Alavancagem Operacional
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ALAVANCAGEM OPERACIONAL E FINANCEIRA


Um dos aspectos mais importantes do processo de avaliação de uma empresa é o estudo da alavancagem financeira e operacional. Uma expectativa presente em toda decisão financeira é que ela contribua para elevar o resultado operacional e líquido da empresa. Esse desempenho é potencialmente demonstrado pelo respectivo grau de alavancagem.

A aplicação da alavancagem operacional e financeira na avaliação de uma empresa permite que se conheça sua viabilidade econômica, identificando-se claramente as causas que determinaram eventuais variações nos resultados. É possível, ainda, pelo estudo, principalmente da alavancagem operacional, analisar-se a natureza cíclica de um negócio e a variabilidade de seus resultados operacionais.

A alavancagem financeira, por outro lado, permite que se avalie, entre outras informações relevantes, como o endividamento da empresa está influindo sobre a rentabilidade de seus proprietários. Por meio de seu estudo, é possível segregar o lucro operacional da empresa, ou seja, o resultado gerado por seus ativos e determinado exclusivamente pelas decisões de investimento, do lucro líquido influenciado também pelas decisões de financiamento.

O impacto total da estrutura de custos de uma empresa sobre suas decisões operacionais e financeiras é avaliado por meio da alavancagem total, que incorpora, de forma combinada, as informações das alavancagens operacional e financeira.


1. ALAVANCAGEM OPERACIONAL

A alavancagem operacional é possível pela presença de custos e despesas fixos na estrutura de resultados de uma empresa. Esses custos (despesas) não sofrem, por definição, nenhuma variação diante de mudanças no volume de atividade, mantendo-se constantes no tempo. Por exemplo, a depreciação de uma máquina ocorre independentemente de o volume de atividade, em certo período, Ter assumido acréscimos ou reduções. Da mesma forma, o aluguel, salários e honorários de administração, despesas de juros de empréstimos e financiamentos, etc. são exemplos de custos (despesas) fixos, já que esses valores independem do volume de produção ou de vendas ocorrido em determinado período.

É importante ressaltar que os custos e despesas fixos não significam valores constantes (fixos). Sua relação não está vinculada com o volume de atividade (vendas e produção) e sim com o tempo. Mantendo-se inalterados diante de variações nas vendas ou da produção, os gastos são considerados fixos, mesmo que seus valores sofram modificações periódicas. Os encargos de uma dívida em dólar, por exemplo, têm seus valores alterados pela variação cambial, e não de forma proporcional e direta ao volume de atividade. Logo, são classificados como fixos.

A idéia de custo e despesa variável, por seu lado, está vinculada diretamente ao volume de atividade. Por exemplo, comissão de vendedores, matéria-prima e embalagens, impostos incidentes sobre o valor das vendas (PIS, COFINS, ICMS, etc.), são considerados variáveis, pois seus valores oscilam de maneira direta e proporcional ao volume de produção e vendas.

Com base em uma estrutura de custos (despesas), a alavancagem operacional revela como uma alteração no volume de atividade influi sobre o lucro operacional da empresa. Em outras palavras, se as vendas sofrerem uma variação, por exemplo, de 10% em certo período, qual o impacto desse comportamento sobre o lucro operacional.

A expressão do grau de alavancagem operacional (GAO) por ser assim obtida:

Grau de

Variação no lucro operacional

ê LOP

Alavancagem =

 

=

Operacional

Variação no volume de atividade

ê VAt



Por exemplo, se um aumento de 10% nas vendas de uma empresa determinar um acréscimo de 35% nos lucros, tem-se um GAO de 3,5, que representa uma elevação de 3,5% nos resultados operacionais para cada 1% de elevação das vendas.

O GAO é determinado pela estrutura de custos (despesas) da empresa, apresentando maior capacidade de alavancar os lucros aquela que apresentar maiores custos (despesas) fixos em relação aos custos (despesas) totais. Identicamente, empresas com estrutura mais elevada de custos (despesas) fixos assumem também maiores riscos em razão da maior variabilidade de seus resultados operacionais.

