suscitaram a busca de novos sistemas de referência, viessem desde o século XV. E mesmo que Copérnico, ainda sob o manto humanista, buscasse resgatar o cosmo do que ele considerava a "artificialidade" ptolomaica, trazendo-o de volta à perfeição das esferas, a "verdadeira" inspiração do "divino arquiteto" para criar o universo, serão somente as contingências do século XVII a emprestar realidade ao novo sistema de cosmo.

Quer nos parecer que não por acaso esse século tenha abrigado o rigor e a precisão das medidas astronômicas de Tycho Brahe e seu grupo, ainda que o modelo de cosmo adotado por estes, mantendo o geocentrismo apesar de considerar os demais planetas girando em torno do Sol, denote um forte compromisso com o pensamento antigo.
Também não é uma coincidência encontrarmos nessa época alguém como J. Kepler, um obstinado neo- platônico, que apesar de seu fascínio pela idéia harmônica das esferas celestes - suavemente a envolver em órbitas circulares as medidas divinas dos sólidos perfeitos - acaba se desdobrando à evidência dos dados astronômicos colhidos pelos Tychonianos. E com isto enunciando as órbitas elípticas e a primeira formulação de leis, no sentido moderno, ainda que não com a clareza "científica" que mais tarde seria exigida.
Assim, apesar das convicções religiosas e pessoais, os pensadores desse século começam a enxergar de forma diferente a natureza. Mesmo que muitos deles ainda estejam imbuídos do modelo de cosmo anterior ou pressintam neste relações mágicas, entregam-se a pensar que os dados, que a experiência e que os fatos naturais deveriam ser tratados de maneira distinta da antiga concepção teleológica e divina do universo.

Será o estabelecimento, que assume um crescente no século XVII, dessa nova mentalidade que permitirá Galileu, apesar de seus problemas posteriores com Roma, assumir a igualdade entre matéria terrestre, com todas as suas imperfeições, e a sagrada e divina matéria celeste. A formulação de uma igualdade da matéria para todo o cosmo traz consigo a marca de dois pontos fundamentais para o nascimento da ciência moderna: a busca de constantes na natureza, através das quais se chegaria às leis que a determinariam; e, influenciada por esse primeiro ponto e fundamental para o desenvolvimento deste, uma nova concepção de experiência.

A experiência em Galileu, por exemplo, ainda que muitos historiadores da ciência chamem a atenção para o fato de ser teórica - obviamente que este não subiu ao alto da torre de Pisa para levar a cabo seus famosos experimentos - traz em seu cerne algo de diferente do que teria sido, ou do que fosse, a experiência desde a antiguidade.
Pese o fato de que o instrumental prático dos séculos XVI e XVII começa a chamar nossa atenção, é na verdade a nova concepção do que seja experimentar que faz de muitos deles algo mais do que brinquedos para adultos ( mas sobre o que venha a ser essa concepção falaremos mais tarde). O importante agora é notarmos que esse novo enfoque, pelo qual o universo começa a ser encarado, possibilita, pela chamada via "interna" da história da ciência - ou do surgimento e "evolução" das idéias científicas - quase prevermos qual será o próximo passo na busca dessa nova ordenação do plano natural.

Através das leis do movimento celeste e da equiparação da matéria terrestre à do restante do cosmo, vem Newton e consegue igualar as leis do movimento para que passemos a ter de fato o velho sonho "assim na terra como no céu". Iguais em movimento, iguais em matéria. Será a força, esse conceito unificador de Newton, a traduzir a entrada da modernidade em termos de Física. Mas, para além disto, esse novo conceito é a prova cabal de que é possível outro modelo de cosmo, outra visão do mundo.

Como teria sido possível o incentivo ao estabelecimento desse tipo de provas decisivas contra o poder hegemônico da cosmologia cristã, que até então determinava o que se poderia dizer ou não sobre a natureza? Como foi possível ao século XVII, após tantas tentativas frustradas ao longo da história, fazer um processo, de ida sem volta, de separação entre teologia e conhecimento natural? Por que será possível, nessa época, privilegiar a necessidade de observar a natureza sem nela ver fenômenos transcendentes, sem olhar a causa primeira, mas somente a material (que por sua vez transformaria esta postura de marginal em obrigatória)?

Ao tomarmos a Reforma como uma das conseqüências e não como causa das necessidades sociais de mudança após a crise maior do século XV, e porque as teses weberianas que vinculam ciência nos parecem restritivas, pedimos licença para mergulhar num espaço social mais amplo, onde a probabilidade de se encontrar o significado desse transportar que foi o século XVII tem maior ressonância.

Seria importante relembrar que a necessidade de uma nova astronomia que tenha em seu bojo a semente de uma nova cosmologia já se fazia patente na época das "grandes descobertas" a partir do século XV. Mais importante ainda seria lembrarmos que significativamente as raízes de onde brotou a ciência moderna foram plantadas em regiões distintas daquelas que embalavam, regadas a ouro e especiarias, o sono dos "descobridores".

Agregando-se a isso a emergência da burguesia em várias regiões da Europa, num crescimento desde o século XV, e levando-se em consideração que esta nova classe tinha que fazer seu espaço próprio em território já tomado pelas velhas instituições, teremos com esses elementos material suficiente para formular nossas hipóteses, ainda que cada um desses três itens não responda isoladamente nossas questões principais. Em alguns pontos isolados, mas poderosos ao Norte da Itália, a burguesia - ou uma proto espécie desta - inicia sua marcha ascendente desde o século XV. Na França e na Inglaterra desde o século XVI essa classe forma a espinha dorsal da "nação", que em seu sentido moderno tomaria corpo nessa conjunção espaço-temporal. Já nos Países Baixos, o século XVII assistira a uma burguesia articuladíssima assumir as rédeas do poder, a partir da independência (e por ter promovido essa independência) de grande parte dessas regiões.

