Empreendedorismo no Brasil
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EMPREENDEDORISMO NO BRASIL


Resumo

Já não é mais possível para o empresário dedicar-se basicamente a tocar seus negócios sem preocupações radicais com o ambiente externo. Nos dias de hoje tudo ficou frenético e uma empresa pode perder mercado em questão de dias, se o seu principal executivo não estiver atento ao que acontece à sua volta, se mostrando competitivo, tendo uma visão diferenciada do mercado, em fim, se mostrando melhor do que a média. Essa realidade é que esta fazendo com que o empreendedor seja peça chave de uma empresa, pois mesmo em situações difíceis, altamente estressantes, ele pode visualizar saídas e imaginar-se vitorioso. E se algo der errado e sua visão lhe causar fracasso, ele é capaz de levantar-se e começar de novo.

Aprender é reunir o conhecimento, a habilidade e a atitude para fazer alguma coisa. Da mesma forma que um livro de receitas não pode garantir um bom almoço, não existe uma fórmula que possa garantir o sucesso de um empreendedor.

Palavras chaves: Liderança, Inovação e Realização, Decisão, Motivação.


1 Introdução

O mundo tem passado por varias transformações em curto período de tempo, principalmente no século XX, quando foi criada a maioria das invenções que revolucionaram o estilo de vida das pessoas. Geralmente essas invenções são frutos de inovação, de algo inédito ou de uma visão de como utilizar coisas já existentes, mas que ninguém anteriormente ousou olhar de outra maneira. Por trás dessas inovações existem pessoas ou equipes de pessoas com características especiais, que são visionários que empreendem.

O empreendedorismo representa uma área do conhecimento da administração que tenta acompanhar a velocidade das mudanças do capitalismo na nova economia. Trata – se de uma nova cultura, uma nova abordagem sobre a forma de se produzir riquezas.

O mundo tem passado por várias transformações em curto período, principalmente no século XX, quando foi criado a maioria das invenções que revolucionaram o estilo de vida das pessoas. Geralmente essas invenções são frutos de inovação, de algo inédito ou de uma visão de como utilizar coisas já existentes, mas que ninguém anteriormente ousou olhar de outra maneira Por trás dessas inovações existem pessoas ou equipes de pessoas com características especiais, que são visionários, que empreendem. (DORNELAS, 2001, 19).

Ser um empreendedor e criar um novo empreendimento exige mais tempo e esforço do que se imagina e é extremamente difícil e doloroso. Dirigir um empreendimento bem sucedido não é somente um risco financeiro, é também um risco emocional. Transformar uma idéia em um negócio é difícil. É preciso saber: aonde se quer chegar e como chegar lá.

O brasileiro é empreendedor, mas tem de se preparar melhor. No Brasil existe um grande numero de empreendedores, mas a oportunidade de criar e manter um negócio por mais de três anos é relativamente baixa. E o maior problema é a pouca informação, a falta de preparo, planejamento e conhecimento específico sobre o negócio.

O empreendedorismo tem sido muito difundido no Brasil, nos últimos anos, representa uma área do conhecimento da administração que tenta acompanhar a velocidade das mudanças do capitalismo na nova economia, além de exigir com que o individuo assuma todos os riscos sociais, psicológicos e financeiros envolvidos no inicio de um empreendimento.

É fundamental o aprendizado para a formação de empreendedores. Já se tornou uma necessidade básica tanto para área profissional quanto para diversas áreas da vida.

A escolha do tema deve-se a que no momento de colocar as ações em prática, começam a surgir os problemas. Ai é que entra o estilo do empreendedor na prática, que deve reconhecer suas limitações e saber recrutar uma excelente equipe de profissionais para ajudá-lo, pois não somente o executivo principal deve ser empreendedor e sim todos os colaboradores.

O Brasil é um país de empreendedores, mas que tem muito ainda que aprender. Verificou-se que o que dificulta o progresso de grande parte dos empreendimentos no Brasil é a falta de informação, falta de preparo, planejamento e conhecimento específico sobre o negócio.

