Atletismo - Corridas
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ATLETISMO


1 – INTRODUÇÃO

O atletismo, de certa forma, representa a síntese de todos os demais esportes, pois seus diversos movimentos implicados estão presentes em quase todas as demais modalidades esportivas. O salto, a velocidade e a agilidade são fundamentos básicos das modalidades do atletismo, assim como pressupostos para as outras diversas modalidades. Tais movimentos, sem dúvida, construíram as primeiras formas de prática desportiva, pois são movimentos que surgiram com o próprio aparecimento do homem, que nos primórdios de sua história, por questões de sobrevivência, aprendeu instintivamente a realizar tais esforços físicos. Como modalidade esportiva, o atletismo primeiramente foi praticado pelos povos helênicos da Antigüidade. O grande desenvolvimento dessa prática esportiva culminou, neste período, com o surgimento de competições e grandes eventos esportivos, e assim, com a profissionalização de atletas. Os eventos esportivos principais desses povos eram os Jogos Ístmicos, os Píticos, os Nemeus e os Jogos Olímpicos (realizados na região da pequena cidade de Olímpia, jogos estes que inspiraram na criação das atuais Olimpíadas). No princípio, estes eventos constituíam-se de competições como corridas e saltos. Com o gradual desenvolvimento destes eventos, houve a incorporação de outras modalidades como o lançamento de discos, lançamento de dardos e as provas combinadas como o pentatlo.

As diversas modalidades atléticas, hoje em dia, se encontram num estágio bastante avançado, com aprimoramento das técnicas de treinamento e técnicas de aperfeiçoamento dos movimentos que constituem cada modalidade. E a quebra de limites ainda não parece estar estacionando nestas modalidades, sendo que estas representam mais marcadamente as possibilidades físicas e os limites físicos humanos.

No Brasil, o atletismo é uma modalidade em grande desenvolvimento, ainda que a prática atlética não atinja a grande popularidade observada em alguns outros países. Ainda assim, a história do atletismo brasileiro possui grandes nomes como Ademar Ferreira da Silva (o único campeão olímpico sul-americano até o ano de 1969, competidor da modalidade de Salto Triplo, da qual foi recordista mundial por 5 anos), "João do Pulo" e Joaquim da Cruz.


2 – HISTÓRICO DO ATLETISMO

A história do atletismo pode ser dividida em três períodos: o primeiro, de suas origens, nas civilizações primitivas, à extinção dos antigos jogos olímpicos, pelo imperador romano Teodósio, no ano de 393 d.C.; o segundo, da Idade Média, a época de atividade descontínua ou mesmo de decadência para as competições de pista e campo, ao século passado, quando educadores vitorianos introduziram os esportes nas escolas inglesas, definindo-os, codificando-os e mais tarde difundindo-os pela Europa; e o terceiro, do renascimento dos jogos olímpicos, em 1896, com o barão francês Pierre de Coubertin, ao atletismo dos dias atuais.

O mais antigo registro de competições de atletismo data de 776 a.C., mas é certo que os esportes organizados, incluindo provas de pista e campo, foram praticados muitos séculos antes. Já nas primitivas civilizações, o homem cultivava o gosto de competir, medindo sua força e rapidez e habilidade. Os exercícios destinados a aprimorar ou a manter a saúde do corpo decorriam da própria luta pela sobrevivência; obrigado a enfrentar de início inúmeros obstáculos naturais e, mais tarde, o seu semelhante, o homem apurou seus instintos de correr, saltar e lançar. Com as guerras criaram-se os exércitos. O uso de paus e pedras, como armas, deu lugar ao de lançar, dardos e espadas.

Em 2500 a.C., os egípcios já se ocupavam de provas de luta livre e combates com paus. Dez séculos depois, os cretenses dedicavam-se à dança, ao pugilato e à corrida a pé, como forma de recreação. Vários achados arqueológicos confirmam que os antigos habitantes da China, Índia e Mesopotâmia também conheciam pela mesma época, as corridas e os lançamentos de peso. O berço do esporte organizado situa-se, porém, na Grécia. Segundo Filóstrato, em 1225 a.C. foi disputado o primeiro pentatlo, série de cinco provas (corrida, salto em distância, luta e lançamento de disco e dardo), por um mesmo atleta. No canto XXIII da Ilíada, Homero narra os funerais de Pátroclo, junto aos muros de Tróia, e as provas atléticas que Aquiles fez celebrar em honra do morto. Entre essas provas, estavam a corrida, o lançamento de um bloco de ferro maciço e o lançamento do dardo.

Para honrar os deuses ou homenagear os visitantes, os gregos costumavam organizar programas esportivos, perto de Olímpia, tradição que foi mantida pelo menos até a segunda metade do século X a.C. Coube a Ífito, rei da Élida, por sugestão da Pítia, sacerdotisa que interpretava os oráculos de Delfos, reviver a tradição, em 884 a.C., certo de que, com isso, os deuses interviriam em seu favor e poriam fim à peste que assolava o Peloponeso. Mas os jogos olímpicos, recriados por Ífito, só começaram a ser contados de 776 a.C. em diante, quando os nomes dos campeões passaram a ser inscritos nos registros públicos. O primeiro foi Corebo (grego Kóroibos, latim Coroebus), da Élida, vencedor da única prova do programa; a corrida do estádio (grego stádion, latim stadium). O estádio tinha a forma de letra U, com 211 por 23m. A corrida, ou dromo (grego drómos, latim drõmos), era disputada num percurso de 192,27 m, distância que os gregos diziam eqüivaler a 600 pés de Hércules, herói mitológico cujas façanhas, segundo a lenda, estariam ligadas à própria origem dos jogos.