O século XVII encontra, portanto, nessas regiões uma burguesia mais do que emergente, já estabelecida e consciente de si. Manter essa condição num mundo cuja ideologia dominante lhe é adversa não foi tarefa fácil, dependendo em grande parte do acúmulo de forças, num processo que não se inicia nem termina no século XVII, mas que nele encontra um caminho certeiro. Excluídas da questão colonial, no início desta, essas regiões terão em suas respectivas burguesias o motor que lhes permitirá não perder o trem da história. Esta classe, por sua vez, vê na superação desse problema uma das condições fundamentais para sua própria sobrevivência.

Trabalho e engenhosidade: põe mãos à obra no intuito de tecer mais e mais rápido; de plantar e colher mais e mais rápido; construir mais e mais ligeiras de maneira a impor-se nas rotas marítimas e nos novos mercados que lhes haviam sido negados.

O acúmulo de capital daí decorrente, que iria transformando essa burguesia de comercial em financeira e o simples fato econômico não dão conta de explicar sozinhos o novo poder que estava aí se formando e que se tornaria hegemônico. Mas, se traçarmos o perfil ideológico entrelaçado e interdependente desse "momentum" econômico, a face desse poder irá se perfilar mais claramente com seus "saberes" e seus "dizeres".

Portanto, para ter sucesso na empresa pela conquista do poder, essa burguesia teve que usar como diretrizes - além da destreza em nível econômico e por causa desta - duas questões básicas e ligadas entre si.

A primeira delas foi a exploração da natureza até as últimas conseqüências, sem que barreiras de nenhum tipo pudessem interferir nesta exploração. Para tal, tornava-se necessário dessacralizar a imagem do cosmo, limite divino imposto desde a antiguidade ao poder profanador da mão humana. Desde a alta Idade Média, a Igreja transformara o elemento "maravilhoso", inerente à estrutura sagrada do mundo, em elemento "milagroso", o que lhe emprestou poder de fogo contra a heterodoxia e o paganismo.

Agora, nessa nova luta pela apropriação da natureza, o "maravilhoso" sequer pode mais assumir seu acanhado espaço de "milagroso" no mundo natural, devendo inclusive ser banido deste definitivamente. O inexplicável, aquilo que produzia estranhamento, não podia pertencer à esfera da realidade material. Se por acaso algo semelhante acontecesse, passaria a ser tratado como falha ou ignorância do "observador", o que não impedia e até incentivava a especulação sobre a natureza.

A segunda questão, que surge como fator da necessidade de viabilizar e acelerar a exploração da natureza, é a conquista desta através da máquina. Para nós, que vivemos num mundo altamente industrializado, onde a presença da máquina tornou-se elemento banal, é difícil entender o fascínio causado por esta entre os séculos XVI e XVII.

Não entraremos aqui no mérito dos compêndios escritos nessa época sobre a parafernália instrumental nem nos avanços materiais atingidos a esse respeito. Basta-nos lembrar que o lugar do "maravilhoso" foi ocupado pelo deslumbramento com a máquina, a tal ponto que esta acaba por emprestar seu próprio modelo como modelo do cosmo...

O deslumbramento com as chamadas "artes plásticas" e as possibilidades que estas poderiam introduzir no pensamento já então presentes no século XIII, entre os intelectuais que fazem sua morada em meio às corporações de ofício nos burgos.

Esse "homofaber", esse intelectual de ofício embalado pelos rumores "fabris" da cidade medieval é que começa a dar "status" teórico a questões práticas da economia e da mecânica, consideradas vulgares e banais até então para merecer tal trabalho.

Conceitos como o de "quantificação" e "precisão", que não tinham a menor importância na elaboração subjetivista do pensamento antigo (termo que tomo na elaboração de G. Bachelard), passam a ganhar importância a partir do crescimento do mundo "industrial" e "comercial" do medievo, onde a operação econômica e a precisão artesanal ganham dimensão.

É a questão da operação com a natureza que nos reporta, aliás, a essa mudança no social e no saber que está acontecendo e que se torna efetiva no século XVII. Esta mudança que acabaria unindo definitivamente conhecimentos sobre a natureza com a questão de sua utilização.

Portanto, o modelo da máquina, desmontável para se analisada em suas partes, sem implicação direta com o divino, quantificável e preciso, é exatamente o modelo ideal para o novo cosmo sem mistério e completamente utilizável. A formação de uma corrente mecanicista de pensadores que passam a encarar os fenômenos da natureza sob uma óptica nova é uma decorrência das necessidades que as mudanças sociais traziam em si.
Cria-se um mundo onde a causa final não mais interessa, a finalidade das coisas não importa. Importa sim a relação entre elas, que, como as engrenagens de uma máquina, me dará a longa cadeia de causa e efeito: a causa eficiente, os "cosmos" e não os "porquês" das coisas, para melhor poder operá-las.

É nesse momento que a "experiência" ganha nova dimensão e torna-se importantíssima no plano dessa checagem que deve ser feita na natureza e de onde se quer extrair leis precisas e determinadas para poder explorá-las. Teoria e prática se encontram nessa nova forma de experiência, mas uma teoria que deve ser domesticada ao império dos "dados objetivos" que emergem da prática e a ela retornarão sob forma de modelos precisos e aplicáveis. O observador, que não é mais parte da cadeia de fenômenos, pode ser substituído nessa máquina de olhar o mundo em que o conhecimento irá se transformar. Será um mero ser de passagem no palco dos fenômenos, e esses fenômenos objetivos e recorrentes é que se tornarão a parte central do teatro cósmico.