O Objetivo Geral do artigo é analisar a evolução histórica do Empreendedorismo no Brasil. Logo, pretende-se:

  • Apresentar a origem e o conceito do empreendedorismo.
  • Verificar os tipos de projetos/programas voltados ao incentivo de criação de empresas no Brasil.
  • Explicar os aspectos do processo de empreender;
  • Apresentar a importância do indivíduo empreendedor dentro do contexto empresarial.
  • Explicar as diferenças entre os domínios do empreendedorismo e administrativos;

A metodologia utilizada para a elaboração deste trabalho se baseia em pesquisa bibliográfica, que procura conceituar, identificar diferenças entre empreendedor e administrador.


2. Fundamentação Teórica

2.1 Origem do empreendedorismo

Dolabela(1999, 58) , destaca que o empreendedorismo é um neologismo derivado da livre tradução da palavra entrepreneurship e utilizado para designar estudos relativos ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades, seu universo de atuação. A palavra empreendedor, de emprego amplo, é utilizada para designar principalmente as atividades de quem se dedica à geração de riquezas, seja na transformação de conhecimentos em produtos ou serviços, na geração do próprio conhecimento ou na inovação em áreas como marketing, produção, organização, etc.

Um exemplo inicial da primeira definição de empreendedor como "intermediário" é Marco Pólo, que tentou estabelecer rotas comerciais para o Extremo Oriente. Na idade Média, o termo empreendedor foi usado para descrever tanto um participante quanto um administrador de grandes projetos de produção. Em tais projetos, esse indivíduo não corria risco: simplesmente administrava o projeto usando os recursos fornecidos, geralmente pelo governo do país. A reemergente conexão de risco com empreendedorismo desenvolveu-se no século XVII, com o empreendedor sendo a pessoa que ingressava em um acordo contratual com o governo para desempenhar um serviço ou fornecer produtos estipulados. Finalmente, no século XVIII, a pessoa com capital foi diferenciada daquela que precisava de capital. Em outras palavras, o empreendedor foi diferenciado do fornecedor de capital (o investidor de risco na atualidade). Uma das causas para a diferenciação, foi a industrialização, as invenções desenvolvidas que eram reações às mudanças no mundo.(HISRICH & PETERS, 2004, 27, 28).

Em meados do século XX, estabeleceu-se a noção de empreendedor como inovador. O conceito de inovação e novidade é uma parte integrante do empreendedorismo nessa definição, sendo essas uma tarefa das mais difíceis para o empreendedor. Exige não só a capacidade de criar e conceitualizar, mas também a capacidade de entender todas as forças em funcionamento no ambiente. A novidade pode ser desde um novo produto e um novo sistema de distribuição, até um método para desenvolver uma nova estrutura organizacional. (HISRICH & PETERS, 2004, 28)

2.2 Conceitos de empreendedorismo

O empreendedorismo é o processo de criar algo novo com valor dedicando o tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psíquicos e sociais correspondentes e recebendo as conseqüentes recompensas da satisfação e independência econômica e pessoal. Em quase todas as definições de empreendedorismo, há um consenso de que estamos falando de uma espécie de comportamento que inclui: tomar iniciativa, organizar e reorganizar mecanismos sociais e econômicos a fim de transformar recursos e situações para proveito prático, aceitar o risco ou o fracasso.