A corrida do estádio em 724 a.C., passou a ser disputada em duas voltas completas pela pista, denominando-se diluo (grego díaulos, latim diaulos). Quatro anos depois, realizou-se a primeira carreira de fundo, ou dólico (grego dólikhos), que consistia em 12 voltas completas pela pista, ou pouco menos de 4.700m. O programa olímpico, depois disso, só foi alterado em 708 a.C., quando, além das corridas a pé e de carros, se efetuou o pentatlo com as mesmas cinco provas descritas por Filóstrato. Seu primeiro vencedor chamava-se Lâmpis (grego Lámpis, latim Lampas) e nascera na Lacônia. Graças aos registros públicos - e às narrativas homéricas, pós-homéricas e de outros poetas e prosadores, conhecem-se hoje alguns dos princípios que regiam as provas daquele tempo.

Nas corridas, os atletas dispunham-se à boca de um túnel, localizado a oeste do bosque sagrado, numa linha de saída denominada áfese (grego áphesis). Um toque de trompa ou trombeta, em forma de cone (grego sálpiks, latim sapinx), precisava o instante da partida, que também podia se anunciada pelo juiz, a viva voz.

Nos saltos, era permitido ao atleta impulsionar o corpo, desde que seus pés não ultrapassem uma linha-limite riscada no solo. O vencedor era o que atingisse a maior distância, na soma de três saltos. O disco (grego dískos, latim discus), antes de pedra, passou a ser de bronze, ao tempo de Ífito. Era mais grosso ao centro, fino nos bordos, media de 20 a 36cm e pesava 5kg. O discóbolo (grego diskóbolos, latim discõbulus) situava-se num trampolim ou barreira de terra batida, e ali reproduzia o gesto imortalizado por Mílon ou Milão de Crotona, atleta cujo lançamento de disco é, até hoje, um dos símbolos dos jogos olímpicos. O dardo (grego ksystón), aproximadamente com 1,80m de comprimento, tinha uma extremidade de ferro pontiaguda que possibilitava ao atleta, com o lançamento, fincá-lo no solo. Sua propulsão fazia-se com o auxílio de uma correia de 40cm, enrolada um pouco atrás do centro de gravidade do dardo. Essa correia, acionada com força no momento do arremesso, impunha um movimento rotativo ao dardo, levando-o a grandes distâncias.

O programa dos jogos olímpicos manteve-se praticamente o mesmo por toda a Antigüidade. No século VII a.C., em Esparta, houve modificações, para que as mulheres também pudessem competir. Coube a Licurgo a decisão de que "...as mulheres, como os homens, devem medir entre si a força e rapidez, pois a missão das mulheres livres é engendrar filhos vigorosos". Nos jogos realizados em Delos, elas participavam de corridas a pé, por categorias segundo a idade, cumprindo um percurso equivalente a 160m. Os romanos, assimilarem a cultura grega, já no século I d.C., prosseguiram com a tradição dos jogos olímpicos, embora com espírito mais recreativo do que competitivo, até que, em 393, o imperador Teodósio - responsável pela matança de dez mil gregos em Tessalonica - se converteu ao cristianismo, após curar-se de grave enfermidade: para ganhar o perdão de Ambrósio, bispo de Milão, concordou em suprimir todas as festividades pagãs, inclusive os jogos olímpicos.

Da Idade Média aos vitorianos

O atletismo dos romanos já representou uma fase de decadência em relação à dos gregos, não só por menos competitivo e sem fim educativo, mas também porque o atleta, m geral escravo ou prisioneiro de guerra, estava muito longe de gozar do prestígio social dos antigos competidores gregos. Como o gladiador, ele era treinado para divertir, no circo ou no anfiteatro. Os jovens romanos de boa posição preferiam as carreiras de bigas e quadrigas, ou mesmo os banhos nas termas, às corridas, saltos e lançamentos que os gregos quase cultuavam.

Os séculos que separam Teodósio do ano de 1154 - quando se vai encontrar o primeiro registro de provas de atletismo na Idade Média - foram total abandono das competições de pista e campo. A não ser pelos jogos de alguns povos da América pré-colombiana e uma ou outra atividade isolada em poucos países do Oriente, quase sempre ligada às corridas a pé, não houve atletismo organizado nesse período e mesmo depois. As provas que realizam em Londres e outras cidades inglesas, em 1154, não passaram de um recomeço discreto. Eram corridas e saltos em distância e altura, lançamentos de peso e outros jogos de campo, praticados sem regras fixas.

A Europa medieval, então, interessava-se mais pela cavalaria, pelos exercícios militares que aperfeiçoavam o manejo de espadas, lanças, arco e flecha, mais úteis numa época de guerras quase permanente. Alguns reis, como Eduardo III, chegaram a proibir a prática de qualquer esporte que não tivesse associado ao treinamento dos soldados, incluindo o atletismo.

Embora outros soberanos se tenham mostrados mais tolerantes, como Henrique VIII, que participou de vários torneios de lançamento do martelo, o atletismo não era considerado esporte nobre. Essa condição (à qual se adiciona o ascetismo cristão da Idade Média, segundo o qual os cuidados com o corpo deveriam dar lugar à purificação da alma) explica seu esquecimento até o século XIX. Coube exatamente aos ingleses reviver, de forma definitiva, as competições clássicas de pista e campo.

Os povos das ilhas Britânicas sempre apreciaram os esportes. Mesmo durante a proibição dos esportes, eles os praticavam, ou clandestinamente ou pelos favores de autoridades benevolentes. O gosto pela recreação ao ar livre levou-os a criar ou a adaptar uma variedade de jogos, muitos dos quais têm popularidade em todo o mundo, nos dias de hoje. No início do século passado, com reforma que os educadores vitorianos introduziram nas escolas públicas, foram aproveitados os princípios defendidos por Thomas Arnold, na Rugby School. Thomas Arnold, educador inlgês nasceu em East Cowes, ilha de Wight, a 13 de junho de 1975, e morreu em Rugby a 12 de junho de 1842. Educado em Winchester e Oxford, apresentou-se como candidato a chefe da escola de Rugby em 1827, a disposto a transformar o sistema educacional público não apenas naquela instituição, mas em toda a Grã-Bretanha. Lembrado principalmente por seus sermões na capela escolar, Arnold teve o mérito de conseguir mais do que até então o sistema de prefeitos nas escolas públicas produzidas. Após sua morte, a maioria das escolas secundária inglesa tomou a Rugby como modelo. Admirador da civilização grega, Arnold reviveu o princípio de uma união fértil entre o esforço físico e o mental. De acordo com Arnold, o esporte sistematizado era de grande importância na educação do jovem, disciplinando-o aprimorando-lhe as qualidades morais, e sobretudo, levando a descarregar nos campos de jogo um potencial de energia que, de outra forma poderia ser utilizado em práticas condenáveis. Entre essas práticas, os educadores ingleses incluíram idéias reformistas dos jovens da classe média, em oposição ao tradicionalismo vitoriano.