O pensamento mecanicista alinha e conecta todos os possíveis fios soltos desse novo esquema de mundo. É fácil a um mecanicista aceitar que seu laboratório deva estar próximo do que fosse uma oficina de um artífice. E assim o artesão, o homem da manufatura que fora desconsiderado em outras épocas, passa a freqüentar o laboratório do pensador da natureza e ensina-lhe seu "metiér". Desaparece aos poucos, desta forma, o caráter iniciático e secreto dos "saberes" sobre o cosmo.

O hibridismo do pensador da natureza - meio sábio, meio artesão - pode ser encontrado nos elogios póstumos aos chamados "filósofos naturais", que, a partir do século XVII, poetas, políticos e autoridades comprometidas com os novos rumos da sociedade faziam, como forma de proselitismo da "ideologia científica" nascente. Um proselitismo que direta ou indiretamente servia para justificar a entrada dos novos ideais burgueses no "tonus" social, um hábito continuado com esmero pelos enciclopedistas do século XVIII.
Esses "elogios" geralmente insistem na imagem do estudioso da natureza com as mãos sempre sujas de graxa ou corantes enquanto a cabeça lhe fervilhava de idéias e dedicando sua vida ao laboratório. E, apesar de sabermos hoje que a evolução da técnica - afora os aparelhos ópticos e alguns instrumentos de precisão - ou grandes invenções não se assentam exatamente no século XVII, senão mais tarde, a importância de tal imagem se torna relevante na medida em que será esse momento em que se abre uma possibilidade concreta para que a técnica venha a ser uma das bases da nova ciência.

Também a matemática escolhida pelos anseios mecanicistas como forma de legitimar a precisão da nova ciência. Não fosse isso, e os neo- platônicos que defendiam a "dívida teórica" - e dividiram a cena de disputa pelo novo modelo cósmico palmo a palmo com os mecanicistas - teriam mantido a matemática no plano do ideal pleiteado desde os gregos.

Não devemos nos esquecer que foi Stevin, nos Países Baixos (exatamente aqui destacado), que, num estudo sobre as "máquinas simples", assume pela primeira vez a união entre o plano "sagrado" da matemática e o real. Se não todos os grandes pensadores desse abolir científico, que significou o século XVII, são mecanismos, burgueses ou patrocinados por estes, esse é o modelo que irá consumir qualquer outra possibilidade e assim tornar-se dominante. O ser humano está "só e sem desculpas", como diria Sartre; a Terra torna-se um grão de areia na imensidão do universo, em perpétuo movimento, por que assim era conveniente que fosse nos nossos mapas celeste. Nesta solidão sem limites, trabalhada pelo aço frio da precisão e do lucro, ele descobre que esse abandono divino tem suas vantagens e se descobre senhor da história.

A conseqüência disto, as novas academias que estão em pleno funcionamento, no período aqui em tela; a forma como estas vão deixando de lado o saber clerical e universitário do medievo é outra das conseqüências da nova estruturação social. Interessante notarmos que elas se instauram exata e particularmente ao norte da Itália, Países Baixos, França e Inglaterra... Mais interessante ainda percebermos que foram as máximas baconianas, provindas de uma das regiões mais utilitárias da Europa, que deram o tom dessas academias.

E para completar seria desnecessário relembrar a origem de Galileu e do grupo ao redor deste, ou de Descartes e dos cartesianos, e, direta ou indiretamente, da nova racionalidade soberana que passava a comandar ciência e sociedade desde o século XVII.

O jovem Galileu certamente teve acesso (se bem que não direto) aos resultados da cinemática medieval empreendidos, em meados do século XIV, no Merton College em Oxford e na Universidade de Paris, visto que nos seus manuscritos mais antigos, coletados sob o título de "Juvenilia", ele menciona autores como Heytesbury, Swineshead e de Soto, entre outros.

Os filósofos mertonianos (Bradwardine, Heytesbury, Swineshead e Dumbleton) fizeram um análise dos movimentos uniforme e uniformemente acelerado (por eles denominados "motus uniformiter difformis", ou seja, movimento uniformemente disforme) tão precisa quanto a de Galileu. Enunciaram ainda a regra da velocidade média, à qual Oresme, da Universidade de Paris, daria uma demonstração geométrica. Trata-se da regra segundo a qual o espaço percorrido em um movimento uniformemente acelerado é equivalente àquele percorrido em um movimento uniforme que tenha velocidade igual à média de suas velocidades inicial e final.

Trezentos anos mais tarde, na terceira Jornada do "Discursos e Demonstrações Matemáticas sobre Duas Novas Ciências", Galileu apresentará a regra da velocidade média (demonstrando-a de forma similar a Oresme) como o teorema fundamental, a partir do qual deduzirá as propriedades cinemáticas dos corpos em queda: proporcionalidade entre o espaço percorrido e o quadrado do tempo e entre os espaços em intervalos de tempo sucessivos e os números inteiros ímpares.

Estas mesmas propriedades já eram conhecidas no século XIV para o caso do movimento considerado em abstrato, sem que, contudo, tivessem sido aplicadas para a análise de movimentos efetivamente encontrados na natureza. A primazia de associar as propriedades do "movimento uniformemente disforme" à queda dos corpos, coube ao dominicano espanhol Domingo de Soto. Tendo estudado em Paris, no início do século XIV, de Soto ensinou na Universidade de Salamanca. A idéia de considerar a queda dos corpos como um caso de movimento acelerado aparece em um conjunto de comentários e questões sobre a "Física" de Aristóteles, que de Soto apresentou em torno de 1545.