Para o economista, um empreendedor é aquele que combina recursos, trabalho, materiais e outros ativos para tornar seu valor maior do que antes. Para um psicólogo tal pessoa é geralmente impulsionada por certas forças – a necessidade de obter ou conseguir algo, experimentar, realizar ou talvez escapar à autoridade de outros. Para alguns homens de negócios, um empreendedor aparece como uma ameaça, um concorrente agressivo, enquanto para outros, o mesmo empreendedor pode ser um aliado, uma fonte de suprimento, um cliente ou alguém que cria riquezas para outros. O empreendedorismo é o processo dinâmico de criar mais riqueza. A riqueza é criada por indivíduos que assumem os principais riscos em temos de patrimônio, tempo e/ou comprometimento com a carreira ou que provêem valor para algum produto e serviço. (HISRICH & PETERS, 2004, 29)

O empreendedorismo oferece graus elevados de realização pessoal. Por ser a exteriorização do que se passa no âmago de uma pessoa, e por receber o empreendedor com todas as suas características pessoais, a atividade empreendedora faz com que trabalho e prazer andem juntos, por esse motivo deve-se motivar e estimular a introdução da cultura empreendedora nas escolas, para que mais e mais os jovens aprendam a ter atitudes empreendedoras na área que escolherem para atuar. (DOLABELA, 1999,29).

2.3 Diferenças e similaridades entre o administrador e o empreendedor

O administrador tem sido objeto de estudo há muito mais tempo que o empreendedor. As análises efetuadas sobre o trabalho do administrador e a proposição desse autor de um modelo geral para interpretar esse trabalho talvez resumam as principais abordagens existentes para se entender o trabalho do administrador ao longo dos últimos anos. HAMPTON (1991. 43)

Os administradores diferem em dois aspectos: o nível que eles ocupam na hierarquia, que define como os processos administrativos são alcançados, e o conhecimento que detém segundo o qual são funcionais ou gerais. Em relação aos níveis, o trabalho administrativo pode ser identificado como: de supervisão, médio e alto. Os supervisores tratam de operações de uma unidade específica, como uma seção ou departamento. Os médios ficam entre os mais baixos e os de alto nível na hierarquia de uma organização. E os administradores de alto nível são aqueles que têm a mais alta responsabilidade e a mais abrangente rede de interações.

O empreendedor de sucesso possui características extras, além dos atributos do administrador, e alguns atributos pessoais que, somados a características sociológicas e ambientais, permitem o nascimento de uma nova empresa. De uma idéia, surge uma inovação, e desta, uma empresa.

2.4 A Formação e o Perfil do Empreendedor

Assim como a formação gerencial, a formação empreendedora também pode ser facilmente aprendida e desenvolvida, e ambas apresentam as seguintes diferenças:

Quadro 1: A diferença entre a formação gerencial e a formação empreendedora

Formação Gerencial

Formação Empreendedora

Baseada em cultura de afiliação.

Baseada em cultura de liderança.

Centrada em trabalho de grupo e comunicação de grupo.

Centrada na progressão individual.

Trabalha no desenvolvimento de ambos os lados do cérebro com ênfase no lado esquerdo.

Trabalha no desenvolvimento de ambos os lados do cérebro com ênfase no lado direito.

Desenvolve padrões que buscam regras gerais e abstratas.

Desenvolve padrões que buscam aplicações específicas e concretas.

Baseada no desenvolvimento do autoconhecimento com ênfase na adaptabilidade.

Baseada no desenvolvimento do autoconhecimento com ênfase na perseverança.

Voltada para aquisição de know-how em gerenciamento de recursos e da própria área de especialização.

Voltada para aquisição de know-how direcionado para definição de contextos que levem à ocupação de um lugar no mercado.



MACHADO & GIMENEZ, GREATTI & SENHORINI (2000,31)

De acordo com a formação recebida pela sociedade, o profissional pode desenvolver tanto características gerenciais como empreendedoras, no entanto, é de fundamental importância que o indivíduo trabalhe mais o seu lado empreendedor, buscando sempre inovar e criar novos caminhos para realizar as tarefas do seu dia-a-dia. Vejamos a comparação entre os perfis destes dois agentes na organização inovadora. GREATTI & SENHORINI (2000 31)

Quadro 2: Comparação entre o gerente tradicional e o empreendedor tradicional

 

Gerente tradicional

Empreendedor tradicional

Motivação

Motivado pelo poder.

Motivado pela liberdade de ação, automotivado.