Em 1825, corridas a pé eram disputadas regularmente em Uxbridge. Em 1838 os alunos de Eton praticavam as primeiras provas com barreiras, numa distância de 110 jardas. Seis anos depois , a primeira corrida de fundo, também com barreiras, chamada steeplechase (do inglês literalmente "busca ou caça da torre", meta que devia ser atingida vencendo quaisquer obstáculos; o vocábulo documenta-se em inglês já em 1805), ampliava o programa de provas atléticas.

Na metade do século, com a adesão de escolas como Winchester, Charterhouse, Shrewsbury, Westminster e Harrow, o atletismo estava oficializado na Inglaterra, de onde passou para a Escócia; Irlanda e país de Gales, chegando finalmente a outros pontos da Europa. Os alemães e os escandinavos, que já se dedicavam à ginástica e outras formas de educação física, foram os primeiros a adotar o atletismo inglês. As provas regulamentadas pelos educadores vitorianos - e que serviram de ponto de partida para o moderno programa de competições atléticas - compreendiam as quatro modalidades clássicas dos gregos (corrida, salto em distância, lançamentos de dardo e disco) e muitas variantes por eles criadas ou adaptadas. As corridas eram disputadas em várias distâncias, a menor de 110 jardas; a maior de 3 a 4 milhas. Além de salto em distância, havia o de altura, o triplo (que se inspirava nos três saltos isolados dos gregos) e o com vara, cuja origem se situa nos antigos métodos ingleses de pular sobre valas, riachos e canais, com o auxílio de varas. Aos lançamentos de dardo e disco, acrescentaram-se os de peso e martelo, este de origem celta e muito popular, havia séculos na Escócia e na Irlanda. Havia ainda, uma forma rudimentar de revezamento (corridas entre equipes, com passagem de bastão de um corredor para outro) e provas combinadas nos moldes de pentatlo.

De Coubertin até hoje...

Em 1892, numa sessão solene realizada na Sorbonne, em Paris, Pierre de Fredi, barão de Coubertin, apresentou um projeto para que fossem recriados os jogos olímpicos extintos por Teodósio. Seu objetivo era um movimento internacional, o olimpismo, que visava a promover o estreitamento de ralações entre os povos através do esporte. A proposição tinha também, fins pedagógicos: "... Formar o caráter dos jovens pela prática esportiva, despertando-lhes o senso de disciplina, o domínio de si mesmo, o espírito de equipe e a disposição de competir". Mas a idéia só se concretizou em 1894, a partir de um congresso realizado também na Sorbonne, dessa vez com a participação de representantes de 14 países. Foi criado o Comitê Olímpico Internacional, com sede em Lausanne, Suíça, e estabeleceram-se as normas para a realização dos primeiros jogos em 1896, na Grécia.

O primeiro programa olímpico de atletismo compreendia corridas de 100, 400, 800 e 1.500m, e mais a de 110m com barreiras, saltos em distância, altura, triplo e com vara, lançamentos de peso e disco. Uma prova especial à maratona, foi organizada para os corredores de fundo, por sugestões do lingüista e helenista francês Michel Bréal. Pretendia-se com ela, recordar a façanha de Fidípdes (gr. Pheidippídes), soldado ateniense que correu da cidade de Maratona, perto de Ática, até Atenas, para anunciar aos gregos a vitória de Milcíades sobre os persas em 490 a.C. A maratona olímpica - que acabou convertendo-se numa das provas clássicas dos jogos olímpicos modernos - foi corrida num percurso de 42Km, aproximadamente a mesma distância cumprida por Fidípedes. Seu primeiro vencedor foi o grego Luís Spýros, modesto fabricante que vivia em Marusi.

O programa original do atletismo olímpico, aberto apenas a competidores do sexo masculino, foi sendo sucessivamente modificado. Em 1900, introduziram-se as provas de 400m com barreiras, de 2.500m de steeplechase e de lançamento do martelo. Das modalidades clássicas, as últimas a figurarem nos modernos jogos olímpicos foram o lançamento do dardo, só disputado oficialmente em 1908, e pentatlo, em 1912. Neste ano realizaram-se também, o primeiro decatlo (dez provas por um mesmo atleta) e os revezamentos de 4 x 100 e 4 x 400 metros.

As mulheres só começaram a participar regularmente dos jogos olímpicos em 1928, cumprindo um programa de 100, 800 e 4 x 100 metros, o salto em altura e o lançamento do disco. Até 1948, outros acréscimos e supressões foram feitos tanto no programa masculino como no feminino. De 1948, quando o número de provas para mulheres aumentou consideravelmente, a 1956, ano em que disputou a primeira marcha de 20km (a de 50km já fora introduzida em 1932) o programa oficial sofreu suas últimas alterações.

Os jogos olímpicos ajudaram a popularizar o atletismo, universalizando-o cada vez mais. No século passado, já existiam alguns órgãos dedicados à regulamentação e promoção de torneios atléticos, entre os quais o London Athletic Club e o Amateur Athletic Club, ambos na Inglaterra, a Association of Amateur Athletes of América e o New York Athletic Club, estes nos E.U.A., além de clubes, associações e escolas de educação física na Alemanha, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Noruega e França. O intercâmbio entre esses países fez-se gradativamente. Os ingleses sistematizaram o atletismo e defundiram-no pela Europa e E.U.A. Os mesmos ingleses, os alemães e os nortes americanos introduziram-no em toda a América Latina. Mas foram os jogos olímpicos no século XX, que transformaram as provas de pista e campo num esporte universal, base de todos os outros.