Admita ilustrativamente as empresas A e B, iguais em todos os aspectos, exceto em sua estrutura de custos (despesas). A empresa A, por ser mais automatizada, tem uma relação custo e despesa fixo/custo e despesa total mais alta que B. Seus resultados são apresentados a seguir.

 

Empresa A

Empresa B

Receitas de Vendas

$ 100

100%

$ 100

100%

Custos e Despesas Variáveis

$ 30

(30%)

$ 70

(70%)

MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO

$ 70

70%

$ 30

30%

Custos e Despesas Fixos

$ 60

 

$ 20

 

RESULTADO OPERACIONAL

$ 10

 

$ 10

 

Apesar de as duas empresas apresentarem o mesmo lucro operacional e volume de vendas, a capacidade da empresa A em alavancar seus resultados operacionais é superior à demonstrada por B. O risco operacional de A, diante da variabilidade de seus lucros, também é maior que o de B. Tudo isso pode ser explicado pela maior participação dos custos e despesas fixos na estrutura da empresa A do que em B. Se ocorrer um aumento de 20% no volume de vendas, por exemplo, o lucro operacional de A se incrementa percentualmente 7 vezes mais, e o de B somente 3 vezes, ou seja:

 

ê Volume de Atividade = 20%

 

Empresa A

Empresa B

Receitas de Vendas

$ 120

100%

$ 120

100%

Custos e Despesas Variáveis

$ 36

(30%)

$ 84

(70%)

MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO

$ 84

70%

$ 36

30%

Custos e Despesas Fixos

$ 60

 

$ 20

 

RESULTADO OPERACIONAL

$ 24

 

$ 16

 

Lucro Operacional

+ 140%

 

+ 60%

 

Volume de Atividade

+ 20%

 

+ 20%

 

GAO

140% / 20% = 7

60% / 20% = 3

Para cada 1% de aumento nas vendas, a empresa A oferece uma elevação de 7% em seus resultados operacionais, e a empresa B somente 3%. Por não sofrerem variações em seus valores, os custos e despesas fixos são diluídos pela elevação do volume de atividade, alavancando maiores variações nos lucros operacionais.

Por apresentar maior participação de custos e despesas fixos, a empresa A, além de um maior potencial em promover resultados, assume também risco operacional mais elevado. Por exemplo, ao se admitir uma redução de 20% no volume de vendas, a empresa A, revela-se incapaz de cobrir seus custos (despesas) fixos mais elevados, apurando um prejuízo operacional. A empresa B, com uma participação bem mais reduzida de custos e despesas fixos, ainda consegue manter-se em situação de lucro, conforme é demonstrado abaixo.

Observe que o grau de alavancagem operacional é o mesmo (GAO = 7 para a empresa A e GAO = 3 para a empresa B), indicando uma redução, em valores percentuais, 7 vezes maior no resultado operacional da empresa A para cada unidade de variação em seu volume de vendas, e de somente 3 vezes para o caso da empresa B. Como as vendas diminuíram, a empresa com maior GAO obteve o pior desempenho.

 

ê Volume de Atividade = - 20%

 

Empresa A

Empresa B

Receitas de Vendas

$ 80

100%

$ 80

100%

Custos e Despesas Variáveis

$ 24

(30%)

$ 56

(70%)

MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO

$ 56

70%

$ 24

30%

Custos e Despesas Fixos

$ 60

 

$ 20

 

RESULTADO OPERACIONAL

($ 4)

 

$ 4

 

Lucro Operacional

- 140%

 

- 60%

 

Volume de Atividade

- 20%

 

- 20%

 

GAO

-140% / -20% = 7

-60% / -20% = 3

O grau de alavancagem operacional – GAO funciona nos dois sentidos, demonstrando maior alavancagem dos lucros e, também, dos prejuízos. Quanto maior o GAO, maior a participação dos custos e despesas fixos na estrutura de resultados e, também, maior o risco operacional da empresa.