O que distingue o tratamento que Galileu dá ao problema da queda dos corpos no "Duas Novas Ciências" é a apresentação da célebre experiência do plano inclinado. Trata-se aqui, sem dúvida, de uma contribuição original de Galileu, visto que pela primeira vez se buscava comprovar empiricamente um desenvolvimento teórico cujas origens remontavam ao Século XIV.

No que concerne à dinâmica, a teoria da antiperistase de Aristóteles, segundo a qual o ar atua como agente modificador do movimento, empurrando o objeto após cessar o contato entre este e o lançador, foi alvo de críticas já no século XIV, quando Filopono (um dos precursores da teoria do "impetus") rejeitou a idéia de que o ar pudesse, ao mesmo tempo, forçar e resistir (pelo atrito) ao movimento.

As críticas escolásticas à teoria aristotélica do movimento de projéteis culminaram na formulação da teoria do "impetus" no século XIV, na Universidade de Paris. Jean Buridan, à cujo nome a teoria é mais usualmente associada, afirmava que, quando um projétil é lançado, o lançador imprime um certo impetus no corpo em movimento, impetus este que atua na direção para a qual o lançador moveu o corpo. Este impetus é continuamente diminuído pela resistência do ar e pela gravidade do corpo que o inclina em uma direção contrária àquela na qual o impetus estava naturalmente predisposto a movê-lo. Portanto, o movimento do corpo torna-se continuamente mais lento.

Nicole Oresme, discípulo de Buridan, deu continuidade aos seus trabalhos tendo, inclusive, discutido a possibilidade do movimento de rotação da Terra; séculos mais tarde Galileu usaria argumentos do mesmo tipo para desarmar as "provas" anti-copernicanas relativas à imobilidade da Terra.

Nos dois séculos seguintes, a dinâmica do "impetus" substituiu a dinâmica aristotélica e os manuscritos da época em que Galileu foi professor em Pisa revelam a influência desta teoria na sua formação.

É exagero afirmar que as idéias que Galileu formulou com relação ao princípio da inércia tenham sido antecipada pelos teóricos parisienses do "impetus". Existe toda uma diferença conceitual entre a a idéia de "impetus" (força impressa e causa do movimento) e a física inercial (que estabelece a possibilidade do movimento sem força e coloca repouso e movimento uniforme em um mesmo nível ontológico), e a obra de Galileu representa um avanço fundamental em direção a esta última. Por outro lado, o fato de receber sua formação em um mundo não mais regido pela dinâmica de Aristóteles, mas sim pela dinâmica do "impetus", abriu caminho para que Galileu superasse esta última.

Koyré, um dos mais renomados historiadores galileanos, coloca que a abordagem usada por Galileu na investigação da natureza foi fortemente influenciada pela filosofia de Platão, que já havia na antiguidade marcado a ciência de Arquimedes. Assim, em oposição à visão empirista de Galileu, a experiência teria exercido um papel secundário na física galileana. A influência platônica ficaria evidenciada na ênfase dada por Galileu à matemática como instrumento para a apreensão da natureza. Segundo Koyré, Galileu era um "cientista que não acreditava em observações que não tivesse sido verificada teoricamente". Entretanto, vários autores chamam a atenção para o viés idealista e apriorista que permeia a visão e Koyré.

O primeiro testemunho direto do interesse de Galileu pelo movimento natural está em De motu ou De motu antiquiora, composto em grande medida durante sua primeira temporada na cadeira de matemática da Universidade de Pisa, entre os anos de 1589 e 1592. Em De motu Galileu descreveu suas observações com maior precisão: que o corpo mais leve irá cair antes do mais pesado e será mais veloz.

Galileu escreveu de forma convincente que na realidade o corpo mais leve se adiantará do mais pesado. Ele tinha um precesor seu em Pisa, Giordano Borro filósofo aristotélico que foi professor de Galileu em Pisa e publicou em 1575 um livro titulado De motu gravium et levium. Na passagem indicada por Galileu Borro examinava o problema do peso do ar e do corpo mixto.

Galileu e Borro examinavam textos do século XVI em busca do testemunho de outros italianos que realizaram experimentos de lançamento. Um dos primeiros textos foi escrito por Benedetto Varchi, historiador florentino e um dos primeiros e mais duradouro membro da Academia florentina do Grão Duque Cosimo de Médice. Em 1554 escreveu um ensaio sobre alquimia falando da transformação de metais em ouro.
É evidente que Varchi experimentava sentimentos falados por alguns filósofos da sua época e fazia experiências do experimento. Por desgraça ele não escreveu os detalhes da prova que deixava cair pesos diferentes não indica se está se referindo a experimentos propostos no Fra Beato ou Luca Ghini ,em fim, não apresenta com detalhes os objetos de Beato e Ghini.

O questionamento da técnica experimental de Borro era muito mais detalhada no norte por Giuseppe Moletti que levava adiante suas próprias investigações. Em seus anos posteriores Moletti era matemático na Universidade de Pádua e ocupava a mesma cátedra que Galileu ocupou em 1592. E contava entre seus amigos com Gianvincenzo Pinelli. Seu interesse era o problema do movimento natural e mostra um tratado manuscrito da coleção de Pinelli que estava na Biblioteca Ambrosiana de Milão, tratado fechado em 01 de outubro de 1576 e titulado Sobre artilleria. Está escrita em forma de diálogo: um príncipe e um autor no caso o príncipe é o sábio e o autor é o discípulo a critério aberto.

Em comparação com a vaga menção de uma prova de Varchi, Moletti oferece um conjunto de imagens muito nítidas.