3 – PRIMEIRAS COMPETIÇÕES

Segundo o manuscrito irlandês Book of Leinster, o atletismo voltou a ser praticado, nos tempos modernos, no ano de 554, sendo que suas primeiras manifestações foram profissionais. Todavia, só se tem notícia do primeiro recorde homologado que foi o da hora, no ano de 1740, quando Thomas Carlisle correu a distância de 17 300 metros, marca essa superada em 1888 por Evans, no Hipódromo de Newmarket, o que lhe valeu o prêmio de 1.000 libras.

O amadorismo surgiu em 1790, com maior difusão nos meios militares, muito embora date de 1750 a organização da primeira competição amadorista, a cargo dos universitários ingleses de Exeter College Cambrigde, em 1857, e Oxford, em 1860, promoveram competições idênticas, assegurando o ressurgimento do atletismo, e em 1864 teve lugar a primeira competição entre Cambrigde e Oxford.

Nos Estados Unidos, o atletismo surgiu em 1865, sendo fundada, em 1868, a Associação New York A. C., realizando-se, dez anos depois, os primeiros campeonatos norte-americanos. Em 1881, universitários americanos foram à Inglaterra competir. Quatorze anos depois, os ingleses (Oxford) foram aos Estados Unidos competir com Yale, a 2 de setembro, data que assinou o primeiro torneio internacional na América do Norte.


4 – CLASSIFICAÇÃO DO ATLETISMO

1 – Provas Pedestres:

1.1 – Quanto a extensão do percurso:

- Velocidade Intensa: 100m, 110m, 200m, 100m com barreira e revezamento 4 x 100m.

- Velocidade Prolongada: 400m, 400m com barreira e revezamento 4 x 400m.

- Corrida de Meio Fundo: 800m, 1500m, 3000m e 3000m com barreira (Steeplechease)

- Corridas de Fundo:- 5000m, 10 000m, 42 195m e Cross-Country.

1.2 – Quanto a natureza do terreno:

- Rasas:- 100m, 200m, 400m, 4 x 100m, 4 x 400m, 800m, 1 500m, 3.000m, 5.000m, 10.000m e Marcha Atlética.

- Com Barreiras:- 100m, 110m, 400m com barreiras e 3.000m com obstáculos.

- Rústicas:- Maratona, Cross-country e outras.


5 – PROVAS PEDESTRES

5.1- CORRIDAS DE VELOCIDADE

Todas as provas em distância até 400m, inclusive, são denominadas corridas de velocidade. Aqui, consideram-se somente, as que realizam em pista livre, por isso também conhecidas por corridas rasas. As demais com obstáculos, são expostas adiante.

Sendo disputadas em percursos relativamente curtos, as corridas de velocidade têm como característica básica o esforço total e contínuo que o atleta deve desenvolver, desde a saída até a chegada. Esse atleta - chamado sprinter (em inglês) ou velocista – é um dos mais especializados de todo o esporte de pista e campo. Para participar com êxito de uma prova de 100, 200 e mesmo de 400m rasos, o corredor necessita acima de tudo, de aptidão própria para essa modalidade. Aqui, a técnica, o treinamento intensivo e os ensinamentos teóricos são fatores secundários.

Em alguns casos, podem até ser nocivos, pois a tentativa de transformar em sprinter um atleta sem aptidão para esse tipo de corrida cria, comumente, um estilo artificial indesejado. O fundamental entre os velocistas, é o estilo natural: capacidade de empregar toda a sua força física no percurso determinado, reflexos condicionados, coordenação perfeitamente ritmada dos movimentos de braços e pernas e, sobretudo, mais explosão do que fôlego.

Os revezamentos de 4 x 100m e 4 x 400m começam ambos com uma partida escalonada, utilizando-se blocos de madeira para facilitar a primeira passada. Nas fases subseqüentes da prova de 400m, os corredores recebem o bastão na linha de chegada. Para a prova de 4 x 100m existem três áreas de passagem de 20m de comprimento, dentro das quais os dois corredores têm se passar o bastão. Em primeiro mostra-se a seqüência da passagem, com o bastão sendo colocado na mão do novo corredor, com este já em movimento rápido e sem olhar em volta.

Nas provas de velocidade, a saída pode ser decisiva, conforme cada corredor observe a técnica indicada e seja capaz de partir tão logo autorizado. Essa autorização é dada pelo juiz da prova mediante três sinais sucessivos. No primeiro, quando ele diz "em suas marcas", cada corredor deve ocupar a raia que lhe coube por sorteio, apoiando um dos joelhos no solo, as duas mãos atrás da linha de saída e os pé nos suportes especiais fixados mais atrás, ou blocos de partida. Ao segundo sinal, quando o juiz diz "prontos", o corredor ergue o joelho do solo, mantém as mãos e os pés apoiados, e inclina-se para frente, aguardando então o terceiro sinal: o disparo que dá inicio à prova.

Nas competições oficiais, só se permite ao corredor uma saída em falso (tirar as mãos do solo ou partir antes do disparo), pois a segunda falta o elimina. Se ocorrer uma saída em falso, observada pelo juiz ou por um de seus auxiliares, um novo disparo suspende a prova, voltando os corredores às suas marcas. Nos 100, 200 e 400m rasos, o corredor deve manter-se sempre na raia para qual foi sorteado. Invadir a raia do adversário, em qualquer parte do percurso, também o elimina. Outra falta desclassificante pode ocorrer na chegada, quando o corredor rompe a fita com qualquer parte do corpo que não seja o peito ou o pescoço.