Atividades

Delega sua autoridade. O trabalho de escritório mobiliza todas as suas energias.

Arregaça as mangas. Colabora no trabalho dos outros.

Competências

Usualmente formado em administração. Possui habilidades políticas.

Tem mais faro para os negócios que habilidades gerenciais ou políticas. Freqüentemente tem uma formação em engenharia.

Centro de interesse

Sobretudo os acontecimentos internos da empresa.

Principalmente a tecnologia e o mercado.

O erro e o fracasso

Esforça-se para evitar os erros e as surpresas.

Considera o erro e o fracasso como ocasião para se aprender alguma coisa.

Decisões

Aprova as decisões dos seus superiores. Certifica-se do que eles querem antes de agir.

Segue a sua própria visão. Toma as suas próprias decisões e privilegia a ação em relação à discussão.

Atitude frente ao sistema

Vê a burocracia com satisfação; ela protege seu status e poder.

Se o sistema não o satisfaz ele o rejeita para constituir o seu.

Relação com os outros

Funciona tendo a hierarquia como principio básico.

As transações e as negociações são os seus principais modos de relação.



IRANILDO & KAHWAGE (2000 36)

De acordo com a formação recebida pela sociedade, o profissional pode desenvolver tanto características gerencias como empreendedoras, no entanto, é de fundamental importância que o individuo trabalhe mais o seu lado empreendedor, buscando sempre inovar e criar novos caminhos para realizar as tarefas do seu dia-a-dia. Com esta formação recebida, a pessoa ira adquirir um perfil que poderá ser do gerente tradicional ou então, um perfil do empreendedor tradicional.

Quadro 3: Comparação dos domínios empreendedor e administrativo

Domínio empreendedor - Domínio administrativo

Pressões nesta direção

 

Dimensões chave do negócio

 

Pressões nesta direção

Mudanças rápidas:

1 Tecnológica

2 Valores sociais

3 Regras políticas

Dirigido pela percepção de oportunidades Orientação estratégica Dirigidos pelos recursos atuais sob controle Critérios de medição de desempenho; sistemas e ciclos de planejamento.
Orientação para ações; decisões rápidas; gerenciamento de risco Revolucionário com curta duração Análise de oportunidades Revolucionário de longa duração Reconhecimento de varias alternativas; negociação da estratégia; redução do risco
Falta de previsibilidade das falta de controle exato; necessidade de aproveitar mais oportunidades; pressão por mais eficiência Em estágios periódicos com mínima utilização em cada estagio Comprometimento dos recursos Decisão tomada passo a passo, com base em um orçamento Redução dos riscos pessoais; utilização de sistemas de alocação de capital e de planejamento formal
Risco de obsolescência; necessidade de flexibilidade Uso mínimo de recursos existentes ou aluguel dos recursos extras necessários Controle dos recursos Habilidade no emprego dos recursos Poder, status e recompensa financeira; medição da eficiência; inércia e alto custo das mudanças; estrutura da empresa
Coordenação das áreas-chave de difícil controle; desafio de legitimar o controle da propriedade; desejo dos funcionários de serem independentes. Informal, com muito relacionamento pessoal. Estrutura gerencial Formal, com respeito à hierarquia. Necessidade de definição clara de autoridade e responsabilidade; cultura organizacional; sistemas de recompensa; inércia dos conceitos administrativos.


Adaptado de Hisrich (1986) apud Dornelas (2000, 31)

2.5 O empreendedorismo no Brasil programas voltados ao empreendedor

No Brasil pode-se dizer que o empreendedorismo está apenas começando, mas os resultados já alcançados no ensino indicam que estamos no início de uma revolução silenciosa. O primeiro curso de que se tem noticia na área surgiu em 1981, na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, por iniciativa do professor Ronald Degen e chamava-se "Novos Negócios". Era uma disciplina do Curso de Especialização em Administração para Graduados. Em 1984, o curso foi estendido para a graduação, sob o nome de "Criação de Novos Negócios – Formação de Empreendedores" e hoje é uma das trilhas obrigatórias a serem percorridas pelos alunos de graduação. Mais tarde, o ensino de empreendedorismo foi inserido nos cursos de mestrado, doutorado e MBA. A fundação Getúlio Vargas já produziu duas teses de doutorado na área e tem uma em andamento. (DOLABELA, 1999, 54-55)