Por outro lado, os engenheiros ultrapassaram rapidamente, quanto ao método, os teóricos do impetus ; preferiam praticar experiências, a prender-se em discussões. O artista e engenheiro Leonardo da Vinci (1452-1519) estudou vários problemas de construção. Suas experiências levaram-no à conclusão de que o poder de sustentação de um pilar variava com o cubo do seu diâmetro, e que o de uma viga era diretamente proporcional à sua grossura e inversamente proporcional ao seu comprimento.

Tais experimentos indicam que Vinci reconhecia a importância da matemática. Leonardo da Vinci estudando projéteis decompôs o movimento em três partes: um movimento de linha reta sob o efeito do impetus; uma posição curva, onde a gravidade e o impulso se mesclavam; e uma queda vertical ocasionada pela força de gravidade.
A obra de Vinci foi seguida pela de Tartaglia (1500-1557), composta de escritos sobre matemática e mecânica. Esse autodidata, engenheiro, agrimensor e guarda-livros, publicou em 1546 um livro sobre tática militar, munições e balística. Este fez a primeira tradução italiana da Geometria de Euclides e publicou em 1543 a primeira edição da mecânica de Arquimedes.

Um de seus contemporâneos foi Jerome Cardan (1501-1576), sábio abastado que lecionou na escola platônica de Milão. Ao contrário de Tartaglia, Cardan sustentava determinarem as formas geométricas e as harmonias matemáticas o caráter das coisas naturais, e o saber matemático conferir ao homem poderes ocultos sobre a natureza.
Um pouco mais tarde Benedetti (1530-1590), da Universidade de Pádua, continuou a discussão da teoria do impetus.Seu livro sobre mecânica (1585) foi principalmente uma crítica da teoria de Aristóteles.

Fora da Itália, um notável estudioso da Mecânica foi Simon Stevin (1548-1620), de Bruges. Como Tartaglia iniciou sua carreira como guarda-livros e engenheiro militar e acabou sendo chefe do serviço de intendência do exército holandês. Stevin entrou com 35 anos na Universidade de Lovaina.

Galileu é o autor da chamada revolução copernicana. Pelo menos, é seu herói e mártir. É ele quem destrói definitivamente a imagem mítica do Cosmos para substituí-la pelo esquema de um Universo físico unitário, doravante submetido à disciplina rigorosa da física matemática.

A vitória da revolução copernicana, de qualquer forma, só ocorreu após a articulação do paradigma do Copérnico realizada por figuras do porte de Giordano Bruno, Galileu, Kepler, Isaac Newton e muitos outros que, forjaram uma nova metodologia, resolveram problemas velhos e novos, enfim, começaram a construção de um mundo novo.

O Renascimento marcou uma grande transformação em todas as áreas do conhecimento. Os séculos XV e XVI, que testemunharam essa revolução criativa, são os mesmos séculos das grandes navegações, que levaram à descoberta (ou invasão) da América e ao caminho das Índias, favorecendo a intensificação do comércio dessa época. A bússola, a pólvora, a orientação pelos astros através dos mapas celestes, que tinha em Copérnico, por exemplo, em exímio artífice, enfim, a investigação científica começava a encontrar um emprego que também podia dar lucro. Até na antiga Grécia isso já ocorria, a julgar pelo depoimento de Aristóteles que chegou a atribuir a Tales a façanha de ter aplicado seus conhecimentos para ganhar muito dinheiro com o primeiro truste - de azeite, da história!

O físico e historiador da ciência John D. Bernal escreveu, no início da década de 50, uma ampla e abrangente história das ciências que se tornou muito influente nas décadas seguintes. Dela extrai-se a seguinte citação:

"A instituição da ciência como um corpo coletivo e organizado é algo novo, mas ela mantém um caráter econômico especial que já estava presente no período em que a ciência progredia devido a esforços isolados de indivíduos. A ciência difere de todas as outras assim chamadas profissões liberais; sua prática não possui valor econômico imediato. Um advogado pode solicitar ou dar um julgamento, um médico pode curar, um padre pode celebrar um casamento ou dar consolo espiritual, tudo coisas ou serviços para os quais as pessoas estão prontas a pagar imediatamente".(...) As produções da ciência, à parte de certas aplicações imediatas, não são vendáveis, embora num período relativamente curto de tempo elas possam, por incorporação na técnica e na produção, produzir mais novas riquezas do que todas as outras profissões combinadas.

Antigamente fazer ciência era uma ocupação de tempo parcial ou de tempo-livre para as pessoas ricas e que não tinham o que fazer, ou então de elementos endinheirados das profissões mais velhas. O astrólogo profissional da corte era também, freqüentemente o médico da corte. Isto inevitavelmente fez da ciência um monopólio virtual das classes média e superior. Basicamente tento as tarefas como as recompensas da ciência derivam das instituições e tradições sociais, incluindo, à medida que o tempo avança, a própria instituição da ciência. Isto não é necessariamente uma depreciação da ciência. (...)

A depreciação real da ciência é a frustração e a perversão que aparecem numa sociedade na qual a ciência é valorizada pelo que ela pode acrescentar ao lucro privado e ao meio de destruição. Os cientistas que vêm em tais fins a única razão pela qual a sociedade em que vivem apóia a ciência, e que não podem imaginar nenhuma outra sociedade, sentem forte e sinceramente que todo direcionamento social da ciência é nefasto. Elas sonham com um retorno a um estado ideal, que de fato nunca existiu, onde a ciência fosse produzida como um fim em si mesma. Mesmo a definição da matemática pura, de G. H. Hardy: "Esta matéria não tem uso prático; isto quer dizer que ela não pode ser usada para promover diretamente a destruição da vida humana ou para acentuar as atuais desigualdades na distribuição da riqueza", foi desmentida pelos eventos; estes dois resultados, durante e desde a última guerra mundial, fluíram de seu estudo. De fato, em todos os tempos o cientista necessitou trabalhar em estreita conexão com outros três grupos de pessoas: seus patrões, seus colegas e seu público."