5.1.1- Seqüência Pedagógica

Exercícios:

Movimentação dos braços:

  • Andar, movimentando os braços alternadamente, em movimento pendular, para a frente e para trás sem deixar que cruzem na frente do corpo, tendo os músculos em total descontração
  • Corpo estático e descontraído, pernas juntas em afastamento ântero posterior, semiflexionadas, com o tronco inclinado para a frente e os braços flexionados em posição de corrida (90 graus). Movimentar os braços alternadamente em movimento pendular, para frente e para trás.

Movimento das pernas:

  • Correr elevando a coxa horizontal, de forma que os quadris permaneçam altos e o pé eleve-se contra a coxa, por baixo, em trajetória vertical e flexionado. Deve-se evitar que os quadris se abaixem, levar a cabeça atrás, desunir os pés e contrair os ombros.
  • Corrida com elevação exagerada do joelho à frente, insistindo em manter alto os quadris, o corpo inclinado adiante e os ombros baixos; o pé que se eleva deve estar fletido. Evitar que os quadris se abaixem e que se incline a cabeça para trás, porque isto leva o corpo junto
  • Pular corda: através de saltos simples, rodando a corda sobre os pés e acima da cabeça, no sentido ântero posterior.

5.1.1- CORRIDAS COM BARREIRAS

Passagem sobre a barreira

O movimento descendente da perna de abordagem deve ter início a uns vinte centímetros aproximadamente, antes da barreira. Este movimento vai permitir um apoio ao solo, do pé de abordagem, próximo à barreira, fazendo com que o centro de gravidade do barreirista fique à frente desse pé, possibilitando o prosseguimento da corrida sem perda de velocidade. A face posterior da coxa da perna de abordagem deverá passar bem próximo da barreira.

Por sua vez, a perna de impulsão, após perder o contato com a pista, deve ser flexionada através de um movimento relativamente lento e suave. Somente depois que o calcanhar tenha passado a barreira é que há um movimento rápido, puxando a perna de impulsão para frente, até que o pé toque o solo novamente.

A linha dos ombros do barreirista deve sempre obedecer a um correto alinhamento: estar sempre paralela à pista e à linha de chegada. Um ombro mais alto ou mais baixo ou um giro do tronco na ultrapassagem concorre, sobremaneira, para perda de velocidade e desequilíbrio na movimentação dos braços. A manutenção da linha dos ombros sem desvios é mais importante do que o lançamento dos braços à frente, no instante de ser feito o ataque à barreira.

O tronco deve ser flexionado no momento de passar a barreira, com o objetivo de facilitar a passagem da perna de impulsão que, com o tronco flexionado, se eleva com mais facilidade, por imprimir maior velocidade ao corpo durante a passagem. Isso evita que o atleta bata ou tropece na barreira com o joelho ou pé da perna de impulso.

A cabeça do atleta deverá ser mantida na mesma altura em que vinha durante a corrida. A elevação da cabeça durante a passagem significa que o tronco não foi flexionado convenientemente. Quanto aos braços, o movimento ou lançamento dos braços à frente, é o meio pelo qual o barreirista consegue uma passagem rasante e curta sobre a barreira, determinando uma grande redução no tempo em que fica sem contato com o solo.

Corrida entre as barreiras

Deve ser feita com passadas largas sobre a planta dos pés. Na corrida de 110 metros, devem ser dadas três passadas entre as barreiras, sete nos 200 metros e 15 nos 400. É muito comum entre os principiantes a não observação das três passadas no intervalo entre as barreiras, por terem dado a primeira passada curta demais ou por receio de enfrentar a barreira seguinte e se acidentarem. Para o primeiro caso, deve-se fazer com que o atleta passe várias vezes por uma única barreira, alongando a primeira passagem, até que chegue ao normal. No segundo, devem-se usar para o treinamento, barreiras com a parte superior móvel.

Corrida Final

Passando a última barreira, o primeiro passo deve ser dado da mesma forma como se fosse "atacar" a Segunda barreira. Depois disso, o barreirista deve continuar a corrida utilizando-se de toda sua energia para passar pela linha final com máxima velocidade.

Seqüência Pedagógica

Exercícios:

  • Em fileiras compostas de 3, 4 e 5 elementos. Correr livremente dentro de uma área qualquer, com as mãos colocadas na cintura ou nos ombros do companheiro.
  • Idem. Tendo os braços entrelaçdos aos dos companheiros.
  • Caminhar sobre as pontas dos pés, calcanhares e borda externa dos pés.
  • Correr, fazendo fazendo três passadas de corrida e uma em forma de salto.
  • Colocar vários aros de ginástica no solo, dispostos em linha reta, para que o aluno corra colocando o pé dentro de cada um deles. A dsitância entre os aros deve ser de forma a obrigar que as passadas da corrida sejam bastante amplas.

5.1.2- CORRIDAS COM OBSTÁCULOS

Quatro modalidades de corrida são disputadas com obstáculos sobre pista: 110, 400 e 3.000m steeplechase. A primeira delas é a única destinada a moças, enquanto as três outras são reservadas a homens. Em todas além dos requisitos comuns aos velocistas e meio-fundista, exigem-se dos corredores técnicas especiais para combinar a ação de correr com a de saltar sobre os obstáculos que se intercalam, a distâncias determinadas, em todo o percurso. Os corredores dessa modalidade, em provas até 400m, são também velocistas, mas velocistas treinados para ultrapassar cada barreira sem a derrubar, o que não o elimina da prova, mas pode significar uma perda de ritmo e, consequentemente de tempo, quase sempre vital em curtas distâncias.

Toda a ciência das corridas de obstáculos reside nessa ação sincronizada: o correr sem esforço total e contínuo, como fazem os sprinters em pista livre, mas tendo em mente chegar ao obstáculo com o pé de apoio certo, no momento exato, e em condições de ultrapassá-lo de modo que, uma vez chegando ao outro lado, continue correndo sem perda de ritmo e tempo. Na verdade, o salto que dá numa corrida com obstáculo corresponde a uma passada maior, um rápido erguer e distender de perna, o bastante para vencer o obstáculo, em nada se assemelhando à técnica do saltador de altura.