A USP – Universidade de São Paulo começou a oferecer o ensino de empreendedorismo em 1984; em 1992, a Universidade Federal de Santa Catarina criou a ENE – Escola de Novos Empreendedores; também em 1992, o Departamento de Informática da Universidade Federal de Pernambuco, criava o César – Centro de Estudos e Sistemas avançados do Recife, com objetivo de ser um núcleo de aproveitamento industrial dos resultados acadêmicos. (DOLABELA, 1999, 55)

O movimento do empreendedorismo no Brasil começou a tomar forma na década de 1990 quando entidade como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Softex (Sociedade Brasileira para Exportação de Software) foram criadas. Os ambientes políticos e econômico não eram propícios, e o empreendedor praticamente não encontrava informações para auxiliá-lo na jornada empreendedora. O Sebrae é um dos órgãos mais conhecidos do pequeno empresário brasileiro, que busca junto à essa entidade todo suporte de que precisa para iniciar sua empresa, bem como consultorias para resolver pequenos problemas pontuais de seu negócio. O histórico da entidade Softex pode ser confundido com o histórico do empreendedorismo no Brasil na década de 1990. A entidade foi criada com o intuito de levar as empresas de software do país ao mercado externo, por meio de várias ações que proporcionam ao empresário de informática a capacitação em gestão e tecnologia (. DORNELAS, 2001, 38).

As ações recentes desenvolvidas começam a apontar para essa direção.

Os principais projetos voltados ao empreendedorismo são:

  • Os programas Softex e GENESIS (Geração de Novas Empresas de Software, Informação e Serviços), que apóiam atividades de empreendedorismo em software, estimulando o ensino da disciplina.
  • Ações voltadas à capacitação do empreendedor, como os programas EMPRETEC e Jovem Empreendedor do Sebrae. E ainda o programa Brasil Empreendedor, do Governo Federal, dirigido à capacitação de mais de 1 milhão de empreendedores em todo país e destinando recursos financeiros a esses empreendedores, totalizando um investimento de oito bilhões de reais.
  • Os diversos cursos e programas sendo criados nas universidades brasileiras para o ensino do empreendedorismo. É o caso de Santa Catarina, com o programa Engenheiro Empreendedor, que capacita alunos de graduação em engenharia de todo país. Destaca-se também o programa REUNE, da CNI (Confederação Nacional das Indústrias), de difusão do empreendedorismo nas escolas de ensino superior do país, presente em mais de duzentas instituições brasileiras.
  • A recente explosão do movimento de criação de empresas de Internet no país, motivando o surgimento de entidades como o Instituto e-cobra, de apoio aos empreendedores das pontocom (empresas baseadas em Internet), com cursos, palestras e até prêmios aos melhores planos de negócios de empresas start-ups de Internet, desenvolvidos por jovens empreendedores.
  • Finalmente, mas não menos importante, o enorme crescimento do movimento de incubadoras de empresas no Brasil. Dados da ANPROTEC (Associação Nacional de Entidades de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas) mostram que em 2000, havia mais de 135 incubadoras de empresas no país, sem considerar as incubadoras de empresas de Internet, totalizando mais de 1.100 empresas incubadas, que geram mais de 5.200 empregos diretos.