Como afirma Bernal, a ciência como instituição social organizada é um fenômeno relativamente recente. Se até à época de Galileu, Kepler e Descartes, ela era ainda caracterizada como fruto do trabalho isolado de cientistas que raramente trocavam informações entre si, essa situação começou a se alterar a partir da segunda metade do século XVII. Datam dessa é época mudanças significativas no modo de produção e divulgação do conhecimento científico. Em primeiro lugar, surgiram associações de cientistas em pequenos grupos de estudo e discussão que aos poucos deram origem às primeiras sociedades científicas em diferentes países da Europa. Em segundo lugar, e talvez até uma novidade mais importante, começaram a surgir as revistas científicas.

Com relação às sociedades ou academias científicas convém destacar que em 1601 foi fundada, na Itália, a Academia dei Lincei; em 1662, surgia a British Royal Society, em Londres, enquanto que em 1666 era fundada a Academia Francesa de Ciências e, em 1700, a Academia de Ciências de Berlin. Por volta de 1790 já existiam cerca de 220 sociedades científicas em todo o mundo.

Enquanto no Brasil, informa Fernando Azevedo, que por ocasião da invasão holandesa em Pernambuco, em 1637, o Conde de Nassau trouxera consigo um grupo de cultivadores da ciência, como era então denominados os cientistas. Em particular registrava-se a presença do físico e astrônomo J. Marcgrave, responsável pelas primeiras observações astronômicas na América do Sul. Com a expulsão dos holandeses, em 1644, terminou essa breve experiência científica na cidade de Olinda.

O historiador brasileiro Nelson Wesneck Sodré cita a fundação de uma Academia de Ciências, em 1771, na cidade do Rio de Janeiro, que funcionou apenas por alguns meses.

Ele acrescenta: "(...)não era suficiente o ato de vontade para estabelecer aquilo que a sociedade não solicitava."


Bibliografia de René Descartes

René Descartes- (1596 - 1650) nasceu de uma família nobre dedicada à medicina e ao comércio. Os Descartes se fixaram em La Haye, Tourenne. Seu pai se chamava Joaquim e era conselheiro do parlamento britânico. René tinha uma saúde frágil, e era cuidado por sua avó. Entrou no colégio jesuíta de Le Flèche, que havia sido fundado dois anos antes, mas já adquirira notoriedade. Nesse estabelecimento René teve formação filosófica e científica. Foi um bom aluno, mas não encontrou a verdade que procurava, como escreveu no Discurso do Método. Aprendeu a filosofia pelo método escolástico, e René, apesar de ser católico, percebeu a diferença existente entre aquele tipo de ensino antigo e o recente espírito renascentista, baseado nas últimas descobertas e inovações científicas e culturais.

Agradava a Descartes a matemática, por dar respostas exatas. A educação em Le Flèche havia sido religiosa, e havia um clima de atraso e submissão às instituições políticas, acompanhados de estudos das infindáveis controvérsias teóricas da escolástica. Portanto Descartes saiu de lá um pouco confuso e decepcionado. Mas apesar disso recomendava o colégio para os filhos de amigos. Entrou para a Universidade de Poitiers, curso de direito, e se formou. Como não ficou satisfeito com os conhecimentos adquiridos, resolveu entrar para o exército. Se alistou nas tropas holandesas de Maurício de Nassau. Descartes tinha uma ligação com a Holanda, e foi combater os espanhóis.. Fez então uma forte amizade com um entusiasta da Física e da Matemática, Isaac Beckman, jovem médico holandês.

Descartes relata que viveu uma noite extraordinária no final de 1619. Ele ficava nessa época sozinho em um cômodo aquecido, onde podia se entregar à atividade intelectual. Uma visão extraordinária, um insigth. Numa noite iluminada, teve uma revelação dos fundamento de uma ciência admirável, de dimensão universal. Descartes resolvera viajar para procurar a verdade no Grande Livro do Mundo. em 1619 sai da Holanda e viaja pela Europa. Estava finalizando o seu Tratado sobre o Mundo e Sobre o Homem quando lhe veio a notícia da condenação de Galileu por suas teorias científicas. Além disso, a Inquisição estava correndo solta na Europa, Descartes sabia da morte na fogueira de Giordano Bruno e da prisão de Campanella. Como sua obra tinha um caráter inovador, que defendia a primazia da ciência, ela podia não ser bem aceita pela Igreja. E por isso Descartes resolveu não torná-la pública.

Descartes tinha um projeto filosófico. Cada vez mais ligado na matemática, queria associar as leis numéricas com as leis do mundo, resgatando a antiga doutrina pitagórica. Sua principal teoria afirmava-se na eficácia da razão. Queria refletir sobre a questão da autonomia da ciência e objetividade da razão frente ao Deus todo poderoso. As novas teorias científicas contrariavam as Sagradas Escrituras.


Método Científico de René Descartes

Descartes tinha um projeto filosófico. Cada vez mais ligado na matemática, queria associar as leis numéricas com as leis do mundo, resgatando a antiga doutrina pitagórica. Sua principal teoria afirmava-se na eficácia da razão. Queria refletir sobre a questão da autonomia da ciência e objetividade da razão frente ao Deus todo poderoso. As novas teorias científicas contrariavam as Sagradas Escrituras.