A única prova feminina com obstáculo é a dos 100m, criada em 1969, depois dos jogos olímpicos, realizados no México. Até então, a distância era de apenas 80m, mas a F.I.A.A., diante de alguns estudos e proposições, aprovou a mudança. Os 3.000m steeplechase são uma corrida de obstáculos com características especiais. Nela os atletas dão sete voltas pela pista, em cada uma delas tendo de saltar quatro obstáculos idênticos aos usados na prova de 400m. Ao fim do percurso, situa-se o último obstáculo, igual aos anteriores, mas tendo ao seu término em fosso cheio de água, com 3,66m² e 76cm de profundidade, a qual vai diminuindo à medida em que se afastada do obstáculo, até chegar ao nível da pista. Nesta modalidade, o corredor corresponde, em técnica, ao meio-fundista, procurando dosar suas energias durante o percurso.

5.1- Seqüência Pedagógica

Exercícios:

  • Individualmente ou em pequenos grupos. Realizar a passagem de vários obstáculos, separados por apenas 10 a 15 metros, utilizando para isto diversos ritmos de corrida.
  • Passar dois obstáculos, separados já com a distância oficial (78m), procurando acelerar a corrida ao se aproximar do obstáculo.
  • Individual ou em pequenos grupos. Passar sobre um obstáculo e em seguida passar sobre o fosso. A distância de separação entre o obstáculo e o fosso deve ser a oficial (78m).
  • Saltar sobre uma viga, em forma de obstáculos, na qual se apóia a perna de ataque, que dá novo impulso para projetar o corpo para o outro lado. Após a aterrissagem, feita sobre um pé, deve-se continuar a corrida.
  • Idem ao anterior, só que, para abordar o obstáculo, faz-se uma corrida prévia de 8 passadas, partindo de uma marca colocada no seu início. Após a corrida, impulsiona-se a 1,30 a 1,50m do obstáculo, utilizando para isto a perna de impulsão, de forma a apoiar o outro pá em cima da viga, para fazer uma nova impulsão e aterrizar no mesmo pé do primeiro impulso, à frente de um colchão colocado adiante de um obstáculo, e continuar a corrida por mais alguns metros.

5.1.3- CORRIDAS DE REVEZAMENTO

São corridas entre equipes de quatro atletas, cumprindo cada um uma quarta parte do percurso e tendo de passar um bastão ao companheiro que se segue, dentro de certos limites assinalados na pista. São dois os tipos de revezamento: o de 4x100m, para homens e mulheres, e o de 4 x 400, só para homens. No primeiro, a passagem do bastão se faz a cada 100m e, no segundo a cada 400m, de modo que o percurso total dessas provas tem 400 e 1.600m respectivamente.

Na pista, estão indicadas as três marcas para cada passagem do bastão (a 100, 200 e 300m da saída, na prova de 4 x 100, e a 400, 800 e 1.200m, na de 4 x 400). A partir de cada marca, assinalam-se duas outras, a primeira 10m antes, a segunda 10m depois. A passagem do bastão de um corredor para outro deve ser feita dentro dessa área de 20m. O bastão é um tubo circular, de 28 a 30cm de cumprimento, 12cm de circunferência a 50g de peso. A passagem deve ser feita com a mais absoluta precisão. Dela depende o próprio êxito da equipe. Os corredores dessa modalidade são submetidos a treinamento especial de passagem, associando-o aos exercícios normais dos velocistas. Um dos princípios técnicos a ser observado é o da condução do bastão pelo corredor. O que cobre a primeira parte do percurso leva o bastão, por exemplo, na mão direita; o que se segue deve colocar-se portanto, à sua direita na raia, a fim de receber a passagem com a mão esquerda; o terceiro corredor fica à esquerda do segundo e recebe com a mão direita; o quarto e último fica à direita do terceiro e recebe com a mão esquerda, correndo então, até a linha de chegada. Nos 4 x 100m, cada equipe deve ocupar sua própria raia, indicada por sorteio. Nos 4 x 400, a obrigatoriedade de raia só ocorre para a primeira volta e mais uma curva, depois do que cada equipe pode correr livremente em qualquer raia, dando preferência é claro, para a interior.

Além da passagem - cuja precisão é decisiva - constitui fator de primordial importância no revezamentos, a saída de cada corredor pois a perda de um décimo de segundo pode significar uma desvantagem final de um metro. Para que se tenha uma idéia do valor desses dois fatores (precisão de passagem e correção na saída), observe-se que um excelente sprinter é capaz de cumprir os 100m rasos em 10 segundos, enquanto uma excelente equipe de 4 x 100 cobre os 400m em 39 segundos com média portanto melhor.

Nas competições de atletismo, as provas de revezamento, principalmente as de 4 x 100 metros, são as que mais empolgam o público e para os atletas, o momento de maior nervosismo. Delas depende o êxito das corridas de revezamento e daí a importância de seu treinamento que, em geral, é bastante atraente para os colegiais e principiantes.

O bastão não deve ter superfície muito lisa, e seu acabamento deve ser natural, para que não fique escorregadio. Pode ser confeccionado de madeira ou metal e ser de forma circular; o comprimento não deve ser superior a 30 cm, nem inferior a 28 cm. Sua circunferência terá 120 milímetros e não poderá pesar menos de 50 gramas. Há várias maneiras de se segurar o bastão no momento da partida. O mais importante é segurar bem firme e bastante aproximado do centro.

Passagem do Bastão

Há dois sistemas de passagem do bastão: um visual e outro não visual. Este último é também chamado de passagem cega e é empregado nos revezamentos de velocidade intensa (4 x 100 metros), e o visual, mais utilizado nos revezamentos maiores (4 x 400 metros), visto que o atleta que vai passar o bastão vem cansado e descoordenado nos seus movimentos e o que está esperando, deve praticamente tomar o bastão de sua mão, virar e sair correndo. Neste último processo, a certeza da passagem do bastão é muito mais importante do que a velocidade.