Um último fator, que dependerá apenas dos brasileiros para ser desmistificado, é a quebra de um paradigma cultural de não valorização de homens e mulheres de sucesso que têm construído esse país e gerado riquezas, sendo eles os grandes empreendedores, que dificilmente são reconhecidos e admirados. (DORNELAS, 2001,181)

Apesar de não parecerem de forma estruturada, existem diversas fontes de financiamento provenientes dos governos municipais, estaduais e federal, e de que muitas vezes os empreendedores nunca ouviram falar. Talvez essa seja uma falha que devesse ser sanada no curto prazo, para garantir o acesso à informação para a maioria dos empreendedores do país. Alguns exemplos serão apresentados na seqüência e devem ser considerados continuamente pelos empreendedores quando identificarem a necessidade de capitalizar sua empresa. (DORNELAS, 2001, 182).

  • Programa RHAE O programa de Capacitação de Recursos Humanos para Atividades Estratégicas. É uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia, tendo como objetivo dotar o país de melhores condições de competitividade no mercado mundial, por meio da capacitação de recursos humanos. Suas duas metas básicas e complementares são a ampliação e a consolidação da base tecnológica brasileira em temas de caráter estratégico, identificados e selecionados pelo governo brasileiro. O RHAE apóia de forma complementar e com vistas ao fortalecimento da equipe, projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, em temas estratégicos,
  • Programa PIPE da FAPESP – O PIPE Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas – da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), foi iniciado em 1997, financiando a pesquisa para inovação tecnológica diretamente na empresa, tendo apoiado, até o ano de 2000, mais de 120 projetos em pequenas empresas. O intuito é incentivar tais empresas a investir na pesquisa de novos produtos de alto conteúdo tecnológico ou em processos produtivos inovadores que possam aumentar sua competitividade.
  • Programa PROSOFT – em 1998 houve a primeira concessão de crédito para empresas de software o programa funciona financiando investimentos voltados para desenvolvimento, localização e comercialização de software, vinculados a um plano de negócios avalizado pela Sociedade Brasileira para Promoção de Exportação de Software – Softex.
  • BNDES - a função do banco é contribuir para o desenvolvimento de empresas competitivas, geração de empregos, redução de desequilíbrios regionais, buscando níveis de rentabilidade adequados aos recursos públicos. O banco é uma grande empresa, que não opera no varejo e, por conseguinte, precisa de distribuidores de seus produtos. Dentro do escopo do Programa Brasil Empreendedor, do governo federal, desenvolveu-se uma série de mecanismos para facilitar o acesso ao crédito por parte de pequenas e médias empresas.
  • Programas da Finep – A financiadora de Estudos e Projetos – Finep – é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e tem como objetivo promover o desenvolvimento tecnológico e a inovação no país. A Finep apóia empresas nascentes e emergentes de base tecnológica; empresas incubadas e empresas situadas em parques tecnológicos; empresas e instituições de pesquisas.
  • Projeto INOVAR – Capital de Risco Brasil – o projeto Inovar, idealizado pela Finep, visa a construir um ambiente institucional que favoreça o florescimento da atividade de capital de risco do Brasil, de forma a estimular o fortalecimento das empresas nascentes emergentes de base tecnológicas brasileiras, contribuindo, em última instância, para o desenvolvimento tecnológico nacional, bem como para a geração de empregos e renda.
  • Programas Sebraetec e PATME, do Sebrae – dos programas de auxilio às pequenas empresas mantidos pelo sistema Sebrae - Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Brasileiras – destacam-se o Sebraetec e o PATME, ambos visando a suprir deficiências tecnológicas nas MPE (Micro e Pequenas Empresas Nacionais). O Sebraetec é um serviço de consultoria tecnológica para fornecer soluções rápidas e sob medida para problemas específicos das micro e pequenas empresas. Geralmente são problemas simples de ser resolvidos e as consultorias não ultrapassam vinte horas. O público alvo do Sebraetec são as MPE comerciais, industriais, de serviços e rurais, empreendedores e empresas informais, em fase de formalização.
  • Já o PATME presta serviços de consultoria tecnológica mais abrangentes e que proporcionam a inovação tecnológica na empresa, já que visa a melhoria e aperfeiçoamento no produto ou processo e não apenas a correção ou solução de problemas pontuais, como no caso do Sebraetec. Entre as áreas de foco do PATME, destacam-se: aperfeiçoamento/racionalização de produtos/processos; estudo de viabilidade técnica e econômica do produto ou do processo; consultoria tecnológica associada a treinamento de recursos humanos, em projetos setoriais; implantação de laboratório de controle de qualidade; desenvolvimento de produtos e processos produtivos etc.
  • Programa Brasil Empreendedor – foi criado pelo governo federal, com objetivo inicial de estimular o desenvolvimento das MPE para promover a geração e manutenção de 3 milhões de postos de trabalho e elevar o nível de capacitação empresarial de cerca de 2,3 milhões de empreendedores em todo o país (BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONOMICO E SOCIAL, 2006).