Em 1620, renuncia à carreira militar e parte para a Itália. Escreveu alguns trabalhos nesse período. Em 1637 publica o Discurso do Método- para bem conduzir a própria razão e procurar a verdade nas ciências. Teve uma filha com Heléne Jans, essa filha morreu com cinco anos e ele a amava. Seu nome era Francine e a dor da perda afetou Descartes. Ao contrário do Discurso do Método, que foi escrito em francês, Meditações foi escrito em latim. Seus pensamentos suscitavam muitas críticas, entre elas a de Hobbes.

Consagrado, Descartes se relacionava com a princesa Isabel, e mantinha correspondência. Princípios da filosofia foi dedicado à princesa Elizabeth de Boêmia. Em 1649 aceita um convite da rainha Cristina da Suécia e vai para lá, entregar os originais de seu último trabalho.

A rainha Cristina costumava conversar de manhãzinha, quando fazia muito frio. Como Descartes não era muito parrudo, e sua saúde nunca foi das melhores, pegou uma pneumonia e morreu uma semana depois, ao deixar a corte, em 1650.

    Descartes afirmou no Discurso do Método, que quanto mais estudava mais se apercebia de sua ignorância (parece um pouco com Sócrates, não é?). No livro Os princípios da filosofia afirma que a filosofia é como uma árvore, as raízes são a metafísica e a ciências como a medicina, a mecânica e a psicologia os ramos da árvore. A psicologia não era muito desenvolvida na época de Descartes. Descartes critica a lógica dialética, afirma que ela parte de verdades já conhecidas e é inútil para desvendar novas verdades. Também critica a matemática, pois, apesar de fornecer conclusões irrefutáveis, muitas vezes possui regras em demasia, sem nenhum fim prático, sendo muito abstrata. Descartes criou a geometria analítica, determinando um ponto do espaço no plano cartesiano. A geometria analítica estuda as curvas, superfícies e figuras geométricas, tendo relação com algumas equações. Essas equações podem ser aplicadas no plano formado pelas abscissas e ordenadas. Assim a álgebra e a geometria foram unidas por Descartes que muito se orgulhava de sua descoberta. Ele também introduziu alguns discursos de óptica. Aplicou o raciocínio matemático nas regras de seu método. Pois era preciso usar a razão para se chegar à verdade universal. Descartes sempre buscou o avanço da ciência, e quando ela conhece a natureza se torna senhora dessa. Apesar de ter ainda alguns resquícios da escolástica, Descartes se esforçou para ir além e chegar no pragmatismo. Toda a escolástica e o edifício da ciência aristotélica faziam parte do passado. E com Descartes dá a entender era preciso ir para a frente. Por isso ele é considerado o fundador da filosofia moderna. No seu estilo claro, mas pleno de construções, demonstrações e imagens ele nos dá as quatro regra do método:

a) jamais acolher algo como verdadeiro, a não ser que seja absolutamente evidente, e não acolher no juízo o que não seja claro e indubitável. É a regra da evidência;

b) a segunda regra, que tem um jeito matemático, diz para dividir as dificuldades em quantas partes fosse possível e necessário para resolvê-las.

c) a terceira regra é conduzir com ordem os pensamentos, começando com os mais simples e indo para os mais complicados, dos mais fáceis de conhecer para os compostos. Descartes também afirma, em outro trecho, que não se fia nos primeiros pensamentos. Na terceira regra é preciso fazer uma síntese da realidade complexa, que foi decomposta em partes menores.

d) a última consiste em fazer em toda a parte enumerações e revisões completas, para nada se omitir.

Leibniz zombou da aparente banalidade do método. Descartes aplicou-o e afirma que ele facilitou o desvendamento de certas questões, usando a razão como instrumento para tirar as dúvidas. Ele adverte que é um método que usou exclusivamente para si, como uma maneira de dirigir seu pensamento. Pois a razão, (bom senso) para Descartes, é o que há de mais bem distribuído no mundo, e o que diferencia a capacidade é o modo como cada um conduz seus pensamentos, chegando à resultados diferentes.

    Como uma pessoa que está construindo uma casa, e necessita de um local para dormir enquanto a obra está sendo feita, Descartes fez uma moral provisória, para não permanecer irresoluto em suas ações. A primeira máxima é obedecer as leis e costumes de seu país. A segunda é ser firme e resoluto em suas ações e não ir adiante nas opiniões duvidosas ou falsas. Assim, com essa determinação podemos ser capazes de distinguir o que não é verdade. Derscates afirma que cada homem possui a noção inata do que é verdade. Deus dá essa noção, se, por intuição, temos muita certeza de uma coisa, ela é verdade. nesse ponto, Descartes valoriza a intuição, ao lado da razão. A menor distância entre dois pontos é uma reta, e não devemos ter remorsos de nossos atos. Descartes pretendia com isso se livrar de ter um espírito fraco e vacilante. A terceira máxima moral é primeiro vencer a si próprio, depois a fortuna, o destino. Primeiro modificar os desejos pessoais, e não a ordem do mundo. Tudo o que Descartes diz ter realmente em seu poder são os seus pensamentos. Assim nossa vaidade não toma conta e não remoemos nossos infortúnios nem lamentamos a falta de riqueza ou virtude.

    Como uma pessoa que está construindo uma casa, e necessita de um local para dormir enquanto a obra está sendo feita, Descartes fez uma moral provisória, para não permanecer irresoluto em suas ações. A primeira máxima é obedecer as leis e costumes de seu país. A segunda é ser firme e resoluto em suas ações e não ir adiante nas opiniões duvidosas ou falsas. Assim, com essa determinação podemos ser capazes de distinguir o que não é verdade. Derscates afirma que cada homem possui a noção inata do que é verdade. Deus dá essa noção, se, por intuição, temos muita certeza de uma coisa , ela é verdade. nesse ponto, Descartes valoriza a intuição, ao lado da razão. A menor distância entre dois pontos é uma reta, e não devemos ter remorsos de nossos atos. Descartes pretendia com isso se livrar de ter um espírito fraco e vacilante. A terceira máxima moral é primeiro vencer a si próprio, depois a fortuna, o destino. Primeiro modificar os desejos pessoais, e não a ordem do mundo. Tudo o que Descartes diz ter realmente em seu poder são os seus pensamentos. Assim nossa vaidade não toma conta e não remoemos nossos infortúnios nem lamentamos a falta de riqueza ou virtude.