Na visual, a maior responsabilidade é do corredor que está esperando e na cega é de quem vai executar a passagem. Evidentemente não devemos chegar ao ponto de determinar a responsabilidade deste ou daquele elemento. É necessário, contudo, que haja um trabalho perfeito da equipe, com igualdade de responsabilidade de todos os atletas componentes da equipe de revezamento.

Diversos são os processos de passagem de bastão nas corridas de revezamento. Qualquer que seja o processo adotado, deve sempre proporcionar uma corrida veloz e contínua.

Na Passagem não visual, existem pelo menos quatro processos de passagem não visual e outro tanto de variações ou adaptações:

a) Olímpico ou americano: é um antigo processo de passagem que surgiu por volta de 1932 e foi usado pelas equipes americanas até bem pouco tempo. Consiste em apoiar as mãos, através das pontas dos dedos na altura da cintura. O polegar deve estar aberto, a palma da mão voltada para cima e o cotovelo projetado para frente, ou mais precisamente, para fora.

b) Olímpico com variação: nada mais é do que uma mudança da posição da mão – o polegar aberto fica apoiado no quadril, os demais dedos unidos e a palma da mão voltada para trás. O cotovelo obedece praticamente à mesma posição da técnica anterior.

c) Francês: o braço é estendido para trás, executando uma torção da mão para fora, de forma a fazer com que a palma da mão se volte para cima. O dedo polegar fica aberto, em relação aos demais dedos.

d) Alemão: é quase idêntico ao anterior, diferenciando-se apenas na posição do braço, que fica estendido mais naturalmente para trás, palma da mão ligeiramente voltada para baixo, polegar bem aberto e demais dedos abertos.

Qualquer um dos processos tem suas vantagens e, evidentemente, desvantagens.

Os processos americano e francês, em que a palma da mão é voltada para cima, apresentam a desvantagem de ter o bastão colocado através de um movimento de cima para baixo o que deixa de ser um movimento natural na corrida, visto que este é feito de baixo para cima. Entretanto, apresentam a vantagem de oferecer maior segurança na passagem, pois a possibilidade de cair o bastão é mínima. Nos processos americano e variação, em que a mão é fixada no quadril, é exigida uma aproximação muito grande nos corredores, o que é uma desvantagem, pois pode ocasionar atropelos e acidentes.

Com exceção da técnica francesa, em todos os outros processos, após o recebimento do bastão, o atleta deverá passá-lo para a mão esquerda, o que também pode ser considerado uma desvantagem.

Atualmente, as melhores equipes de revezamento do mundo, evitam a troca do bastão de mãos, visto que o risco de queda é grande e ainda porque, durante a fração de tempo que este movimento consome, o atleta não pode continuar acelerando, nem mesmo manter a velocidade já adquirida. O processo alemão é talvez o que oferece mais vantagens, porém, não é o mais seguro.

5.2- CORRIDAS DE MEIO-FUNDO

Entre as corridas de meio-fundo estão as de 800 e 1.500m rasos, a última das quais é disputada somente por homens. Alguns teóricos do atletismo incluem, nesse grupo, a prova de 3.000m steeplechase, considerada adiante, com as outras corridas de obstáculos. Ao contrário do que ocorre com as provas de velocidade - onde o esforço total e contínuo é a principal característica do bom corredor - aqui o fundamento apoia-se em dois fatores: técnica e recuperação.

O meio-fundista também necessita de ter aptidão para essa modalidade de corrida, mas a aptidão no caso, é secundária. Treinadores experientes têm conseguido com freqüência, recorrendo a métodos de adaptação e condicionamento, transformar atletas comuns em corredores de meia-distância. A técnica consiste em induzir-lhe uma espécie de auto-dosagem de energia, já que o seu objetivo imediato não é a velocidade total e contínua, mas a média que ele deve manter durante um percurso bem mais longo do que os 100, 200 e 400m. A recuperação - o segundo fator importante - é a capacidade de recobrar pouco a pouco, dentro de certo ritmo e durante cada etapa do percurso, o fôlego, que começa a ser minado a partir dos 400m.

Basicamente, as regras para as corridas de meio-fundo, são as mesmas estabelecidas para as de velocidade. Nos 800m, os corredores dão duas voltas completas pela pista. Até a primeira curva, devem manter-se em suas respectivas raias; depois, podem abandoná-las livremente. Nos 1.500m, não há raias determinadas, devendo os corredores dar três voltas completas pela pista e cumprir mais 300m.

Nas corridas de fundo, o tipo morfológico mais comum é o de baixa estatura e leve. Devemos destacar, entretanto, que, em geral, esses tipos físicos são os que mais têm se apresentado como corredores de longa distância. Difícil seria afirmar que realmente o tipo físico ideal, quando nos Jogos Olímpicos, realizados no México, houve uma heterogeneidade neste aspecto. Devem-se ressaltar, contudo, as atuações dos atletas africanos neste tipo de prova, principalmente de Quênia e Etiópia, os quais são altos e esbeltos.

O mais importante, entretanto, são as qualidades que deve apresentar o atleta para estes tipos de corrida. Velocidade, resistência, perfeita integridade orgânica, aliados à fibra, força de vontade, combatividade, grande capacidade de autogovernar-se são as qualidades que condicionam o atleta dessas provas a obter sucesso.

A noção de andamento ou ritmo da passada deve ser uma das grandes preocupações dos atletas que se dedicam a provas de média e longa distâncias e igualmente as noções de regularidade e economia.

O tipo de andamento que convém a esses atletas é um andamento regular, que deve ser mantido com um mínimo de esforço, o que resultará numa grande economia de energias.

É evidente que o andamento não é idêntico em todas as corridas de fundo e meio-fundo, visto que o atleta de 1.500 metros, por exemplo, percorrerá os primeiros 800 metros de modo mais vivo do que o corredor de 10.000 metros no mesmo percurso inicial.

Partida:

Como estas provas não são balizadas, isto é não são corridas com pista marcada, a saída em pé é o tipo utilizado, pois uma partida ruim não tira a possibilidade de o atleta se recuperar posteriormente.