Os agentes federais responsáveis pela operação do Programa Brasil Empreendedor foram: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia e Caixa Econômica Federal. A participação do Sebrae, e de suas agências espalhadas em todo o país, também foi de suma importância, pois sua responsabilidade foi a de desenvolver ações voltadas à capacitação empresarial dos empreendedores em busca de recursos financeiros, por meio de treinamentos nas áreas de marketing, análise financeira e de gestão empreendedora para a preparação de um plano de negócios básico, possibilitando às micro, pequenas e médias empresas adequação para o acesso às linhas de crédito. (DORNELAS, 2001,182-194).

2.6 O processo empreendedor

Segundo DORNELAS, (2001, 39-40) a decisão de tornar-se empreendedor pode ocorrer aparentemente por acaso. Isso pode ser testado fazendo-se uma pergunta básica a qualquer empreendedor que você conhece: o que o levou a criar sua empresa? Não se surpreenda se a maioria das respostas for: não sei, foi por acaso... Na verdade, essa decisão ocorre devido a fatores externos, ambientais e sociais, a aptidões pessoais ou a um somatório de todos esses fatores, que são críticos para o surgimento e o crescimento de uma nova empresa. O processo empreendedor inicia-se quando um evento gerador desses fatores possibilita o início de um novo negócio.

Quando se fala em inovação, a semente do processo empreendedor remete-se naturalmente ao termo inovação tecnológica. Nesse caso, existem algumas peculiaridades que devem ser entendidas para que se interprete o processo empreendedor ligado a empresas de bases tecnológicas. As inovações tecnológicas têm sido o diferencial do desenvolvimento econômico mundial. E o desenvolvimento econômico é dependente de quatro fatores críticos, que devem ser analisador, para então se entender o processo empreendedor: o talento empreendedor resulta da percepção, direção, dedicação e muito trabalho dessas pessoas especiais, que fazem acontecer. Talento sem idéias é como uma semente sem água. Quando o talento é somado à tecnologia e as pessoas têm boas idéias viáveis, o processo empreendedor está na iminência de ocorrer. Porém existe ainda a necessidade de um combustível essencial para que finalmente o negócio saia do papel: o capital. O componente final é o know-how, ou seja, o conhecimento e a habilidade de conseguir convergir em um mesmo ambiente de trabalho o talento, a tecnologia e o capital que fazem a empresa crescer (TORNATZKY et al., 1996, 62).

Segundo Dertouzos (1999) a inovação tecnológica possui quatro pilares:

  • Investimento de capital de risco
  • Infra-estrutura de alta tecnologia
  • Idéias criativas
  • Cultura empreendedora focada na paixão pelo negócio.