    Descartes prossegue dizendo que a melhor ocupação é cultivar a razão. É o que melhor podemos fazer, pois é impossível dominar o universo e o que não atingimos é inacessível. Descartes, ficou rolando nove anos pelo mundo, vivendo sem luxos desnecessários, e solitário. Realizando meditações metafísicas, chegou à dúvida metódica. Para se passar do pequeno Eu, (que é subjetivo e depende de muitos fatores para ser conclusivo) para o mundo objetivo é necessário tomar como certas algumas coisas. Mas, supondo que tudo o que se vê é falso, sua memória é cheia de mentiras. Nesses parâmetros, a única coisa verdadeira é que não há nada de certo no mundo. Descartes realça que não estava sendo cético, pois esses são indecisos e ele buscava a verdade através da dúvida. Pois há uma força que engana sempre. Mas se ela engana, não se pode negar que se está recebendo a ação. Mesmo se não houver diferença entre o sonho e o estado acordado, ele pensa enquanto duvida. Assim Descartes chegou à verdade Penso, Logo existo (em latim: Cogito, ergo sum). Por pensamento Descartes considera tudo o que é de fato, e que nós nos tornamos conscientes disso. São pensamentos todas as operações intelectuais e da imaginação, bem como da vontade. Assim Descartes se fecha em sua subjetividade, na sua mente e pôde supor que não existe mundo. Mas a sua alma existe, e ela é puro pensamento. E um tópico interessante de sua teoria é a dualidade. A alma é uma substância distinta do corpo. E antes de confirmar como verdadeira a existência física do mundo, Descartes demonstra a existência de deus. Afirma que quem conhece é mais perfeito do que quem duvida. Tudo aquilo que ele conhece tinha de vir de alguma coisa. Ele acha que é necessário existir algo a quem ele depende e que seja perfeito. É a lei da causalidade, Deus é causa final de tudo. Descartes desenvolve o argumento ontológico para a existência de Deus. Antes dele, Santo Anselmo já o tinha feito. O Deus cartesiano é infinito, imutável, independente, onisciente, criador e conservador. Deus é uma idéia inata, que já vem junto com o nascimento. Deus garante a objetividade do mundo. Existem também as idéias factícias, construídas por nós mesmos, e as adventícias, que vem de fora. Descartes diz que existe uma luz interior dada por Deus, que dá confiança e certeza, pois é impossível que Deus seja mentiroso e enganador. E nossa consciência de Deus, do infinito, essa percepção que o homem pode ter da divindade e da perfeição é como "a marca do artista em sua obra". Hegel mais tarde afirmou que é impossível ao homem conhecer o infinito, pois ele só pode empregar categorias finitas. E o ser humano erra, erro que provém do juízo. E no juízo o intelecto e a vontade influem. A pressão, influência da vontade sobre o intelecto se não for bem administrada resulta no erro do juízo. Como em Santo Agostinho, é o mau uso do livre arbítrio que faz o errado surgir. Meu intelecto como tal, em si, não é errado, mas meus pensamentos e atos podem ser.

Descartes afirma que a realidade exterior pode ser conhecida através da razão. As propriedades quantitativas são evidentes para a razão, as propriedades qualitativas são evidentes para os sentidos. Descartes fala da existência das substâncias, como a já citada alma e a extensão, ou matéria. A matéria ocupa lugar no espaço e pode ser decomposta em partes menores. Existe só um tipo de matéria no universo. O universo é composto de matéria em movimento. Não existe o espaço vazio, ou o vácuo dos atomistas. Visando a análise científica racional, Descartes chega à conclusão que os animais e os corpos humanos são autômatos, como máquinas semelhantes ao relógio. Na quinta parte do Discurso do Método, ele faz uma descrição fisiológica, o corpo é uma máquina de terra, construído por Deus, e suas funções dependem das funções dos órgãos. A alma está ligada ao corpo por uma glândula cerebral, onde ocorre a interação entre espírito e matéria. Na teoria mecanicista de Descartes, o corpo é uma máquina e deve entregar o controle das ações para alma. E Descartes afirma que a soma de todos os ângulos de um triângulo sempre será igual à dois retos. Essa frase foi tomada por Spinoza, a quem Descartes influenciou, e significa uma verdade, independente dos vai e vem das opiniões baseadas nos sentidos.


Conclusão

Com o trabalho pudemos ampliar os nossos conhecimentos científicos, sobre Metodologia Científica e sobre o desenvolvimento de cada filósofo e sobre cada método utilizado por cada um deles, pudemos também verificar que cada método está ligado diretamente ou indiretamente com a sua época.

Todos os trabalhos feitos por esses autores pudemos perceber que tudo está relacionado com a vontade de descobrir, verificar a oposição imposta pela sociedade e, ai sim concluir suas próprias descobertas.


Bibliografia

BACON, Francis

Os Pensadores

Nova Cultural – São Paulo – 1997.

GALILEI, Galileu

http://minerva.ufpel.tche.br

DESCARTES, René

Discurso Sobre o Método

Atena – São Paulo – 1996.

http://www.logoshop.hpg.ig.com.br