Para este tipo de saída, o corredor deve tomar a seguinte posição: pequeno afastamento para frente com o tronco ligeiramente inclinado na direção da corrida. Ao som do tiro, a perna de trás é impulsionada para frente juntamente com o braço contrário.

Passada:

A passada deve ser longa e flexível e o contato com o solo é feito pelo terço anterior dos pés.

A amplitude da passada será menor que a do corredor de velocidade, pois é menor a elevação dos joelhos, a inclinação do corpo e os movimentos dos braços. Estes devem ser mantidos relaxados, ligeiramente flexionados e estar perfeitamente sincronizados com a passada.

A corrida se tornará muito mais fácil, se o atleta observar as seguintes orientações:

  • Correr solto e descontraído;
  • Dar à passada uma amplitude bastante natural;
  • Manter os braços baixos, isto é, ligeiramente flexionados;
  • Não elevar exageradamente os joelhos;
  • Manter o tronco ligeiramente inclinado na direção na corrida.

Chegada:

Ao faltarem 200 ou 100 metros, o corredor deve se utilizar de todas as energias que lhe restam, para chegar à linha final na maior velocidade que suas forças lhe permitirem.

Respiração:

É feita pelo nariz e pela boca e deve ser controlada e cadenciada de modo que a expiração seja mais demorada que a inspiração. Esta é a maneira mais rápida de assimilar o oxigênio necessário para o trabalho dos músculos.

5.3- CORRIDAS DE FUNDO

As corridas de longas distâncias são provas exclusivamente para homens, nas quais a velocidade, ou o equilíbrio entre a velocidade e o fôlego, praticamente não conta. Nelas, o essencial é a resistência do corredor, embora a técnica, sobretudo no que diz respeito à recuperação de energias, não deve ser desprezada. Das três modalidades de corridas de fundo - 5.000, 10.000 e 42.195m - as duas primeiras se realizam dentro do estádio, como as de curtas e meias distâncias. Em ambas, a saída se faz numa linha reta, sem o desconto das curvas, e cada atleta pode correr livremente em qualquer raia. Nos 5.000m, cumprem-se doze voltas pela pista e completa-se o percurso com mais 200m. Nos 10.000m, o percurso se faz em 25 voltas completas.

5.3.1. MARATONA

A corrida de 42.195m é a maratona clássica instituída nos primeiros jogos olímpicos modernos. A saída também ocorre em linha reta, sem as exigências regulamentares feita para as provas de velocidade. Os corredores completam uma volta pela pista, saem do estádio, cumprem um percurso em ruas ou estradas asfaltadas, voltam ao estádio e dão outra volta completa pela pista até a linha de chegada. Embora conste do programa de diversos campeonatos e torneios nacionais ou internacionais, a maratona é uma prova essencialmente olímpica. O percurso sobre asfalto varia muito de forma, mas os 42.195m - mais ou menos o equivalente ao cumprido por Fidípides - são rigorosamente observados.

A maratona deve ser corrida em estradas, e quando o tráfego ou outras circunstâncias o impedirem, o percurso, devidamente marcado, pode ser feito em caminhos de bicicleta ou de pedestres ao longo das estradas, mas nunca em terreno macio, tal como gramados ou semelhantes.

5.3.2. CROSS-COUNTRY

O Cross-Country iniciou na Grã-Bretanha. O primeiro Campeonato Inglês aconteceu em 1876. As competições internacionais começaram em 1898 com uma disputa entre Inglaterra e França, enquanto em 1903 o Campeonato Internacional foi inaugurado. Este foi se desenvolvendo ao passar dos anos, particularmente até 1973, onde, sob jurisdição da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), foi renomeado para Campeonato Mundial de Cross Country. O evento tem sido, nos últimos anos, dominado pelos corredores Africanos. A Etiópia venceu a corrida masculina de 1981 a 1985 e Quênia vem triunfando até então. As Quenianas venceram 5 dos 6 campeonatos mundiais femininos disputados entre 1991 e 1996.

5.3.3. MARCHA ATLÉTICA

A tradição surgiu nos séculos XII e XIII com o Inglês lacaio, que alternava corrida e caminhada como acompanhante de seus mestres treinadores em longas jornadas, o qual inspirou as primeiras competições de caminhadas realizadas entre 1775 e 1800, na Inglaterra. Essas competições duraram mais de 6 dias, posteriormente 24 horas, etc. Em 1886, a Marcha Atlética de 7 milhas foi introduzida nos campeonatos Britânicos. Em 1908, a marcha foi introduzida nos Jogos Olímpicos de Londres com 3500m e corrida de 10 milhas. Somente a corrida de 10 milhas foi mantida em 1912. Duas corridas estiveram novamente presentes nas Olimpíadas de 1920: 3km e 20km. Em 1924, somente a corrida de 10km foi mantida, entretanto, em virtude do grande número de irregularidades encontradas, todos os eventos de marcha foram eliminados dos jogos seguintes, em 1928. A marcha Olímpica foi reintroduzida em 1932 com a distância superior a 50km e em 1948, com os 10 e 20km. Em 1952, as distâncias Olímpicas masculinas foram os 20 e 50km. A marcha feminina teve o seu primeiro recorde homologado em 1932, na República Tcheca. As competições de 10km foram introduzidas em 1991 no Campeonato Mundial da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), e, nos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, na Espanha.


6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Enciclopédia Mirador Internacional, vol. 03, São Paulo, 1981.

Enciclopédia BARSA, vol. 05, São Paulo, 1994

FERNANDES, José Luís. Atletismo: Os Saltos. 2ª edição. Editora E.P.U, São Paulo, 1984.

FERNANDES, José Luís. Atletismo: Arremessos. 2ª edição. Editora E.P.U, São Paulo, 1978.

REGRAS OFICIAIS DE ATLETISMO – Confederação Brasileira de Atletismo Rio de Jan: SPRINT