Cada fase do processo empreendedor tem seus desafios e aprendizados. Verifica-se estilo de gestão, fatores críticos de sucesso, identificar problemas atuais e potenciais, implementar um sistema de controle, profissionalizar a gestão, entrar em novos mercados.(DORNELAS,2001, 48)

As fases do processo empreendedor:

Identificar e avaliar a oportunidade Desenvolver o plano de negócios Determinar e captar os recursos necessários Gerenciar a empresa criada
Criação e abrangência da oportunidade 1. sumário executivo Recursos pessoais Estilo de gestão
Valores percebidos e reais da oportunidade 2. o conceito de negócio Recursos de amigos e parentes Fatores críticos de sucesso
Riscos e retornos da oportunidade 3. equipe de gestão

4. mercado e competidores

Angels Identificar problemas atuais e potenciais
Oportunidade x habilidade e metas pessoais 5. marketing e vendas

6. estrutura e operação

Capitalistas de risco Implementar um sistema de controle
Situação dos competidores 7. análise estratégica

8. plano financeiro

9 . anexos

Bancos

Governo

incubadoras

Profissionalizar a gestão

Entrar em novos mercados.


Quadro 4 O processo empreendedor adaptado de Hisrich, (1998, 83).

As evidências mostram o quanto o empreendedorismo está influenciando positivamente o desenvolvimento econômico, e como se tem dado atenção ao assunto. Um panorama geral é apresentado do estágio de desenvolvimento do empreendedorismo no mundo e no Brasil, bem como são analisadas as perspectivas para os próximos anos. O surgimento do empreendedorismo, passando pelas definições e comparações com os conceitos administrativos, até o entendimento do processo empreendedor, é abordado de forma objetiva visando a prover a reflexão e o interesse pelo assunto. (DORNELAS, 2001 43-44).


3 Considerações Finais

Ser empreendedor é ter uma concepção de vida diferente da maioria das pessoas, ou seja, é realizar tarefas com metas e objetivos bem definidos, é resolver problemas com decisão e iniciativa, é enfrentar desafios, enfim, é saber desafiar padrões e ir além do pensamento comum que caracteriza a maioria das pessoas. Empreendedor é uma pessoa de autonomia, autoconfiança, tem que acreditar que se pode mudar as coisas, que é capaz de convencer as pessoas de que pode ainda possuir a capacidade de convencer as pessoas de que a sua idéia é ótima e de que todos vão beneficiar-se delas, deve saber persuadir terceiros.

Ser empreendedor é muito mais que ter a vontade de chegar ao topo de uma montanha; é conhecer a montanha e o tamanho do desafio; planejar cada detalhe da subida, saber o que precisa levar e que ferramentas utilizar; encontrar a melhor trilha, estar comprometido com o resultado, ser persistente, calcular os riscos, preparar-se fisicamente; acreditar na própria capacidade e começar a escalada.

Atualmente, as empresas procuram por profissionais com perfil e espírito empreendedor, já que o empreendedorismo é um dos fatores essenciais para aumentar a riqueza do país e melhorar a condição de vida dos seus cidadãos. Para manter-se no mercado competitivo, nada mais importante do que atrair profissionais com o perfil do empreendedor.


4 Referencias

BRITTO, Francisco e WEVER, Luis. Empreendedores Brasileiros: Vivendo e aprendendo com grandes nomes. Rio de Janeiro: Campus, 2003.

DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo. 2 ed. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2001.

DRUCKER, Peter F. Inovação e Espírito Empreendedor. 6º ed. São Paulo: Editora Pioneira, 1987.

GREATTI, Ligia e SENHORINI, Vilma M. Empreendedorismo - Uma visão comportamentalista. Maringá. PR 2000. ANAIS DO I EGEPE.

HISRICH, Robert, PETERS, Michael P., Empreendedorismo. Porto Alegre, 5º edição Bookman, 2004.

http:// www.empreendedorismo.cjb.net

LONGHINI, Antônio Sérgio e SACHUK, Maria Iolanda. Analise das características empreendedoras dos empresários beneficiados com o crédito disponibilizado pelo programa Brasil Empreendedor. Maringá. PR, 2000. ANAIS DO I IGEPE.

PAIVA, Fernando e PARDINI, Daniel Jardim. Estratégia de inovação e exportação como fatores de competitividade: um estudo da ação empreendedora no setor industrial. Minas Gerais, 2000. ANAIS DO I IGEPE.